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- Você deveria começar a se interessar por política
"Política é a arte de unir os homens entre si"- Althusius "Odeio política" Esse ano de 2022 nosso país entrará em um ritmo frenético de eleições e que diga-se de passagem, emocionalmente desgastante. As eleições desse ano serão para presidente da república, governador, senador, deputado estadual e federal. A previsão para esse ano é que teremos uma eleição mais polarizada e polêmica que a já acalorada eleição de 2018 e a de 1989 (primeira eleição popular depois da redemocratização). Há quem diga que esse ano pode ser um clima pior que as eleições americanas de 2020, lembrando a invasão ao congresso americano por uma parte do eleitorado do candidato derrotado e estimulada pelo mesmo em Janeiro de 2021. Com a polarização e hostilidade cada vez mais evidentes entre as bolhas sociais, a cordialidade do brasileiro (expressão generalizada por Sérgio Buarque de Holanda) e a fama de “país do futebol”, são crenças sociais cada vez mais desacreditadas pelo senso comum do próprio brasileiro. Após as manifestações de 2013, o interesse e a “novelização” da política acenderam no coração de uma grande parte da população brasileira. Entretanto, em meio ao caos ainda reside o brasileiro médio que é aquilo que Brecht considera como o pior analfabeto, o analfabeto político (vários com diploma nas mãos). A importância da política No início da civilização, as sociedades humanas foram ficando cada vez mais complexas e maiores logo após a Revolução Agrícola, para sustentar a ordem social foi necessário a implementação de instituições e conceitos. Para que milhões de indivíduos desconhecidos cooperassem entre si, foram estabelecidas regras e padrões de comportamento. Pode-se dizer que a humanidade abriu mão de suas liberdades absolutas para conviver em sociedade. A etimologia da palavra “política” é do grego antigo “politeia”, que era todo procedimento relacionado a Pólis (cidade-estado grega). A cidade (fugindo do significado de município) é entendida como espaço público entre os indivíduos, a política é manifesta nesse ambiente público. A política segundo Thomas Hobbes, autor de “Leviatã”, é a tentativa de construção de uma sociedade através de um contrato social afim de evitar uma guerra de todos contra todos. O pior analfabeto Na Grécia antiga havia um termo conhecido como Ídhios (posteriormente se tornou a palavra 'idiota'), era usado de maneira pejorativa para se referir a indivíduos que se afastavam da vida pública especialmente na antiga Atenas. Era a pessoa que abria mão de viver em sociedade. O significado original do termo é “próprio ao mesmo, a si”. Era o ateniense que rejeitava o coletivismo, que pensa somente nos seus ganhos e privilégios, olha e cuida apenas de si justamente por não saber sobre política. Segundo Brecht, as mazelas sociais não devem ser atribuídas somente a políticos desonestos mas também ao indivíduo que nas palavras do poeta, bate no peito e se orgulha por detestar e não saber nada sobre política. Esses são as raízes do cenário político conturbado, por trás de todo politico incompetente e desonesto, está o analfabeto político. Jean-Jacques Rousseau diz no livro “Do contrato Social” que quando os indivíduos param de se preocupar com a política, a sociedade entra em ruínas. Isso porque já se pressupõe que os interesses dos representantes vão se sobrepor ao interesse da vontade geral. Afinal há quem interessa o desinteresse da população pela política? Aqueles se beneficiam da forma perversa de se fazer política. Uma das grandes razões para a existência desse desinteresse é que muitos não enxergam o potencial de transformação social que a política possui. Ainda há luz no fim do túnel? Com o aumento da tecnologia, foi proporcionado às pessoas facilidade e otimização no acesso a informação. No entanto, indo na contramão do esperado, a capacidade de interpretação das pessoas vem diminuindo constantemente. Se informar regularmente, ler livros e teses sobre política dão trabalho, fora o problema de se achar fontes e dados confiáveis sobre o assunto em uma era de fake news. Falta exemplos de ação concreta da politica na vida das pessoas? Falta mostrar para a população que a participação do espaço publico vai muito além do voto secreto. Acredito que o entendimento das raízes da nossa sociedade e de onde vieram nossas inclinações, são instrumentos para formar a “bússola” que irá nos levar para aonde queremos chegar. Fontes: Do contrato social- Jean Jacques Rousseau O livro da Política Sapiens- Yuval Noah Harari Tudo o que você precisou desaprender para virar um idiota - Meteoro Brasil Poema: O analfabeto politico- Berthold Brecht
- HQ e RI: Onde os mundos se encontram
As histórias em quadrinhos têm se mostrado uma excelente fonte de conhecimento e informação sobre o passado e o presente de diversas nações, podendo estar mais relacionados com nosso cotidiano do que pensamos. Esse texto é o primeiro de uma série na qual quero chamar atenção dos leitores à potência que as histórias em quadrinhos (HQs) possuem para nos informar e, mais do que isso, sensibilizar para diferentes fatos históricos e conflitos internacionais que podem nos impactar diretamente, ou não. Histórias em quadrinhos como mídia O primeiro ponto é entender o porquê da escolha das HQs. Por muito tempo, a HQ foi pouco valorizada como meio de transmissão de conhecimento ou informação. Além disso, segundo Rogério de Campos em sua obra Imageria, nos anos 1950, as HQs passaram por uma forte campanha de oposição nos Estados Unidos. As acusações eram de que as HQs incentivavam a delinquência juvenil ou até mesmo serviam de instrumento para propaganda comunista, dentre outros absurdos. Após essa onda de ataques, os quadrinhos foram conquistando espaço na indústria cultural americana, porém mais atrelados ao entretenimento juvenil, com as famosas sagas de super-heróis. Contudo, são inúmeras as temáticas abordadas pelas HQs, desde sempre. À revelia dos debates sobre a origem dos quadrinhos, que vão do ano de 1892 com a publicação de Yellow Kid por Richard Outcault, até quem defenda seu início com as pinturas rupestres, o que importa é que encontramos os quadrinhos como gênero religioso, pouco ortodoxo por sinal, em Christus und die minnende Seele (Cristo e a alma amorosa) de autor anônimo, circulando em conventos entre os séculos XIV e XV. Há também uma propaganda católica de ataque a Martinho Lutero, o reformador protestante, intitulada: Martinho Lutero, Doutor da Impiedade, Professor da Vilania..., daí para baixo, do ano de 1630 na Alemanha. A política também foi tema de HQ desde tempos longevos, quase sempre como propaganda ou sátira. Nesse segmento, em 1678 na Inglaterra, Francis Barlow publicou a Conspiração Papista, quadrinho denunciando um complô católico para matar o rei Carlos II. Na mesma Inglaterra, em 1817, Lewis Marks lançaO progresso de Boncy, no qual Boncy é Napoleão Bonaparte, e sua história é satirizada, por motivos óbvios. Esse panorama serviu para mostrar que HQ é coisa de gente grande também e retrata temas importantes e calorosos para quase todo mundo. Atualmente, o gênero abarca uma grande quantidade de abordagens e focos narrativos, garantindo uma diversidade de pontos de vista importantes em diferentes situações ao redor do mundo. Talvez o autor mais conhecido do chamado “quadrinho jornalístico” seja Joe Sacco, jornalista e artista originário da ilha de Malta e radicado nos Estados Unidos. Seus trabalhos privilegiam a cobertura de situações de conflito em diversos contextos geopolíticos. Palestina e Notas de Gaza, suas obras mais conhecidas, trazem para a cena o relato das populações israelense e palestina em guerra nos de 1993 a 1995, e não deixam de expor as opiniões e dificuldades do repórter-artista em sua presença nas áreas de conflito. Esse recurso metalinguístico de apresentar para o leitor, ao longo da narrativa, seu processo de trabalho, remete diretamente para o clássico Maus de Arthur (Art) Spiegelman. Em Maus, Art nos conta a história de seu pai, Vladek Spielgman, judeu polonês sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz. À lá Fabulas de Esopo ou Animal Farm de Orwell, em que animais são antropomorfizados, os nazistas são retratados como gatos e os judeus como ratos (“maus” em alemão). A história é ainda mais complexa, pois Art não isenta seu pai de críticas e a leitura se torna “ambígua” na medida em que a comoção pela difícil trajetória de Vladek se choca com um personagem difícil de se gostar. O contexto do holocausto nazista é adaptado, por Manu Lacernet, em Relatório de Brodeck. Essa obra apresenta Brodeck, outro sobrevivente de um campo nazista, voltando para sua vila de origem e sendo incumbido de relatar por escrito as atrocidades sofridas antes e depois da guerra. As luzes e sombras da tinta nanquim trazem o tom lúgubre adequado à maior catástrofe da história. Ásia e os mangás A Ásia é um continente conhecido por sua produção de HQ, com destaque para os mangás japoneses. Acontece que essa linguagem foi fundamental para se construir uma imagem positiva (soft power) de alguns países envolvidos em acontecimentos atrozes, como o próprio Japão, com suas ocupações na Manchúria e Coréia ou seu apoio aos fascistas na primeira metade do século XX. Esse contexto é o plot de uma HQ chamada Gramma da artista sul-coreana Keum Suk Gendry-Kim. Gramma conta a trajetória de vida de Ok-sun Lee, vendida pela própria família para servir como escrava sexual em “casas de conforto” espalhadas por territórios ocupados pelo exército imperial japonês. A história da China, após a revolução comunista de 1949, também é contada em Uma Vida Chinesa de Li Kunwu. A trama se desenvolve em três atos: o tempo do Pai (Mao Tsé-Tung), o tempo do partido e o tempo do dinheiro, abrangendo todas as fases do desenvolvimento chinês. Natural que a Ásia provoque um sentimento de admiração e temor por parte do ocidente e isso pode ser visto nas obras de Guy Delisle. Esse viajante canadense passou por grandes aventuras, mas uma das mais impressionantes foi sua estádia na Coréia do Norte relatada em Pyongyang: uma viagem à Coreia do Norte. Como vimos, HQs são um instrumento muito valioso para se contar histórias e nos conectar com pessoas e contextos que estão muito distantes de nós. Nesse sentido, saber o que se passa com pessoas reais em situações dramáticas pode nos humanizar e gerar um vínculo que desperta revolta e indignação, mas também engajamento e ação. Todo esse processo é um ótimo caminho para criação de um espaço subjetivo em cada ser humano e, porque não, segundo as teses de Theodor Adorno, uma sociedade antifascista, já que regimes totalitários encontram terreno fértil em solo pouco irrigado pela beleza da arte. Aqui as HQs ficcionais também têm espaço. Como estuda Eduard Said em Orientalismo: o oriente como invenção do ocidente, a criação de signos exóticos e de inferioridade sobre o desconhecido alimentam a ignorância e o medo. Para pensar sobre isso, temos Solitário de Chaboté, que narra a sobrevivência de um ser absolutamente isolado em um farol, numa pequena ilha em alto mar, e que, apesar de sua aparência, só gostaria de conhecer o mundo. Ser capaz de se comover com essa figura é humano, demasiado humano. Desta forma, essa coluna será, inicialmente, um espaço no qual as HQs nos ajudarão a descobrir como a geopolítica e as relações internacionais podem ser estudadas pela leitura de histórias reais e suas conexões com diferentes situações atuais ao redor do mundo. Assim, a próxima coluna percorrerá os Bálcãs presentes em Área de Segurança: Gorazde de Joe Sacco e Fax de Sarajevo de Joe Kubert e sua atualidade no cenário dessa região no leste europeu. Texto escrito por Marco Aurélio Cardoso Moura Professor de Língua Portuguesa no Ensino Médio; formado em Letras pela USP e especialista em Juventude no Mundo contemporâneo pela FAJE-BH. Hoje é mestrando em Educação pela FE-USP e colunista do “Zero Águia”. Fontes CAMPOS, R. Imageria: o nascimento das histórias em quadrinhos. São Paulo: Veneta, 2015. CHABOTÉ, C. Solitário. São Paulo: Pipoca & Nanquim, 2019. DELISLE, G. Pyongyang: uma viagem à Coreia do Norte. Campinas, SP: Zarabatana Books, 2007. KEUM, S. G. K. Gramma. São Paulo: Pipoca & Nanquim, 2020. KUBERT, J. Fax de Sarajevo. São Paulo: Via Leitura, 2016. KUNWU, L. Uma vida chinesa. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2015. LACERNNET, M. Relatório de Brodeck. São Paulo: Pipoca & Nanquim, 2018. SACCO, J. Palestina. São Paulo: Veneta, 2021. ________ Notas sobre Gaza. São Paulo: Quadrinhos da Cia, 2010. ________ Área de Segurança: Gorazde: A guerra na Bósnia Oriental 1992-1995. São Paulo: Conrad Editora, 2001. SAID, E. Orientalismo: o oriente como invenção do ocidente. São Paulo: Cia das Letras, 2007. SPIEGELMAN, A. Maus. São Paulo: Quadrinhos da Cia, 2005.
- A cultura do cancelamento e seu impacto nas democracias modernas
Nesse artigo iremos falar sobre a importância do que Sampedro (2015) chama de O Quarto Poder em Rede e seu impacto nas democracias modernas. O quanto o cancelamento afeta a sociedade? Já temos diversas fontes que chamam aos meios de comunicação como o quarto poder das democracias atuais, apesar de não serem formalmente parte da estrutura jurídico-politica num país. Isto se deve mais ao poder que têm sobre a população. Com a chegada da Web 2.0, aquela que se cria quando os sites de debate como blogs e redes sociais apareceram, o trabalho jornalístico muda totalmente, e com isso também ocorre uma mudança no poder que os meios de comunicação ja possuíam desde há muitos séculos atrás. Com a erupção das redes sociais, qualquer pessoa com um telefone celular que tenha câmera e uma conta em alguma rede ou site de debate pode ser um jornalista em tempo real, caso ela se encontre num lugar relevante no momento adequado. Temos muitos exemplos disto, lembre-se da importância das pessoas do Oriente Médio que, com seu telefone, transmitiram para o mundo todo o que estava acontecendo durante os protestos da chamada “primavera árabe”. Ou na Costa Rica, durante as emergências que se sucederam pelo furacão Otto há uns anos atrás. O debate sobre quem é jornalista e quem nao é ainda existe e há muitas razões para apoiar um lado e outro. Porém, não vamos debater sobre isso neste artigo. A história do cancelamento Tendo em conta o que já mencionamos anteriormente, é necessário lembrar também o termo Ostracismo, que se refere a uma prática muito comum na antiga Grécia, onde as pessoas eram isoladas totalmente da vida social num lugar geográfico específico. Às vezes, o Ostracismo era imposto por via judicial mediante uma lei que foi criada para esse fim. Nos dias atuais, esse termo é muito utilizado para referir-se a uma pessoa que é apartada de um partido político ou movimento social. Com o crescimento das redes sociais, surgiu a palavra "cancelamento", que se refere a um tipo de ostracismo na web. É um cancelamento que vem de muitos internautas ou usuários das redes sociais. Temos alguns exemplos de pessoas famosas que já falaram mal sobre as vacinas e também o caso do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Mas, já nos perguntamos e debatemos o suficientemente sobre o impacto desse tema na democracia? Em termos filosóficos, o cancelamento nos ajuda a lembrar sobre o paradoxo da tolerância explicado pelo filósofo Karl Popper: Até que ponto podemos e devemos tolerar o intolerável? Em prol da democracia, devemos tolerar grupos fascistas ou extremistas que promovem o ódio e a morte? Até quando devemos tolerar o intolerável? Atualmente, em países onde a utilização da internet é alta, temos visto como os movimentos sociais e políticos aproveitam o impacto e a margem de manobra que têm nas redes sociais para chegar a seu público-alvo e para manipular o discurso público. Por exemplo, as redes nos colocam em algo conhecido como as câmaras de eco (bolhas). Elas refletem o que o algoritmo identifica como gosto pessoal, fazendo com que nossas interações sejam sempre com pessoas que são adeptas de nossos próprios pensamentos. Assim deliberadamente impedem a possibilidade de interagirmos com pessoas de fora dos nossos critérios ou forma de pensar, colocando-nos em uma câmara onde somente escutamos o eco do que nós escrevemos ou compartilhamos. O impacto na democracia E isso afeta a democracia? Sim, porque nós cremos que temos razão sobre as coisas que acreditamos. Tome como exemplo as pessoas anti-vacinas que não acreditam nos resultados científicos, se sentem com poder porque estas câmaras de eco as bombardeiam sempre com a mesma informação, então acreditam que tudo o que consomem nas redes seja certo, ainda que sejam notícias falsas. Nessas câmaras nao há debate nenhum. É de um absurdo tão grande que as pessoas estão dispostas a lutar na vida real colocando algumas vezes suas vidas em perigo. Por outro lado, nestes tempos de guerra (Ucrânia-Rússia), podemos ver como os mecanismos de propaganda têm evoluído e adaptado a esta nova era do quarto poder em rede. Primeiro, temos que ter claro o poder que tem os meios e a propaganda em tempos de batalha. Um dos primeiros passos, de um lado ou do outro, é tentar bloquear as comunicações e informações do inimigo. Isso se constata no cancelamento que temos deste lado do mundo, onde toda informação da Rússia tem sido bloqueada na web. É um claro exemplo de como o cancelamento no mundo da web tem um alto impacto no mundo real. O cancelamento da Rússia tem escalado tão alto neste tema da guerra, que já estão cancelando também a cultura do país, afetando artistas que pouco ou nada têm a ver com o conflito. E nesse contexto surgem algumas perguntas interessantes, que tem mais relevância agora com a compra do Twitter por Elon Musk: quem decide quem é cancelado em uma rede social ou não (e no mundo real)? Devemos permitir o discurso de ódio tanto no mundo virtual quanto no mundo real a favor da liberdade de expressão e da pluralidade de ideias? Vale lembrar que as redes sociais são privadas, não pertencem a nenhum governo. Portanto, os direitos de liberdade de expressão são um tanto quanto distorcidos nestes ambientes. É importante que comecemos a ter essas discussões em nossas áreas, pois a Tecnologia já está aqui para ficar e o impacto na democracia é real. Uma revisão global desses meios de transmissão é urgente e necessária para determinar a melhor maneira para lidar com esses problemas. Texto escrito por Johao Larios Fidalgo Desenvolvedor de software que gosta de pesquisar sobre o impacto da informátiica no mundo real, diretamente de San José, Costa Rica. Fontes: [JL1]https://revistapesquisa.fapesp.br/es/quien-tiene-poder-sobre-el-cuarto-poder/ [JL2]https://www.theguardian.com/media/2016/jul/12/how-technology-disrupted-the-truth [JL3]https://economipedia.com/definiciones/ostracismo.html
- A Copa do Preconceito
Estamos há alguns meses do maior evento de futebol do mundo. A Copa do Mundo começa no dia 21 de novembro e irá acontecer no Catar, país do Oriente Médio. Embora o evento comece oficialmente só daqui a seis meses, o país e a FIFA já acumulam envolvimento em escândalos, acusações e crimes por conta do evento. O Catar não possui um futebol relevante, essa será a primeira Copa do Mundo que a seleção local irá participar. O único título significante que registra é o da Copa da Ásia, conquistado em 2019. Além disso, o país está envolvido em escândalos por causa da realização do evento desde 2010, quando foi escolhido. Desde então é acusado de subornar a FIFA para que fosse escolhido como país sede. Mas vamos um pouco além. O país é uma monarquia absolutista, governado por Tamim Bin Hamad al-Thani desde 2013 e tem como religião oficial o Islamismo, ambos com características extremamente patriarcal, machista e conservadora e é aí que mora o perigo. Tradições e conservadorismo Em um mundo onde tem se lutado cada dia mais pela diversidade e aceitação de minorias, o futebol tem evoluído a passos lentos. Sendo um dos esportes mais machistas e conservadores, colocando em risco a comunidade LGBTQIAP+, no que é hoje considerado o maior evento de futebol do mundo dentro e fora dos campos. Dentro do campo, temos o exemplo do único jogador australiano em atividade assumidamente gay. Joshua Cavallo, que se assumiu gay aos 21 anos, é um dos principais jogadores do Adelaide United, cotado pela seleção da Austrália para representar o país nos jogos. Porém, o jogador já sinalizou ter medo de representar seu país no mundial por ser assumidamente gay. O medo do jogador não é infundado. O país sede da Copa do Mundo de 2022 proíbe demonstrações de afetos entre membros da comunidade LGBTQIAP+, sob pena de prisão podendo atingir a pena de morte. Nasser Al Khater, líder da comissão organizadora, nega que a comunidade está ameaçada ou será atacada durante o evento, alegando que “Ninguém se sente inseguro aqui”, em entrevista à uma emissora de TV e em resposta a fala de Joshua. Fora do campo, o país tem assumido o posicionamento de “pode ser membro da comunidade LGBTQIAP+, mas não pode demonstrar.”. O major-general Abdulaziz Abdullah Al Ansari, comandante de segurança do Catar, declarou não poder garantir a segurança da comunidade caso decidam levar bandeiras LGBT’s aos estádios ou às ruas do país. As dificuldades enfrentadas pela comunidade LGBTQIAP+, de ir ao maior evento de futebol do mundo, ganhou mais um capítulo nos últimos dias. Após pesquisa feita por um canal de esporte sueco, que entrou em contato com hotéis indicados pela FIFA. O canal se passou por um casal gay recém-casado, que buscavam aproveitar o evento, recebeu negativa de pelo menos três hotéis, que alegaram “não poder acomodar esse público”. Mais uma vez a comunidade LGBTQIAP+ tem seus direitos básicos ameaçados, como o de ir e vir, o de demonstração de afeto e de poder ser inclusa em meios onde deseja. Pode ser apenas um evento, onde turistas ricos vão para gastar seu dinheiro, ou como usado dentro da comunidade LGBTQIAP+, seu “pink money”, mas vai além disso. Demonstra o risco que a comunidade local corre todos os dias vivendo naquele país. O não posicionamento da FIFA contra as medidas tomadas, junto à comissão organizadora, demonstra claramente o quão machista e retrogrado é o futebol e o quanto ainda é necessário lutar contra o preconceito. Com essas atitudes, a FIFA e o Catar gritam aos quatro ventos como a Copa do Mundo de Futebol de 2022 é a Copa do preconceito. Texto escrito por Felipe Bonsanto Formado em Administração de empresas, pós graduação em marketing e apaixonado por Los Hermanos. É militante pelos direitos LGBTQIAP+, trabalha com educação há oito anos, atua como co-host no podcast O Historiante e é colunista do Zero Águia.
- Liberdade de Imprensa: O direito à informação
Estar identificada como imprensa não impediu que a jornalista palestino-americana Shireen Abu Aklen, 51, fosse alvejada por um tiro e morta durante uma cobertura jornalística, no último 11 de maio. A sua morte foi motivo de indignação e protestos pelo mundo. Shireen não foi a única jornalista a morrer neste ano de 2022. De acordo com o IPI, Instituto Internacional de Imprensa e a ONG JSF, Jornalistas Sem Fronteiras, até maio deste ano cerca de 28 profissionais de imprensa foram mortos cobrindo guerras e protestos. No ano passado foram 45. O violento assassinato, as cenas de ataques ao caixão de Shireen em seu velório e o crescente número de mortes de jornalistas, escancararam mais uma vez o radicalismo e a ódio à liberdade de imprensa. Esse radicalismo que já é presente no Oriente Médio há muitos anos, tem aumentado não só na região mas em todo o mundo, o que acende um alerta do perigo para à liberdade de imprensa e expressão. Liberdade de Imprensa e Expressão Desde o início, a imprensa sempre enfrentou desafios, mas provavelmente nunca enfrentou tanta descredibilidade e ódio como tem acontecido no século XXI. A imprensa que já foi admirada e aclamada ao cobrir eventos históricos como o 11 de setembro e a morte do papa João Paulo II, não imaginava que sofreria ameaças, ataques morais e físicos em várias situações, inclusive na cobertura da maior pandemia registrada neste século. Esses ataques sugiram como um "Cavalo de Tróia", devido ao desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s). A evolução das TIC’s foi fundamental para o aperfeiçoamento da comunicação, o acesso à informação e o alcance de lugares que antes era difícil ou impossível de alcançar. Essa evolução foi e tem sido algo extremamente positiva e necessária para a informação e liberdade de imprensa, porém tem dado voz e força a movimentos que agridem, descredibilizam e atacam a liberdade imprensa. Através das mídias sociais foi dada voz e alcance a movimentos considerados extintos, como os anti-vacinas, a Klu-Klux-Klan e a movimentos neonazistas. Estes têm se apropriado de canais utilizados pela imprensa para propagação de Fake News e discursos de ódio alegando o uso da liberdade de expressão. Muitas das vezes, temos visto esses discursos e movimentos sendo respaldados e replicados por líderes políticos, que trabalham para limitar a liberdade de imprensa, seja através de ataques diretos, indiretos, Fake News e até incitando a população contra o trabalho da imprensa. Em um passado não tão distante, o republicano americano Donald Trump, atacou e ameaçou a imprensa em sua campanha eleitoral de 2016. De lá para cá Trump intensificou seus ataques através de declarações, sansões e Fake News, incitando e colocando a população contra a classe. Exemplo disso, foram as mentiras sobre a cobertura das eleições de 2020 e os ataques a jornalistas durante a invasão do Capitólio em janeiro de 2021, que é o símbolo da democracia americana. Por aqui, na mesma linha, temos o Donald Trump tupiniquim. O Presidente Jair Bolsonaro se apossou do ódio a imprensa como arma para sua campanha de 2018 e de lá para cá aumentou, cada vez mais, seus ataques. Em um dos ataques mais recentes e notório, o Presidente atacou a jornalista Daniela Lima, chamando-a de “Quadrupede”. Liberdade de imprensa e ameaça à democracia Os ataques realizados por Donald Trump, o Presidente Jair Bolsonaro e outros extremistas espalhados pelo mundo, não são por acaso e muito menos são situações isoladas. Essas ações são planejadas, orquestradas e utilizam método. Método que tem por interesse fazer com que a sociedade deixe de acreditar na imprensa livre e o jornalismo vivo, informativo e investigativo, que são pontos fundamentais para a base e garantia da saúde da democracia. A imprensa quando não tem sua liberdade garantida, é desacreditada ou censurada, diminuindo o seu poder de voz e alcance e assim a possibilidade de acesso à informação, dando espaço para corrupção, crimes contra minorias, perseguição a quem pensa diferente e a rivais políticos. O que aumenta a insegurança, censura e garantia de direitos. O aumento da onda conservadora da extrema direita no mundo tem feito com que essas ameaças aumentassem cada vez mais. Exemplo disso, temos o crescimento no número de morte de jornalistas em coberturas, como o caso de Shireen Abu Aklen, como já citado anteriormente. O método para descredibilizar a imprensa e a sua liberdade diante da sociedade, ataques indiretos e muitas das vezes diretos tem refletido em como a liberdade de imprensa e a democracia estão ameaçadas. Outra comprovação de quão eficiente tem sido o método usado para descredibilizar a imprensa é o estudo realizado anualmente pela ONG JSF (Jornalistas Sem Fronteiras). De acordo com o levantamento feito, dos 180 países pesquisados, 73% deles a liberdade de imprensa é considerada “Muito grave”, “Difíceis” ou “problemáticas”. No índice, o número de países considerados em situação “Muito grave” cresceu, sendo que em 2021 eram 21 países nessa categoria e atualmente são 22. Já os países que estão no topo da liberdade de imprensa, enquadrados na categoria “boa situação” eram 12 até 2021. Já no levantamento realizado em 2022, são 8. O Brasil é um caso a parte. O país, que em 2010 quando começou a ser feito o levantamento, ocupava o 86º sexto lugar. Hoje, 2022, o país caiu 24 posições e ocupa a posição 110º, na categoria “Problemáticas”. As posições começaram a despencar após o golpe de 2016 e se intensificou no governo de Jair Bolsonaro. Justificando a posição em que o Brasil está, as vésperas do dia da Liberdade de imprensa veio à tona a denúncia feita pelo jornalista Leandro Guedes sobre o desaparecimento do correspondente do The Guardian, Dom Phillips e o funcionário da FUNAI, Bruno Pereira. Ambos trabalham na área de conflito entre indígenas, madeireiros e garimpeiros, atuando na denúncia de garimpo e extração de madeira, práticas consideradas ilegais. O sumiço aconteceu na região do Vale do Javari, Amazonas. Até o momento do fechamento desta matéria a informação era de que a Marinha do Brasil, Polícia Federal e o Ministério Público trabalham no caso, porém ainda não há informações sobre os desaparecidos. Resgatando 07 de Junho Era 1977, governo de Ernesto Geisel. O Brasil vivia a ditadura militar, um dos momentos mais sombrios da história. No dia 07 de junho daquele ano, algumas centenas de jornalistas assinaram um manifesto contra a ditadura militar, solicitando a liberdade de imprensa e o fim da censura. Sabemos que o Brasil ainda passaria alguns anos até ver o término da ditadura, mas aquele acontecimento marcou o que se é lembrado neste 07 de junho, dia da Liberdade de Imprensa. Não há dúvidas de que evoluímos, e muito, desde 1977. Porém, a ameaça à liberdade de imprensa ressurge e sonda a democracia. Ainda há muito o que se fazer, mais do que nunca é necessário reforçar e cobrar que a liberdade de imprensa seja respeitada, que o verdadeiro jornalismo tenha voz e garantia de segurança para trabalhar a favor e fortaleça a democracia. Texto escrito por Felipe Bonsanto Formado em Administração de empresas, pós graduação em marketing e apaixonado por Los Hermanos. É militante pelos direitos LGBTQIAP+, trabalha com educação há oito anos, atua como co-host no podcast O Historiante e é colunista do Zero Águia. Fontes: https://www.nexojornal.com.br/extra/2021/07/29/Brasil-cai-em-ranking-de-liberdade-de-express%C3%A3o https://fenaj.org.br/wp-content/uploads/2022/01/FENAJ-Relat%C3%B3rio-da-Viol%C3%AAncia-Contra-Jornalistas-e-Liberdade-de-Imprensa-2021.pdf https://www.dw.com/pt-br/morte-de-jornalista-palestina-causa-indigna%C3%A7%C3%A3o/a-61779496 https://rsf.org/pt-br/ranking https://www.nexojornal.com.br/expresso/2021/04/20/A-queda-do-Brasil-no-ranking-de-liberdade-de-imprensa
- WhatsApp irá adiar atualização do aplicativo
Atualização estava prevista para 8 de fevereiro, porém repercussão negativa influenciou adiamento. O WhatsApp anunciou que irá adiar uma atualização que suspostamente iria melhorar as transações comerciais dentro da plataforma após uma tempestade de comentários negativos de seus usuários, que temem uma invasão de privacidade pelo aplicativo. “Decidimos prolongar o prazo no qual as pessoas deverão revisar e aceitar os termos atualizados. Ninguém terá a conta suspensa ou apagada em 8 de fevereiro de 2021. Também faremos um trabalho intenso para esclarecer todas as informações incorretas sobre como a privacidade e a segurança funcionam no WhatsApp”. Segundo notificações enviadas para os usuários, dados sensíveis seriam compartilhados com o Facebook. Caso o usuário não aceitasse os novos termos, teria que excluir o aplicativo. Na nova política de privacidade, o WhatsApp informa que certos dados — como número de telefone, foto de perfil e modelo do aparelho usado na navegação — seriam usados para melhorar a experiência de perfis comerciais do aplicativo e na ofertas de novos produtos aos clientes do Facebook, que é do mesmo grupo empresarial. Procon-SP notifica WhatsApp Nesta quinta (14), o Procon-SP notificou o WhatsApp e cobrou explicações sobre as novas regras. Com prazo máximo de resposta de 72 horas, a instituição pede que o aplicativo de mensagens esclareça o enquadramento dos novos termos às leis brasileiras. No documento, o órgão cita a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e o Código de Defesa do Consumidor, que protegem os brasileiros e dizem que a decisão sobre o uso e o compartilhamento dos dados é um direito pessoal básico.
- Vacina Sputnik V é solicitada por Farmacêutica brasileira
A Farmacêutica União Química e o Fundo Russo de Investimento Direto fizeram um pedido emergencial para a Anvisa de 10 milhões de doses da vacina. Nesta sexta-feira (15), a União Química publicou um comunicado informando que junto ao Fundo Russo de Investimento Direto fez um pedido de uso emergencial de 10 milhões de doses da vacina Sputnik V, produzidas na Federação Russa. A Sputnik V é a primeira vacina registrada do mundo baseada em uma plataforma baseada em vetor adenoviral. Conforme publicado no site oficial da vacina, A eficácia confirmada da “Sputnik V” é de 91,4% com base na análise de dados do ponto de controle final dos ensaios clínicos. A eficácia da vacina Sputnik V contra casos graves de Corona vírus é de 100%. Este é o terceiro pedido de aprovação para uso emergencial de vacinas contra a Covid-19 no Brasil. A Sputnik V se junta a vacina de Oxford e a CoronaVac na espera de uma aprovação da Anvisa para começar a ser aplicada em massa. A empresa informou que a vacina será produzida em fábricas de Brasília e de Guarulhos com base em acordo de transferência de tecnologia firmado com o fundo russo. Uso da vacina no Paraguai O Paraguai se tornou o mais recente país da América Latina a aprovar o uso emergencial da vacina russa Sputnik V contra o novo Corona vírus, informou o fundo russo nesta sexta-feira. O sinal verde do Paraguai não exige ensaios clínicos adicionais no país, disse o fundo em nota. Argentina, Venezuela e Bolívia também aprovaram o uso da vacina, enquanto o Chile negocia para fazê-lo.
- Presidente da Uganda é reeleito com 58% dos votos
A comissão eleitoral de Uganda informou que Yoweri Museveni, que está há 35 anos no poder, saiu vitorioso da eleição, com 58,6% dos votos. Seu adversário, Bobi Wine (34,8% dos votos) afirma que houve fraude na conferência dos resultados. Museveni, com 76 anos, reafirma-se como um dos líderes autoritários mais antigos do mundo, no poder desde 1986. O presidente mudou a constituição do país para poder concorrer, e com esta vitória tem seu sexto mandato, que irá durar cinco anos. Numa das campanhas eleitorais mais conturbadas da história do Uganda, Bobi Wine, que tem apoio da juventude do Uganda, disse que a sua casa na capital Kampala estava sob cerco de soldados do Governo. No dia da votação, houve forte presença de polícias e militares nos locais de votação. Esta sexta (15), Bobi Wine disse denunciou, através da rede social Twitter, que os militares "assumiram o controle" de sua casa. O opositor disse que estava "em sérios apuros". A rede de Internet foi encerrada em todo o país pouco antes do início da votação. Kampala permaneceu em silêncio este sábado, com os cidadãos instruídos a permanecerem em casa, com as forças de segurança patrulhando as ruas.
- Petroleiras planejam pressionar Biden em relação ao mercado de combustíveis Venezuelano
Representantes de empresas do ramo de combustível, importadores de petróleo venezuelano e grupos de defesa disseram este mês que planejam pressionar o próximo governo do presidente eleito dos EUA, Joe Biden, a reverter a proibição de trocas de petróleo por diesel. A administração Trump, desde o último trimestre de 2020, proibiu as empresas de enviar diesel à Venezuela em troca de petróleo. Esses negócios foram bloqueados por mais de um ano devido à sanções impostas contra a estatal Petroleos de Venezuela SA. Isso suscitou preocupações sobre o impacto humanitário devido ao déficit de diesel, amplamente utilizado no transporte público venezuelano, agricultura e como combustível para geradores usados como barreira para apagões freqüentes. Os agricultores já estão alertando que a escassez está impedindo a colheita de açúcar e o plantio de arroz. Um porta-voz de Biden, que assumirá o cargo em 20 de janeiro, não quis comentar. Biden rotulou Maduro como um ditador, e assessores disseram que ele provavelmente manterá algumas sanções enquanto busca mais consenso entre os aliados dos EUA sobre como aplicá-las.
- Donald Trump concede perdão para diversos rappers
Como um dos atos finais de Donald Trump como o 45º presidente dos Estados Unidos, ele perdoou as sentenças de prisão de 143 pessoas, incluindo Lil Wayne, Kodak Black e o cofundador da Death Row Records, Michael Harris. Trump entregou a lista na noite de terça-feira (19 de janeiro), quando suas últimas horas no Salão Oval chegaram ao fim. Os perdões presidenciais surpreenderam e confundiram as mídias sociais, com alguns se perguntando por que um rapper com ficha criminal como Kodak merecia o perdão. O nativo de Pompano Beach, Flórida, está atrás das grades desde 2019, depois que foi preso por porte de armas e condenado a quase quatro anos de prisão. Enquanto isso, Wayne se confessou culpado de uma acusação federal de porte de armas no mês passado e pode pegar até 10 anos atrás das grades. Em novembro de 2020, a lenda do Cash Money endossou publicamente Trump com uma viagem à Casa Branca, atraindo críticas de fãs e colegas. Mas o apoio provou funcionar a favor de Wayne e ele não terá mais que se preocupar com uma possível pena de prisão. Além de Kodak e Weezy, alguns nomes notáveis deixados de fora da lista chamaram a atenção dos fãs de rap, alguns que faziam lobby por um perdão ou redução de anos de prisão, como Bobby Shmurda e Suge Knight.
- Brasileiro leva medalha de ouro na prova de 100m das Paralimpíadas
Petrúcio Ferreira foi o primeiro colocado na prova, nesta sexta-feira (27), na classe T47. Petrucio Ferreira dos Santos conquistou o ouro nos 100 metros rasos nas Paralimpíadas de Tóquio e se tornou bicampeão, repetindo o feito obtido no Rio de Janeiro, em 2016, na classe T46/47 (para atletas com deficiências nos membros superiores), mas agora de modo mais especial. O tempo de 10s53, afinal, o fez melhorar o seu recorde da prova nos Jogos Paralímpicos, que era de 10s57. Além disso, ele já era o recordista mundial da prova, com 10s42. O bicampeão paralímpico não teve uma grande largada, mas conseguiu assumir a liderança nos metros finais. Depois, dedicou a vitória ao técnico Pedrinho Almeida. Treino Pesado Após um distanciamento social por quase sete meses do atleta da classe T47, o treinador paraibano Pedrinho Almeida comandou treinos com o velocista em areia de praia, pista de barro e academias improvisadas até que as atividades físicas na pista sintética da Universidade Federal da Paraíba pudessem ser retomadas em janeiro deste ano. Pedrinho, além de se preocupar com o aspecto físico e mental do atleta, levou em consideração outro fator para colocar seu trabalho em prática: a maré do mar. "Na época, exploramos muito a dinâmica da maré do mar para elaborarmos os treinos. Na maré baixa, por exemplo, aproveitava a areia mais dura para trabalhar mais o aspecto técnico, tiros, enquanto na maré alta, fazia atividades aeróbicas na areia mais fofa", explica Pedrinho. Petrúcio também é pura gratidão ao treinador, que o acompanha e o forma como atleta desde 2014. "Fenomenal para mim, um pai que ele é", declarou logo após a prova. Antes de entrar na pista, conversou com o técnico. "Nesse momento eu perguntei: você confia em mim? e ele disse: 'confio, Petrúcio, não confio 100%, confio 200%'", conta Petrúcio. O pódio dos 100 metros também teve a presença de outro brasileiro, com Washington Junior em terceiro lugar. Ele fez ótima largada, liderou o início da prova e se esforçou muito, mas acabou sendo superado por dois adversários. Ainda assim, garantiu um lugar no pódio e terminou com o tempo de 10s68.
- Furacão Ida deixa mais de 1 milhão sem energia e devasta regiões inteiras nos EUA
O furacão Ida causou danos substanciais no sudeste da Louisiana, matando pelo menos uma pessoa, destruindo telhados e acabando com a energia do estado. Foram enviadas equipes de resgate nesta segunda-feira (30) de manhã para um número incontável de casas inundadas, onde as pessoas estão pedindo ajuda ansiosamente. Ida, agora uma tempestade tropical de movimentação lenta passando sobre o sudoeste do Mississippi, ainda representará uma grande ameaça para os moradores, não apenas nesses dois estados, mas também nos vales do Tennessee e Ohio à medida que se arrasta para o norte nos próximos dias. A extensão dos danos só agora começa a ser vista com o amanhecer - mas as equipes de resgate estão recebendo vários pedidos de ajuda de pessoas que subiram em sótãos ou telhados enquanto a água subia em suas casas - especialmente em bairros nos arredores de Nova Orleans. "Parece que há centenas, possivelmente mais, de pessoas presas em suas casas, com alguma extensão de água infiltrada - de trinta centímetros de profundidade a pessoas refugiadas nos sótãos", disse Jordy Bloodsworth, capitão do grupo de resgate voluntário da Marinha Cajun da Louisiana, à CNN nesta Segunda-feira de manhã. Bloodsworth estava enviando suas equipes para LaPlace, na Paróquia de São João Batista, a oeste de Nova Orleans, onde o Serviço Meteorológico Nacional e postagens nas redes sociais indicaram que várias pessoas pediram resgate. O furacão Ida atingiu a costa no domingo perto de Port Fourchon, no sudeste da Louisiana, como um furacão de categoria 4 por volta da 13h e lentamente varreu o estado, levando ventos catastróficos e chuvas torrenciais aos mesmos lugares por horas. O vídeo dessas áreas mostram partes de telhados voando de casas e empresas, árvores caídas sobre carros e casas e enchentes tomando conta de estradas e comunidades no sudeste da Louisiana e no sul do Mississippi. Mais de 1 milhão de pessoas na Louisiana estavam sem energia na manhã de segunda-feira, de acordo com PowerOutage. Entre eles está toda a região de Orleans, que foi atingida por "danos catastróficos na transmissão", tuitou a prefeitura da cidade na noite de domingo. Mais de 130.000 pessoas estavam sem energia no Mississippi, informou o PowerOutage.US. A Entergy Louisiana disse que alguns de seus clientes podem ficar sem energia por semanas. E a tempestade de até 15 pés e ventos de até 240 km por hora podem deixar partes do sudeste da Louisiana "inabitáveis por semanas ou meses", de acordo com uma declaração local sobre furacões do Serviço Meteorológico Nacional em Nova Orleans.















