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As Gerações do Pós-Guerra

Este artigo integra o Dossiê: Gerações do Pós-Guerra (Parte I)


Foi-se o tempo em que ter a Síndrome de Gabriela era motivo de orgulho. Dizer com convicção “eu nasci assim, eu cresci assim e sou mesmo assim (...)”, em verdade, é uma artimanha que parece nos assegurar das coisas e que negando a realidade elas permanecerão seguras, mas a mudança é inevitável e quanto mais cedo aceitarmos isso, melhor será.


Gabriela foi uma novela brasileira (1975), estrelada por Sônia Braga, baseada no romance de mesmo nome em1958 de Jorge Amado, no papel-título.
Gabriela foi uma novela brasileira (1975), estrelada por Sônia Braga, baseada no romance de mesmo nome em1958 de Jorge Amado, no papel-título.

A resistência ao novo e a predileção em morrer do mesmo jeito que se nasce, além de impossível, são um desperdício de vida tremendo. Sejamos honestos, e sem nenhuma intenção da minha parte em ser pedante ou mesmo fazer deste artigo mais uma fórmula de autoajuda barata, vale relembrarmos de quando o genial Albert Einstein disse que uma mente que se abre à uma nova ideia se expande e jamais voltará ao ponto zero. Em outras palavras, é a máxima de que se apegar ao que já passou sem uma intenção genuína, além de custosa, é simplesmente inútil.


Uns temem o novo, outros amam

Temos por essência olhar para o futuro com otimismo, mas todas as ideias novas não são aceitas de imediato e parece que seguimos à risca esse modelo desde os primórdios da nossa sociedade. Vale lembrarmos que grandes feitos e invenções que transformaram a humanidade causaram muita polêmica e resistência no seu lançamento. O famoso neurologista e psiquiatra austríaco, Sigmund Freud, já havia dito que “o novo sempre despertou perplexidade e resistência”.


Isso poderia explicar o porquê nos tornamos mais conservadores na medida em que envelhecemos. Um sintoma facilmente perceptível é quando iniciamos conversas com frases prontas, tais como “no meu tempo era diferente” ou mesmo “não existia isso no meu tempo” ou “na minha época não fazíamos isso”. A resistência de aceitar coisas novas pode ser um grande indício de que talvez você esteja adquirindo a Síndrome de Gabriela, cuidado! O medo do que é novo assusta muitos, do mesmo modo como fascina outros. A imprevisibilidade do “futuro possível” é que alimenta uma das mais famosas Leis Universais: a “Teoria do Caos”.


O cerne dela diz que uma pequena mudança no início de um evento qualquer pode trazer consequências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro. É justamente esses acontecimentos (premeditados ou não) que impactam diretamente a vida de toda uma geração. O conceito de geração é quando um grupo de indivíduos nascem em determinada época, influenciados por acontecimentos históricos em comum que causam impactos sociais relevantes. Todas as gerações adquirem características únicas ligadas ao seu comportamento, costumes e valores.


Todas as gerações impactaram na forma como vivemos hoje, como é dito na Teoria do Caos. Pois bem, qualquer ação do passado tem transformado a nossa vida no presente e qualquer ação ou decisão que a gente esteja tomando agora neste exato momento vai impactar as próximas gerações. É nessa linha que quero convidar você a trilhar comigo a história das gerações a partir do pós-guerra e das heranças que cada geração deixou para nós.


Eles ajudaram a criar o mundo de hoje

Os Baby Boomers (1940-1960) são os nascidos depois da Segunda Guerra Mundial, por isso necessitam de estabilidade e qualidade depois dos inúmeros acontecimentos quase apocalípticos que a humanidade viveu. Foi nesse período que a televisão foi se adaptando às necessidades das pessoas e começou a influenciar as famílias e ditar tendência (além do Rádio). Também foi nesta ocasião que muitas mulheres não aceitaram retornar ao lar após seus maridos e pais retornarem da guerra.


O norte-americano Bill Gates (1955) foi um dos fundadores da Microsoft e pertence a geração dos Boomers. Reprodução.
O norte-americano Bill Gates (1955) foi um dos fundadores da Microsoft e pertence a geração dos Boomers. Reprodução.

Já a Geração X (1961-1980), são os nascidos após a geração dos Boomers e viveram em uma época de significativos avanços tecnológicos. Viram o computador pessoal, a internet, o celular, a impressora, o e-mail e se desenvolverem gradualmente e de modo bem embrionário. Diferente da geração anterior, eram mais abertos a novidades e queriam mais conhecimento, porém também prezavam pela estabilidade e obediência à hierarquia. São considerados individualistas e mais competitivos. No Brasil e nos países da América Latina, nasceram sob a influência de ditaduras. Foi a geração que rompeu com alguns paradigmas das gerações anteriores, mas eram menos otimistas com o futuro e é uma das mais céticas quanto à política e ao governo.


Xuxa Meneghel (1963) foi uma das apresentadoras infantis que influenciou os Millennials na década de 90. Reprodução.
Xuxa Meneghel (1963) foi uma das apresentadoras infantis que influenciou os Millennials na década de 90. Reprodução.

As gerações dos Boomers e X viveram cercadas de instabilidade política e por isso a busca por modelos mais estáveis foi o que acabou moldando sua forma de lidar com a vida. Foram gerações que seguiam o modelo de trabalhar em um único lugar durante a vida e até mesmo ter atrelada a sua honestidade ao fato de estar empregado ou não. Buscam por modelos mais simples quando estão nas redes sociais e tendem a preferir TV e o Rádio por terem mais familiaridade.


Os Boomers e a Geração X foram mães, pais, tios, avós e influenciaram muito na vida das gerações subsequente que falarei no próximo artigo, a saber: Millennials, Geração Z e Alpha. Já se inscreve na Newsletter para não perder. Até lá!



Texto escrito por Katiane Bispo

É formada em Relações Internacionais, especialista em Políticas Públicas e Projetos Sociais. É podcaster no “O Historiante”, colunista no jornal “Zero Águia” e ativista em causas ligadas aos Direitos Humanos. Instagram: @uma_internacionalista.




Revisão textual realizada por Mateus Santana

Mestre em Linguística e graduado em Letras com habilitação em português/francês pela UNESP. Especialista em Grafologia e Neuroescrita pela Faculdade Unyleya. Amante das Artes, da Linguagem e do Discurso


Edição realizada por Eliézer Fernandes

Fundador e editor-chefe do Zero Águia, é desenvolvedor de software, formado em Segurança da Informação pela FATEC e fascinado por história e relações internacionais.


 
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