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  • Robocop: O mercado de trabalho e o profissional 4.0

    Uma cidade corrompida pela violência e pelo crime, um agente da lei idealista assassinado brutalmente por um poder paralelo, uma grande companhia buscando alavancar seus lucros a todo custo e um xerife fantoche de armadura reluzente formam uma sátira brutal atemporal. Muito além de um Blockbuster Talvez alguns já desconfiem do enredo de Robocop, aquela obra com título bobinho, trama típica de filme B, dos anos 80, e que muitos podem considerar desnecessariamente violento e com efeitos ultrapassados. Um momento de pausa, não é só isso! Esta é uma obra épica do feroz e inovador diretor holandês Paul Verhoeven. Buscando um olhar mais crítico no roteiro e na montagem idealizada por Verhoeven, notamos uma obra com várias camadas por baixo do tiroteio: temas de morte e ressureição, decadência de indústrias, cobiça empresarial, uso de publicidade, noticiários e programas de TV nos quais a informação é filtrada e reembalada. Além disso, há a automação e o uso de inteligência artificial (IA), como a bala de prata para resolver problemas complexos, que podem impactar na sociedade de forma profunda, inclusive nas cadeias produtivas e nos empregos. Em relação ao elenco, direção e roteiro, o filme foi estrelado pelo elenco feito por Peter Weller como Alex Murphy/Robocop, Nancy Allen como a parceira policial Anne Lewis e Kurtwood Smith como o vilão Clarence Boddicker e a direção de Paul Verhoeven. O roteiro é assinado por Edward Neumeier, que contextualizou o ambiente num mundo futuro controlado por corporações indiferentes, repetindo Alien, o Oitavo passageiro e Aliens, o Resgate. Entretanto, a história vai um passo além quando a companhia OCP se torna propriedade do policial Alex Murphy após a sua morte, tomando um corpo despedaçado e sua mente unindo a peças robóticas e uma tecnologia de IA de última geração, resultando, assim, num objeto desumanizado e que atende as diretivas e interesses corporativos. As máquinas e o mercado de trabalho Usando esta alegoria como âncora, podemos contextualizar em nossa realidade que o aprendizado de máquina, tecnologias de inteligência artificial, robotização e automação afetam e continuarão afetando todas as modalidades de trabalho num futuro próximo. Mediante o constante debate da Revolução Industrial 4.0 é costumeiro ressaltar visões antagônicas, de um lado uma visão pessimista a qual garante que milhões de posições de trabalho serão economicamente redundantes e possivelmente eliminadas e, de outro lado, um entendimento de progresso continuado, o qual prega que mesmo a longo prazo a automação e as inteligências sintéticas continuarão a gerar novos empregos e prosperidade para a sociedade como um todo. Vale ressaltarmos que os humanos possuem dois tipos de habilidades: física e cognitiva. Por meio disso, é notório observarmos nos últimos séculos que as máquinas competem fortemente com suas habilidades físicas. No entanto, em relação àquilo que envolve esforço cognitivo, os humanos se mantêm a frente. Sendo assim, a automação de trabalhos manuais, repetitivos e mais brutos foi amplamente disseminada e incentivada pela sociedade. Os esforços humanos direcionaram-se para o setor de serviços que requeriam habilidades cognitivas inerentes aos humanos: aprender, analisar, inferir, correlacionar, comunicar e acima de tudo compreender as emoções humanas e os vieses culturais. Robocop – o profissional do futuro É notório ressaltarmos que o aprendizado de máquina e os diferentes tipos de inteligências artificiais estão evoluindo fortemente em superar os humanos em um número cada vez maior de habilidades, inclusive de compreender as próprias emoções humanas. Um ponto nevrálgico nesta compreensão é que a revolução da IA não reside apenas em expandir as capacidades de processamento, armazenamento e velocidade dos computadores. Esse processo se apoia nos avanços das ciências gerais, inclusive as ciências sociais. Quanto mais compreendermos os mecanismos bioquímicos que sustentam as emoções, desejos e escolhas humanas, melhores tornamos os computadores na análise dos comportamentos, decisões e potenciais efeitos psicológicos dos humanos. Outro ingrediente importante para esse caldeirão é refletir sobre até que ponto o aprendizado de máquina bebe de fontes de dados confiáveis, ilibados e sem vieses de interesses de grupos econômicos, políticos ou ideológicos. Ao longo dos séculos os ativos mais importantes passaram por terras, indústrias e hoje são os dados. Quem detém o controle de dados, detém o poder. Atualmente vemos as famosas big techs (empresas como Google, Facebook, Apple, Amazon e Microsoft) como detentoras de massas de dados, além é claro dos governos dos mais variados matizes ideológicos. Por isso, a ameaça de perda de emprego não resulta apenas da ascensão da tecnologia da informação, mas de sua confluência com a biotecnologia e aplicação de modelos de dados confiáveis, de modo que torna as inteligências sintéticas adaptáveis e mais amigáveis a humanidade. Afinal, o que deveríamos proteger são os humanos e não os empregos. Forte no tom e ainda hoje brutal, Robocop de 1987 continua sendo uma das grandes histórias sobre os encaixes irregulares entre humanidade, capitalismo e tecnologia. Detalhes do filme: Filme: Robocop (1987) Elenco: Peter Weller (Alex Murphy/Robocop), Nancy Allen (Anne Lewis), Kurtwood Smith (Clarence Boddicker) Diretor: Paul Verhoeven Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=6tC_5mp3udE Trilha sonora: https://www.youtube.com/watch?v=ti8CK2BpLuc&list=PLb4Y0l1tfOKkUAJ1nSC3w71OkcaWBNxB6 Avaliação IMDB: https://www.imdb.com/title/tt0093870/?ref_=nv_sr_srsg_0 (7.6) Avaliação Rotten Tomatoes: https://www.rottentomatoes.com/m/1017712-robocop Texto escrito por Gustavo Longo Atuante na área da tecnologia há vinte anos, conciliador, curioso, disposto e apaixonado em sempre ajudar as pessoas, além de crente no poder transformador da Educação. Nas horas vagas, busca aprender sobre mercado de ações e em descobrir curiosidades do mundo do cinema através do canal Youtube Faro Frame. Acaba de iniciar um projeto pessoal com sua esposa para viajar e "viver" como um cidadão local em cada capital brasileira por 30 dias nos próximos anos. Referências: HARARI, Yuval Noah. 21 lições para o século 21. 1 ed. [s.l.]: Companhia das Letras, 2018. LAMBIE, Ryan. O guia geek de cinema. 1 ed. [s.l.]: Seoman, 2020.

  • As Gerações do Pós-Guerra

    Este artigo integra o Dossiê: Gerações do Pós-Guerra (Parte I) Foi-se o tempo em que ter a Síndrome de Gabriela era motivo de orgulho. Dizer com convicção “eu nasci assim, eu cresci assim e sou mesmo assim (...)”, em verdade, é uma artimanha que parece nos assegurar das coisas e que negando a realidade elas permanecerão seguras, mas a mudança é inevitável e quanto mais cedo aceitarmos isso, melhor será. A resistência ao novo e a predileção em morrer do mesmo jeito que se nasce, além de impossível, são um desperdício de vida tremendo. Sejamos honestos, e sem nenhuma intenção da minha parte em ser pedante ou mesmo fazer deste artigo mais uma fórmula de autoajuda barata, vale relembrarmos de quando o genial Albert Einstein disse que uma mente que se abre à uma nova ideia se expande e jamais voltará ao ponto zero. Em outras palavras, é a máxima de que se apegar ao que já passou sem uma intenção genuína, além de custosa, é simplesmente inútil. Uns temem o novo, outros amam Temos por essência olhar para o futuro com otimismo, mas todas as ideias novas não são aceitas de imediato e parece que seguimos à risca esse modelo desde os primórdios da nossa sociedade. Vale lembrarmos que grandes feitos e invenções que transformaram a humanidade causaram muita polêmica e resistência no seu lançamento. O famoso neurologista e psiquiatra austríaco, Sigmund Freud, já havia dito que “o novo sempre despertou perplexidade e resistência”. Isso poderia explicar o porquê nos tornamos mais conservadores na medida em que envelhecemos. Um sintoma facilmente perceptível é quando iniciamos conversas com frases prontas, tais como “no meu tempo era diferente” ou mesmo “não existia isso no meu tempo” ou “na minha época não fazíamos isso”. A resistência de aceitar coisas novas pode ser um grande indício de que talvez você esteja adquirindo a Síndrome de Gabriela, cuidado! O medo do que é novo assusta muitos, do mesmo modo como fascina outros. A imprevisibilidade do “futuro possível” é que alimenta uma das mais famosas Leis Universais: a “Teoria do Caos”. O cerne dela diz que uma pequena mudança no início de um evento qualquer pode trazer consequências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro. É justamente esses acontecimentos (premeditados ou não) que impactam diretamente a vida de toda uma geração. O conceito de geração é quando um grupo de indivíduos nascem em determinada época, influenciados por acontecimentos históricos em comum que causam impactos sociais relevantes. Todas as gerações adquirem características únicas ligadas ao seu comportamento, costumes e valores. Todas as gerações impactaram na forma como vivemos hoje, como é dito na Teoria do Caos. Pois bem, qualquer ação do passado tem transformado a nossa vida no presente e qualquer ação ou decisão que a gente esteja tomando agora neste exato momento vai impactar as próximas gerações. É nessa linha que quero convidar você a trilhar comigo a história das gerações a partir do pós-guerra e das heranças que cada geração deixou para nós. Eles ajudaram a criar o mundo de hoje Os Baby Boomers (1940-1960) são os nascidos depois da Segunda Guerra Mundial, por isso necessitam de estabilidade e qualidade depois dos inúmeros acontecimentos quase apocalípticos que a humanidade viveu. Foi nesse período que a televisão foi se adaptando às necessidades das pessoas e começou a influenciar as famílias e ditar tendência (além do Rádio). Também foi nesta ocasião que muitas mulheres não aceitaram retornar ao lar após seus maridos e pais retornarem da guerra. Já a Geração X (1961-1980), são os nascidos após a geração dos Boomers e viveram em uma época de significativos avanços tecnológicos. Viram o computador pessoal, a internet, o celular, a impressora, o e-mail e se desenvolverem gradualmente e de modo bem embrionário. Diferente da geração anterior, eram mais abertos a novidades e queriam mais conhecimento, porém também prezavam pela estabilidade e obediência à hierarquia. São considerados individualistas e mais competitivos. No Brasil e nos países da América Latina, nasceram sob a influência de ditaduras. Foi a geração que rompeu com alguns paradigmas das gerações anteriores, mas eram menos otimistas com o futuro e é uma das mais céticas quanto à política e ao governo. As gerações dos Boomers e X viveram cercadas de instabilidade política e por isso a busca por modelos mais estáveis foi o que acabou moldando sua forma de lidar com a vida. Foram gerações que seguiam o modelo de trabalhar em um único lugar durante a vida e até mesmo ter atrelada a sua honestidade ao fato de estar empregado ou não. Buscam por modelos mais simples quando estão nas redes sociais e tendem a preferir TV e o Rádio por terem mais familiaridade. Os Boomers e a Geração X foram mães, pais, tios, avós e influenciaram muito na vida das gerações subsequente que falarei no próximo artigo, a saber: Millennials, Geração Z e Alpha. Já se inscreve na Newsletter para não perder. Até lá! Texto escrito por Katiane Bispo É formada em Relações Internacionais, especialista em Políticas Públicas e Projetos Sociais. É podcaster no “O Historiante”, colunista no jornal “Zero Águia” e ativista em causas ligadas aos Direitos Humanos. Instagram: @uma_internacionalista. Revisão textual realizada por Mateus Santana Mestre em Linguística e graduado em Letras com habilitação em português/francês pela UNESP. Especialista em Grafologia e Neuroescrita pela Faculdade Unyleya. Amante das Artes, da Linguagem e do Discurso Edição realizada por Eliézer Fernandes Fundador e editor-chefe do Zero Águia, é desenvolvedor de software, formado em Segurança da Informação pela FATEC e fascinado por história e relações internacionais. Fontes https://en.wikipedia.org/wiki/Gabriela_%281975_TV_series%29 http://www.cyta.com.ar/ta0203/v2n3a2/v2n3a2.htm https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-e-a-teoria-do-caos/ https://rockcontent.com/br/blog/dossie-das-geracoes/ https://vimeo.com/16641689 https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/as-marcas-da-geracao-x-a54d194596qku5y2a90gug9qm/

  • Palmas a Siqueira Campos e Teotônio Segurado

    Situada no ponto geodésico central do Brasil, Palmas é a capital mais nova do estado do Tocantins, estado considerado mais novo do Brasil, em que fica localizada na região norte do país. O nome Palmas se deu devido à grande quantidade de palmeiras da região e, principalmente, à sede do primeiro movimento separatista do norte do estado de Goiás, que foi São João da Palma. Miracema foi a primeira capital do estado do Tocantins e Palmas é uma das capitais do estado brasileiro que foi planejada conforme a criação do estado do Tocantins. Para entender a história de Palmas, é importante resgatar o contexto histórico do Tocantins. A redenção do estado do Tocantins Cinco de outubro de mil novecentos e oitenta e oito, pelo artigo treze do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição, nascia o estado do Tocantins buscando, após muitas lutas de gerações desde o final do século XIX, a autonomia política do norte do estado de Goiás, como já era batizado: Tocantins. Após os franceses se instalarem no forte de São Luís, no Maranhão, o rio Tocantins foi descoberto em 1610 e se tornou um guia para o desbravamento da região onde o estado tocantinense se localiza. O rio, que nasce no Planalto Central de Goiás e corta todo o estado do Tocantins, de sul a norte. Nos tempos auríferos do século XVIII, o território do atual estado do Tocantins foi incluído na região das Minas dos Goyazes. A região onde fica o estado do Tocantins ganhou fama e tornou-se uma das maiores áreas de produção de ouro na capitania brasileira. De acordo com a matéria escrita por Luís Palacim no site do governo do Tocantins: “em quinze anos abri[r]am caminhos e estradas, vasculharam rios e montanhas, desvia[ra]m correntes, desmata[ra]m regiões inteiras, rechaçaram os índios, explora[ra]m, habita[ra]m e povoa[ra]m uma área imensa....” Posterior à queda da mineração, o estado foi sinônimo de atraso econômico, involução social, gerador de pobreza para a maior parte da sua população e marcou uma forte decadência e abandono para a região, que só conseguiu se manter integrada economicamente ao país através da agropecuária e influência do Teotônio Segurado. Em 18 de março de 1809 foi criado um alvará que dividia a Capitania de Goiás em duas comarcas (regiões): a Comarca do Sul e a Comarca do Norte – a do Norte teve o nome de São João das Duas Barras e após ser considerada província mudou o nome para São João da Palma - com o propósito de facilitar a administração, aplicação da justiça e incentivar o povoamento e o desenvolvimento da navegação nos rios Tocantins e Araguaia. Por meio disso, Teotônio Segurado ganhou notoriedade e se tornou um grande líder defensor dos interesses regionais. Além disso, também ganhou reconhecimento legalmente com a autonomia-administrativa da região e foi nomeado administrador e ouvidor da Comarca do Norte. Na década de 1820 já havia anseios separatistas do território do estado de Goiás e houve a instalação de um governo independentista do Norte, sendo Cavalcante a capital provisória. Teotônio Segurado presidiu e estabeleceu essa nova junta provisória por poucos meses até que em 1822, assim a capital da comarca se torna Arraias, conforme cita o governo do Tocantins: “o governo provisório da Comarca da Palma fez circular uma proclamação em que declarou-se separado do governo. (ALENCASTRE, 1979). As justificativas para a separação do norte em relação ao centro-sul de Goiás eram, para Segurado, de natureza econômica, política, administrativa e geográfica” (sic) No momento em que Teotônio Segurado partiu para Lisboa como deputado representante de Goiás na Corte, algumas pessoas buscaram se impor, mas com representatividade carente não receberam muita notoriedade e com conflitos de interesse passaram a priorizar das cidades, como Cavalcante, Palmas, Arraias e Natividade, ao invés do movimento separatista do estado de Goiás. Em 1863, Visconde de Taunay, deputado pela Província de Goiás na época do Império, propôs uma divisão no estado de Goiás, em que o Norte foi separado das demais regiões do estado. No Norte de Goiás seria criado a Província da Boa Vista do Tocantins, com a vila capital em Boa Vista (Tocantinópolis). Em 1889, Fausto de Souza, Presidente da Província de Santa Catarina, apresentou um projeto para uma nova divisão do Império em quarenta províncias já considerando o norte de Goiás como pertencente à Tocantins. Apesar das primeiras décadas do século XX a divisão do Norte de Goiás ter repercutido apenas na região do Norte goiano – principalmente em Porto Nacional - através da imprensa, só na década de 1930 que o movimento separatista tomou proporção nacional com ênfase na sequência da Constituição de 1937, que criou os territórios do Amapá, Rio Branco, Rondônia (antiga Guaporé) e os extintos na Constituição de 1946, a saber: Itaguaçu e Ponta Porã. Entre o período de 1959 a 1968 em Pedro Afonso, criou-se a Casa do Estudante do Norte Goiano (Cenog) que se espalhou entre outras cidades goianas. A Cenog abraçou a causa separatista do estado de Goiás com o lema “Tudo pela redenção do Norte Goiano”. Conforme a pesquisa de mestrado da professora Jocyléia Santana – que deu origem ao livro “O sonho de uma Geração: o movimento estudantil- Goiás e Tocantins”, de 2007, da editora UCG - declarada no site da Universidade Federal do Tocantins (UFT), “A Cenog – que se caracterizou em uma escola de formação política para os estudantes e movimentos sociais da região - foi uma importante precursora no processo político de separatismo do sul de Goiás com o norte, atual estado do Tocantins”. Na década de 60, as principais cidades do norte do estado de Goiás (Pedro Afonso, Porto Nacional e Araguacema) margeavam os rios Araguaia e Tocantins. A construção da BR-153, uma das principais rodovias do estado, só teve o início da sua construção na década de 70. Na década de 90, as universidades foram construídas e a Cenog lutava para que tivesse mais moradias, escolas e universidades. Durante a luta muitos congressos foram realizados em Porto Nacional, Tocantínia e Araguacema, chegando a reunir mais de oitocentos mil jovens e juntos formaram a Conorte (Comissão de Estudos dos Problemas do Norte). “Foi a Conorte quem deu continuidade a esse ‘grito’ dos estudantes, que se tornaram profissionais liberais e estavam se juntando de forma organizada, agora com recursos disponíveis, fazendo revistas e panfletos em defesa do movimento separatista. A luta foi árdua, o movimento estudantil, que passava pelo contexto da ditadura militar, manteve seu ideário e lutou por liberdade, gerando o lema da época: Dividir para Progredir”, segundo o site da UFT. Em 1987, lideranças aproveitaram o momento oportuno para mobilizar a população e fazer pressão para conseguir a separação do Norte do estado de Goiás. A Conorte conseguiu reunir aproximadamente oitenta mil assinaturas, reforçando a ideia da separação de estado, e apresentou para a Assembleia Constituinte. A União Tocantinense e o Comitê Pró-Criação do Estado do Tocantins foram criados com objetivos semelhantes de lutar pelo novo estado (Tocantins) através de emenda popular. "O povo nortense quer o estado do Tocantins. E o povo é o juiz supremo. Não há como contestá-lo, reconhecia o governador de Goiás na época, Henrique Santilo. (SILVA, 1999, p. 237)”, conforme descrito pelo governo do estado do Tocantins. Um novo horizonte Em junho de 1988, o deputado Siqueira Campos, relator da Subcomissão dos Estados da Assembleia Nacional Constituinte, redige a fusão de emendas citando a criação do estado do Tocantins e entrega a Ulisses Guimarães, presidente da Assembleia. No mesmo dia houve uma votação e foi aprovado. Sendo assim, no dia 05 de outubro de 1988, pelo artigo 13 (treze) do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição foi criado o estado do Tocantins. A cidade de Miracema do Norte foi escolhida como capital do estado provisoriamente. No dia 15 de novembro de 1988 pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás foi realizada a eleição dos primeiros representantes do governo do estado. José Wilson Siqueira Campos foi eleito governador, enquanto Darci Martins Coelho foi eleito vice-governador. Os primeiros senadores do estado foram Moisés Abrão Neto, Carlos Patrocínio e Antônio Luiz Maya. Além desses políticos, mais oito deputados federais e vinte e quatro estaduais tomaram posse no primeiro dia do ano de 1989. Em poder, o governador Siqueira Campos assinou decretos para a criação das Secretarias de Estado viabilizando o funcionamento dos poderes (legislativo, judiciário e tribunais de justiça e de contas), além da nomeação para cargos de primeiro secretário e desembargadores. Através do decreto, as cidades que constavam “do Norte” no nome, tiveram a substituição por “do Tocantins” e passaram a ser chamadas de Miracema do Norte, Paraíso do Norte e Aurora do Norte para Miracema do Tocantins, Paraíso do Tocantins e Aurora do Tocantins. Dia cinco de outubro de mil novecentos e oitenta e nove, com a primeira Constituição do Estado do Tocantins promulgada, foram criados mais quarenta e quatro municípios, além dos setenta e nove já existentes. Atualmente Tocantins tem 139 (cento e trinta e nove) municípios. Numa área de 1.024km2 (mil e vinte e quatro quilômetros quadrados), desmembrada do município de Porto Nacional, que foi unida à Taquarussu e povoada por Canela, sua localização é de possível polo de irradiação de desenvolvimento econômico e social do estado (cf. IBGE). No ponto geodésico central do Brasil nasceu Palmas, banhada pelo rio Tocantins e planejada para ser a capital do estado. Criada no final de maio de 1989 e instalada no primeiro dia do ano subsequente, posteriormente à Palmas, recebe a sede administrativa do até então município de Taquarussu, tornando o prefeito eleito na cidade, Fenelon Barbosa, o primeiro prefeito de Palmas. Nessa direção, Taquarussu do Porto, Taquaralto e Canela se transformaram em distritos de Palmas. No dia 01 de janeiro de 1990, Palmas se tornou a capital do estado do Tocantins. Em 1995, o município se agrupou em Palmas, Taquaralto e Taquarussu do Porto e no ano de 2001, Palmas, Butirana e Taquarussu do Porto (cf. IBGE). Com a independência financeira do estado de Goiás, em 1993, a prefeitura começou a construir valas para água encanada e novas quadras foram loteadas para moradores. O endereço em Palmas, bem como Brasília, é composto por siglas de localização. Exemplo: ALC-SO, 35, Área de Lazer e Cultura Sudoeste número 35. Apesar de ser a capital mais nova do estado mais novo do Brasil e com habitantes migrantes de outras regiões do país, o que parecia ser uma preocupação em ter uma população considerável, o Censo tranquilizou apresentando que 24,3 mil pessoas já habitavam a cidade em 1991, moradores relataram que era difícil de chegar recursos aos moradores antes da separação do estado goiano. O protagonismo de Siqueira Campos José Wilson Siqueira Campos foi quem criou a cidade de Palmas e foi o primeiro governador do estado brasileiro do Tocantins, cargo que ocupou por quatro vezes (de 1989 a 1991, de 1995 a 1998, de 1999 a 2003 e de 2011 a 2014, sendo o último renunciado). Siqueira Campos, em reportagem ao site do governo do Tocantins em 2020, alegou que a localização de Palmas fortaleceu a economia e resgatou uma região que poderia se tornar esquecida e que anteriormente era conhecida como “corredor da miséria”, substituindo, assim, a fama negativa da cidade ao torná-la uma produtora e exportadora de grãos. Outro fator é que no rio Tocantins está localizada a hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães que abastece o estado. Desse modo, o estado do Tocantins possui, portanto, relevância em agropecuária e hidrelétrica. Morador de Palmas e com 94 anos, José Wilson Siqueira Campos é pai do Eduardo Siqueira Campos, o primeiro prefeito eleito de Palmas e posteriormente senador pelo estado. A família Siqueira Campos assina muitos monumentos e obras na cidade de Palmas e no Palacinho. Vale lembrar, nesse sentido, que a primeira sede do governo possui uma exposição fixa sobre a história do estado e a importância de José Wilson Siqueira Campos para a região. Os encantos da capital mais jovem do Brasil Segundo o IBGE, em 2020 (dois mil e vinte), o município ocupou o 1506º (milésimo quingentésimo sexto) lugar na escala de PIB em comparação aos 5.572 municípios que o Brasil possui e a mortalidade infantil é de 12,13 para 1000 (mil) nascidos vivos. Em 2021 (dois mil e vinte e um), o IBGE alegou uma estimativa de população de 313.349 pessoas (trezentos e treze mil e trezentos e quarenta e nove pessoas) e Palmas ocupou a posição a 793º (Septingentésimo Nonagésimo Terceiro) de 5570 munícipios do país que possui pessoas nos anos finais do ensino fundamental em rede pública. A economia da cidade de Palmas tem ênfase na área de Agropecuária e Serviços, sejam eles administrativos ou industriais. Ao observar o relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em relação ao Índice de Desenvolvimento Sustentável das cidades do Brasil em 2023 (dois mil e vinte e três), percebe-se que está em 655ª posição de 5570ª na classificação geral dos municípios do Brasil (de 100 pontos a capital tem uma pontuação de 55,1) com objetivos atingidos nas áreas de proteção à vida marinha e indústria, inovação e infraestruturas, mas com áreas extremamente carentes em relação à fome, educação de qualidade, sustentabilidade, paz, justiça e instituições eficazes, igualdade de gênero e desigualdade. A capital tocantinense é uma das duas capitais de estados brasileiros que tem uma mulher no cargo de prefeita municipal. A minha vivência na cidade foi percebida com curiosidade e muita atenção para um possível machismo estruturado durante atendimentos recebidos em alguns locais quando estive acompanhada do meu marido. Enquanto eu questionava o garçom sobre determinados pratos, perceptivelmente este garçom respondia para o meu marido, que não havia perguntado nada, ao invés de retornar a resposta para mim. Não foram todos os locais, mas foram em vários momentos. Ao conhecer as moradoras do local e dividir essa experiência, elas confirmaram que já viveram essa situação em diversos momentos. Desse modo, isso leva à reflexão de que a cultura antiga do velho norte de Goiás permanece e compreende-se que, conforme conversado com muitas moradoras que relataram terem vivido a mesma coisa. Desbravando Palmas e arredores Apesar do calor intenso que permanece durante o ano inteiro, no inverno a temperatura mínima de Palmas é próxima de 15 graus e durante o verão, os meses de novembro a março se tornam mais frescos, devido às chuvas. Com aeroporto e relativamente próximo ao Jalapão — diga-se de passagem que é uma região que engloba algumas cidades e possui este nome devido a uma batata nominada Jalapa, que é utilizada para curtir em aguardente e chega a adormecer a boca, como a cachaça de Jambu —, Palmas é muito utilizada para chegar até o Jalapão. A capital tocantinense também possui shoppings, barzinhos, cervejaria local Krahö, sebo da Vovó (super completo), entre muitos outros atrativos, destacando-se as belezas naturaus. O rio Tocantins que permeia a cidade de Palmas é um atrativo aos tempos livres das pessoas, além das praias de água doce da cidade, nas quais as mais famosas são a praia Graciosa, Prata, Arnos e Caju. Enquanto a praia Graciosa possui um dos bares mais famosos da cidade que é o D. Maria, a praia do Prata possui uma estrutura atrativa para almoço, com mesas e cadeiras na beira do rio, com bebidas geladas e pratos típicos. A praia Arnos é uma das mais limpas e a do Caju que permaneceu mais rústica com pouca intervenção humana, mas ainda assim com locais de comedouros. A maioria das praias possuem locais que vendem pratos típicos como o peixe Tucunaré. Taquarussu é um bom local para visitar belas cachoeiras e realizar trilhas. Palmas tem lindos pores do sol. O Mirante de Palmas é um local tranquilo, de paz, com linda vista, mas para acessá-lo precisa pagar uma taxa simbólica (em 2022 foi de R$2,00 por pessoa) e realizar uma trilha íngreme em meio ao mato. O pôr do sol do mirante é maravilhoso, bem como de qualquer praia ou da praça Girassol. A praça Girassol, além de ser o cartão postal da cidade e por conter pontos importantes ao estado e ao Brasil, é a maior praça da América Latina e a segunda maior praça do mundo, com mais de 570 mil quadrados de extensão. A praça dos Girassóis, na imagem acima, abriga a sede dos três poderes do estado do Tocantins (executivo, legislativo e judiciário) e apresenta os monumentos que homenageiam o povo palmense e tocantinense: o Monumento de Súplica dos Pioneiros, Cruzeiro (onde foi celebrada a primeira missa), Monumento aos Dezoito do Forte, Frisas e Brasão do Estado, entre outros. Além disso, há também o Centro Geodésico do Brasil (Rosa dos Ventos) que significa ser o ponto central entre os extremos (norte - sul, leste - oeste) do Brasil. Para praticar esporte, o parque Cesamar e o parque dos Povos Indígenas são bem atrativos. No entanto, se a ideia é ter uma vivência com a família ou curtir a noite palmense ao ar livre, o parque dos Povos Indígenas é a melhor opção, bem como o festival de Natal que acontece no mês de dezembro, na cidade. Ficou com dúvida em algum item? Comente já e não deixe de compartilhar o conhecimento. Leia também sobre Brasília, Curitiba, Goiânia e Florianópolis. Texto escrito por Fabiana Mercado Pós graduada em Comunicação e Marketing Digital, formada em Publicidade e Propaganda, acumula mais de 9 anos na área, colunista do Zero Águia, curiosa, preza o respeito a todas as pessoas independente de características. Nas horas vagas pratica corridas com o apoio da equipe Superatis. Adora conhecer novas pessoas e lugares, ama viajar e possui um projeto denominado Desbravando Capitais com o marido para morar e vivenciar durante um mês em todas as capitais brasileiras nos próximos anos. Instagram: @desbravando_capitais Fontes https://cidades.ibge.gov.br/brasil/to/palmas/panorama https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_prefeitos_das_capitais_do_Brasil https://www.ibge.gov.br/geociencias/organizacao-do-territorio/estrutura-territorial/15761-areas-dos-municipios.html#:~:text=Trata%2Dse%20do%20reprocessamento%20anual,refer%C3%AAncia%20das%20Estimativas%20Populacionais%202021. https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/32597-capital-paulista-respondia-por-10-3-do-pib-do-pais-em-2019 https://www.fonema.com.br/extenso-numeros-ordinais/numeros-ordinais-por-extenso-151.php https://idsc.cidadessustentaveis.org.br/profiles/palmas-TO http://sonda.ccst.inpe.br/estacoes/palmas_clima.html#:~:text=A%20esta%C3%A7%C3%A3o%20chuvosa%20vai%20de,com%20menor%20%C3%ADndice%20de%20chuvas https://turismo.to.gov.br/pt https://portalantigo.palmas.to.gov.br/conheca_palmas/visite-palmas/praca-dos-girassois/#:~:text=Um%20cart%C3%A3o%20postal%20da%20cidade,Legislativo%20e%20Judici%C3%A1rio%20do%20Tocantins. http://www.22bi.eb.mil.br/index.php/pontos-turisticos#:~:text=Centro%20Geod%C3%A9sico%20do%20Brasil%20(Rosa,sul%2C%20leste%20%2D%20oeste). https://cidades.ibge.gov.br/brasil/to/palmas/pesquisa/39/30279?tipo=ranking https://cidades.ibge.gov.br/brasil/to/palmas/historico https://www.to.gov.br/sectur/l-criacao-do-estado-do-tocantins-1988/69ku6myrjrwe#:~:text=Pelo%20artigo%2013%20do%20Ato,nascia%20o%20Estado%20do%20Tocantins. https://brasilescola.uol.com.br/historiab/brasil-monarquia.htm https://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/1304-Augusto_Fausto_de_Sousa https://www.to.gov.br/sectur/j-trajetoria-de-luta-pela-criacao-do-tocantins/5za77iw36s5a https://www.to.gov.br/secom/emenda-digitalizada-de-criacao-do-estado-do-tocantins-sera-entregue-pela-conorte-a-secretaria-da-cultura/3qyddhwdk4y8 https://ww2.uft.edu.br/ultimas-noticias/11709-o-papel-do-movimento-estudantil-na-criacao-do-estado https://www.to.gov.br/sectur/l-criacao-do-estado-do-tocantins-1988/69ku6myrjrwe#:~:text=Pelo%20artigo%2013%20do%20Ato,nascia%20o%20Estado%20do%20Tocantins. https://www.to.gov.br/sectur/tocantins-historia/3ybh4wqwh43i https://www.to.gov.br/sectur/a-desbravamento-da-regiao/46rcg4fd2g3i https://pt.wikipedia.org/wiki/Teot%C3%B4nio_Segurado https://www.to.gov.br/sectur/h-criacao-da-comarca-do-norte-1809/5jjf6l5dzi0u https://www.to.gov.br/sectur/i-movimento-separatista-do-norte-de-goias-1821-a-1824/5qz5xxhxcni6 https://palmasmarinas.com.br/2022/05/20/conheca-a-historia-da-criacao-de-palmas-a-capital-do-tocantins/ https://brasilescola.uol.com.br/brasil/palmas.htm https://cidades.ibge.gov.br/brasil/to/parana/historico https://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2022/08/01/ex-governador-siqueira-campos-faz-94-anos-nesta-segunda-1o-e-segue-na-uti-para-tratar-pneumonia-bacteriana.ghtml https://www.to.gov.br/secom/palmas-30-anos-em-entrevista-exclusiva-siqueira-campos-diz-que-palmas-integrou-e-fortaleceu-a-economia-do-tocantins/2v6s48a0yerl https://pt.wikipedia.org/wiki/Siqueira_Campos_(pol%C3%ADtico) https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Jo%C3%A3o_das_Duas_Barras

  • Etarismo e sua relação com o bolsonarismo

    Etarismo é a discriminação estereotipada por idade contra indivíduos ou grupos etários. Também é chamado de ageísmo (oriundo da palavra age, que significa idade em inglês). Sabe-se que quando começou a pandemia de Covid-19, as pessoas tiveram que ficar isoladas, já que não tínhamos vacina e nem remédios disponíveis para o vírus e era algo desconhecido. Nesse isolamento, houve um grupo de pessoas que continuou trabalhando: aqueles que estavam na faixa etária considerada “útil” no mercado de trabalho. Esta parcela continuou basicamente as suas atividades pois alguns estabelecimentos não puderam parar, sobretudo os considerados serviços essenciais; mercados, hospitais, meios de transportes entre outros. A maior parte dos trabalhadores brasileiros têm entre 25 e 49 anos de idade e essas pessoas em grande parte seguiram sua rotina de atividades. Mas existe uma faixa etária que ficou um pouco à margem da rotina, de modo que sua rotina incluía somente ir em lugares como padaria, banca de jornal, passear ou visitar a família: os idosos. De acordo com o Estatuto da Pessoa Idosa, o cidadão com idade igual ou superior a 60 anos é considerado idoso. E qual é a relação desse tipo de discriminação com o bolsonarismo? O idoso, quando se viu fora de sua rotina, acabou por ceder a algo que normalmente tem alguma dificuldade; a tecnologia. Com esse acesso e tempo livre, os idosos foram presas fáceis para a disseminação de fake news e teorias da conspiração. Isso se deve muito ao etarismo, pois em muitas casas o idoso não tem voz, não é escutado, não tem importância no âmbito familiar. Comumente o idoso é chamado de “velho”, “antiquado” e as pessoas pensam que não têm importância qualquer coisa que eles falam. O lado negativo da internet achou uma brecha nessa questão e o idoso, em sua vulnerabilidade, acabou caindo nessa rede. Lembrando que quando falamos vulnerabilidade do idoso, não relacionamos a idade, mas sim a sua falta de acesso anterior ao bombardeio de informação que temos disponível na internet, já que a pessoa idosa normalmente tem uma certa dificuldade com aparelhos tecnológicos. Quem nunca ouviu um idoso falando que na época dele não era assim, era mais fácil, não precisava de tanta bugiganga. Assim, dentro desse contexto, o bolsonarismo encontrou uma abertura para adentrar e disseminar seus ideais. Baseado em Deus, pátria e família (nos fazer recordar bastante das manifestações na época da ditadura), o bolsonarismo sempre tentou angariar seguidores dizendo que seus ideais cristãos e de família são os corretos, que o mundo está deturpado e que qualquer outro governante além do ex-presidente Jair Bolsonaro, que perdeu a disputa eleitoral para um novo mandato, não serve para governar o país, colocando-se, desse modo, como um legítimo “representante de Deus”. Os idosos, tendo acesso a todo esse tipo de informação e não sabendo muito bem lidar com essa enxurrada de notícias e artigos, muitas vezes sem ser ouvidos em seu próprio lar acabam se isolando, tanto em casa quanto em grupos que acessa na internet. Ali, diferente do seu âmbito familiar consegue ser reconhecido e relevante, mesmo que com a ilusão de que está defendendo algo maior influenciado por notícias falsas. Além do bolsonarismo, os famosos coaches de lifestyle ganharam renda fácil e falsos profetas agarraram esse novo público e abocanharam a sua atenção. Por isso, nas cenas terríveis que vimos da destruição de Brasília em janeiro de 2023, notamos que há também muitas pessoas mais velhas se sentindo como baluartes dos bons costumes e preservadores do conservadorismo ao serem manipuladas por uma espécie de mundo paralelo. A grande parte dessas pessoas simplesmente estão sendo levadas pela desinformação e sentindo uma falsa sensação de pertencimento, já que o bolsonarismo os fez se sentirem importantes e ouvidos. No entanto, o bolsonarismo mostrou também que a colaboração delas fará uma grande diferença para sua pátria, o Brasil. E qual é a solução para acabar com o etarismo? Para acabar com esse tipo de discriminação, é necessário a responsabilidade da sociedade e da família, uma vez que o termo etarismo surgiu para combater esse preconceito. Diante disso, ouvir, conversar, valorizar e dar importância às opiniões e pensamentos é o primeiro passo para eliminar o etarismo da nossa sociedade. Vale lembrar que todos são importantes e, em muitos momentos da vida, precisamos da opinião e experiência de vida das pessoas ao nosso redor. Texto escrito por Caroline Prado Professora de Cultura Brasileira e Português para Estrangeiros, internacionalista, estudante de Filologia e Línguas Latinas, Embaixadora do Projeto Líbertas Brasil na Costa Rica, apaixonada por plantas, livros e fontes confiáveis. Revisão textual realizada por Mateus Santana Mestre em Linguística e graduado em Letras com habilitação em português/francês pela UNESP. Especialista em Grafologia e Neuroescrita pela Faculdade Unyleya. Amante das Artes, da Linguagem e do Discurso Edição e arte por Katiane Bispo Formada em Relações Internacionais com especialização em Políticas Públicas. Integrante do Projeto Líbertas Brasil e é podcaster no programa "O Historiante". Fontes https://www.ecycle.com.br/etarismo/#:~:text=Etarismo%20%C3%A9%20a%20discrimina%C3%A7%C3%A3o%20por,que%20perpetuam%20a%20discrimina%C3%A7%C3%A3o%20et%C3%A1ria. https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2022/eleicoes-2022-periodo-eleitoral/estatuto-do-idoso-assegura-direitos-de-pessoas-com-60-anos-ou-mais#:~:text=De%20acordo%20com%20a%20lei,ou%20superior%20a%2060%20anos. http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=863#:~:text=Segundo%20o%20IBGE%2C%20a%20maioria,com%2050%20anos%20ou%20mais

  • Comédia: de onde vem o riso?

    “Peça de teatro cujo assunto é geralmente tirado de factos ridículos e jocosos da vida social, com personagens e situações que são tratadas de forma a provocar riso ou divertimento”. A origem De origem Grega, o gênero de comédia já era algo destinado ao popular, incluindo os marginalizados e mais pobres. Junto à comédia foi criado o gênero chamado tragédia que contava, a partir da dramaturgia, a história de heróis e deuses. Na maioria dos casos, essas peças teatrais eram destinadas aos nobres. Já a comédia contava a história de homens comuns e era destinada ao povo. Mesmo marginalizada, a comédia tinha um papel político muito importante, pois conversava com a população mais simples. A partir de um ato que era chamado de “agón”, alguns problemas eram apresentados em forma de sátiras e deboche entre os protagonistas que logo após conversavam com a plateia, tentando esclarecer e também tomar rumos novos ao que foi apresentado no primeiro ato. Essa pratica é realizada até hoje em espetáculos de standup comedy e ainda leva o mesmo sentimento ao espectador que se sente parte da história e com uma ilusão de participação, embora no final a decisão do rumo dessa história não seja a dele. Muitas peças zombavam e satirizavam a derrota de inimigos em guerras, em que eram explorados estereótipos ligados aos líderes inimigos e os aumentavam até o ponto de se tornarem engraçados. A comédia sofre sua primeira poda após a rendição de Atenas na Guerra do Peloponeso. Com a chegada da democracia, a comédia passou a não satirizar e zombar de forma agressiva os temas políticos e as histórias de personalidades não eram mais abordadas, uma vez que foram reduzidas apenas as emoções e relações humanas, que agora eram abordadas com uma linguagem mais respeitosa. Comédia e suas ramificações Passando por muitas mudanças desde sua criação, a comédia se ramificou e passou a ter diversos gêneros ou formas de ser apresentada. Por meio disso, começou a gerar controvérsias sociais quando certos gêneros não eram agradáveis a determinado público, porém, para outros, ela seria o limite da comédia ou do humor. Com isso, pode-se explorar problemas apresentados em diversos gêneros da comédia: Pastelão ou Slapstick é o famoso gênero de torta na cara apresentados em Três Patetas ou mesmo de forma circense e trata-se de textos e histórias absurdas com desfechos cômicos que consistem na sua maior parte em violência física. Muitos problematizam esse gênero como forma de incentivo à violência física em situações de mal entendido ou mesmo agressão verbal. Nesse sentido, é possível perceber em várias obras do gênero que uma parte sempre se zanga após um acidente ou zombaria vinda da outra parte, de modo que o ápice comido é justamente a agressão. Outro ponto é a falta de empatia, pois muitas vezes esse ápice também vem a partir de um acidente sofrido por uma das partes na qual a segunda zomba do fato ocorrido. A comédia de bordões tem um trunfo diferente das demais, pois ela não surpreende. As situações são apresentadas e há frases de efeito já conhecidas e proferidas ao final do ato pelos personagens. Exemplos claros dessa comédia são apresentados em novelas e séries como em Chaves, que mesmo sendo repetitivo e previsível continua sendo cômico para parte do público. O problema apontado, neste gênero, é justamente sua maior característica: a previsibilidade, que muitos zombam e descreditam com o argumento de que sem o fator surpresa é impossível ver graça em obras do gênero. O gênero que arremete a nova comédia grega é a comédia romântica explora os sentimentos com fatos cotidianos de um par romântico de forma cômica e sempre finalizada com um final feliz. Nesse caso, a maioria das críticas a esse gênero são sobre estereótipos e o clichê de um final feliz que nem sempre na vida real é possível, causando uma falsa ilusão de um mundo perfeito e feliz em quem o consome. Um exemplo claro do próximo gênero é o gigante Porta dos Fundos que através de sketches se utiliza do gênero de sátira, em quase sua totalidade, e trata de forma cômica temas sérios de uma sociedade, tais como preconceito, economia, política e outros. Sendo um gênero muito plural não há muita problematização, porém em alguns casos esse gênero esconde um viés que busca manipular o público e construir ideias que podem estar relacionadas a marcas, política, gênero e diversos outros componentes que compõem a sociedade. No cotidiano, as pessoas passam por diversas situações diariamente e a comédia também explora isso a partir do gênero denominado observação, cujo autor baseia-se em situações cotidianas para montar o seu texto. A prática consiste em dar teor de humor a essas situações e na maioria das vezes exagerar ou aumentar o ocorrido para revelar um lado cômico em coisas do cotidiano. Nesse gênero, as críticas também são relacionadas ao fortalecimento de estereótipos referentes à raça, regionalidade e gênero. Muitas vezes há uma generalização sobre as atitudes e costumes de determinados grupos. Constrangimento é uma palavra que quando citada dificilmente se pensa em algo engraçado, porém é utilizada por muitos artistas da comédia. Utilizando alguns artifícios que causam aflição ao público, esse gênero se encontra em ascensão e a cada dia se torna mais popular. Nesse caso, as críticas ficam por conta da degradação do artista que se propõe a praticar essa vertente cômica, que na maioria das vezes se coloca em situações totalmente vexatórias e em algumas outras utiliza de ofensas para atingir o ápice cômico. Muitos acham extremamente desagradáveis e sem graça e outros extremamente engraçados, ou seja, há um “8 ou 80”, neste caso. Pensar em uma coisa que não faz sentido algum também pode render muitas risadas. Esse é o artificio do nonsense com premissas totalmente absurdas que fogem da realidade e desfechos que vão para uma direção oposta da sua premissa. Esse gênero não se prende a nenhuma regra ou lógica. Portanto, esse é mais um caso de amor ou ódio ao público que não consome o gênero e baseia-se suas críticas no ponto principal, em que há falta de sentido no enredo que, para eles, apenas gera confusão de ideias. Por fim, existe o humor ácido que talvez seja o mais controverso de todos. A ideia aqui é achar graça em situações totalmente extremas como acidentes, morte, doença, discriminação, abusos, entre outros temas sensíveis à sociedade. Os artistas que praticam esse tipo de humor alegam que o objetivo é o alivio cômico nessa situação, ou seja, rir de uma situação ruim para torná-la melhor e que de forma alguma expressam suas opiniões pessoais ou tentam ofender alguém utilizando a piada. Nesse caso, são óbvias as críticas realizadas ao gênero que trata de assuntos e acontecimentos sensíveis à maioria da sociedade comicamente sem nenhuma exceção. Os críticos citam até que a prática influencia e estimula a violência e o preconceito de forma ampla e aberta. Provavelmente, não foi abordado todos os tipos de humor acima, porém, como visto, é possível independente do gênero realizar crítica aos mesmos. Como qualquer outro assunto ou tipo de arte, sempre haverá discordância devido aos diferentes ambientes de criação de um indivíduo na sociedade. É entendido que tudo muda e, claro que junto com as mudanças, assuntos e conteúdos não cabem mais ser abordados de certas formas, mas caso o objetivo seja apenas problematizar algo, é possível fazer, conforme visto acima. O limite do humor Muito se discute onde é o limite do humor, até que ponto os artistas podem ir, quais assuntos podem ser abordados e de que forma esses temas devem ser tratados. Em muitos casos, a linha entre uma piada e uma ofensa é muito tênue e partindo do princípio que o humor consiste em extrair a graça de acontecimentos, seja ele qual for, pode gerar riso em algumas pessoas, porém ofender outras. Há algumas teorias de onde seria esse limite: muitos dizem que esse limite é o ambiente, ou seja, há piadas adequadas para o ambiente e o público presente nele tem a ciência do teor do conteúdo que o artista em questão oferece. Alguns julgam que esse limite se encontra na ofensa e que mesmo que alguns riam da piada, caso ela ofenda uma pessoa ou determinado grupo social, não deve ser apresentada como forma de arte. Por último, o limite do riso, utilizando o argumento de que o determinante para diferenciar a piada de uma ofensa, é a risada. Muitos julgam que o limite seria esse. Enquanto houver riso, independente do tema abordado e do gênero humorístico utilizado, essa piada pode ser feita. O humor e a Política Conforme apresentado, desde sua origem a política interfere diretamente na comédia. Em alguns países como os EUA, a influência é mínima, apenas afetando as pautas e assuntos que vão ser tratados pelo humorista. Já em outros países, a política tenta ainda interferir diretamente regulando os assuntos e até mesmo impedindo espetáculos de serem executados e movendo ações judiciais contra os comediantes. No Brasil, há relatos de comediantes que foram impedidos de se apresentar e receberam processos movidos por figuras políticas. Recentemente a lei de Crime Racial sofreu uma alteração que impacta diretamente os artistas da comédia e muitos se manifestaram alegando que a mesma impõe uma censura no conteúdo de sua arte. Abaixo pode-se ler trechos questionados por personalidades e os próprios humoristas: “§ 2º-A. Se qualquer dos crimes previstos neste artigo for cometido no contexto de atividades esportivas, religiosas, artísticas ou culturais destinadas ao público: Pena: reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e proibição de frequência, por 3 (três) anos, a locais destinados a práticas esportivas, artísticas ou culturais destinadas ao público, conforme o caso.” “Art. 20-A. Os crimes previstos nesta Lei terão as penas aumentadas de 1/3 (um terço) até a metade, quando ocorrerem em contexto ou com intuito de descontração, diversão ou recreação.” Muitos dos comentários colocam em evidência que o julgamento de um caso como este depende muito da interpretação de quem o julga e a influência do acusador pode afetar drasticamente uma decisão contra o acusado que, no caso de um artista de humor, alega apenas apresentar sua arte, sem expor sua opinião ou incitar qualquer tipo de preconceito ou violência. Em minha visão, a arte não deve ser limitada, mas sim incentivada. Uma peça de teatro tem que expressar a arte de forma pura e a comédia se encaixa na mesma categoria. Quem deve julgar a qualidade ou não do conteúdo é o público que a consome. Caso isso não ocorra, iremos caminhar para algo muito próximo à censura e até mesmo a extinção de formas de artes, devido à repressão dos artistas. Texto escrito por Henrique Cunha Profissional de TI, formado em Análise e Desenvolvimento de Dados. É um curioso nato, amante de música, filmes e séries do universo geek. Colunista de variedades do Zero Águia.

  • A reforma que deforma: como capotamos no ensino público brasileiro

    Há anos o debate sobre um novo modelo de Ensino Médio reuniu entidades e profissionais da educação. Mas o que temos hoje está longe de atender aos anseios da sociedade. O ano era 2022 e eu iniciei minha carreira como servidor público da educação no Estado de Alagoas. Depois de anos lecionando no Ensino Superior, meu pincel e meu apagador tocariam os quadros de salas do Ensino Médio pela primeira vez. Os anseios eram os mais variados possíveis: um novo Estado, a distância de casa e da família, o vislumbre do desconhecido… Além de tudo isso, era o princípio da implementação das mudanças da nova Base Nacional Comum Curricular, dando início ao que conhecemos como NEM, o Novo Ensino Médio. É preciso salientar que boa parte da população brasileira sequer tinha ou tem noção do que isso significou e ainda significa na história recente da educação. De acordo com a pesquisa do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Serviço Social da Indústria (SESI), 55% da população está pouco ou nada informada sobre o modelo e apenas 15% dela está informada ou muito informada. Disciplinas tradicionais, como a História que eu leciono, tiveram a sua carga horária reduzida. No lugar delas, matérias como “RPG”, “Projeto de Vida”, “Território e turismo” e “Empreendedorismo” passaram a vigorar entre os alunos dos 1º anos, numa transição escalonada até 2024. Sem estrutura e marcada pelo improviso, essa mudança marcou alunos e professores, principalmente pela ausência de diretrizes minimamente claras. Alguns professores, tais como os da História, Biologia e Química, por exemplo, precisaram lecionar conteúdos completamente fora de suas áreas de formação. Ao cabo e ao fim, a frustração deu a tônica de um princípio de dores para a comunidade escolar. Como chegamos até aqui? (não custa nada lembrar) A educação pública brasileira, infelizmente, é um palco de disputas constantes e intensas há décadas, e mesmo a redemocratização e os subsequentes governos eleitos pelo povo não mudaram muito esse panorama. E, claro, o modelo praticado no Ensino Médio sempre foi alvo de críticas (justas e injustas) sobre sua composição e currículo. É preciso deixar claro que, de fato, o antigo modelo de educação precisava ser revisto, mediante um amplo debate entre os setores educacionais brasileiros, envolvendo entidades de classe, gestores, coordenadores e professores em seus variados níveis de atuação. Mas a reforma, que fizeram e aprovaram em 2017, foi uma completa palhaçada neoliberal. É bom lembrar o contexto em que isso está inserido: vivíamos os anos do governo vampiroso de Michel Temer, o vice articulador de um golpe parlamentar que derrubou Dilma Rousseff e instituiu uma presidência tampão, patrocinada pelo mercado financeiro e abençoada pelos partidos do Centrão. Foi com a Medida Provisória n. 746/2016, uma decisão autoritária de cima pra baixo, que o “Novo” Ensino Médio começou a tomar forma. Com ela, Temer interrompeu um processo de debates sobre o Ensino Médio que havia se iniciado na Câmara dos Deputados ainda no ano de 2012. Diversas entidades da sociedade civil criticaram o uso do expediente autoritário da Medida Provisória para realizar uma reforma educacional, gerando inclusive um parecer, por parte do então Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal, alegando que a medida era inconstitucional. Não sei se todos se lembram, mas houve um intenso movimento de ocupações estudantis nas escolas de Ensino Médio e nas universidades públicas em diversos estados do país. No ano de 2017, a MP 746 foi convertida na Lei 13.415/2017 e o governo de extrema direita, eleito em 2018, aliou-se à Reforma para aprovar os documentos legais que dariam sua sustentação normativa. O resto é o que temos hoje. 2022 foi o ano base do início da transição e quem esteve metido nas salas de aula das escolas públicas do país viveu e padeceu esse processo. A quem a reforma serve? Ao publicar a MP, o governo Temer justificou a medida com três objetivos que seriam alcançados pela Reforma: tornar o Ensino Médio mais atrativo aos jovens, permitindo que estes possam escolher itinerários formativos diferenciados; ampliar a oferta de ensino em tempo integral; e… aumentar o aspecto profissionalizante do Ensino Médio. Contudo, essas metas não passam de uma grande falácia. A tal liberdade de escolha de itinerários não contempla todas as possibilidades de desenvolvimento dos alunos; o ensino em tempo integral, apesar de ser o ideal, não está relacionado com a vivência de alunos que ainda precisam escolher entre estudar e trabalhar; e o aspecto profissionalizante tem mais uma cara de sucateamento do ensino, com professores sendo obrigados a ministrar disciplinas bem distantes de sua área de formação. Então, se o Novo Ensino Médio não serve aos estudantes, proporcionando uma formação precária e esvaziada dentro de suas próprias metas, a quem serve essa reforma? Como disse anteriormente, Temer, com sua MP, interrompeu as discussões em torno de uma reforma consistente, com a participação de educadores e instituições realmente engajadas na construção do ensino público e abriu espaço para indivíduos do setor privado terem voz e ingerência na reforma. Quem são? Podemos citar a mais conhecida, a organização Todos Pela Educação, cuja mantenedora é a Fundação Lemann, uma instituição criada pelo mesmo responsável pelo rombo nas Lojas Americanas, Jorge Paulo Lemann. Há também a ingerência do Instituto Natura, parceiro do ICE (Instituto de Corresponsabilidade pela Educação), cujo presidente Marcos Magalhães teve ampla influência sobre o então ministro da educação da época, Mendonça Filho. Dessa forma, o Plano Nacional de Educação (PNE), que definiu as bases da política educacional brasileira para até 2024, foi construído sob a violência das garras do setor privado, cuja vítima principal foi a Educação pública. E qual o problema de estudar RPG? Pude acompanhar algumas repercussões do NEM nas mídias digitais. Entre críticas e elogios, causaram-me certo frisson os comentários de pessoas que achavam legal que, no currículo escolar, o “RPG” fosse um dos componentes a serem estudados pelos alunos. Particularmente, adoro jogar RPG. A sigla, que significa “Role Playing Game” (em tradução livre, jogo de interpretação de papéis), faz referência a um tipo de jogo em que as pessoas interpretam seus personagens e criam narrativas que giram em torno de um enredo. Muito por isso, o RPG se tornou, há anos, uma ferramenta de ensino-aprendizagem em minhas aulas de História. De batalhas entre astecas e colonizadores espanhóis a confrontos entre as forças inimigas na 2ª Guerra Mundial, busco transformar o conteúdo em diversão e aprendizado para meus alunos. Em suma, não tem problema nenhum com o RPG. O problema está em transformá-lo em uma disciplina formal numa grade curricular com duração de 1 ano inteiro, em detrimento de matérias tão fundamentais para a formação intelectual dos estudantes. A reforma, no caso, serve única e exclusivamente para deformar, precarizar e esvaziar o currículo escolar das escolas públicas sob um falso verniz de avanço e modernização. O NEM é justamente o que sua sigla significa: NEM ensina, NEM forma e NEM prepara. Texto escrito por Pablo Michel Magalhães Escritor, historiador e filósofo baiano. Observador atento de política, cultura e signos midiáticos. Podcaster no Historiante, onde tece críticas e constrói processos educativos. Professor da educação pública no Estado de Alagoas. Autor do livro "Olhares da cidade: cotidiano urbano e as navegações no Velho Chico" (2021).

  • As consequências do bolsonarismo

    Brasil, 08 de janeiro de 2023. Dia em que a democracia foi atacada brutalmente, numa tentativa absurda de golpe de estado. Pessoas com símbolos da bandeira nacional nas costas, movidos por ódio e alimentados por fake news, invadiram a sede dos três poderes e depredaram tudo que viam pela frente, rasgando obras de arte, batendo em animais, tocando fogo e demonstrando total desprezo pelas instituições brasileiras e pela democracia. Mas se engana quem pensa que este ato nasceu da noite pro dia. O próprio ex-presidente Jair Bolsonaro em seus discursos dizia que não aceitaria o resultado das eleições. Porém para entender melhor, vamos voltar a outubro de 2018, ano em que a disputa pela eleição presidencial foi vencida por Jair Bolsonaro, que foi deputado federal por 28 anos e conseguiu ser eleito com discurso de novidade, pautas de costumes e tom pra lá de agressivo e preconceituoso no que diz respeito às diferenças. Infelizmente os discursos de ódio prosseguiram ao longo de seu mandato, que foi marcado por polêmicas, agressão a imprensa por parte de seus apoiadores, intolerância religiosa, discursos contra a proteção dos povos indígenas, proteção do meio ambiente, a favor dos garimpos ilegais, contra a comunidade LGBTQIA+ e por aí vai. A cada discurso que o agora ex-presidente fazia, as agressões à imprensa, as instituições, se faziam presentes. Tais discursos eram carregados de fake news, que fortaleciam ainda mais as alas radicais, dando munição e alimentando o ódio dessas pessoas. Seu mandato foi avançando e nada de abrandar o discurso. Grupos criados em mídias sociais foram mantidos e ampliados durante o mandato do agora ex-presidente e esses grupos eram alimentados com informações muitas vezes falsas, que infelizmente boa parte dessas pessoas tomava como absoluta verdade e não ouviam mais ninguém, se afastando de suas famílias, alguns até saindo de seus empregos para viver sabe-se lá como nos acampamentos golpistas, o ódio e a revolta dessas pessoas sendo alimentado diariamente, fazendo-as a defender aquilo que a democracia mais abomina, a ditadura com intervenção militar. O efeito manada e a psicologia das multidões O efeito manada é uma das explicações mais coesas para explicar todos esses atos citados. Segundo especialistas, o efeito manada é um poderoso fenômeno psicológico que é impulsionado por uma série de pessoas influentes. Acaba sendo de certa maneira, uma forma de influência social, pois como vemos na invasão de Brasília por bolsonaristas, o efeito manada começou antes, essas pessoas sendo alimentadas pelas mídias sociais com fake news, teorias da conspiração, que culminaram na criação de uma realidade paralela. As pessoas que depredaram Brasília pareciam não ter a mínima noção das leis, mas como não são pacientes psiquiátricos, podem e devem pagar com o rigor da lei. O efeito manada foi o responsável por levar as pessoas lá, mas para explicar esse comportamento, podemos pensar na psicologia das multidões, termo criado pelo escritor francês Gustave Le Bon. Para ele, numa aglomeração de pessoas some a individualidade e surge o pensamento coletivo incontrolável. A intenção era criar o caos, mais a maioria dos que praticavam as barbaridades jamais faria o que fizeram se estivesse sozinhas. Tentativa de Golpe A tentativa frustrada de golpe mostrou que o bolsonarismo chegou no ápice de suas ações desde sua existência, a invasão da sede dos 3 poderes, para criar o caos e assim provocar que as forças armadas tomassem o poder, contando com a possível anuência de autoridades, deputados, alto escalão do governo do DF, chefes de polícia, secretário de segurança pública do DF e demais funcionários da segurança pública. Mas esse é apenas o começo do fio da meada. Na casa de um dos detidos, o ex-secretário de segurança e ex-ministro da justiça do governo Bolsonaro, foi localizada uma minuta de golpe e neste documento previa-se a intervenção no TSE para afastar o presidente do órgão e invalidar o resultado das eleições. Essa tentativa de golpe é fruto de uma sistemática e articulada ação de políticos e empresários que antes mesmo do resultado já tramavam a possibilidade de um golpe. O próprio ex-presidente Bolsonaro, que foi eleito todas as vezes por urnas eletrônicas, por diversas vezes colocou o sistema eleitoral em cheque, inclusive usando as forças armadas, uma instituição de estado que não deveria estar envolvida em política, para auxiliá-lo na tentativa de fazer pressão sobre o sistema eleitoral sem nenhuma prova de fraude. O não reconhecimento do resultado das eleições foi estratégico, rasgaram a constituição e feriram a democracia brasileira a fim de se manter no poder e garantir as benesses de se estar no poder, além de esconder possíveis crimes ocorridos durante o mandato do ex-presidente. Apesar de depredar, destruir obras de arte pertencentes ao estado brasileiro, roubar armas, documentos e entre outras coisas, essas pessoas passaram horas sem serem interrompidos por policiais que deveriam estar protegendo o patrimônio público, o que fortalece ainda mais as graves suspeitas de envolvimento de gente poderosa, agentes públicos e empresários que financiaram essa tentativa de golpe. Aliás vale lembrar que essas pessoas não foram sozinhas para brasília, foi tudo meticulosamente financiado, centenas de ônibus foram fretados para brasília, em grupos de milícias digitais era oferecido dinheiro e vagas em ônibus para ida a brasília. Consequências As pessoas adeptas ao bolsonarismo radical, que promoveram todos aqueles crimes em Brasília, são pessoas que já tinham predisposição a cometer esses atos, o que lhes faltava era coragem, financiamento e incentivo, tiveram tudo isso e fizeram toda a devassa na sede dos 3 poderes na tentativa de golpe. O que nos leva a entender é que essas pessoas pareciam ainda não ter compreendido o quão grave foi o ato que cometeram, filmavam, davam risada, brincavam, até que as consequências começaram a ocorrer já no mesmo dia dos atos criminosos. Quando eles recebiam a notícia de seus advogados, choravam e muitos que criticavam os direitos humanos reclamavam das condições das celas, quanta ironia da vida. À noite centenas de pessoas já haviam sido presas e o presidente da república decretou intervenção federal na segurança de Brasília, retirando o comando da segurança pública das mãos do governo do distrito federal, nomeando o interventor Ricardo Capelli, já que haviam sérios indícios de conivência de membros do alto escalão da segurança do DF e agentes públicos. O STF também agiu e determinou a prisão de todos os envolvidos nos atos e a retirada em todo o país dos acampamentos golpistas. O governador do distrito federal, Ibaneis Rocha, que pediu desculpas ao presidente Lula num ato de praticamente reconhecimento de sua omissão, foi afastado do cargo por 90 dias sobre suspeita de omissão entre outros crimes a serem investigados. A procuradoria abriu investigação contra policiais por possível omissão, o ex-secretário de segurança do DF e ex-ministro do governo Bolsonaro Anderson Torres teve sua prisão decretada com mandado de busca e apreensão em sua residência. O ex-comandante da PM também foi preso, o ministério público militar abriu uma apuração preliminar já que houve a participação de militares nos atos golpistas e também foram abertos inquéritos contra deputados por incitação aos atos. A PGR solicitou o bloqueio de 20 milhões em bens contra as pessoas e empresas envolvidas, mais de 653 pessoas foram denunciadas, a operação lesa pátria prendeu e continua a prender policiais e pessoas envolvidas na tentativa frustrada de golpe e o ex presidente Bolsonaro foi incluso nas investigações que investigam os atos antidemocráticos. Vale lembrar que o ex-presidente saiu do País em direção aos EUA e quebrou a tradição respeitosa de um presidente passar a faixa ao próximo. Um mês após os atos, mais de 900 pessoas continuam presas, 7 inquéritos foram abertos pela PGR, e parece que esse processo não terá fim tão cedo, há muito o que investigar, e o que esperamos enquanto sociedade é que todos sejam punidos firmemente e que não haja anistia para os envolvidos nesse grave atentado à democracia brasileira. Felizmente a democracia ficou de pé, mesmo que abalada, e agora caberá ao País reafirma-la. Texto escrito por Ivo Mendes É ativista e militante há mais de 12 anos em pautas antirracistas e no combate às desigualdades sociais no Brasil. Retirou o medo do seu vocabulário, por isso é um sonhador por essência e entusiasta por sobrevivência. Formado em Gestão da Tecnologia da Informação, passou pela vida política da Baixada Santista e atualmente trabalha na área administrativa e integra a equipe de colunistas do Zero Águia. Fontes https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2023/02/07/pf-quinta-fase-operaca o-lesa-patria-atos-golpistas.htm?cmpid=copiaecola https://noticias.uol.com.br/colunas/leonardo-sakamoto/2023/01/09/bolsonaro-promet eu-que-invasao-aqui-seria-pior-que-a-dos-eua-e-cumpriu.htm https://www.rfi.fr/br/brasil/20230109-invas%C3%A3o-em-bras%C3%ADlia-queima-d efinitivamente-biografia-de-bolsonaro-diz-historiadora-francesa https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2023-02/apos-um-mes-investigacoes -buscam-financiadores-de-ataques-golpistas/ https://seape.df.gov.br/prisoes-dos-atentados-bsb/

  • Especial América Central: Conhecendo a Costa Rica

    A Costa Rica é um pequeno e belo país, muito focado no ecoturismo e no estilo "pura vida", destino muito procurado pelos americanos ou "gringos", como são chamados. Neste instante, tenho um convite a fazer: vamos conhecer um pouco mais sobre esse país incrível? Localizada na América Central, a Costa Rica possui um território com pouco mais de 51.000km², em que faz fronteira com a Nicarágua e o Panamá. É banhada pelo mar do Caribe e pelo oceano Pacífico. É um país de democracia bem sólida, que foi declarada independente em 15 de setembro de 1821, seguindo a onda de independência das colônias centro-americanas do reino da Espanha. Seu atual presidente é Rodrigo Chaves. Com uma população de menos de 6 milhões de habitantes, os "ticos" (gentílico popular para o povo costarriquenho) são descendentes de espanhóis, outros povos europeus e povos indígenas locais, como os Bri Bri, que é um povo bem miscigenado. Agora que conhecemos a localização, população e um pouco mais sobre seu povo, vamos ver mais algumas curiosidades que, com certeza, farão você ter vontade de passar suas próximas férias no país. Grande biodiversidade A Costa Rica possui cerca de 4% da biodiversidade mundial, ou seja, em um território tão pequeno, o verde é predominante. Metade da área do país é ocupada por florestas e também abriga a maior concentração de orquídeas do mundo, de modo que há vários tipos e algumas nascem somente nesse país. Pura Vida Mae De acordo com o Índice Planeta Feliz (HPI), da New Economics Foundation (NEF), a Costa Rica ultrapassou 139 países, no que diz respeito aos recursos que disponibilizam para sua população viver feliz. Entre as categorias analisadas estão a da esperança de vida, do bem-estar, da pegada ecológica, entre outras. Dentro dessa "felicidade", o povo desenvolveu uma expressão que se tornou popular, inclusive mundialmente, que usam muito, seja para cumprimentar alguém que chega ou vai embora, seja para agradecer ou simplesmente desejar bom dia: PURA VIDA. É muito comum você escutar a expressão quando se despede de alguém ou encontra alguém. A expressão "Pura vida" acabou tornando-se até nome de música. Realmente as pessoas do país são muito amáveis e educadas, e fazem com que você se sinta muito à vontade. Nesse sentido, a palavra "mae" normalmente acompanha a expressão anterior. "Mae" (observe muito bem que não é mãe, é MAE, sem acento) significa algo como "cara", "meu truta", "parceiro", "mano", expressões que usamos no Brasil para nos referirmos de maneira popular a alguém próximo, mas o "mae" pode ser usado tanto para homem quanto para mulher, como "Ese mae" ou "Esa mae". Mais educação e menos exército A Costa Rica aboliu suas forças armadas no ano de 1948, aderindo ao pacifismo e à neutralidade em conflitos bélicos, inclusive o país tem um ex-presidente que ganhou o Nobel da Paz em 1987. Óscar Arias mediou o "Acordo de paz Esquipulas II", que deu fim a guerras civis nos países vizinhos, El Salvador e Nicarágua. Com essa economia em treinamento e armamento, o país investiu o capital em educação e saúde, tendo seu nível de bem-estar muito mais elevado do que a média centro-americana. Embora não tenha exército, as forças civis de segurança do país são bem treinadas e numerosas. A sede da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) está na capital, em San José. Banana como parte da alimentação O país é tomado por bananais e sua produção é tão grande que a fruta faz parte da alimentação cotidiana da população. Ela é comida frita, como "mistura" (modo como falamos no Brasil para falar da proteína que faz acompanhamento ao prato), em saladas de frutas e de diversas outras formas, das mais variadas possíveis. O que mais chama atenção é o plátano (mais conhecido como banana-da-terra no Brasil), que participa do prato mais típico do país, o Gallo Pinto. Gallo Pinto Já que falamos do prato principal que leva plátano frito, vamos entender mais sobre o Gallo Pinto! Muito diferente do Brasil, na Costa Rica as pessoas comem muito e muito bem pela manhã. O café da manhã aqui é composto por arroz e feijão fritos, temperados com coentro e pimentão, misturados, uma carne (normalmente o que chamam de chorizo, feita com carne de porco), plátano frito e natilla, um creme a base de leite. Dizem que é mais gostoso quando é feito com o arroz e feijão que temos na geladeira, de um almoço ou janta já preparados anteriormente. Para finalizar, um molho chamado Lizano, também típico do país, a base de vegetais. Vulcões Por fazer parte do Cinturón del Fuego ou Anillo del Fuego (Cinturão de Fogo e Anel de Fogo, respectivamente), a Costa Rica possui uma cordilheira de vulcões magníficos e ativos. De acordo com a Rede Sismológica Nacional (RSN), o país tem 120 focos de fogo, mas somente cinco ativos, sendo eles: Rincón de la Vieja, Turrialba, Arenal, Poás e Irazú. Não se preocupe, pois quando falamos em vulcões ativos, não significa erupções de fogo, e, sim, erupções de fumaça, as quais sempre deixam turistas e moradores encantados. No vulcão Arenal, por exemplo, você não tem como chegar à cratera, mas pode passear pela cidade que está literalmente no pé do vulcão, em La Fortuna, onde tem águas termais naturais, com águas oriundas das terras vulcânicas. Porém, se quiser estar na cratera de um vulcão, o Parque Nacional Volcán Poás está aberto e realiza visitas pré-agendadas com horário marcado para você ter uma experiência inesquecível em um vulcão ativo. Lembrando que as visitas são monitoradas e com uso de EPI's (equipamentos de proteção individual) afinal com segurança não se brinca nunca! O Caribe é aqui! A região do Caribe, na Costa Rica, é uma mistura de cores, povos e águas exuberantes. A cultura afro-caribenha pode ser apreciada nos povos de Tortuguero, Cahuita, Puerto Viejo e Manzanillo. É uma região para quem quer curtir uma praia paradisíaca e descansar, além de ter parques naturais que chamam a atenção não somente pela natureza, mas também pelo seu estado de preservação, já que a população local investe na manutenção de suas reservas. O Parque Nacional Cahuita e a Reserva Gandoca Manzanillo têm reconhecimento mundial, por ser exemplo de conservação no Grande Caribe e estão abertos ao público para visitas. Uma curiosidade sobre as praias, não somente as do Caribe, é que diferentemente do Brasil, normalmente não há restaurantes, barraquinhas ou quiosques vendendo comida. A questão da preservação ambiental é tão grande que, para não gerar mais lixo, cada pessoa é responsável por levar sua própria comida e recolher seu lixo. Ou seja, prepare seu cooler e seus petiscos, porque vai ter que levar comida para praia sim. A Costa Rica é um país cuja cultura e natureza faz do local um destino para muitos turistas que estão a fim de aventuras em plena natureza. O país oferece um ambiente rico, tanto por seu povo, quanto por sua biodiversidade. Com vulcões, praias incríveis e um povo muy amable, esse destino merece ser incluído nos planos de viagens dos brasileiros, afinal, estamos no mesmo continente e é surpreendente um país que, relativamente perto, é tão diferente do nosso. Venha conhecer a Costa Rica e descobrir a América Central! Texto escrito por Caroline Prado Professora de Cultura Brasileira e Português para Estrangeiros, internacionalista, estudante de Filologia e Línguas Latinas, Embaixadora do Projeto Líbertas Brasil na Costa Rica, apaixonada por plantas, livros e fontes confiáveis. Fontes https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63628015 https://www.universal-traveller.com/pt-br/o-que-faz-da-costa-rica-o-pais-mais-verde-e-mais-feliz-do-mundo/#:~:text=De%20acordo%20com%20o%20mais,M%C3%A9xico%20e%20da%20Col%C3%B4mbia%2C%20respectivamente. https://es.wikipedia.org/wiki/Costa_Rica https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2021/06/28/interna_internacional,1281310/erupcao-de-vulcao-na-costa-rica-gera-coluna-de-fumaca-de-2-km-de-altura.shtml https://www.bol.uol.com.br/listas/12-curiosidades-sobre-a-costa-rica-um-dos-paises-mais-felizes-do-mundo.htm https://www.visitcostarica.com/pt/costa-rica/general-information/costa-rica-for-vacations#:~:text=Certo%20%C3%A9%20que%20todos%20os,coincide%20com%20o%20tempo%20mais https://www.visitcostarica.com/pt/costa-rica/where-to-go/caribbean Foto 1: https://www.travelandleisure.com/thmb/alGRUejkJtx_5GWmV9aQ6w9h2Uw=/1500x0/filters:no_upscale():max_bytes(150000):strip_icc()/costa-rica-arenal-volcano-COSTARICATG0621-171c9a2c18b448339d591ec2a4b41f6d.jpg Foto 2: https://www.bol.uol.com.br/listas/12-curiosidades-sobre-a-costa-rica-um-dos-paises-mais-felizes-do-mundo.htm Foto 3: rove.me Foto 4: Pinterest Foto 5: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63628015 Foto 6: https://www.fao.org/costarica/programas-y-proyectos/historias-de-exito/produccion-de-banano/en/ Foto 7: https://www.panningtheglobe.com/gallo-pinto/ Foto 9: site IG Turismo Foto 10: site Em Algum Lugar do Mundo

  • Brasília além da Capital Nacional

    Há quem acredita que destruindo prédios e bens materiais de três construções muito simbólicas, importantes e de alto valor cultural como o caso do Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, situados em Brasília, está destruindo a democracia e quem ocupava o cargo de presidente voltaria. Ignorando o fato de que a democracia e a resposta das urnas vão muito além do que foi destruído. Também há pessoas que, ao escutarem falar sobre Brasília não gostariam de conhecer a cidade, dizendo que Brasília é apenas política, mas Brasília vai muito além de política. No horizonte do Brasil, a criação de Brasília A primeira capital federal brasileira foi Salvador (1549-1763), posteriormente foi o Rio de Janeiro (1769-1960), e só então mudou para Brasília em 21 de abril de 1960. Curiosamente durante este período, Curitiba foi nomeada capital brasileira por três dias (24 e 27/03) no ano de 1969. Também foi decretado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela LEI Nº 12.286, de 13 de julho de 2010, que a cidade de Olinda (PE) será reconhecida como a capital simbólica do Brasil no dia de 27 de janeiro de cada ano, data que é comemorada a expulsão dos holandeses em 1645. Quando a capital era no Rio de Janeiro, em 1789, houve a primeira menção sobre a mudança da capital brasileira durante a Inconfidência Mineira, procurando um lugar do litoral ao interior do país. Em 1627 no livro História do Brasil do autor Frei Franciscano Vicente de Salvador, já apresentava críticas sobre a concentração de população no litoral. Desde o período do Império no Brasil (1822 - 1889), estudos em campo a respeito da nova localização da capital foram realizados, sendo que a alteração chegou a figurar na Constituição Republicana dos anos de 1891, 1934 e 1946, estimulando muitos presidentes a levarem a ideia mais a sério e solicitar estudos mais aprofundados. Desbravando o Centro-oeste Em 1877, o Visconde de Porto Seguro, Francisco Adolfo Varnhagen, realizou uma viagem do Rio de Janeiro com destino a Goiás no lombo de um burro, momento em que descobriu um triângulo composto pelas lagoas Formosa, Feia e Mestre D’Armas que compunham “Uma paragem mais central, mais segura e mais sã para capital do Brasil, nos elevados chapadões, de ares puros e boas águas” conforme relatado por Adirson Vasconcelos, jornalista e pioneiro de Brasília. Em 1892, Floriano Peixoto ordenou um estudo exploratório científico a um grupo de pesquisadores para demarcação do que seria o Distrito Federal e então a mudança da capital se consolidou. O estudo “mapeou aspectos climáticos e topográficos, além de estudar a fauna, a flora, os cursos de rios e modo de vida dos habitantes”. Este grupo de estudo era composto por 21 pessoas sendo “pesquisadores, geólogos, geógrafos, botânicos, naturalistas, engenheiros e médicos, entre outros”, conforme descrito no senado.gov.br. O grupo foi liderado pelo astrônomo e geógrafo belga Louis Ferdinand Cruls o que tornou conhecida como Missão Cruls. O grupo Cruls partiu do Rio de Janeiro repetiu o caminho de Francisco Varnhagen, por ferrovia até Uberaba, posteriormente “a cavalo — com quase 10 toneladas de bagagens e equipamentos, em 200 baús de madeira — até Pirenópolis, Santa Luzia (Luziânia) e Formosa”. Após muitos dados coletados, “ali lançou quatro marcos definindo uma área entre as três cidades de 160 por 90 km — abrangendo nascentes das bacias dos maiores rios brasileiros, Amazonas, São Francisco e Paraná.” segundo o site doc.brazilia.jor.br. O quadrilátero ficou conhecido como retângulo Cruls. Em Pirenópolis tem uma homenagem a expedição onde deixaram uma carta dentro de uma lata conforme réplica realizada. Em 1894 foram concluídos os estudos nesta área, denominado relatório Cruls, e também de outros estudos abrangendo as áreas da Bahia, Goiás e Piauí, os quais foram rejeitados. O Congresso Nacional determinou o retângulo Cruls como sendo o local que sediaria a capital do país e a partir deste momento todos os mapas começaram a constar essa demarcação. Além disso, ainda em 1894, o grupo Cruls teve a tarefa de voltar ao local para realizar algumas tarefas e o botânico Glaziou destacou condições favoráveis para criação do lago Paranoá. JK e o futuro da nação O presidente JK, Juscelino Kubitschek, com seu slogan “50 anos em 5” viabilizou todo o projeto da construção da capital do país e, por isso, tem uma grande importância para a capital do país. Para tornar a capital do país realidade, JK convidou o arquiteto Oscar Niemeyer para projetar as construções públicas, enquanto abriu o concurso que Lúcio Costa ganhou para projetar a cidade. Além destes profissionais, muito outros trabalhadores colaboraram para tornar Brasília uma realidade, sendo que muitos fixaram raízes na nova região e permaneceram como moradores, contribuindo para povoar a Capital Federal. Atualmente entende-se que Brasília tem formato de avião, mas há relatos de que Lúcio Costa teve o propósito inicial de fazer no formato de uma borboleta, com suas ruas e construções planejadas. Outras teorias dizem que se trata do formato de um foice e martelo para representar o comunismo defendido abertamente por profissionais responsáveis. Para quem não é da cidade talvez se torne complicada a compreensão da organização urbanística, se quiser saber mais detalhes, assista já o vídeo a seguir. Brasília além de política Para os que amam visitar lugares históricos e saber da origem da cidade vale muito a pena conhecer os locais que são citados na construção de Brasília, como é o caso do Pico dos Pirineus que fica em Pirenópolis, cidade do estado de Goiás, aproximadamente a 150 km de Brasília. No morro do Pireneus há uma homenagem à expedição Cruls, placa da foto que mostra a carta (abaixo) que a expedição deixou em uma lata relatando sua passagem pelo local. Brasília tem quase 63 anos, nascida já capital administrativa. Sua economia é concentrada no terceiro setor, muito em especial na administração pública. Por ser palco principal da política no país, é um destino muito procurado para manifestações. O turismo vai além da política, pois a cidade é Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO com 112,25 km² de área tombada e a arquitetura moderna faz com que o turismo na cidade seja muitas vezes voltado para admirar as construções. Brasília se apresentou entre os cinco primeiros destinos mais procurados até setembro de 2022 pelo blog Buser e ficou em oitavo lugar como o destino mais procurado para a passagem do ano 2022/2023 segundo o site Gazeta SP. De 2014 a 2019 gerou cento e trinta milhões de reais segundo o portal Poder 360. Alguns parques na cidade valem muito a pena conhecer: Parque Olhos d'Água: Com acesso gratuito, tem uma reserva verde, lagoa do sapo, relógio do sol, algumas trilhas, pista de caminhada e corrida de 2,1km, parquinho para crianças e acessibilidade para pessoas com dificuldades de locomoção; Parque Nacional: Com acesso pago, tem sua origem relacionada a criação da cidade, é uma unidade de conservação e proteção à vegetação local e aos rios fornecedores de água potável. Nos seus mais de 42 hectares proporciona local de banho para seus visitantes através do lençol freático e minas d’água que surgiram na época da construção da capital federal com a exploração de areia do local. O parque também tem pistas e trilhas recomendadas para caminhada e mountain bike, locais de descanso e recreação. Parque da Cidade Sarah Kubitschek: Com acesso gratuito mas não indicado para aproveitar o parque inteiro a noite, é o parque citado na música Eduardo e Mônica do Legião Urbana. Bom para praticar atividades físicas (caminhada, corrida, demais meios). Vale muito a pena conhecer o pôr do sol de lá e andar de camelo (bicicleta) no parque. A cultura da cidade é composta pela mistura homogênea das pessoas que se mudaram para Brasília e levaram consigo sua cultura. O Desbravando Capitais questionou moradores da cidade sobre prato típico específico de Brasília e receberam a resposta que ainda não há, já que a cidade muito nova ainda está se construindo, mas percebeu que, ao perguntar sobre cozinha típica, que a culinária recebe uma ênfase da região nordeste. O restaurante Mangai é um dos mais tradicionais e é especializado em comida Nordestina. Restaurantes do Pontão do Lago Sul se tornam uma parada obrigatória a quem quer conhecer Brasília, aproveitando para fazer uma refeição com a vista para o Lago Paranoá. Brasília é muito conhecida por lançar bandas e músicos, algumas são: Aborto Elétrico, que posteriormente originou Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude; Paralamas do Sucesso, Raimundos, Cássia Eller, Natiruts, Maskavo, Tribo de Periferia, e a banda que fez muitos cantarem na década de 2000, Popularmente conhecida Cogumelo Plutão . “Você é a escada da minha subida, Você é o amor da minha vida, É o meu abrir de olhos ao amanhecer, Verdade que me leva a viver” Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude entre outras têm muitas músicas que relatam sobre as suas percepções sobre Brasília. Exemplos são o caso da Plebe Rude que canta a música Brasília e Legião Urbana que canta Travessia Do Eixão. Para quem gosta de esportes, o Estádio Nacional de Brasília (Mané Garrincha) possui visita guiada e foi palco para alguns jogos da Copa do Mundo de 2014. Além disso, o calendário de atletismo da cidade é bastante movimentado e vale a pena conferir. Quer conhecer a cidade de jeito diferente? Tem a canoagem no lago Paranoá, onde se indica ir no clube do exército e alugar por lá um caiaque, onde há instrutor. Outra maneira é ir na Feira da Torre de TV e subir a antena, algo gratuito, sendo possível visualizar a cidade do alto. Além disso na feira há muitas barracas onde pode-se encontrar comida, roupa, artesanato indígena, entre outros. E claro que também vale muito a pena uma visita, principalmente guiada, às construções de Brasília. É o caso da visita guiada no Congresso Nacional, Palácio do Planalto, Superior Tribunal de Justiça, Praça dos Três Poderes, Palácio do Itamaraty, Alameda das Bandeiras, Esplanada dos Ministérios, Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, Museu Nacional e Biblioteca Nacional, construções de alto valor cultural – e não só de importância política - ao país, que retém muitas obras de arte no seu interior – salvo no momento o vandalismo ocorrido no início de 2023 –, essas construções ficam concentradas em uma região de Brasília conhecida como Cockpit. Os Palácios do Jaburu, Alvorada, Memorial JK, Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, que também possuem alto valor cultural ao país, já ficam mais afastados. O trânsito é totalmente influenciado pelo planejamento e organização da cidade, pois nas ruas principais (Eixo Monumental e Eixão) não é indicado para travessia de pedestres e há as tesourinhas que levam de uma “avenida” a outra (esta denominação não existe em Brasília). Se quiser fugir do padrão, ótimas opções são o bar Eye Patch Panda, Teatro Casa dos Quatro, Galpão 17, outra opção sendo buscar programações nas cidades consideradas regiões administrativas – popularmente conhecida como cidade satélite - como no Sesc de Taguatinga, uma das mais de trinta regiões administrativas. Brasília também deixa sua marca no cinema, teatro e produções com grandes nomes como Rui Barbosa, Alexandre Ribondi e Jimi Figueiredo. Alexandre Ribondi é artista, dramaturgo, diretor, ator e sócio–fundador do Espaço Multicultural Casa dos Quatro, voltado à militância LGBTQIA+. Escreve e atua em peças relacionadas ao tema, além de colaborar em projetos relacionados, muitas de suas peças ganharam destaque nacional. Jimi Figueiredo é diretor, roteirista e produtor de cinema e vídeo. Seu trabalho inclui uma série de produções premiadas na área de audiovisual, como filmes de longa e curta-metragem para cinema, documentários e programas de televisão, conforme descrito no site Filmow. “Não acredite que Brasília é apenas dos políticos, nós também moramos aqui. A Brasília que frequentamos não é a mesma que eles frequentam, pois eles frequentam a Esplanada dos Ministérios, nós frequentamos o restante da cidade e existem várias opções simpáticas e agradáveis para reunir os amigos. A cidade possui muita simpatia e inteligência.” Disse Alexandre Ribondi em entrevista com o Desbravando Capitais. Estas dicas são do projeto Desbravando Capitais, para mais informações, entre em contato pelo Instagram @desbravando_capitais ou pelo canal do Youtube Desbravando Capitais. Texto escrito por Fabiana Mercado Pós graduada em Comunicação e Marketing Digital, formada em Publicidade e Propaganda, acumula mais de 9 anos na área, colunista do Zero Águia, curiosa, preza o respeito a todas as pessoas independente de características. Nas horas vagas pratica corridas com o apoio da equipe Superatis. Adora conhecer novas pessoas e lugares, ama viajar e possui um projeto denominado Desbravando Capitais com o marido para morar e vivenciar durante um mês em todas as capitais brasileiras nos próximos anos. Fontes: https://multirio.rio.rj.gov.br/index.php/historia-do-brasil/rio-de-janeiro/3352-a-transferencia-da-capital-federal-para-brasilia#:~:text=Em%201%C2%B0%20de%20outubro,Rio%20de%20Janeiro%20para%20Bras%C3%ADlia. https://www.todamateria.com.br/primeira-capital-do-brasil-salvador/#:~:text=O%20Brasil%20j%C3%A1%20teve%203,27%20de%20mar%C3%A7o%20de%201969. FERNANDES, Cláudio. "O que foi a Inconfidência Mineira?"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-foi-inconfidencia-mineira.htm. Acesso em 15 de janeiro de 2023. Adirson Vasconcelos, jornalista e pioneiro de Brasília, concedeu uma entrevista ao Agência Brasil no qual pode-se ler na íntegra: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-04/agencia-brasil-explica-transferencia-da-capital-para-brasilia https://www2.camara.leg.br/acamara/conheca/historia/oimperio.html#:~:text=O%20Imp%C3%A9rio%20do%20Brasil%20(1822%2D1889) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12286.htm#:~:text=O%20PRESIDENTE%20DA%20REP%C3%9ABLICA%20Fa%C3%A7o,a%20Capital%20Simb%C3%B3lica%20do%20Brasil. https://www.infoescola.com/historia/historia-das-capitais-do-brasil/ http://doc.brazilia.jor.br/Historia/Cruls.shtml https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/brasilia.htm https://www.estadao.com.br/brasil/quais-sao-cidades-mais-populosas-brasil-veja-lista-divulgada-ibge-nprm/#:~:text=Pelos%20c%C3%A1lculos%20do%20IBGE%2C%20S%C3%A3o,2%2C9%20milh%C3%B5es%20de%20moradores. https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/2022/06/04/parque-olhos-dagua-recebe-30-mil-pessoas-por-mes/ https://www.ibram.df.gov.br/ecologico-olhos-dagua/ https://www.df.gov.br/agua-mineral/ https://www.df.gov.br/populacao/#:~:text=A%20densidade%20demogr%C3%A1fica%20atual%20%C3%A9%20de%20444%2C66%20hab%2Fkm%C2%B2.&text=Eles%20eram%20chamados%20de%20candangos,assumiu%20a%20cidade%20como%20sua. https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/acervo/geral/audio/2020-04/os-primeiros-moradores-de-brasilia-bravos-candangos-ou-pioneiros-aprenda-origem/ https://www.senado.gov.br/noticias/especiais/brasilia50anos/not01.asp http://www.cronologiadourbanismo.ufba.br/apresentacao.php?idVerbete=1257 https://www.codeplan.df.gov.br/brasilia-o-passado-estruturante/#:~:text=Em%20raz%C3%A3o%20desse%20crescimento%2C%20houve,52.044%20moravam%20no%20meio%20rural. https://www.viajenaviagem.com/destino/brasilia/brasilia-dicas-10-passeios/ https://www.poder360.com.br/brasilia/turismo-em-brasilia-arrecadou-mais-de-r-130-milhoes-em-5-anos/ https://www.gazetasp.com.br/brasil/os-10-destinos-nacionais-mais-procurados-pelos-turistas-no-fim-de-ano/1116916/ https://blog.buser.com.br/destinos/buser-te-leva-destinos-mais-procurados-no-brasil/ https://www.cnnbrasil.com.br/politica/veja-o-desempenho-de-lula-e-bolsonaro-nas-10-cidades-com-o-maior-e-o-menor-idh/

  • Aaron Swartz, o visionário que sonhou com uma internet livre

    Aaron Swartz foi um programador norte-americano que também era empresário, escritor, organizador político e hacktivista da Internet. Ele era reconhecido no meio da tecnologia por ser muito inteligente e quando era jovem fez parte da equipe que construiu o formato RSS, que hoje é utilizado por usuários para se inscrever em newsletters — aqueles informativos das páginas de internet que te atualizam com as últimas informações dos sites que você mais segue. Aaron também trabalhou na criação das Leis do Creative Commons, as quais são responsáveis por “proteger” a propriedade intelectual, sobretudo aquelas relacionadas ao software livre e de código aberto. Colaborou também com a Reddit, na área de notícias sociais. Desde pequenino seus pais e irmãos já sabiam de suas habilidades e inteligência. Ele sempre demostrou interesse por ativismo e queria melhorar o acesso aos dados e informações, pois acreditava que deveriam ser gratuitas para todas as pessoas. Ao final deste artigo, será compartilhado um manifesto chamado “manifesto da guerrilha do livre acesso”, no qual serão apresentados mais detalhes sobre os ideais e as ideias de Aaron Swartz em relação à internet. Por que Swartz é famoso? Em 2008, Swartz baixou quase 2,7 milhões de documentos da Corte Federal dos Estados Unidos. Esses documentos eram considerados públicos, mas os usuários precisavam pagar certa de oito centavos por página. O Governo dos Estados Unidos dizia que o dinheiro era para a atualização e administração dos sistemas de informática dos serviços da justiça federal, mas há relatos públicos que confirmam um grande superávit. Depois que Swartz baixou os documentos, ele compartilhou os mesmos com a organização chamada Public Resource ORG para que ficassem em domínio público. Dessa forma, as pessoas já não precisariam mais ter que pagar para acessá-los. Esse foi somente o início, pois Aaron Swartz começou a participar de atividades no Massachussets Institute of Technology - MIT, tendo contato com artigos da base de dados JSTOR. O JSTOR é um repositório via web, onde as universidades públicas americanas colocam suas publicações e pesquisas. No entanto, é necessário ter que pagar para ter a acesso a esse repositório. Nesse sentido, Aaron achou que ter que pagar para ter acesso às pesquisas que algumas universidades públicas faziam, era muito caro. Para ele, essas pesquisas teriam que ser de aceso público e grátis, inclusive até as universidades que entregam pesquisas para o JSTOR pagam para ter acesso a elas nessa base de dados. Vale lembrar que as universidades dos Estados Unidos fazem muitas pesquisas com dinheiro dos contribuintes e essas pesquisas não podem ser acessadas sem uma licença paga do JSTOR. Esse fator representa um problema de equidade, porque somente as pessoas com muito dinheiro ou que fazem parte de comunidades com dinheiro conseguem pagar por essas licenças. Neste ponto não fica claro se o Aaron queria entregar os artigos que ele baixou para o público, uma vez que ele foi acusado pelas autoridades e logo foi encontrado morto no seu apartamento no Brooklyn, em New York, no que aparentemente foi um suicídio. O documentário “O Menino da Internet” (2014) relata, de maneira excelente, a vida, morte e o legado de Aaron Swartz. Particularmente, acho que Aaron quis utilizar seu conhecimento para fazer um mundo melhor. Seu legado pode ser encontrado nas organizações e pessoas que lutam para que a internet seja mais democrática e se torne uma ferramenta de fácil acesso para todos. A internet, como todas as ferramentas e progressos significantes para o ser humano, está em um campo de batalha, no qual poderosos tentam utilizá-la para o seu benefício. Sempre haverá pessoas como Aaron, que estão dispostas a arriscar tudo por seus ideais e para tentar fazer com que este mundo seja mais justo e igualitário. A história de Aaron Swartz, assim como a de Julian Assange, Chelsea Manning, Edward Snowden e de todas as pessoas e organizações que lutaram contra a censura de informações, representa uma luta contra o poder para que nós, os cidadãos comuns, tenhamos uma internet melhor. O que Swartz queria, era um mundo melhor, onde todas as pessoas teriam acesso à informação. Pode-se dizer que devido ao trabalho de pessoas como ele que hoje a internet é o principal meio de transmissão de ideias, de comércio e de participação dos cidadãos. Onde assistir o documentário: https://libreflix.org/i/the-internets-own-boy ou na Netflix. Manifesto da Guerrilha do Livre Acesso “Informação é poder." Mas, como todo o poder, há aqueles que querem mantê-lo para si mesmos. A herança inteira do mundo científico e cultural, publicada ao longo dos séculos em livros e revistas, é cada vez mais digitalizada e trancada por um punhado de corporações privadas. Quer ler os jornais apresentando os resultados mais famosos das ciências? Você vai precisar enviar enormes quantias para editoras como a Reed Elsevier. Há aqueles que lutam para mudar esta situação. O Movimento Open Access tem lutado bravamente para garantir que os cientistas não assinem seus direitos autorais por aí, mas, em vez disso, assegura que o seu trabalho é publicado na internet, sob termos que permitem o acesso a qualquer um. Mas mesmo nos melhores cenários, o trabalho deles só será aplicado a coisas publicadas no futuro. Tudo até agora terá sido perdido. Esse é um preço muito alto a pagar. Obrigar pesquisadores a pagar para ler o trabalho dos seus colegas? Digitalizar bibliotecas inteiras mas apenas permitindo que o pessoal da Google possa lê-las? Fornecer artigos científicos para aqueles em universidades de elite do Primeiro Mundo, mas não para as crianças no Sul Global? Isso é escandaloso e inaceitável. “Eu concordo”, muitos dizem, “mas o que podemos fazer? As empresas que detêm direitos autorais fazem uma enorme quantidade de dinheiro com a cobrança pelo acesso, e é perfeitamente legal – não há nada que possamos fazer para detê-los. Mas há algo que podemos, algo que já está sendo feito: podemos contra-atacar. Aqueles com acesso a esses recursos – estudantes, bibliotecários, cientistas – a vocês foi dado um privilégio. Vocês começam a se alimentar nesse banquete de conhecimento, enquanto o resto do mundo está bloqueado. Mas vocês não precisam – na verdade, moralmente, não podem – manter este privilégio para vocês mesmos. Vocês têm um dever de compartilhar isso com o mundo. E vocês têm que negociar senhas com colegas, preencher pedidos de download para amigos. Enquanto isso, aqueles que foram bloqueados não estão em pé de braços cruzados. Vocês vêm se esgueirando através de buracos e escalado cercas, libertando as informações trancadas pelos editores e as compartilhando com seus amigos. Mas toda essa ação se passa no escuro, num escondido subsolo. É chamada de roubo ou pirataria, como se compartilhar uma riqueza de conhecimentos fosse o equivalente moral a saquear um navio e assassinar sua tripulação. Mas compartilhar não é imoral – é um imperativo moral. Apenas aqueles cegos pela ganância iriam negar a deixar um amigo fazer uma cópia. Grandes corporações, é claro, estão cegas pela ganância. As leis sob as quais elas operam exigem isso – seus acionistas iriam se revoltar por qualquer coisinha. E os políticos que eles têm comprado por trás aprovam leis dando-lhes o poder exclusivo de decidir quem pode fazer cópias. Não há justiça em seguir leis injustas. É hora de vir para a luz e, na grande tradição da desobediência civil, declarar nossa oposição a este roubo privado da cultura pública. Precisamos levar informação, onde quer que ela esteja armazenada, fazer nossas cópias e compartilhá-la com o mundo. Precisamos levar material que está protegido por direitos autorais e adicioná-lo ao arquivo. Precisamos comprar bancos de dados secretos e colocá-los na Web. Precisamos baixar revistas científicas e subi-las para redes de compartilhamento de arquivos. Precisamos lutar pela Guerilla Open Access. Se somarmos muitos de nós, não vamos apenas enviar uma forte mensagem de oposição à privatização do conhecimento – vamos transformar essa privatização em algo do passado. Você vai se juntar a nós? Aaron Swartz Julho de 2008, Eremo, Itália. Texto escrito por Johao Larios Fidalgo Desenvolvedor de software que gosta de pesquisar sobre o impacto da informática no mundo real, diretamente de San José, Costa Rica.

  • Fórum Econômico Mundial e o encontro em Davos

    O Fórum Econômico Mundial é uma iniciativa da organização não governamental privada, presidida por Klaus Martin Schwab ainda na década de 70, no contexto das crises econômicas com o fim de padrões definidos em Bretton Woods e do choque do petróleo. Sua intenção é juntar empresários e indivíduos de grande importância para a economia mundial para que possam discutir as crises, as ameaças e as possíveis soluções de forma mais integrada. Em outras palavras, este Fórum Econômico trata-se de uma espécie de clube dos ricos para coordenar ações e previsões sobre as crises que afetariam o sistema econômico e produtivo, bem como também busca discutir propostas de novos caminhos. Com isso, vale destacar que seu escopo de temas e participantes se expandiram com o tempo, incluindo celebridades influentes, conflitos armados e negociações de acordos de paz pontuais. O evento mais conhecido, realizado pela organização, é o encontro que ocorre em Davos, logo no início do ano. Esse evento conta com a participação de empresas, autoridades governamentais, organizações da sociedade civil e pesquisadores acadêmicos. Nesse encontro em Davos, o Brasil ganhou uma importância diferente por ser o primeiro evento de grandes proporções que um governo recém-empossado pôde participar. Além desse evento, ocorrem também durante o ano outros fóruns e atividades relacionadas ao tema da economia e que estão espalhadas pelo mundo, como encontro de jovens líderes e fóruns temáticos ou regionais. No início dos anos 2000 foi criado um evento paralelo que se contrapunha ao Fórum, de modo que protestava contra o modelo de globalização proposto. O Fórum Social Mundial ocorre com grande participação popular e tem como intuito debater novos caminhos e possibilidades de organização social em um mundo que constantemente muda. Críticas ao encontro de Davos Crítica sobre o clima e o meio ambiente: ao mesmo tempo em que são apresentadas propostas de preservação com compensação financeira e investimentos em modelos econômicos mais “verdes”, o fluxo de aeronaves privadas e a organização do evento deixam uma pegada de carbono bastante grande e pouco dita. Além disso, não sugerem nada para diminuir esse fator ambiental. Vale lembrar que o estudo desse impacto foi realizado pelo Greenpeace, uma das ONGs interessadas pela preservação ambiental. Outra critica ao evento é a forma como colaborou para criar uma “elite econômica” que se autopromove, uma vez que é desconectada do restante da população e raramente debate e toma ações efetivas para combater os maiores problemas econômicos da sociedade. Essa falta de conexão faz com que o evento seja visto apenas como um espetáculo pouco produtivo onde se discute o Metaverso, mas não as consequências no mercado de trabalho com a adoção da inteligência artificial e o crescente corte nas chamadas Big Techs. Em outras convenções, como as COPs, existem a ameaça dos lobistas em controlar a agenda, no que se reuni em Davos, e isto é ainda mais susceptível, devido à opacidade dos convites, da forma como os membros são escolhidos e toda a estrutura financeira da organização. Um dos problemas dessa opacidade, para além das críticas quanto à responsabilização e às boas práticas, é abrir espaço para teorias da conspiração sobre como essa “elite” se organiza para comandar o mundo. Múltiplas Crises em 2023 A retomada do crescimento econômico ainda sofre com os impactos da pandemia na cadeia de produção e a invasão da Ucrânia pela Rússia. Essas situações acabaram influenciando crises como a inflação crescente em diversos países, tanto pela cadeia de produção comprometida quanto pela alta do custo com energia. A retomada pode até mesmo ser mais curta do que o previsto inicialmente e a ameaça de recessão espalhada pelo mundo é apontada como bastante realista para o ano de 2023. Especialistas elaboraram uma pesquisa apontando que, para 18% dos entrevistados, é bastante provável que o ano de 2023 seja marcado por uma recessão global com países apresentando dificuldades de mensurar e implementar políticas monetárias eficientes e capazes de combater na medida certa a inflação. O debate sobre os juros e o impacto no fluxo de capitais será bastante presente nos próximos meses. Novamente, com a volta desses temas para a agenda, os projetos para o meio ambiente e outros desafios considerados de longo prazo acabam ficando em segundo plano. Com isso, há uma prevalência de temas com impacto direto na segurança internacional que afetam diretamente os países mais desenvolvidos. Participação brasileira A participação brasileira, com destaque para Fernando Haddad e Marina Silva, foi uma amostra da importância dos avanços que podem ser feitos na chamada “Economia Verde”. O país voltou a buscar o protagonismo possível nessa matéria dado o seu histórico de avanços na preservação ambiental e a enorme biodiversidade presente em seu território. Um dos resultados práticos dessa retomada foi o contato com o governo alemão e a retomada do fluxo de capitais para o Fundo Amazônia, já retomado com a grande participação da Noruega. Para o país, neste caso o Brasil, também foi a chance de se apresentar na arena internacional após a mudança de governo com as eleições de 2022. Texto escrito por João Guilherme Grecco Formado em Relações Internacionais e grande entusiasta da carreira diplomática. Estudou para o Concurso de Admissão a Carreira Diplomática (CACD) e atualmente é colunista do Jornal Zero Águia. Fontes Disponível em: https://umsoplaneta.globo.com/sociedade/noticia/2023/01/14/forum-economico-de-davos-recebe-criticas-por-emissoes-de-jatos-particulares.ghtml Acessado em 04-02-2023 Disponível em: https://br.noticias.yahoo.com/davos-est%C3%A1-volta-saiba-tudo-112626467.html Acessado em 01-02-2023 Disponível em: https://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2023/01/16/davos-2023-recessao-global-deve-ocorrer-em-2023-mostra-pesquisa-do-forum-economico-mundial.htm Acessado em 03-02-2023 Disponível em: https://www.weforum.org/about/world-economic-forum Acessado em 30-01-2023

  • The Big Five: Os cinco grandes traços que descrevem você

    Qual a sua casa no Harry Potter? Qual personagem de Friends você seria? Qual elemento você iria dobrar se fizesse parte do Avatar? Qual a sua sigla do teste de 16 personalidades? Qual princesa da Disney você seria? Todas essas perguntas demonstram como nós, seres humanos, adoramos nos classificar e classificar os outros, tanto para nossa satisfação pessoal quanto para facilitar nosso convívio em sociedade. Toda semana um teste novo de personalidade sai no buzz feed e um número enorme de pessoas rotineiramente checam o próprio horóscopo e mapa astral para tentar se entender melhor e tomar decisões mais sábias ou simplesmente para se diverti. A pergunta que fica é: esses testes realmente funcionam? Como saber se um teste de personalidade funciona? Testes de personalidade devem em geral apresentar dois critérios: 1. Confiabilidade: basicamente a consistência do resultado ao longo de indivíduos e ao longo do tempo; 2. Validade: a comprovação de que o teste mede o que diz medir, de forma que possamos usar o resultado para prever comportamentos e reações emocionais na vida real; Com isso em mente, você, caro leitor, já deve entender o porquê da maioria dos testes não funcionarem, de modo que apresentam resultados inconsistentes ou inúteis no geral. Nesse sentido, existe agora algum teste que atende esses critérios de forma acurada e segura? The Big Five O teste que melhor respeita tais critérios é conhecido como The Big Five (Os cinco grandes, em tradução livre). Esse teste analisa cinco traços presentes em todos os humanos em maior ou menor grau, nos dando um resultado que não só podemos confiar, mas também validar. Os cinco traços são: 1. Extroversão: como o nome diz, ele mede o quão extrovertido ou confortável você se sente em interações sociais; 2. Neuroticismo: mede o quão estável emocionalmente você é ou o quanto você consegue lidar com situações estressantes e emocionalmente carregadas sem apresentar emoções negativas; 3. Afabilidade/Agradabilidade: mede sua aversão à conflitos ou o quanto você se importa em agradar e cooperar com as pessoas; 4. Conscienciosidade: mede a autodisciplina e organização; 5. Abertura para novas experiências: mede curiosidade e interesse em novas experiências em geral. Baseando-se nesses cinco traços muitos já devem ter se identificado com algum deles mais do que outros, o que é de se esperar. Os testes que se baseiam nos cinco traços com comprovação e fundamentação científica utilizam um modelo cujo o indivíduo testado irá selecionar frases e adjetivos que ele se identifica mais ou menos (por exemplo, me vejo como alguém sociável e extrovertido) e uma escala do quanto a pessoa concorda ou discorda dessa afirmação. Após a coleta das respostas, uma pontuação é dada em cada traço, o que lhe revela quais são os mais extremos, tanto para alto quanto baixo, criando, assim, uma descrição bem detalhada da personalidade humana. Como esse teste foca mais em como você se enxerga, obviamente, vieses podem ser incorporados aos resultados e existe a possibilidade deles serem falsos. No entanto, se comparado com os outros testes, ainda ele é muito positivo. O que o The Big Five consegue prever? Bom desempenho no trabalho, prazer e satisfação com os estudos, capacidade de executar tarefas, capacidade de criar um ambiente agradável e colaborativo no trabalho, alinhamento político e até mesmo a compatibilidade entre pessoas que pode e foi prevista utilizando esses traços. Como e onde eu faço este teste? Se o leitor busca apenas se conhecer melhor e entender suas tendências comportamentais, um teste traduzido e anexado ao final deste artigo será disponibilizado. Ele possui 44 perguntas e instruções de como respondê-las, calcular e interpretar seus resultados. Esse teste infelizmente não possui qualidade suficiente para ser utilizado como instrumento psicológico. Caso o leitor esteja buscando algo mais acurado, é preciso testes pagos que podem ser achados na internet, porém apenas em língua inglesa. Se eu não gostar dos meus resultados, o que eu faço? É possível que o leitor fique insatisfeito com algum de seus resultados, por isso é importante ressaltar que é possível modificar a própria personalidade, apesar de não ser algo fácil. Treinamentos de assertividade foram utilizados para tornar pessoas menos afáveis (diminuir o grau de agradabilidade) e drogas psicodélicas como Psilocibina apresentaram evidências que após o uso do grau de abertura para experiência aumenta grandes eventos pessoais como casamentos, filhos e até traumas podem mudar os traços de personalidade de forma permanente. Caso o leitor queira se tornar mais assertivos, extrovertido ou curioso, a simples prática de tais padrões comportamentais a longo prazo podem ser efetivos, porém a “configuração” dos traços iniciais sempre terá um maior viés, já que apresenta raízes genéticas. Como utilizar meus resultados para melhorar o meu desempenho e a minha qualidade de vida? A resposta é até que intuitiva. Um meio é olhar seus traços como seu nicho social, da mesma forma que animais e seres vivos possuem nichos ambientais, alimentares e geográficos, nossa personalidade pode ser lida como nosso nicho social. Pessoas extrovertidas se dão bem em interações sociais, portanto, encontrar ambientes nos quais as demandas sociais são feitas em excesso pode ser benéfico. Pessoas altamente afáveis adoram ajudar pessoas, então trabalhos voluntários ou carreiras que envolvem no cuidado de outros humanos são escolhas lógicas. De forma resumida, você pode interpretar seus traços como atributos e montar uma estratégia para maximizar aqueles, em que você é forte e nulificar aqueles que você é fraco. Para realizar o teste The big five, use o link a seguir: https://www.docsity.com/pt/teste-de-personalidade-1/7451891/ Texto escrito por Heictor Bellato Graduando em Zootecnia, apaixonado por Ciência e Filosofia. Também acredita que são as pessoas que podem trazer as soluções para os problemas do mundo. Fontes https://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,ERT299674-17770,00.html Sackett, P. R., & Walmsley, P. T. (2014). Which personality attributes are most important in the workplace?. Perspectives on Psychological Science, 9(5), 538-551. oto, C. J. (2015). Is happiness good for your personality? Concurrent and prospective relations of the big five with subjective well‐being. Journal of personality, 83(1), 45-55. Jacques-Hamilton, R., Sun, J., & Smillie, L. D. (2019). Costs and benefits of acting extraverted: A randomized controlled trial. Journal of Experimental Psychology: General, 148(9), 1538. Trapmann, S., Hell, B., Hirn, J. O. W., & Schuler, H. (2007). Meta-analysis of the relationship between the Big Five and academic success at university. Zeitschrift für Psychologie/Journal of Psychology, 215(2), 132-151. Specht, J., Egloff, B., & Schmukle, S. C. (2011). Stability and change of personality across the life course: the impact of age and major life events on mean-level and rank-order stability of the Big Five. Journal of personality and social psychology, 101(4), 862. Hudson, N. W., & Fraley, R. C. (2015). Volitional personality trait change: Can people choose to change their personality traits?. Journal of personality and social psychology, 109(3), 490. Hudson, N. W., Briley, D. A., Chopik, W. J., & Derringer, J. (2019). You have to follow through: Attaining behavioral change goals predicts volitional personality change. 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