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  • Superpoder: Sono

    A expectativa de vida global está ao redor de 70 anos. Um terço desse tempo de vida passamos em um estado fascinante para a ciência e psicologia, tal estado se chama sono. Nele, nosso cérebro nos paralisa e cria alucinações incríveis, por vezes assustadoras. Segundo evidências científicas, o sono tem função essencial na memória, aprendizado e dissociação emocional. Neste artigo, iremos entender quais os processos, fases e meios de se garantir uma noite melhor e mais revigorante de sono. Ciclo Circadiano Antes de mergulharmos nas fases e funções do sono, precisamos ter um entendimento do nosso relógio interno, que determina quanto, quando e como dormimos. Tal relógio se chama ciclo circadiano, em que o “ciclo” refere-se ao cíclico e “circadiano” refere-se à duração de um dia do ciclo. Provavelmente, surgiu há 700 milhões de anos atrás, pois os seres humanos tinham um ancestral comum com um pequeno verme aquático que, ao detectar a escuridão, produz um hormônio no qual tornavam as cerdas em seu corpo inanimadas e fazia-o afundar justamente quando o dia estava prestes a começar, evitando, assim, a luz. Quando a detectava, a produção cessava. Diante disso, conforme o hormônio era eliminado de seu sistema, as cerdas voltavam a se mexer, de modo que acabavam boiando na superfície, de acordo com o início da noite. Tal hormônio é chamado de melatonina, bem conhecido como o “hormônio do sono” pois ele nos sinaliza o fim do dia conforme se acumula em nosso sistema e permite o nosso adormecer. De forma semelhante ao verme, quando nossa retina percebe a ausência de luz, ela aciona nosso hipotálamo, que é basicamente um centro de controle de desejos e instintos básicos, tais como fome, sede, frio, calor, sono e alerta. O hipotálamo é informado que está escuro e ele passa essa informação à uma parte de nosso cérebro que se chama núcleo supra carismático e é esta parte que podemos chamar de relógio do corpo, pois mesmo sem informação luminosa ele ainda assim é responsável por manter o corpo em um ciclo de aproximadamente 24 horas de duração, o ciclo endógeno. Após ser informado pelo hipotálamo que está escuro, esse núcleo repassa essa informação para a glândula pineal, que responderá à tal informação com o aumento da produção de melatonina, que conforme se acumula no sistema, irá sinalizar para diversas outras partes do encéfalo, como tronco cerebral e bulbo, que “o dia está acabando e, portanto, precisamos descansar” e com isso o cansaço, a sonolência e a diminuição de atividade metabólica e cardíaca ocorrem, nos tornando preparados para entrar no sono. Fases do sono O sono pode ser dividido em duas grandes categorias: O sono REM, onde REM é a sigla para Rapid Eye Moviment, ou, Movimento Rápido de Olho em tradução livre, e o sono Não-REM. O sono REM é geralmente chamado de sono dos sonhos pois é nele que a maior parte dos nossos sonhos ocorre. Já o sono não-REM é dividido em 3 fases, que gradativamente vão se tornando mais profundas e possuem diversas funções fisiológicas e hormonais de extrema importância para a manutenção de nosso corpo. Cada fase é caracterizada por um tipo de frequência diferente, e essa frequência não é sonora, mas sim de ativação neuronal. De forma simples, para cientistas estudarem o sono eles colocam uma série de eletrodos na cabeça de voluntários e medem a atividade cerebral destes durante todas as fases do sono. As medições dos eletrodos nos revelam o grau e até o local onde tais atividades estão ocorrendo ou deixando de ocorrer, o que nos dá uma dica do que acontece neste período compartilhado por todo humano – e até todo animal – na face da terra. Fase 1 Caracterizada pela presença de ondas Theta e dos chamados espasmos do sono, que geralmente seguem a uma sensação de queda, esta fase é considerada a fase do sono leve, onde há também alucinações hipnagógicas (quando sonho e realidade se misturam). Fase 2 Essa fase é mais caracterizada pela presença de diferentes padrões de onda durante as ondas Theta. Tais padrões são chamados de fusos de sono (um rápido aumento de frequência das ondas) e os complexos K (uma súbita diminuição das ondas junto com um aumento em amplitude). Segundo algumas hipóteses tais variações das ondas Theta seriam advindas do fato de que informações externas tentam entrar no cérebro, porém são “bloqueadas” pelos hormônios e sistemas neurais responsáveis por te manter no estado de sono. Fase 3 As ondas cerebrais nesta fase são mais lentas e nomeadas de ondas Delta, o que torna esta fase a fase do sono profundo. Você não consegue acordar facilmente, hormônios de crescimento e regenerativos são liberados para fazer a manutenção do corpo e é nesta fase que distúrbios do sono se manifestam. Sono REM (Sono paradoxal) É nesta fase que a maioria dos sonhos ocorre e por algum motivo as ondas cerebrais desta fase são mais semelhantes às ondas da vigília do que qualquer outra fase. Este sono é menos “profundo” que a fase anterior, porém é em compensação o melhor para formação de memórias de longo prazo e dissociação emocional de memórias negativas dando ao sono uma característica terapêutica natural. Quanto tempo de sono precisamos? Esta resposta varia um pouco dependendo da idade, mas é bem seguro afirmar que no mínimo 8 horas são necessárias para basicamente todos os seres humanos, com crianças e adolescentes precisando de mais devido seu cérebro em desenvolvimento. Neste momento aposto que muitos leitores ou ficaram preocupados com a pouca quantidade de sono que os mesmos andam tendo e outros ficaram céticos por dormirem menos que isso e se sentirem bem, com isso eu sinto lhes informar, mas o primeiro sintoma da falta de sono é o detrimento da capacidade de se avaliar o próprio bem-estar. Como dormir melhor? Considerando que o sono é regulado por um ciclo e este ciclo é determinado pela luz, duas coisas são pré-requisitos para um sono de qualidade: periodicidade e exposição à luz matinal. A periodicidade serve basicamente para acostumar o seu cérebro a entrar e sair do sono em certos momentos, por isso um horário para se ir para a cama é até mais importante do que um horário para sair dela. Basta olhar de um ponto de vista evolucionário, ficar acordado é prioridade pois no estado de vigília você sofre menos chances de ser predado, portanto, ter um horário para ir dormir se prova muito benéfico na entrada do sono. Já a exposição à luz matinal se mostra útil para regular a fase de vigília. Basicamente os seus olhos estão otimizados para capturar a frequência de luz mais predominante na primeira metade do dia (antes de meio dia no caso) e essa exposição a luz matinal serve como gatilho para seu cronômetro interno. É de extrema importância lembrar que, caso o leitor esteja disposto a regular seu ciclo de sono, paciência vai ser um requerimento pois, o seu sistema nervoso precisa de tempo para se acostumar com a nova rotina, algo nos arredores de 2 a 3 semanas, então confie no processo e bom sonhos! Texto escrito por Heictor Bellato Graduando em Zootecnia, apaixonado por Ciência e Filosofia. Também acredita que são as pessoas que podem trazer as soluções para os problemas do mundo. Revisão por Eliézer Fernandes Edição por Felipe Bonsanto Fontes https://www.youtube.com/watchv=Byrh3s3BFjM&t=333s&ab_channel=PSYCHEXPLAINED https://labs.icb.ufmg.br/lpf/revista/revista2/panorama/cap5_1.htm

  • Vitória a Vila Velha

    No dicionário, Vitória, um substantivo feminino, é “Ação ou efeito de vencer, de derrotar o inimigo, de sair triunfante numa briga ou numa competição.” no atlas, ao observar as capitais de estados brasileiros, Vitória é a capital do estado do Espírito Santo e sua etimologia, derivada de Ilha de Vitória, foi justamente pela vitória que os portugueses tiveram contra os índios Goitacazes no início da década de 1550. Em 1534, apenas trinta e quatro anos do Brasil ter sido (re)descoberto pelos portugueses, D. João III, rei de Portugal, dividiu as terras brasileiras em capitanias hereditárias com o objetivo da exploração econômica dos locais. Uma das capitanias recebeu o nome, que possui raízes religiosas, de Espírito Santo, concedido a Vasco Fernandes Coutinho que batizou a capitania com este nome em homenagem à terceira pessoa da Santíssima Trindade, pois era Oitava de Pentecostes (também conhecido como Oitava de Páscoa) – extensão da celebração religiosa que ocorre oito dias após o Pentecostes (festa cristã que celebra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus Cristo e seus seguidores) tempo muito importante de reflexão e oração aos partidários religiosos cristãos. No ano de 1535, alguns registros indicam que Vasco Coutinho chegou ao solo Espírito-Santense a bordo da caravela Glória no dia 23 de maio. Ele fundou a sede da capitania com o nome de Vila do Espírito Santo e o primeiro povoamento da região na Prainha. Atualmente, a região é conhecida como Vila Velha e possui diversas construções históricas e símbolos religiosos importantes para o estado. A igreja do Rosário, por exemplo, teve o início da sua construção no mesmo ano. O Convento da Penha do século XVI também é um importante símbolo religioso da região. Na época, construções religiosas eram erguidas como uma estratégia comum para consolidar domínio sobre o território. Vasco Coutinho dividiu a capitania em sesmarias – sistema português com o objetivo de cultivar terras virgens – e compartilhou com os sessenta colonizadores que chegaram ali com ele. O objetivo era de colonizar a terra e fomentar a produtividade e agricultura, porém por Vila Velha ser de fácil acesso, muitos índios que já viviam no local atacavam a região e em 1549, os portugueses incomodados com a sua segurança, liderados por Vasco Coutinho, decidiram buscar um território mais seguro. Foi quando ele encontrou uma ilha montanhosa e iniciou um novo núcleo de povoamento, que recebeu o nome de Vila Nova do Espírito Santo, ao contrário do primeiro que passou a ser Vila Velha. “As lutas contra os índios continuaram até que no dia 8 de setembro de 1551, os portugueses obtiveram uma grande vitória e, para marcar o fato, a localidade passou a se chamar Vila da Vitória e a data como a de fundação da cidade.” Segundo o site morro do moreno (aliás, aqui vai uma dica que é necessário a quem for para lá: conheça o Morro do Moreno!). Formação Administrativa de Vitória a Vila Velha Vitória é composta pela parte continental e por trinta e três ilhas interligadas. A capital capixaba passou por diversas etapas até chegar ao que conhecemos hoje. Em 1545, o território de Vitória entrou na categoria de Vila e, pelo Decreto de 24-02-1823, foi elevado à cidade. Entre junções e desmembramentos de distritos, alguns deles deram origem ao município de Serra (pertencente à grande Vitória). Já Vila Velha foi vila (Lei Estadual n.º 212, de 30-11-1896), distrito, extinto (Decreto Estadual n.º 1.102, de 27-04-1931) e anexado a Vitória. Depois retornou à condição de distrito (1933), se separou da capital capixaba e recebeu o nome de Espírito Santo (Decreto n.º 5.041, de 11-07-1934). Foi extinto novamente (decreto-lei Estadual n.º 15.177, de 31-12-1943) rebaixando sua condição para distrito e recebendo o nome de Espírito Santo de Vitória e adquiriu os distritos Argolas e Jucu – que já pertenciam ao munícipio do Espírito Santo. Através da Lei nº 479, de 29 de janeiro de 1959, o município Espírito Santo passou a se chamar Vila Velha. Dias atuais Vila Velha é uma cidade muito importante para o estado do Espírito Santo. Segundo o IBGE, estima-se que a cidade tenha mais de 508 mil habitantes, mantendo-se como a cidade mais populosa do estado. Em 2020, sua economia foi a 21ª do estado capixaba com PIB de R$25.115,27. A cidade possui grandes monumentos históricos importantes não só para o estado como também para contar a história do Brasil, pois está entre as primeiras terras descobertas do país. Vitória, por sua vez, é uma região muito montanhosa e possui diversos morros dentro de si. Segundo o IBGE, em 2020, estima-se que tenha um pouco mais de 369 mil habitantes. Com ênfase da sua economia no setor terciário, em 2020 possuía um PIB de R$69.628,40 representando a quarta posição no estado (ficando atrás dos municípios Presidente Kennedy, Itapemirim e Marataízes com PIB de R$301.474,89, R$93.609,55 e R$93.156,70 respectivamente). Ainda segundo o IBGE, em 2023 o PIB do estado Espírito Santo foi o décimo quarto do país representando 1,8% (R$138.445.922,00). A capital capixaba, composta por uma parte continental e 33 ilhas, está localizada nas margens do oceano atlântico. Possui a ponte Deputado Darcy Castello de Mendonça – que é popularmente conhecida como a Terceira Ponte – a quinta maior em extensão (3,3 km) do Brasil e liga Vitória a Vila Velha. Segundo o portal UOL, em 2017 setenta mil veículos transitavam nela por dia. A capital também tem um dos portos mais importantes do Brasil – em 2021, segundo relato do site A Gazeta, pelo porto passou 40% da economia capixaba e foi responsável por aproximadamente 25% do comércio exterior do Brasil. A cidade é demarcada por morros, mar e cidades, que juntas compõem a Grande Vitória. São seis municípios (Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Viana, Vila Velha). “Quase 50% dos quatro milhões de habitantes do Estado estão na Grande Vitória, numa área que representa apenas 5% do território capixaba”, segundo o governo do Espírito Santo. A produção de café é muito forte em todo o estado, e em conversa com um morador o Desbravando Capitais foi indicado a experimentar o melhor da região: o café produzido nas montanhas 100% arábico. Apesar do Espírito Santo não ser um estado (muito) divulgado nas mídias tradicionais, alguns moradores alegaram que é devido à política, pois em Vitória facilmente se encontra produtos de produção local. As gôndolas dos supermercados têm várias opções de café com selos capixabas. Ao ouvir o programa da rádio CBN de Vitória, encontrar site que relata histórias capixabas (Morro do Moreno), banda de música que expressa sobre o regionalismo (exemplo é a banda Casaca), uma conta no Instagram sobre curiosidades do estado, influencer promovendo o que acontece na região, não se pode negar que há uma busca da valorização da cultura regional. Durante a estadia do Desbravando Capitais em Vitória acompanhamos o Instagram de uma influencer que participou de uma reunião de estado buscando iniciativas para divulgação mais abrangente no turismo, o que traz a percepção de que estão pensando e buscando melhorias no estado para receber o turismo. Turismo De acordo com a pesquisa “Entre Estações” disponibilizada no site Observatório Do Turismo em 2017, muitos turistas que visitam o estado do Espírito Santo são residentes dos estados da região sudeste do Brasil, sendo Espírito Santo (64,74%), Minas Gerais (19,45%), Rio de Janeiro (6,65%) e São Paulo (3,64%) respectivamente. O principal motivo da viagem é lazer/passeio (57,2%), visita aos amigos e familiares (20,2%) e trabalho/negócios (16%). As praias são o maior atrativo (50%), seguido pelo contato com a natureza (16,9%) e visita aos locais e festas de riqueza histórico-cultural (14,5%). Quando o motivo é negócios, a principal atividade foi comprar ou vender bens. Ao observar o dado da fonte de informação que foi utilizada para a escolha do destino percebe-se que são turistas retornando ao local já conhecido (74%) e só então o segundo lugar da pesquisa aparece, que é a indicação de amigos/parentes (15,6%). As cidades que mais receberam pernoites foram: Guarapari (31%) e Vila Velha (30%), conforme o governo do Espírito Santo que também alega que: “De acordo com o Boletim da Economia do Turismo relativo ao terceiro trimestre de 2021 as atividades turísticas no Espírito Santo registraram uma variação positiva de 19,3%, um crescimento de 55,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior. No Espírito Santo, 7,6% da economia é gerada pelo setor de turismo.”. Na minha opinião, as montanhas presentes em Vitória e no interior do estado são um dos grandes diferenciais das paisagens naturais brasileiras e conferem um charme único ao estado do Espírito Santo. Texto escrito por Fabiana Mercado Pós graduada em Comunicação e Marketing Digital, formada em Publicidade e Propaganda, acumula mais de 9 anos na área, colunista do Zero Águia, curiosa, preza o respeito a todas as pessoas independente de características. Nas horas vagas pratica corridas com o apoio da equipe Superatis. Adora conhecer novas pessoas e lugares, ama viajar e possui um projeto denominado Desbravando Capitais com o marido para morar e vivenciar durante um mês em todas as capitais brasileiras nos próximos anos. Revisão por: Eliezer Fernandes Edição por: Felipe Bonsanto Fontes https://www.dicio.com.br/ https://cidades.ibge.gov.br/brasil/es/vitoria/historico https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/capitanias-hereditarias.htm#:~:text=Jo%C3%A3o%20III%2C%20no%20ano%20de,sua%20administra%C3%A7%C3%A3o%20entregue%20a%20interessados. https://guiaesoterico.com/espirito-santo-es/ https://irmandadedocarmo.org/tag/oitava-de-pentecostes/ https://formacao.cancaonova.com/liturgia/tempo-liturgico/o-que-e-oitava-de-pascoa-na-liturgia/ https://segueme.org/afinal-o-que-e-a-oitava-de-pascoa/#:~:text=A%20Oitava%20de%20P%C3%A1scoa%20%C3%A9,%C3%A9%20prolongado%20durante%20oito%20dias. https://pt.wikipedia.org/wiki/Pentecostes https://www3.al.es.gov.br/Arquivo/Documents/legislacao/html/Decreto%2015177%20de%201944.pdf https://processos.vilavelha.es.gov.br/Arquivo/Documents/legislacao/html/L4791959.html https://pt.wikipedia.org/wiki/Vila_Velha https://www.vilavelha.es.gov.br/noticias/2018/05/vila-velha-a-cidade-berco-do-espirito-santo- 20699#:~:text=Apesar%20da%20funda%C3%A7%C3%A3o%20da%20cidade,Vit%C3%B3ria%20em%20abril%20de%201931. https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-e-sesmaria.htm https://www.es.gov.br/historia/colonizacao#:~:text=Vasco%20Coutinho%20desembarcou%20na%20capitania,onde%20fundou%20o%20primeiro%20povoamento. https://www.agazeta.com.br/especial-publicitario/portosdoespiritosanto /portos-do-es-sao-responsaveis-por-25-do-comercio-exterior-do-brasil-0421#:~:text=Porto%20de%20Vit%C3%B3ria%20(Codesa)&text=Cais%20do%20Atalaia%3A%20movimenta%20gran%C3%A9is,)%3A%20opera%20derivados%20de%20petr%C3%B3leo. https://cidades.ibge.gov.br/brasil/es/marataizes/panorama https://cidades.ibge.gov.br/brasil/es/itapemirim/panorama https://cidades.ibge.gov.br/brasil/es/presidente-kennedy/panorama https://planometropolitano.es.gov.br/comdevit#:~:text=A%20Regi%C3%A3o%20Metropolitana%20da%20Grande,Viana%2C%20Vila%20Velha%20e%20Vit%C3%B3ria. https://cidades.ibge.gov.br/brasil/es/vitoria/pesquisa/38/47001?tipo=ranking&indicador=47001 https://cidades.ibge.gov.br/brasil/es/vila-velha/panorama https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/contas-nacionais/9088-produto-interno-bruto-dos-municipios.html https://www.es.gov.br/Noticia/economia-do-turismo-registra-indices-positivos-no-espirito-santo https://setur.es.gov.br/perguntas-frequentes https://observatoriodoturismo.es.gov.br/Media/observatorio/Pesquisas/Entre%20Estacoes/Pesquisa_de_Demanda_Turistica_Entre_Estacoes_2017.pdf https://congressoemfoco.uol.com.br/projeto-bula/reportagem/quanto-custou-a-quinta-maior-ponte-do-brasil-ninguem-sabe-ninguem-viu/

  • Língua portuguesa na Costa Rica: Qual a importância?

    Este artigo pertence ao dossiê "Língua portuguesa" - Artigo 1 Quando vivemos no Brasil, pouco se sabe sobre a importância do nosso próprio idioma em outros países. Quantas vezes ouvimos falar sobre a necessidade de aprender outros idiomas, principalmente inglês, em todo o mundo? Mas nunca pensamos se o Português é importante em algum país, o suficiente para que pessoas paguem cursos, invistam seu tempo, para se dedicar a esse idioma falado por mais de 250 milhões de pessoas. Mas afinal, qual a importância da língua portuguesa pelo mundo? Falando Português pelo mundo Hoje em dia, mais ou menos 260 milhões de pessoas falam Português, ou seja, cerca de 3,7% da população mundial. Além do Brasil, vários países na África e na Ásia falam o idioma, e Portugal também está incluído nessa lista. Mas quando pensamos em nosso idioma, não damos a devida importância, e não pensamos o quão importante ele é pelo mundo, e como muda a vida de várias pessoas, relacionadas a emprego, a educação e conhecimento cultural. Um fato muito importante sobre a mudança na vida de um país inteiro relacionado ao nosso idioma, é que o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello ajudou Timor Leste a se tornar independente da Indonésia e, por essa razão, foi homenageado pelo país, além de ter tornado o Português um idioma oficial, sendo que hoje mais de 5% da população ainda fala Português. Inclusive, quando o diplomata foi assassinado em um atentado à sede da ONU no Iraque (estava pelo país para mediar o conflito existente até então), o país asiático ficou de luto, e mais uma vez prestaram suas homenagens ao brasileiro. O fato citado acima é somente um dos exemplos de como o nosso idioma pode mudar, ou já mudou, a vida de muitas pessoas. Falando Português na Costa Rica A Costa Rica, um pequeno país da América Central com um pouco mais de cinco milhões de pessoas, possui uma estreita relação com o Brasil. Isso porque muitas empresas multinacionais, como a Pfizer, Roche, Microsoft, entre outras, têm seus centros financeiros ou de atendimento ao cliente no país. Assim, por trabalharem diretamente com o mercado brasileiro, a população se vê frente a um desafio: aprender Português, um idioma tão parecido e ao mesmo tempo tão diferente do Espanhol. Além disso, também vemos nas TVs das famílias costarriquenhas as novelas brasileiras, as quais passam em espanhol, dubladas. Mas a curiosidade é despertada pelas músicas do programa, já que elas não são dubladas ou traduzidas. Quando um brasileiro visita o país, também pode ter a grata surpresa de estar em um Uber, e de repente lhe perguntarem se é do Brasil: o motorista começa a falar em Português ou diz que é apaixonado pela cultura, quer conhecer o país, entre muitos outros rasgados elogios. É algo que não imaginamos, nos deixa muito surpresos. O ensino de português por aqui muda tantas vidas, que mudou a minha. Quando cheguei no país, pensava que ia continuar exercendo minha profissão de então, trabalhando na área do Comércio Internacional. Mas a vida nos leva por tantos caminhos que cá estou, como uma professora muito orgulhosa de português para estrangeiros, e muito satisfeita por ter feito parte da mudança da vida de tanta gente. A Tiquicia, como é chamado carinhosamente o país, tem muitas escolas e institutos focados no ensino da língua portuguesa, devido às empresas que abrem suas portas e dão oportunidades aos costarriquenhos, como falamos acima. Dentro desses institutos, os cidadãos têm a chance de mudar de vida porque, se você fala português (e inglês, idioma muito comum no país), o salário pode aumentar, podem ter melhores oportunidades de carreira. “A língua portuguesa nos permite ter mais oportunidades de trabalho, melhora o nosso currículo, portanto o salário. À medida que mais pessoas falam português, mais empresas que precisam da língua desejam vir ao país para fazer seus investimentos, permitindo mais oportunidades de crescimento econômico para muitas famílias.” Natalia Jarquín, profissional na área de Customer Service na Costa Rica "No meu país, o português está se tornando cada dia mais importante para a área laboral. Neste momento, muitas empresas pedem que você fale português. Em alguns lugares, eles pagam mais por isso. No meu caso, também ajuda em situações que eu tenho que trabalhar, pois eu não preciso da ajuda de outras pessoas para traduzir, eu posso falar diretamente com o cliente.” Engenheiro de Sistemas, atuante na área de Suporte Técnico para o mercado brasileiro E aprendendo a falar português, os profissionais se deparam com toda a cultura brasileira, algo que atrai estrangeiros. “Agora que eu posso trabalhar em uma conta em português, meu salário é melhor, mas depende da empresa onde você trabalha. Eu sempre estou estudando, nunca acaba o aprendizado da língua, inclusive eu gostaria de praticar mais. Eu gosto muito do idioma, da música e da cultura." Estudante de Psicologia, atualmente trabalha na área de atendimento ao cliente BackOffice E não somente empresas necessitam do serviço de pessoas que falam português. Como muitos brasileiros vêm pra Costa Rica para trabalhar, dar treinamentos, etc. eles precisam muitas vezes de auxílio jurídico, então muitos advogados também estão muito interessados em aprender. “Aprender para poder falar com meus clientes” estudante de Direito e Português em uma universidade. Além do trabalho, a embaixada do Brasil na Costa Rica oferece bolsas de estudo para estudantes estrangeiros, como a PEC-G, (Programa Estudantes-Convênio da Graduação), dando a oportunidade para os estrangeiros concluírem seus estudos em Institutos de Ensino Superior (IES) no Brasil, assim fazendo um intercâmbio de culturas e propagando internacionalmente o nome de universidades brasileiras pelo mundo afora. E claro, na Costa Rica os estudantes de português aproveitam essa chance. Infelizmente, muitas vezes a famosa síndrome do vira-lata toma conta do imaginário brasileiro, que acaba não valorizando sua própria cultura, seu idioma, sua comida, suas novelas, suas minúcias. E quando vemos um país com pessoas tão focadas em aprender tudo que vem de nós, é algo encantador e ao mesmo tempo transformador. Acredito que é algo que devemos mudar em nosso modo de pensar. Cada vez que nos inteiramos mais de nosso país, mais nos inteiramos de quem somos, e do que podemos, e da nossa verdadeira história. Texto escrito por Caroline Prado Professora de Cultura Brasileira e Português para Estrangeiros, internacionalista, estudante de Filologia e Línguas Latinas, Embaixadora do Projeto Libertas Brasil na Costa Rica, apaixonada por plantas, livros e fontes confiáveis. Fontes https://pt.wikipedia.org/wiki/Miss%C3%B5es_de_paz_em_Timor-Leste#:~:text=Miss%C3%B5es%20no%20Timor%20Leste,-UNAMET%20(Miss%C3%A3o%20das&text=Foi%20caracterizada%20por%20uma%20miss%C3%A3o,de%201999%2C%20pela%20Resolu%C3%A7%C3%A3o%201246. https://www.gov.br/mre/pt-br/embaixada-sao-jose/educacional/pec-g Questionário “Qual a importância da língua portuguesa no seu país?” feito pela colunista Caroline Prado

  • Cães de Guerra: Os lucros da violência

    Dois jovens sem muitas pretensões começam a construir um pequeno negócio envolvendo a comercialização de armas e munições nos Estados Unidos, algo que em um país altamente militarizado, parece um mercado próspero. Num primeiro momento parece uma jogada de mestre ao apenas intermediar os contratos entre governos e obter bons lucros, mas quando estes jovens vencem um contrato de trezentos milhões de dólares com o governo norte-americano/pentágono, as demandas, cobranças e encrencas se apresentam numa proporção bem maior. Tudo Isso parece ser um enredo muito fantasioso, mas é baseado numa história real. A história de David Packouz e Efraim Diveroli é apresentada na telona através do filme Cães de Guerra e eles são interpretados por Miles Teller e Jonah Hill, respectivamente. O longa é dirigido por Todd Phillips, conhecido pela franquia "Se beber não case!". Por se tratar a priori de uma comédia, com a trama sendo levada numa toada de piadas e em como se dar bem em muitas situações, um dos questionamentos apresentados no filme pode passar desapercebido pelo grande público: o uso indiscriminado de armas de fogo. Se fizermos um recorte mais regional, focando no Brasil, vamos nos deparar com uma curva crescente do número de armas de fogo na mão dos cidadãos ao longo dos últimos anos. Com base em informações do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2022, a quantidade de armas de fogo nas mãos de civis e CACs (caçadores, atiradores desportivos e colecionadores) ultrapassou a quantidade de armas dos órgãos públicos, como as polícias civis, federal, rodoviária federal e guardas municipais, além de instituições como Tribunais de Justiça e Ministério Público. A edição do Estatuto do Desarmamento em 2003 foi o marco inicial de uma longa política de controle de armas que o Brasil se propôs em momento da sua história. Diversos estudos e pesquisas produzidos por universidades, sociedade civil além de CPIs sobre o tema, indicavam uma série de pendências que deviam ser superadas como, por exemplo, a integração dos sistemas de registro de armas do Exército Brasileiro (EB) (Sigma) e da Polícia Federal (PF) (Sinarm). A partir de 2017 e principalmente em 2019, nota-se uma mudança nos rumos do governo federal sobre o tema. A partir de uma premissa ingênua de "legítima defesa", "liberdade" e "segurança", os avanços no desarmamento foram totalmente revertidos por meio de um conjunto de atos normativos polêmicos. Com este incentivo aberto à compra das armas, temos hoje um país mais armado e com grupos de pressão pró armas organizados e com acesso as esferas de poder. Voltando as informações detalhadas apresentadas no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2022, no Sinarm, por exemplo, em 2021, das 1.490.323 armas de fogo com registro ativo, apenas 384.685 estão ligadas a órgãos públicos. Armas de empresas de segurança privada ou outros tipos de pessoas jurídicas (empresas comerciais, revendedores, importadores, etc.) somaram 275.598 armas. Servidores públicos com direito a porte por prerrogativa de função possuíam 130.545, enquanto caçadores de subsistência e cidadãos somaram 698.576 armas. No caso do Sigma, estoques particulares incluíam 1.781.590 registros ativos, sendo 957.351 em posse de CACs. Em 2021, o Sinarm contava com 1.542.168 registros de armas de fogo expirados. Número superior ao total de registros ativos (1.490.323). Para estimarmos o estoque total em acervos de particulares, é importante considerarmos as armas de fogo cujos registros estão expirados, visto que tais armas não deixam de existir quando seus registros se tornam irregulares. Podemos considerar que o total de armas de fogo em acervos particulares é de 4.429.396, entre registros regulares (Sinarm e Sigma) e irregulares (no Sinarm). Entre outros aspectos, isso significa dizer que de cada 3 armas de fogo em estoques particulares, 1 está em situação irregular. Sem fiscalização, não há como saber qual a situação, ou mesmo o paradeiro, deste estoque de armamentos, evidenciando uma grave falha no controle público sobre o tema. Há um conjunto de ingredientes que desconsideram as evidências científicas sobre o impacto de longo prazo que armas de fogo e munições exercem na sociedade brasileira. Muito além do discurso político que propaga desinformação e incentiva que os brasileiros se armem, o governo federal foi responsável por normas que facilitam o acesso às armas de fogo, ampliam a quantidade e os tipos de armas que as pessoas podem adquirir, possibilitam a compra de uma quantidade muito maior de munição e seus insumos para fabricação particular e não controlada, além de desmantelar os mecanismos de fiscalização pela vertente do rastreamento de armas e munições. Por fim, é importante ressaltar que estudos demonstram que em uma sociedade de relações violentas como o Brasil, armas são catalizadores do efeito morte, escalonando situações do dia a dia em direção a desfechos fatais. As pesquisas de opinião mostram com frequência que o brasileiro não quer armas, mas sim segurança. Nota: O Anuário Brasileiro de Segurança Pública se baseia em informações fornecidas pelas secretarias de segurança pública estaduais, pelas polícias civis, militares e federal, entre outras fontes oficiais da Segurança Pública. A publicação é uma ferramenta importante para a promoção da transparência e da prestação de contas na área, contribuindo para a melhoria da qualidade dos dados. Além disso, produz conhecimento, incentiva a avaliação de políticas públicas e promove o debate de novos temas na agenda do setor. Trata-se do mais amplo retrato da segurança pública brasileira promovido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o qual é uma organização não-governamental, apartidária, e sem fins lucrativos, que se dedica a construir um ambiente de referência e cooperação técnica na área da segurança pública. A organização é integrada por pesquisadores, cientistas sociais, gestores públicos, policiais federais, civis e militares, operadores da justiça e profissionais de entidades da sociedade civil que juntos contribuem para dar transparência às informações sobre violência e políticas de segurança e encontrar soluções baseadas em evidências. Mais detalhes do filme: Filme: Cães de Guerra (War Dogs/Os Traficantes) Elenco: Jonah Hill (Efraim Diveroli), Miles Teller (David Packouz), Bradley Cooper (Henry Girard), Shaun Toub (Marlboro) Diretor: Todd Phillips Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=RqYwugvG8Po Trilha sonora: https://www.youtube.com/watch?v=OMZverNhZ14&list=PLhRwXV4AOPdQK9Oe_VK9ya6EmD9uPW32i Avaliação IMDB: https://www.imdb.com/title/tt2005151/?ref_=fn_al_tt_1 (7.1) Avaliação Rotten Tomatoes: https://www.rottentomatoes.com/m/war_dogs_2016 Texto escrito por Gustavo Longo Atuante na área da tecnologia há vinte anos, conciliador, curioso, disposto e apaixonado em sempre ajudar as pessoas, além de crente no poder transformador da Educação. Nas horas vagas, busca aprender sobre mercado de ações e em descobrir curiosidades do mundo do cinema através do canal Youtube Faro Frame. Acaba de iniciar um projeto pessoal com sua esposa para viajar e "viver" como um cidadão local em cada capital brasileira por 30 dias nos próximos anos. Referências: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2022/06/sob-governo-bolsonaro-acesso-a-armas-cresce-39-mas-apreensoes-caem.shtml https://www1.folha.uol.com.br/podcasts/2021/02/os-decretos-de-bolsonaro-que-facilitam-o-acesso-a-armas-e-suas-consequencias-ouca.shtml https://forumseguranca.org.br/anuario-brasileiro-seguranca-publica/ https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2022/06/anuario-2022.pdf?v=5 https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2022/06/anuario-2022-infografico.pdf https://www.papodecinema.com.br/filmes/caes-de-guerra/

  • Nomadland: A vida em movimento

    Após perder o emprego e o marido em questão de meses, Fern, uma senhora na casa dos 60 anos, reúne seus poucos pertences numa van e parte rumo à exploração de um novo futuro possível. Fora da lógica dominante na sociedade, ela se transforma numa nômade moderna. Esta é uma introdução breve para o filme Nomadland de 2020, estrelado pela consagrada atriz Frances McDormand, roteirizado e dirigido pela premiada diretora chinesa Chloé Zhao, radicada nos Estados Unidos. A partir de uma construção propositalmente delicada e artística, Chloé Zhao apresenta Nomadland. Uma produção repleta de sutilezas e atenção aos detalhes, sem grandes diálogos ou explicações, além de fugir de uma trama mais tradicional, com início, meio e fim. A estrela Frances McDormand faz de Fern talvez a mais complexa, e ainda assim menos óbvia, de todas as personagens que interpretou ao longo de uma brilhante carreira de quase quarenta anos. Nomadland é um filme muito premiado, sendo que a diretora Chloé Zhao se tornou a segunda mulher (e a primeira asiática) a ganhar a categoria de melhor direção no Oscar, enquanto Frances McDormand se tornou a primeira pessoa a ganhar o Oscar tanto como produtora quanto como atriz pelo mesmo filme. Quase todo o elenco do filme era composto por pessoas "reais", ou seja, não eram atores profissionais. Linda May, Charlene Swankie e Bob Wells são nômades da vida real que interpretam versões fictícias de si mesmos. Frances McDormand se integrou tão bem na comunidade nômade que a empresa Target lhe ofereceu um formulário de emprego. Sua experiência de morar em uma van levou de quatro a cinco meses, cobrindo sete estados americanos. Ela adotou um estilo de vida nômade para fazer o filme parecer mais autêntico, em vez de apenas atuar nas cenas. Muitos dos colegas de tela de Frances McDormand, como Charlene Swankie e Bob Wells, não tinham ideia de que ela era uma estrela de Hollywood. Bob ainda não sabia disso até filmarem uma cena emocionante na qual Fern se lembra de seu falecido marido, Bo. Depois da gravação, Bob buscou Frances em particular para lhe confortar por contar a história do marido e que tudo ficaria bem. Frances então revelou que o nome de seu marido era na verdade Joel Coen e ele ainda estava vivo. Bob ficou muito surpreso ao saber que Frances era de fato uma atriz. O início da jornada Inicialmente o filme apresenta a cidade de Empire em Nevada nos Estados Unidos. De fato, este é um lugar real que praticamente pertencia à US Gypsum, uma empresa americana que fabrica materiais de construção, principalmente drywall e joint compound. Em janeiro de 2011, a US Gypsum fechou sua mina de gipsita (ou pedra de gesso) como fruto da crise imobiliária de 2008 e, posteriormente, a cidade com ela. Os residentes com filhos puderam continuar nas casas pertencentes à companhia até junho de 2011, devido ao fim do ano escolar. O código postal foi descontinuado mais tarde visto que Empire se tornou uma cidade fantasma. Há uma questão fundamental no centro de Nomadland: o quanto o personagem da Fern está nesse estado por ser a única condição que lhe resta ou até que ponto há um fator de escolha envolvido? Até que ponto a Fern estava numa jornada de autoconhecimento e descobertas? Uma cena impressionante do filme apresenta uma criança perguntando a Fern se de fato ela é uma sem-teto e ela responde: "No, I'm not homeless. I'm just houseless". Numa tradução livre, homeless seria sem teto e houseless seria sem-abrigo ou sem casa. Buscando uma interpretação mais aprofundada, vemos que o significado é que a Fern se entende como possuidora de um lar dentro do senso de comunidade com seus amigos nômades, apesar de não possuir mais um abrigo tradicional de tijolos, telhas, madeira e vidro. Viver dentro de um carro ou algo similar, viajando o mundo com destino incerto e buscando a sobrevivência por meios de trabalhos temporários parece atraente para você? Talvez a resposta possa ser um sonoro "sim!", tendo em mente todos os mecanismos societários que o prende em um local e rotina totalmente fixos e o desejo de uma vivência mais aventureira, quebrando o padrão das regras mais usuais. Entretanto, você já parou para pensar o que é significa ser um nômade? O que é ser nômade? Aqui precisamos introduzir alguns conceitos e deixar algumas ideias a serem desenvolvidas: nomadismo versus sedentarismo e como nômades, migrantes e refugiados fazem parte de um movimento complexo e interconectado na sociedade. Como cita Yuval Noah Harari no seu best seller "Sapiens: Uma breve história da humanidade", durante mais de 2 milhões de anos, os humanos se alimentaram coletando plantas e caçando animais que viviam e procriavam sem sua intervenção. Por que fazer outra coisa se seu estilo de vida fornece alimento abundante e sustenta um mundo repleto de estruturas sociais, crenças religiosas e dinâmica política? Tudo isso mudou há cerca de 10 mil anos, quando os homens começaram a dedicar quase todo seu tempo e esforço a manipular a vida de algumas espécies de plantas e de animais. Do amanhecer ao entardecer, os humanos espalhavam sementes, aguavam plantas, arrancavam ervas daninhas do solo e conduziam animais a pastos escolhidos. Este trabalho, pensavam, forneceria mais frutas, grãos e carne. Foi uma revolução na maneira como os humanos viviam: a revolução agrícola. Os caçadores-coletores começaram ao alterar seu estilo de vida nômade, que implica a falta de uma habitação fixa numa região para um estilo de vida sedentário (não confunda apenas com falta de exercício físico!). Ou seja, os grupos sociais precisavam se fixar em algum local para cuidar de suas plantas e animais domesticados. Com o passar do tempo, a sedentarização se tornou uma regra, fazendo com que os grupos sociais se estabelecessem em certas regiões indo até o desenvolvimento do conceito de fronteiras e Estados nacionais. Mas é claro que a vida nômade, movimentos de migração e refúgio também fazem parte da história humana em vários aspectos e com diferentes intensidades. Se faz necessário mapear diferentes mecanismos de produção de subjetividade em espaços de errância (dos errantes que vivem e andam sem destino) e de fixação, entre nômades, refugiados e migrantes. Os diferentes tipos de migração podem ser compreendidos em uma escala gradual, do nomadismo ao sedentarismo. O que distingue um do outro não é apenas o movimento, mas o modo como cada um se relaciona com o espaço: enquanto o nômade se distribui sobre o território sem um percurso definido, o sedentário distribui o território em pontos fixos, e o migrante se desloca entre um ponto de partida e outro de chegada, com um roteiro determinado. O refugiado é um migrante temporariamente sedentarizado, não totalmente integrado à terra onde reside. Fluxos Migratórios A história da própria Europa demonstra o quanto ela foi e é constituída por fluxos migratórios, internos e externos. Desde o século XVI, a migração laboral configurou os territórios simultaneamente à formação dos Estados nacionais. Os refugiados da época, a despeito de qualquer status jurídico, eram fugitivos de guerras e perseguições religiosas que buscavam um lugar onde pudessem ser acolhidos com sua identidade (judeus, protestantes, católicos ou muçulmanos). Outra grande onda migratória que atravessou a Europa ocorreu entre o fim do século XIX e a Segunda Guerra Mundial: a migração transatlântica deslocou milhões de europeus. Primeiramente por motivos econômicos (promessa de terra e trabalho no Novo Mundo), depois em razão da guerra. Nesse período, o refúgio político começou a ser confundir com a migração laboral. Segundo o manual do ACNUR (Agência da ONU para refugiados), temos alguns conceitos interessantes: Refugiados são pessoas que escaparam de conflitos armados ou perseguições (principalmente políticas e religiosas) com risco iminente de morte. Migrantes escolhem se deslocar principalmente para melhorar de vida, buscando melhores oportunidades de trabalho e educação. A determinação da condição de refugiado não tem como efeito atribuir-lhe a qualidade de refugiado, mas sim constatar essa qualidade. Uma pessoa não se torna refugiado porque é reconhecida como tal, mas é reconhecida como tal porque é um refugiado. Embora migrantes e nômades não sejam, em termo conceituais, a mesma coisa, muitas vezes os migrantes acabam se nomadizando, sendo assim, as migrações estão sendo pensadas como um vetor de desterritorialização e de nomadização. As pessoas são movidas pelo desejo, que funciona na subjetividade de cada um como uma força motriz que o coloca em movimento, e capaz de enfrentar obstáculos, refazer caminhos, superar dor e sofrimento em torno do seu objetivo. A felicidade e novos horizontes estão lá, em algum lugar, a espera por eles. Isso significa que há uma perda das referências da identidade do sujeito perante o mundo, diante de sua comunidade e a si mesmo. Sendo assim, se produz neste processo um corpo híbrido, o migrante e o nômade se fundem e ao combinar tudo isso, os sujeitos operam em si um processo disruptivo com sua própria realidade. Os corpos híbridos, que incorporam o migrante e o nômade, desafiam o controle que o Estado exerce sobre os que estão sob o domínio do território o qual governa. O estado percebe a possibilidade de perda de controle sobre populações que se deslocam, pois necessita de populações sedentárias, ou seja, que tenham referências fixas de território, língua, identidade, que possam ser catalogadas e classificadas para o melhor exercício do biopoder. O biopoder é uma tecnologia de regulamentação que tem como objeto o corpo-espécie, a população e suas taxas estatísticas de doenças, nascimentos, etc. A partir de uma visão global, tem como intento criar análises e políticas em nível macro, considerando as taxas de normalidade para cada objeto específico observado. Em geral, uma complexa rede de instituições se mobiliza para a garantia assistencial e de controle dos imigrantes e refugiados. Há portanto, um movimento circular de tensões e distensionamento na relação entre estas populações, ou parte delas e o Estado. Há sempre o exercício do poder sobre os corpos, este biopoder se distribui em duas grandes linhas de ação: a biopolítica, que é o conjunto de prescrições sobre os modos de vida; e as disciplinas, o regramento que determina a permissividade sobre a ação dos corpos no mundo, em geral, dentro de certas organizações que têm esta premissa, as escolas, hospitais, abrigos, etc. As dificuldades em relação aos imigrantes e refugiados é um fenômeno global e afeta todos os países em diferentes níveis. Após a Segunda Guerra Mundial, diversas convenções internacionais foram estabelecidas para garantir que os direitos essenciais da pessoa humana sejam respeitados sem nenhum tipo de discriminação, ou seja, a afirmação do direito a toda pessoa ter o acesso a serviços de saúde, acolhimento, proteção, cuidado, independentemente da sua origem, nacionalidade ou qualquer outro elemento identitário. Enfim, apenas aplicar o rótulo de nômade, migrante ou refugiado a um grupo de pessoas é uma visão muito simplista e ingênua de uma relação mais intricada e complexa dos entes sociais e do Estado em diversos níveis. Mais detalhes do filme: Filme: Nomadland (Nomadland - Sobreviver na América) Elenco: Frances McDormand (Fern), David Strathairn (Dave), Linda May (Linda) Diretor: Chloé Zhao Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=_nOeh677C8U Trilha sonora: https://www.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_kcSyD15GBS2GNfvspooLIZqdCt8eS3DsA Avaliação IMDB: https://www.imdb.com/title/tt9770150/?ref_=nv_sr_srsg_0 (7.3) Avaliação Rotten Tomatoes: https://www.rottentomatoes.com/m/nomadland Texto escrito por Gustavo Longo Atuante na área da tecnologia há vinte anos, conciliador, curioso, disposto e apaixonado em sempre ajudar as pessoas, além de crente no poder transformador da Educação. Nas horas vagas, busca aprender sobre mercado de ações e em descobrir curiosidades do mundo do cinema através do canal Youtube Faro Frame. Acaba de iniciar um projeto pessoal com sua esposa para viajar e "viver" como um cidadão local em cada capital brasileira por 30 dias nos próximos anos. Fontes: Sites: https://pt.wikipedia.org/wiki/Nomadland https://en.wikipedia.org/wiki/Nomadland_(film) https://www.imdb.com/title/tt9770150/?ref_=nv_sr_srsg_0 https://en.wikipedia.org/wiki/USG_Corporation https://pt.wikipedia.org/wiki/Empire_(Nevada) https://www.papodecinema.com.br/filmes/nomadland https://www.zeroaguia.com/post/refugiados-a-escolha-por-continuar-a-viver Artigos cientificos: Cuidado sem Fronteiras: o refúgio dos venezuelanos em Roraima e os dispositivos de governamentabilidade (Túlio Batista Franco) Nomadismo, migração, refúgio: itinerário em três movimentos (Beatriz de Barros Souza e Francisco Freitas) Livro: Título: Sapiens: Uma breve história da humanidade (Sapiens - A Brief History of Humankind) Autor: Yuval Noah Harari Editora: L&PM Editores ISBN: 978-85-254-3218-6

  • Vozes da Liberdade: Palestina

    Neste mês em que comemoramos a liberdade de imprensa, teremos esta coluna dedicada à memória da jornalista palestino-americana Shireen Abu Aqla, da rede Al Jazeera, morta durante a cobertura de uma operação israelense em um campo de refugiados na Cisjordânia em maio de 2022. Ela foi uma das primeiras repórteres do sexo feminino a trabalhar na Al Jazeera e cobriu o conflito palestino-israelense por 25 anos. Shireen Abu Aqla, presente! Cum Tacent, Clamant. “Enquanto se calam, gritam, isto é, o silêncio deles é eloquente” (Cícero, Catilinária I, 8). A escolha dessa máxima latina se justifica pois, no final de meu último artigo, prometi que neste falaria sobre histórias em quadrinhos (HQs) e os Balcãs, mas o conflito palestino-israelense novamente virou notícia na grande mídia no mês passado. Contudo, a voz palestina permanece silenciada e este pequeno artigo só deseja ressoar esse silêncio ensurdecedor que já dura décadas. Para isso as HQs têm uma contribuição muito relevante, sobretudo as obras do artista e jornalista Joe Sacco. No final dos anos de 1990, escreve Edward Said que seu filho chegava em casa com o primeiro volume dos quadrinhos de Joe Sacco sobre a Palestina. Assim descreve Said: “Fui então imediatamente transportado ao período da primeira grande Intifada* (1987-1992)”. Palestina foi uma obra revolucionária sobre a narrativa do conflito envolvendo a disputa de território entre palestinos e israelenses na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.” Não pretendo me debruçar sobre os detalhes desse conflito. Para quem deseja se aprofundar numa versão não enviesada pela mídia estadunidense pró Israel, recomendo A questão da Palestina de Edward W. Said. Aqui quero explorar de que forma as HQs Palestina, uma breve reportagem chamada Por dentro da cidade de Hébron e o posterior Notas sobre Gaza podem nos ajudar a compreender um ponto de vista sobre esse conflito, muito pouco abordado em nosso meio: a visão dos palestinos. Podemos dizer que Palestina contribuiu significativamente para mudanças na forma como uma guerra era retratada. Segundo José Arbex Jr., a primeira guerra televisa da história foi a Guerra do Golfo (1990-1991). Esta foi uma guerra sem corpos, na qual o telespectador assistia tudo em tempo real, mas filtrado pela câmera do cinegrafista e pela edição da emissora. Essa realidade editada criava a verdade sobre os inimigos do ocidente que, com o fim da guerra fria, deixava de ser a extinta União Soviética e passará a ser, em pouco tempo, os muçulmanos, tidos todos como terroristas. É nessa conjuntura que Joe Sacco viaja por dois meses e meio, em fins de 1991, a Israel e aos Territórios Ocupados na Cisjordânia. A HQ é resultado de um intenso trabalho de campo que pretendia retratar o lado palestino do conflito, a partir de um contato direto com o povo que sofre suas consequências cotidianas. O trabalho mostra que os palestinos vivem em uma zona de exceção, onde a guerra pauta todas as dimensões de suas vidas, como mostra o trecho a seguir: “No ônibus para Beit Sabour comecei a conversar com alguns palestinos que retornavam de Belém (às 9h30 da manhã) depois de esperar três horas em uma seleção de trabalhadores braçais, em Jerusalém. Não tiveram sorte. De qualquer forma, eles não tinham as licenças de trabalho adequadas, porque custam dinheiro e disseram, “onde arranjaríamos o dinheiro para a licença?” No fim das contas, eles não trabalham, não conseguem bancar uma universidade. As coisas sempre foram sofridas, mas agora os [imigrantes] russos pegam todos os serviços pequenos que antes os palestinos conseguiam, o trabalho braçal. Há trabalhos em Belém? Um deles tinha família grande e seu pai tinha que sobreviver com 40 shekels diários. Eles criticavam o processo de paz. “De que forma a Hannan Ashrawi [uma ativista palestina, na época envolvida nas negociações de paz de Madri] me representa?”, disse um deles, “ela já tem educação e carro e casa, e eu não tenho nada, preciso me preocupar em matar a minha fome”. Estavam desgostosos. O cara do meu lado disse que dois de seus amigos foram mortos na Intifada, outro também contou que perdeu um amigo. “Se não me deixarem viver em minha terra”, falou, “então vou morrer na ocupação”. “Terra é vida”, disse o mais falador... Outra coisa ele declarou, depois de afirmar já ter disparado uma arma: que há mais coisas a caminho, não só pedras. “Eles [os membros da resistência] têm bombas”, disse, “têm tudo”. (Sacco, J. Palestina, 2011, p.xxi). Não pude deixar de destacar esse trecho mais longo, pois entende-se como emblemático sobre a importância dessa obra para termos a real dimensão do sofrimento de um povo sitiado e oprimido em sua própria terra. Todavia, sei que há argumentos de ordem histórica, religiosa e sociais que levam os israelenses a defender sucessivos governos sionistas que não reconhecem o direito palestino a seus territórios ocupados há séculos. Em Por dentro da cidade de Hébron, Joe Sacco foi a Hébron em 2001, cidade mais conflituosa da Cisjordânia, e registra os argumentos de alguns israelenses e palestinos sobre as ocupações nesse território. Em entrevista com David Wilder, judeu estadunidense que se mudou para Hébron, o mesmo justifica esse movimento como um “o ápice do retorno às raízes”. Isso se dá porque, de acordo com seu ponto de vista, essa é a terra do patriarca Abraão e onde se iniciou o reinado de Davi, que os judeus passaram 700 anos sem puder fazer suas orações, neste local, devido ao domínio árabe. É a ocupação judaica que os restituiu esse direito. O problema é que, segundo os palestinos, agora são eles quem não podem mais acessar a mesquita Haram al-kalil, quarto local mais sagrado do islã. A manutenção dessa ordem, por parte dos israelenses, acontece por um forte poder de repressão com uso de armas de fogo contra residências de civis palestinos. São muitos os desenhos de Joe Sacco onde buracos de balas nas casas evidenciam a desproporção da força militar israelense. Já Notas sobre Gaza é uma obra histórica refinada sobre dois episódios dessa guerra: o assassinato de um grande número de civis em Khan Younis em 1956, e posteriormente, outro massacre em Rafah. O trabalho de campo se deu entre 2002 e 2003 e contou com entrevistas e acesso a arquivos familiares e públicos. Sacco registra uma conversa crucial que liga o passado e o presente do povo palestino: “Os homens e as mulheres de mais idade tinham muitas histórias a contar sobre pais e maridos mortos dentro da própria casa ou enfileirados nas ruas e fuzilados por soldados israelenses. Um desses entrevistados foi Abed El-Aziz El- Rantisi, membro do Hamas, o Movimento de Resistência Islâmica (que mais tarde foi morto por um míssil israelense). El-Rantisi, que tinha nove anos de idade em 1956, contou que seu tio foi assassinado. “Ainda me lembro do lamento e do choro do meu pai por seu irmão”, ele disse. “Não consegui dormir por meses [...]. Isso deixou uma ferida no meu coração que nunca vai cicatrizar. Estou quase chorando só de contar a história para vocês. Um ato como esse nunca pode ser esquecido [...]. Eles semearam o ódio no nosso coração”. (Sacco, J. Notas sobre Gaza, 2010, p.vii). O passado é fundamental para compreendermos o presente dessa guerra. Depois de tantos desdobramentos, reconheço a dificuldade de tomar um lado nesse conflito, mas o silenciamento do lado palestino traz a necessidade de que a obra de Joe Sacco seja destacada como um marco àqueles que se preocupam em obter um conhecimento mais abrangente desse conflito. É também a História que mostra que israelenses e palestinos, povos semíticos irmãos, podem viver juntos, desde que os interesses escusos de algumas potências inescrupulosas não estivessem acima dos milhares de homens, mulheres e crianças mortos todos os dias nesse conflito injustificado. Contudo, enquanto o tempo não curar essas feridas abertas, que não deixemos de reconhecer e defender o direito dos palestinos a um Estado independente. Terra é vida. Intifada: do árabe “agitação”, “levante”; em português “revolta”. É o nome popular atribuído às insurreições de palestinos contra Israel na Cisjordânia. Texto escrito por Marco Aurélio Cardoso Moura Professor de Língua Portuguesa no Ensino Médio; formado em Letras pela USP e especialista em Juventude no Mundo contemporâneo pela FAJE-BH. Hoje é mestrando em Educação pela FE-USP e colunista do “Zero Águia”. Referências bibliográficas Sacco, J. Palestina. São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2011. Sacco, J. Notas sobre Gaza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. Sacco, J. Por dentro da cidade de Hébron. In: Reportagens. São Paulo: Quadrinhos da Cia, 2016. Said, E. W. A questão da Palestina. São Paulo: Ed. Unesp, 2012.

  • O perigo de não olhar para cima

    Um cometa gigantesco em rota de colisão com a Terra pode ser negado? Acredite se puder, este é o mote do filme Não olhe para cima, lançado pela Netflix em dezembro de 2021 e que bateu vários recordes de audiência, além de trazer uma gama de discussões nas midias sociais. O diretor e roteirista Adam McKay buscou um elenco estrelado, contando com Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence, Jonah Hill e Meryl Streep para nos apresentar a história de dois cientistas, com pouco prestígio, que realizaram a descoberta de suas vidas ao identificar um cometa de dimensões catastróficas em rota de colisão com a Terra. Ao tentar alertar a população e as autoridades o resultado foi basicamente a negação do que era óbvio e o desencadeamento de uma divisão pseudo-ideologica, que se tornou uma cortina de fumaça para ganhos eleitorais e financeiros de grupos poderosos. Apesar das claras correlações com o período atual, o roteiro do filme foi escrito em 2019 e o projeto teve diversos atrasos em sua produção, principalmente devido aos impactos da pandemia em todos os meios, inclusive nas produções cinematográficas. Sendo assim, por mais que os roteiristas Adam McKay e David Sirota pudessem exercer todo seu poder de criatividade e inventividade ao criar uma sátira da realidade propositalmente exagerada, não chegaria nem perto de todas as situações reais e escabrosas que vivenciamos em âmbito nacional e mundial. Catástrofes e negação A alegoria de um fim eminentemente catastrófico devido a negação da ciência, irresponsabilidade das autoridades e governantes, foco em interesses financeiros a curto prazo, propagação de fake news e direcionamento tendencioso de mídia, tem relação de fato com algo bem real no mundo atual: o risco do aquecimento global e seus efeitos também catastróficos para o planeta. Você pode estar se perguntando: relacionar o roteiro do filme (catástrofe imediata de um cometa) com o aquecimento global pode ser algo exagerado, não é? Alguns críticos também já exaltaram este ponto, mas eu digo que não, não é exagero! O aquecimento global devido ao fato de lançarmos gases de efeito estufa na atmosfera tem um potencial destrutivo tão grande quanto. Eis uma analogia interessante: o clima é como uma banheira sendo enchida lentamente, mesmo se fecharmos um pouco a torneira e deixarmos apenas um fio de água escorrendo, em algum momento a banheira acabará transbordando. Bill Gates cita em seu livro "Como evitar um desastre climático. As soluções que temos e as inovações necessárias", 2021, Companhia das Letras: "Há dois números que você precisa ter em mente sobre mudanças climáticas. Um é 51 bilhões. O outro, zero. Cinquenta e um bilhões são as toneladas de gases de efeito estufa que o mundo lança à atmosfera anualmente.[...] Zero é que devemos almejar." Mais uma vez você pode ser perguntar: o que não falta no mundo é gente rica com ideias grandiosas sobre o que os outros deveriam fazer ou que acreditam que a tecnologia pode consertar qualquer problema? Não se pode negar que realmente Bill Gates é um ricaço cheio de opiniões, mas devemos ressaltar que suas opiniões são embasadas e realmente apoiam muitos projetos interessantes. Ainda citando o livro escrito por Bill Gates, uma reflexão interessante é como nos deparamos com fatos difíceis de entender ao estudar mudanças climáticas. Para começar, os números são muito grandes, quem consegue mensurar 51 bilhões de toneladas de gás? Outro problema é quando os dados são citados sem contexto. Sendo assim, no livro é apresentada uma linha de raciocínio para entender o que é muito ou que é pouco, qual é o custo, quais são ideias promissoras. Eis algumas perguntas a se fazer em qualquer conversa sobre o clima: 1) De quanto dos 51 bilhões de toneladas estamos falando? Ou seja, qual é a porcentagem de impacto? 2) Como isso impacta as 5 atividades produtoras de emissões: o que fabricamos, ligamos na tomada, produzimos para comer, transportamos e usamos para aquecer/resfriar coisas? 3) De quanta potência estamos falando? (Lembre-se: Quilowatt = residências, Gigawatt = cidades de porte médio. Centenas de gigawatts = países grandes e ricos). 4) De quanto espaço precisamos? Algumas fontes de energia ocupam mais espaço que outras e claro que existe um limite para a quantidade de terra e água disponíveis. A densidade de potência é o número relevante aqui (watts por metro quadrado). 5) Quanto vai custar? O motivo pra emitirmos tantos gases de efeito estufa é que nossas tecnologias energéticas atuais são de longe a solução mais barata de que dispomos. A maioria dessas soluções de carbono zero é mais cara que suas alternativas de combustível fóssil. Estes custos adicionais são chamados de Prêmios verdes. Se faz necessário entender se estes prêmios são baixos o suficiente para serem bancados pelos países de média renda. Retomando o filme, este nos apresenta uma sátira ácida e que nos faz sorrir em alguns momentos, mas nos faz sorrir com aquele amargor na boca, com a aquela sensação de aquelas situações mostradas no filme podem e de fato acontecem na vida real, infelizmente! Mas não percam as esperanças, o filme e o livro mencionados suscitam desafios enormes que temos pela frente para evitar uma catástrofe e lembram que agindo de forma inteligente e inovação, podemos buscar um mundo melhor para viver. Mais detalhes do filme: Não Olhe Para Cima (Don’t Look Up) | EUA, 24 de dezembro de 2021 Direção: Adam McKay Roteiro: Adam McKay, David Sirota Elenco: Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence, Rob Morgan, Jonah Hill, Mark Rylance, Tyler Perry, Timothée Chalamet, Ron Perlman, Ariana Grande, Scott Mescudi, Cate Blanchett, Meryl Streep Texto escrito por Gustavo Longo Atuante na área da tecnologia há vinte anos, conciliador, curioso, disposto e apaixonado em sempre ajudar as pessoas, além de crente no poder transformador da Educação. Nas horas vagas, busca aprender sobre mercado de ações e em descobrir curiosidades do mundo do cinema através do canal Youtube Faro Frame. Acaba de iniciar um projeto pessoal com sua esposa para viajar e "viver" como um cidadão local em cada capital brasileira por 30 dias nos próximos anos. Referências: https://pt.wikipedia.org/wiki/Don%27t_Look_Up https://en.wikipedia.org/wiki/Don%27t_Look_Up https://agenciadenoticias.uniceub.br/criticas-e-resenhas/nao-olhe-para-cima-filme-satiriza-o-negacionismo/ https://www.planocritico.com/critica-nao-olhe-para-cima/ https://www.youtube.com/watch?v=oJv9bxU3kXc&list=PL9tJjp1SZlmKrB77Zmjrvmc3xvsrEYt7h&index=25 https://www.youtube.com/watch?v=0NCt-m0ZDKk&list=PL9tJjp1SZlmKrB77Zmjrvmc3xvsrEYt7h&index=26 https://www.youtube.com/watch?v=vm4_YN-NzWE&list=PL9tJjp1SZlmKrB77Zmjrvmc3xvsrEYt7h&index=27 Livro "Como evitar um desastre climático. As soluções que temos e as inovações necessárias", Bill Gates, Companhia das Letras, 2021

  • Moïse Kabagambe: a morte que desnuda o racismo no Brasil

    Nesta semana, o vídeo brutal da morte do refugiado congolês Moïse Kabagambe (24) viralizou nas redes sociais, nele, Kabagambe aparece sendo espancado até a morte por 3 homens em um quiosque na Barra da Tijuca , zona oeste do Rio. O fato reacendeu a discussão sobre o racismo no Brasil e a banalização da violência na sociedade, sobretudo com pessoas pretas. Um dos homens que participou do espancamento que matou Kabagambe chegou a declarar à polícia que precisava “extravasar a raiva” naquele dia e outro que “tinha a consciência tranquila” pelo que fez. As declarações demonstram uma frieza e nenhum arrependimento pelo modo como foi tirada a vida de uma pessoa em um ponto com grande circulação de pessoas e visto como um dos mais seguros para o turismo carioca. A banalização da violência, em estados como Rio de Janeiro - com números que aproximam-se de uma Guerra Civil – principalmente com a camada mais pobre e preta da população brasileira nos relembra os inúmeros assassinatos que estampam os jornais diariamente. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no estudo realizado intitulado “Vidas Perdidas e Racismo no Brasil”, o percentual de negros assassinados no Brasil é 132% maior do que o de brancos. Poderíamos analisar o assassinato de Kabagambe como algo fora desta linha? E se Kabagambe fosse um refugiado de algum país europeu e tivesse uma pele clara, teria sido espancado de modo tão brutal como foi? O racismo no Brasil anda lado a lado com as estatísticas da violência que aumentam cada vez mais, sobretudo nos grandes centros urbanos em que a camada mais empobrecida se aglutina com pouco ou nenhum lazer, saneamento básico e educação nas comunidades. Soma-se a isso, estas pessoas que se tornam “invisíveis” aos olhos do poder público, abre uma valiosa oportunidade de recrutamento para o crime organanizado, que tem seu caminho livre para formar suas facções com extrema facilidade. Impacto internacional A Organização das Nações Unidas pediu à Justiça rapidez e transparência na investigação do assassinato de Kabagambe, disse ainda que a família deve ser reparada. E, já dizia Elza Soares “a carne mais barata do mercado é a carne negra que vai de graça para os presídios e para debaixo do plástico”. Será que de fato as vidas negras importam ou tornou-se apenas uma frase do marketing social para as inúmeras campanhas antirracistas que se espalham sem nenhum ou pouco propósito? Somente o tempo responderá, enquanto isso, Kabagambe soma-se as estatísticas de pessoas pretas mortas no Brasil . Texto escrito: Katiane Bispo – formada em Relações Internacionais e especialista em Políticas Públicas e Projetos Sociais. Site: @uma_internacionalista Fontes: Portal Géledes – artigo “Racismo explica 80% das causas de morte de negros no país” Jornal Diário do Nordeste e CNN Brasil

  • Especial América Latina: Posse de Gabriel Boric

    Gabriel Boric: a vitória inesperada que reacende o debate dos rumos da política latino-americana. A vitória de Gabriel Boric (36) nas eleições presidenciais de 2021, no Chile, reacendeu a esperança de uma parte dos setores mais progressistas da América Latina. Boric é o mais jovem presidente eleito no Chile – e do mundo – vencendo uma campanha na qual nem ele mesmo acreditava sair vitorioso com 54,72% dos votos válidos, contra 45,28% do adversário, José Antonio Kast, já no segundo turno. Enquanto Kast representava a velha política chilena e não escondia sua simpatia pelo ex-ditador Augusto Pinochet, que comandou o país de 1973 até 1990 em uma das ditaduras mais sangrentas da América Latina, Boric, por sua vez, era um ex-líder estudantil que adotou um discurso moderado e inclusivo em meio a um Chile com uma população ainda mais empobrecida e que havia sido palco de inúmeros protestos populares reivindicando mais garantia por parte do estado. Os protestos, mais intensos no ano de 2019 e 2020, pautavam inúmeros temas como; educação e saúde gratuita, uma reforma previdenciária e pacificação de conflitos com o povo Mapuche, sobretudo no sul do país - que foi alvo de inúmeras ações truculentas no governo de Sebastián Piñera. Foi nesse cenário que Boric conseguiu alcançar mais notoriedade e passou a ser visto como um bom negociador e cara da “nova esquerda” latino-americana. Boric já demonstrou que está disposto a dialogar com diferentes parlamentares para conseguir apoio de partidos tradicionalmente de centro e/ou centro-esquerda, o que poderá ajudá-lo e lhe proporcionar um caminho mais tranquilo, ou menos tortuoso, para governar. Seu governo tem uma das maiores participações femininas já vistas na história chilena; 14 ministérios comandados por mulheres frente a 10 comandados por homens, cumprindo uma das promessas de campanha onde garantia em seu mandato construir “para um futuro feminista” no Chile. Atendendo a uma das reinvindicações dos protestos de 2019 e 2022 e vencedora do referendo popular realizado em novembro de 2020, a Convenção Constitucional do Chile, grupo composto por 155 representantes, tem a missão de elaborar uma nova Carta Magna chilena até outubro de 2022, abandonando assim a ultrapassada Constituição atual herdada do governo do ditador Pinochet e portanto Gabriel terá pela frente mais este desafio. A Convenção deverá trazer para debate da Constituinte temas sensíveis como a utilização dos recursos naturais, os impactos da mineração, o acesso a serviços públicos e políticas que promovam igualdade de gênero, além da constante violência policial. Chile: o paraíso liberal do livre-comércio e do desamparo aos pobres Os desafios do mandato de Gabriel Boric não serão pequenos e prometem ser vistos com curiosidade por boa parte da esquerda, sobretudo a latino-americana. O Chile é um dos países que mais tem acordos de Livre Comércio na América do Sul, e embora seja associado ao Mercosul, não manifesta vontade de integrar o bloco, que foi idealizado para facilitar a circulação de pessoas, mercadorias e serviços dos países da América do Sul. Em 2021, a economia chilena cresceu cerca de 17,2% no terceiro trimestre se comparado ao mesmo período do ano anterior, informou o Banco Central de Chile, onde os gastos do governo impulsionaram a atividade no país e ajudou no desempenho. Mas os números tão promissores escondem uma faceta sombria da desigualdade no país como o polêmico saque de pensões, situação de milhares de chilenos que não têm direito a uma previdência social pública que precisa recorrer ao fundo em momentos de instabilidade econômica, como a vivida pela pandemia da Covid-19. Segundo a ONU, na pandemia a pobreza aumentou cerca de 3 a 5% no Chile, e muitas pessoas precisavam resgatar seu fundo de reserva para a aposentadoria (espécie de FGTS aqui no Brasil) mas que não tem contribuição das empresas como no Brasil, a “Ley Corta de Pensiones”. Eleições Sulamericanas: efeito Boric pode ser sentido na região No ano de 2022, Brasil e Colômbia também enfrentarão eleições para o presidente e se espera que o “efeito Boric” possa refletir nestes países que hoje são governados por presidentes alinhados mais liberal e conservadora. Gustavo Petro, pré-candidato colombiano nas eleições deste ano, chegou a declarar em sua conta do Twitter que estava seguindo “Rumo a Santiago do Chile para presenciar a mudança real na América Latina. Quem dera que a Colômbia faça parte dos novos ventos frescos do sul” ao se referir a posse de Boric. O ex-presidente Luis Inácio “Lula” da Silva, um reconhecidamente como um forte pré-candidato nas eleições brasileiras deste ano, também foi convidado para a posse por Boric mas declinou o convite por considerar “imprudente” devido a institucionalidade, mas enviou uma carta parabenizando Boric e desejando-lhe um bom mandato. Se Boric fará um bom mandato, ainda não sabemos, mas que já desponta hoje como uma figura carismática e popular, isso é incontestável. O jovem presidente chileno conseguiu trazer uma ideia do que poderia ser considerada como a “nova esquerda” na América Latina e trouxe temas que a “esquerda tradicional” discute com ressalvas e a passos bem mais lentos, como por exemplo os direitos civis da população LGBTQI+, o aborto e a desigualdade de gênero em várias esferas da sociedade. Ao vencer a eleição em um país em que não há a obrigatoriedade do voto como é no Chile, Gabriel Boric mostrou que parte da população chilena não quer mais ser apenas um país do livre comércio, quer mais garantias e melhor qualidade de vida para a população, sobretudo a mais pobre. Que esses ventos, como disse Petro, além da Colômbia também passem por aqui. Texto escrito por: Katiane Bispo Formada em Relações Internacionais e especialista em Políticas Públicas e Projetos Sociais. Site: @uma_internacionalista Fontes: Jornal CNN Brasil Banco Central de Chile Jornal Uol Brasil Jornal La Tercera Jornal Euronews Jornal Portafolio Jornal Folha de São Paulo

  • Os 'nem-nem': geração perdida?

    “O Brasil não tem sido justo com seus jovens”, quando disse essa frase um bate-papo informal com amigos falava sobre os desdobramentos de um cenário entre e pós-pandemia no Brasil, e de repente, me vi externalizando uma realidade triste; a de um país que não apresenta expectativas para sua população, sobretudo a mais jovem. Pensando repetidamente neste assunto, decidi destrinchar todo esse cenário sobre a população jovem brasileira e intensificar minhas buscas para que possamos pensar sobre os não tão distantes anos oitenta, a triste “década perdida” e o quanto estamos próximos de estar vivendo uma realidade bem semelhante, ou quem sabe pior. A juventude brasileira: quem são? Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é considerado jovem a população dos 15 aos 24 anos. Mas usarei como referência o Estatuto da Juventude (Lei n. 12.852, de 05.08.2013) que entende como jovem pessoas dos 15 aos 29 anos de idade. De acordo com o relatório "Direitos da População Jovem - Um marco para o desenvolvimento", o conceito de jovem: (...) "refere-se à fase de vida situada entre a infância e a idade adulta. Trata-se, portanto, de uma etapa de aquisição das habilidades sociais, atribuições de deveres e responsabilidades e afirmação da identidade. As escolhas realizadas nessa fase de vida têm forte influência no futuro, como fator de ampliação ou limitação da vida adulta. Apesar de ter por base marcos etários e biológicos, a definição da população jovem é indissociável do contexto sociocultural, político e econômico." Segundo o IBGE, no censo de 2015, a população jovem no Brasil correspondia a 23,6% da população, o que representa 47,3 milhões de brasileiros. É também nessa fase da vida que o jovem inicia suas primeiras experiências no mercado de trabalho, onde muitas vezes ainda está cursando os últimos anos do ensino médio, quando não os últimos anos do ensino fundamental. Deste modo, um assunto pouco explorado no início dos anos 2000, mas que vem ganhando notoriedade; os “nem-nem”, quem são e por que eles podem ser um grande indicativo do cenário na pandemia no Brasil. Mas afinal, quem são os "nem-nem"? São considerados "nem-nem", jovens que não trabalham nem estudam. E, somados, representam 23% da população jovem brasileira. No último censo, os nem-nem ganharam uma análise mais detalhada por significar um importante indicador de problemáticas como desemprego, evasão escolar precoce e o desencorajamento com o mercado de trabalho nesta população. A Organização Internacional do Trabalho (OIT), recomenda dividi-los por meio de duas questões; se este jovem procura (ou não) ingressar no mercado de trabalho e se ele está (ou não) matriculado na escola. Tendo isso em vista, os dados do Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) realizada em 2015, mostrou que entre os "nem-nem", temos os: Inativos economicamente - (não estuda, não trabalha e nem procura): homens: 7,5% / mulheres: 21,1% Ativos economicamente - (não estuda, não trabalha, mas procura): homens 7,6% / mulheres: 8,7% Total: homens: 15,1% / mulheres: 29,8% Somados, os "nem-nem" representavam cerca de 11 milhões de jovens. Há um perfil majoritário mostrado na pesquisa: mulheres pretas ou pardas com idade entre 18 e 29 anos. Além da evasão escolar, há também um indicador muito importante; o desencorajamento do jovem no mercado de trabalho, que acreditam ser exigente demais quanto a qualificação. E o que já era preocupante, em um cenário de pandemia pode ser ainda mais. Um cenário de incertezas na educação e no mercado de trabalho As escolas públicas enfrentaram diversos obstáculos para manter o acompanhamento do alunos em meio a pandemia do covid-19. Além da desmotivação dos estudantes, o ensino público (estadual e municipal) esbarra em uma série de percalços pois muitos destes jovens não têm acesso a itens básicos, tampouco acesso à internet, que em muitos casos se mostra o principal motivo de desencorajamento da continuidade do ano letivo. O adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) no ano de 2020, foi um movimento que ganhou as redes sociais de todo país com um pedido para postergar o calendário do exame. O ranking das hashtags mais utilizadas nas redes sociais liderou por dias o #AdiaEnem, que movimentou o debate acerca do acesso ao ensino superior das camadas mais pobres da sociedade em um cenário de pandemia e improvável continuidade da preparação dos jovens a rotina de estudo de modo que se tornem minimamente competitivos. Além de trabalhadores na área da Educação, houve também a presença de figuras públicas se manifestando a favor do adiamento do exame. Vale reforçar que, o ENEM é a principal oportunidade para muitos desses jovens da rede pública de ingressar no ensino superior, seja pelo Sistema de Seleção Unificada (SISU) ao até mesmo o Programa Universidade para Todos (ProUni). O Ministério da Educação (MEC), tem enfrentado muitas críticas da sociedade civil e de diversos movimentos sociais ligados à Educação. Além das inúmeras trocas de ministros em um curto espaço de tempo, o órgão tem usado um tom meritocrático e punitivo sobre o que tange a Educação, o que não traz nenhuma expectativa de formas inclusivas e flexíveis de seleção no ENEM 2020. Se o acesso as universidades encontra-se pouco amistoso, na mesma linha se desdobra as possibilidades de ingresso no mercado de trabalho formal para os jovens. O Brasil tem enfrentado um dos piores índices de desemprego dos últimos anos (fato que se agravou ainda mais com a pandemia). No mês de junho de 202o, somavam-se mais de 12,9 milhões de brasileiros desempregados, segundo o IBGE. Cenários apocalípticos de lado, mas com desdobramentos notórios, talvez a solução e apoio que esses jovens tanto precisam possa partir de iniciativas da própria sociedade civil e de movimentos sociais, pois da esfera pública nenhuma ação nesse sentido tem sido apresentada, e mostra-se distante de que siga-se neste caminho. Uma das soluções talvez seja uma ação mais empática, inclusiva e coletiva destes movimentos de modo que possamos, juntos, possibilitar uma esperança em meio a tanta nebulosidade a estes jovens que não têm sido acolhidos pela nossa pátria-mãe, nos último anos não muito gentil. Texto por: Katiane Bispo Formada em Relações Internacionais e especialista em Políticas Públicas e Projetos Sociais. É podcaster do “O Historiante” e escreve mensalmente para “Zero Águia”. Site: @uma_internacionalista Fontes: Jovem no Brasil - http://www.unfpa.org.br/Arquivos/direitos_pop_jovem.pdf - acessado em 16.07.2020 Dados da jovens brasileiros - https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv98965.pdf - acessado em 15.07.2020 - Páginas: 42,43,49 Os "nem-nem" no Brasil - https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/25801-nem-nem - acessado em 16.07.2020 Desemprego segundo trimestre 2020: https://www.ibge.gov.br/explica/desemprego.php - acessado em 16.07.2020

  • Venda do Twitter: Musk mostra que poder “compra” poder

    O bilionário Elon Musk conseguiu concluir a compra da plataforma Twitter na tarde de hoje (25), após encurralar os donos da empresa em uma estratégia conhecida no mercado de ações como “hostil”. O Twitter lutou enquanto pode das “garras” de Musk, isso é inegável. O Conselho da empresa usou como estratégia o chamado plano de “direitos dos acionistas” um dia após a oferta de Musk, o que tornaria mais difícil a compra da empresa, mas não foi suficiente. Ao adotar essa estratégia, o Twitter permitiria que os investidores comprassem ações a um preço com desconto inacessível para Musk, o que poderia dar uma margem de manobra para a empresa. Segundo Bret Taylor, presidente do conselho independente do Twitter, “um dos pontos considerados para a venda da empresa foi o impacto nas ações para os acionistas”. Informação e Poder Deter o controle da informação é uma arma crucial na “Era Digital”, sobretudo os dados dos usuários. Empresas como Facebook, WhatsApp, Telegram, Tik Tok e Instagram conseguem atingir um grande interesse dos bilionários de todo o mundo, e esta deveria ser uma das primeiras inquietações de todos nós usuários: o quanto valem nosso dados? Pessoas como Elon Musk não são difíceis de encontrar no grupo seleto dos bilionários, (o que podemos chamar de “capas da Forbes” ou da “Time”) em sua esmagadora maioria homens brancos e herdeiros que já têm muito poder e não poupam manobras para acumular ainda mais. Musk ao que parece, se poda menos em dizer aos quatro ventos as suas visões e o quanto o poder econômico não é visto como um problema para suas excêntricas ideias do que classifica como o “mundo do futuro”, o que vai desde “colonizar” planetas a viagens patrocinadas à lua. Por outro lado, sair do planeta em que habita parece ser um ponto mais interessante do que olhar para sua volta. O homem mais rico do mundo é nascido no continente mais pobre do mundo. Elon Musk é filho de um sul-africano e de uma canadense e nasceu em Pretória, capital da África do Sul. Seu tom debochado e “descolado”, garantido pela sua fortuna que cresce cada vez mais e o torna quase inalcançável, parece agradar a geração dos “defensores da liberdade de expressão”, inclusive essa foi a bandeira que levantou ao comprar o Twitter nesta tarde. Mas, Musk por sua vez navega muito bem em mares revoltos, não é à toa que sempre está envolvido em escândalos e polêmicas. Uma delas aconteceu ao fazer severas críticas ao Twitter quando a plataforma baniu o ex-presidente Donald Trump por divulgação de fake news e incitar a violência na invasão ao Capitólio (EUA). Futuro do Twitter Por que Musk investiria tanto em uma rede social que sobrevive basicamente de anúncios patrocinados? Numa sociedade de massas, em que as redes sociais dão voz a todos e providenciam a falsa sensação de influência, a cartada de Musk foi meticulosamente pensada e calculada. Ter hoje uma rede social como o Twitter significa ter à seu dispor 217 milhões de usuários quiçá com potencial maior, embora este número pareça ter estacionado no ano de 2021. Por outro lado, Musk assume o risco da debandada de usuários e alguns até mesmo temem que o ambiente fique mais “tóxico” do que já é atualmente. O caminho que o Twitter seguirá é dificil de prever, mas nesta tarde no Século XXI tivemos mais uma vez um exemplo do quanto a informação é poder e inclusive pode fazer parte da manutenção do mesmo. Texto por Katiane Bispo Formada em Relações Internacionais e especialista em Políticas Públicas e Projetos Sociais. É podcaster do “O Historiante” e colunista do “Zero Águia”. Instagram: @uma_internacionalista Fontes: Quem é Elon Musk e por que ele comprou o Twitter | Tecnologia | G1 (globo.com) - acessado em 25.04.2022 Twitter salta 4% em meio a relatos de que aceitará proposta de Elon Musk - Forbes - acessado em 25.04.2022 Elon Musk aposta em tentativas hostis para compra do Twitter — veja três estratégias que podem transferir o controle da rede social para o bilionário - Seu Dinheiro- acessado em 25.04.2022 Elon Musk compra Twitter por US$ 44 bilhões | CNN 360°: https://www.youtube.com/watch?v=R_rrRU38G8Y - acessado em 25.04.2022

  • Golpe do Amor: Um negócio altamente lucrativo

    Quem nunca se imaginou como protagonista de uma história de amor com a possibilidade de realizar seu “felizes para sempre” nunca saberá do efeito devastador de sonhar com a realização do amor romântico que nos foi vendido durante toda a nossa vida e ter esse sonho destruído. Os relacionamentos virtuais e a busca do amor romântico O amor romântico, de modo simples, parte do princípio de que o parceiro deve ter características que julgamos perfeitas para nós, e essas expectativas são projetadas na medida que um vínculo se inicia. De acordo com a filosofia sartreana, podemos caracterizar os relacionamentos de modo sádico ou masoquista. O sadismo, parte do pressuposto de que exigimos o adequamento aos nossos ideais de amor, já no masoquismo tentamos nos adequar ao ideal do outro (eu-objeto). Inúmeras canções, filmes, séries, livros e novelas que caem no gosto popular partem desta mesma premissa, o reforço do ideal no amor romântico e que dele pode (e até deve) resultar no sofrimento antes de alcançar o êxito. Uma das canções de maior sucesso nos anos noventa e que relata bem essa dualidade do amor romântico e suas nuances de dor e sofrimento é a do cantor espanhol Alejandro Sanz, chamada “Y, ¿si fuera ella?”. Na canção, é possível notar a busca pelo amor e a expectativa de encontrar o seu par perfeito, o ideal de amor romântico trazido por Sartre: Ela acaricia e envolve minha alma Eu digo... vem comigo! Minha rival, minha companheira Ela é assim Mas me custa, quando outro adeus se aproxima E a perderei de novo e outra vez perguntarei Enquanto Ela se vai, e não existirá resposta E, se Essa que se afasta A que estou perdendo E se era Ela? E se for Ela? Nesta canção, Sanz narra a busca de uma mulher que ele acredita ser a ideal para ele, o seu amor perfeito, a quem chama de “Ela”. Por isso, o título da canção reforça essa busca “E se for ela?, busca que lhe causa sofrimento constante e a cada relacionamento se vê na expectativa de encontrá-la em suas parceiras. É perceptível notar sua angústia que aquela atual parceira possa ser sua amada ideal. “Ela” é o seu objetivo final, a qual acredita ser o seu “par perfeito”, a que tanto tempo ele buscou (e segue buscando). As nuances do amor romântico são detalhadas em momentos de extrema confusão, em que Sanz narra as fases dos relacionamentos por ele vivido, quando ele se vê certo de que aquela parceira não é “Ela”, o seu amor perfeito, mas sofre por não ter certeza daquilo, e se pergunta: “e se for Ela?”. Também temos canções brasileiras que narram essa busca de amor ideal, um dos exemplos de maior sucesso foi a canção do cantor Roberto Carlos, “Esse Cara sou eu”. A letra da canção relata o comportamento de um homem que está o tempo inteiro à disposição da sua amada e que para isso não mede esforços para que ela se sinta, ao seu ver, “querida” e “cuidada”: O cara que pensa em você toda hora Que conta os segundos se você demora Que está todo o tempo querendo te ver Porque já não sabe ficar sem você E no meio da noite te chama Pra dizer que te ama Esse cara sou eu A letra apresenta uma série de comportamentos alarmantes, mas caiu no gosto popular e não foram poucas as mulheres que afirmavam naquela época que gostariam de um amante tal como “esse cara”, o que nos mostra o quanto o amor romântico é socialmente arraigado. Mas “esse ideal irrealizável não é assimilável ao amor, na medida em que o amor é um empreendimento, ou seja, um conjunto orgânico de projetos rumo às minhas possibilidades próprias”, já nos alertava Sartre. A partir disso, desdobra-se outra faceta do amor romântico: o esforço para que esse amor sobreviva, pois é necessário que ele seja fruto de uma eterna luta em meio a uma constante adequação de expectativas e comportamento. O autor Robert Johnson, manifesta seu ceticismo quanto à idealização do amor romântico e afirma que essa busca é um dos males da era moderna. Para ele, o amor deve ser resgatado do que chamou de “pântanos do romantismo" e que, se nos basearmos apenas nesse ideal romântico pagaremos um preço alto, à medida que nos traria ainda mais dor, não felicidade e alegria, como reforçado popularmente. Por isso, declara que “o amor humano está tão distorcido pelos excessos e pelas perturbações oriundas do romantismo, que quase nunca procuramos o amor pelo amor, e mal sabemos o que procurar quando o buscamos." Apps de relacionamento e a busca do “amor ideal” É justamente a busca desse ideal de amor romântico que leva milhares de pessoas de todo o mundo a se aventurarem no mundo virtual em busca do seu amor perfeito. Com a crescente - e inevitável - informatização, as opções de flertes e manutenção de relacionamentos à distância ganham cada vez mais adeptos. Estão disponíveis inúmeras alternativas para encolher a distância e facilitar essa interação, que vão desde sites de bate-papo virtual a aplicativos de relacionamentos, que podem ser baixados a qualquer momento por aparelhos Android ou IOS, basta apenas ter acesso à internet e tudo se torna possível, e em qualquer lugar do planeta. Todas essas alternativas têm a mesma promessa: conectar você com seu amor. O Tinder, um dos aplicativos mais baixados na loja virtual do Google Play incentiva essa busca com a frase “Dê um match'. Converse. Encontre”, já o aplicativo Amor Perfeito vai ainda mais longe com “Amor Perfeito. Já achou o seu?”. As narrativas são amplamente reforçadas com as inúmeras histórias de amor que se iniciaram de modo virtual, o que acabou tornando-se um ideal a ser alcançado, todas essas histórias com enredos românticos e com grande apelo emocional. A busca pelo “amor perfeito” envolve uma série de etapas para aqueles que o buscam, que vão de incontáveis horas de conversa por aplicativos de mensagens instantâneas por várias horas ao dia, chamadas de vídeo e até mesmo o envio de fotos com a exposição de partes íntimas, popularmente chamados de nudes. Tudo isso para dar um melhor panorama ao potencial parceiro, de modo que ele possa fazer uma prévia seleção, classificação e qualificação desse flerte virtual, que pode ou não corresponder ao seu ideal de amor perfeito. Somadas a todas essas expectativas de enquadramento e seleção, em um primeiro momento, há um grande motivo de euforia pois existe a chance, mesmo que pequena, daquele “amor perfeito” se tornar algo real. Naquele momento, existe a chance de que os sonhos de uma vida com o amor possível e tão sonhado possam se tornar realidade, e “quisera as estrelas” que seja a última vez nessa incessante busca, e que enfim consiga encontrá-lo justificando a sua trajetória em busca do amor ideal. O amor romântico é um ideal reforçado, e alimenta o imaginário popular de muitas formas. Por isso a busca de relacionamento à distância têm se tornado uma boa alternativa, mas diferente do encontro presencial, os aplicativos de relacionamento, em sua face mais sombria podem facilitar tanto a ocultação de informações quanto a criação de perfis falsos para enganar pessoas, o que presencialmente torna-se mais difícil devido a comunicação não-verbal. Essa tem sido uma das armas mais usadas tanto por inúmeros golpistas que agem de modo isolado, conseguindo subtrair de suas vítimas quantias variadas, até o crime organizado que se aproveita da tecnologia para aplicar diversos golpes ou facilitar o tráfico de mulheres para fins de casamento forçado, de exploração sexual ou mesmo trabalho forçado. O Golpista do Tinder: o estelionato sentimental A série “O Golpista do Tinder”, disponível no catálogo da Netflix, chama a atenção não apenas pelo modus operandis de Shimon Hayut, o golpista mencionado no título, mas também pelo roteiro de amor romântico elaborado por ele para manter suas vítimas cativas e apaixonadas. Hayut encantava suas vítimas com uma narrativas comoventes e emocionantes que envolviam diamantes, máfia russa e até perseguição realizada pelos seus oponentes, quando a realidade era uma vida luxuosa, extravagante, que ia desde roupas de grifes, carros de luxo e baladas da high society em diversos países pelo mundo. A busca do par perfeito pode se tornar um pesadelo quando as expectativas de viver esse amor ideal se descobre baseado em uma rede de mentiras e manipulações, e aquele que outrora era a personificação do “amor perfeito” descortina-se como o autor de uma estratégia para obter benefícios, sejam eles de ordem material ou mesmo emocional, os chamados catfish. O nome catfish, é utilizado quando um perfil falso é criado na internet com a intenção de enganar alguém. O documentário sobre os golpes realizados por Shimon Hayut faz uma alerta de como os aplicativos de relacionamentos podem ser uma grande arma para ação de golpistas nos chamados “estelionatos sentimentais”, ou “Golpe do Amor”, caracterizado quando a vítima é induzida pelo golpista a acreditar que está em um relacionamento, mas é lesada financeiramente. Engana-se quem acredita que estes casos só acontecem em locais distantes. Na última semana (25), foi preso no Rio de Janeiro, Luiz Antonio Pereira, 58 anos, conhecido como “Golpista do Tinder do RJ”, que estava foragido há um mês e foi detido por agentes da Delegacia da Mulher (DEAM) de Jacarepaguá/RJ por aplicar o “Golpe do Amor” em cerca de 5 mulheres, segundo as investigações. O sentimento mais comum das vítimas nestes casos é de vergonha ao se reconhecerem em uma situação de exploração. A recorrente culpabilização feita pela sociedade quando ousam expor o ocorrido é uma inversão de papéis de modo cruel e que desnuda a sociedade das “oportunidades”. Não é de se estranhar que Shimon Hayut tenha uma grande quantidade de seguidores ainda hoje - homens em sua maioria esmagadora - mesmo depois de ter seu rosto estampado em jornais de todo o mundo e dos relatos do sofrimento trazido por ele às suas vítimas. Todas as vítimas possuem em comum fragilidades que são exploradas pelos golpistas. Segundo a psicóloga Luciana Zanette: “a vida emocional de um indivíduo tem a sua base na infância, através das relações que manteve com seus pais e outros membros significativos da família, portanto, o contexto familiar impacta no bem-estar biopsicológico de uma pessoa, então seja por ter vindo de uma família abusiva ou carente, seja por ter sofrido algum tipo de trauma, negligência, abusos ou por uma combinação destes fatores muitos indivíduos desenvolvem baixa autoestima e baixa autoconfiança, o que seria um facilitador para a aproximação (dos golpistas)” Luciana continua:“durante o período de sedução, o perpetrador se comporta como uma figura paterna ou uma materna, oferecendo suporte e atenção que geram na vítima uma sensação de segurança, assim elas se sentem protegidas, e confiam cada vez mais no suposto namorado”. A idealização do amor pode levar pessoas a se aventurarem em relacionamentos falidos e por vezes muito perigosos que podem lhes custar não apenas sua integridade física como também fragilizar ainda mais sua saúde mental. O amor romântico pode estar facilitando ainda mais a vida destes golpistas e fazendo dele seu melhor negócio, um negócio muito lucrativo e que ainda não tem ganhado da sociedade a atenção devida. Texto escrito por Katiane Bispo Formada em Relações Internacionais e tem especialização em Políticas Públicas e Projetos Sociais. É podcaster do “O Historiante”, colunista do “Zero Águia” e integrante do Projeto Líbertas onde trabalha com Direitos Humanos. Instagram: @uma_internacionalista REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Golpista do Tinder RJ: ‘Golpista do Tinder do RJ’ é preso acusado de estelionato (msn.com) – acessado em 30 mai.2022 Amor Romântico] : https://revistas.unipar.br/index.php/akropolis/article/viewFile/5210/3014 - acessado em 02 set. 2020. Documentário Golpista do Tinder – Netflix - assistido em 18 fev.2022 SARTRE, J. P. O ser e o nada: Ensaio de Ontologia Fenomenológica. 20. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2011. Psicóloga consultada Luciana Zanete - @luciana_zanette_psicologa

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