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Exploração Brutal: A Realidade Espelhada em Duna

Atualizado: 28 de mai.

Duna, dirigido por Denis Villeneuve, é um filme que se passa em um futuro distante, onde a humanidade colonizou vários planetas e é governada por um imperador e várias casas nobres. Uma dessas casas é a dos Atreides, liderada pelo duque Leto. A trama se desenrola no árido e inóspito planeta Arrakis, também conhecido como Duna.


O filme foi adaptado do livro homônimo de Frank Herbert, publicado originalmente em 1965 e que ganhou uma edição especial em 2017. Essa obra-prima da ficção científica deu início a uma das mais épicas sagas do gênero. Desde então, Duna influenciou e inspirou gerações de artistas, escritores, cineastas e leitores ao redor do mundo. Seu universo complexo, cenários envoltos em areia, vermes gigantes, guerras e intrincadas tramas políticas cativaram o público. A influência de Duna pode ser vista em outras histórias, como Star Wars, que bebeu da mesma fonte em termos de universo e política.


Em 1984, houve uma primeira tentativa de filmar Duna, dirigida por David Lynch. Embora tenha sido um fracasso de bilheteria e criticamente mal recebida na época, essa adaptação ganhou status cult entre alguns fãs. A complexidade do livro e a riqueza de seu mundo tornaram a adaptação um desafio, mas também uma oportunidade para explorar visualmente o planeta Arrakis e seus personagens.

 

Surpreendentemente, Duna nos apresenta um futuro distópico sem robôs ou máquinas de computador. Essa ausência de tecnologia convencional é central para a trama, pois coloca o foco nas relações humanas, nas alianças e nas traições. Ao contrário das típicas representações de ficção científica, onde a tecnologia é onipresente, aqui somos confrontados com uma sociedade que se baseia em habilidades individuais e estratégias políticas.

 

Essa escolha criativa nos faz lembrar de outras obras cinematográficas que exploram temas semelhantes. "Alien, o 8º Passageiro" nos apresenta uma nave espacial assombrada por uma criatura alienígena, enquanto "Transcendence" questiona os limites entre humanidade e inteligência artificial. "Interestelar" nos leva a um futuro onde a sobrevivência da humanidade depende da exploração intergaláctica, e "Vingador do Futuro" nos faz questionar nossa própria identidade em um mundo dominado pela tecnologia. Por fim, "Tropas Estelares" nos mostra uma guerra interplanetária, onde jovens soldados enfrentam desafios mortais.

 

Arrakis: O Espelho do Oriente Médio

 

O planeta Arrakis, também conhecido como Duna, é o epicentro de toda a trama. Suas vastas extensões de areia e rocha escondem um tesouro precioso: o Spice. Essa substância, cujo verdadeiro nome é melange, é essencial para a viagem interplanetária e a expansão da civilização. O Spice é cobiçado por todas as facções, e sua posse confere poder e influência. Paralelamente, a especiaria pode ser vista como uma metáfora para os recursos naturais do Oriente Médio, como o petróleo. Assim como a melange, o petróleo tem grande valor e influência global.

 

Aqui, o jogo de palavras e seus significados são cruciais. Arrakis, com sua semelhança fonética com o Iraque, evoca as tensões geopolíticas da nossa própria história. O Spice, que permite a dobra espacial e a comunicação interestelar, é análogo à gasolina que move nossos veículos e economias. As roupas e nomes dos personagens, com suas referências sutis ao Oriente Médio, nos lembram dos eventos reais que moldaram nosso mundo.

 

Duna retrata um império intergaláctico e feudos planetários em constante disputa por poder e controle. Essa dinâmica reflete as tensões geopolíticas no Oriente Médio, onde as nações competem por recursos, influência e hegemonia. A Guilda Espacial em Duna é responsável pela navegação interplanetária, sendo que os pilotos usam a melange para prever rotas seguras. Isso pode ser comparado à importância estratégica do Estreito de Ormuz no Oriente Médio, por onde passa grande parte do petróleo mundial.

 

Duna transcende o gênero da ficção científica, mergulhando em questões profundas sobre poder, exploração e influência política. Duna desconstrói estereótipos e oferece uma visão mais complexa e matizada do Oriente Médio, lembrando-nos de que as culturas não são monolíticas. À medida que acompanhamos os passos do jovem herói Paul Atreides, somos lembrados de que, mesmo em um universo distante, as lutas humanas permanecem as mesmas.

 

Detalhes do filme:


Filme: Duna (Dune)

Elenco: Timothée Chalamet (Paul Atreides), Rebecca Ferguson (Lady Jessica Atreides), Zendaya (Chani), Oscar Isaac (Duke Leto Atreides), Jason Momoa (Duncan Idaho), Stellan Skarsgård (Baron Vladimir Harkonnen), Josh Brolin (Gurney Halleck), Javier Bardem (Stilgar)

Diretor: Denis Villeneuve

 

 

 

Texto escrito por Gustavo Longo

Atuante na área da tecnologia há vinte anos, conciliador, curioso, disposto e apaixonado em sempre ajudar as pessoas, além de crente no poder transformador da Educação. Nas horas vagas, busca aprender sobre mercado de ações e em descobrir curiosidades do mundo do cinema através do canal Youtube Faro Frame. Acaba de iniciar um projeto pessoal com sua esposa para viajar e "viver" como um cidadão local em cada capital brasileira por 30 dias nos próximos anos.





Revisão: Eliane Gomes

Edição: Eliézer Fernandes


 

Referências:


 


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