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  • Golpe no Sudão: militares dissolvem o governo civil em meio a protestos

    O principal general do Sudão declarou estado de emergência na segunda-feira, horas depois de suas forças prenderem o primeiro-ministro em exercício e outros altos funcionários do governo, no que o Ministério da Informação disse ter sido um golpe militar. Os militares sudaneses tomaram o poder em um golpe nesta segunda-feira(25), prendendo membros de um governo de transição que deveria guiar o país à democracia após a derrubada do ditador Omar al-Bashir em um levante popular há dois anos. O Sudão estava em um estado de tensão desde um golpe fracassado no mês passado que desencadeou recriminações amargas entre grupos militares e civis que deveriam estar compartilhando o poder após a deposição do governo ditatorial. Bashir foi derrubado e preso após meses de protestos de rua. Uma transição política acordada após sua deposição viu o Sudão emergir de seu isolamento sob três décadas de governo de Bashir e deveria levar a eleições no final de 2023. Governo dos EUA 'profundamente alarmado' com relatos de golpe O enviado especial dos EUA para o Chifre da África, Jeffrey Feltman, disse que os Estados Unidos estavam profundamente alarmados com os relatos de uma tomada militar do governo de transição no Sudão. No Twitter oficial do Bureau de Assuntos Africanos do Departamento de Estado, Feltman advertiu que uma tomada militar violaria a declaração constitucional do Sudão e colocaria em risco a assistência dos EUA. Líderes mundiais e grupos de direitos humanos condenaram a detenção de várias autoridades sudanesas de alto escalão. Militares tomam o poder após falta de consenso entre membros do conselho Abdel Fattah al-Burhan, um general que chefiou o Conselho Soberano, um órgão governante que compartilha o poder, anunciou o estado de emergência em todo o país e dissolveu o conselho e o governo de transição na segunda-feira. A internet foi cortada, enquanto estradas e pontes em Cartum foram bloqueadas. O aeroporto também foi fechado e as sedes da televisão e rádio estatais foram invadidas por forças de segurança. O primeiro-ministro Abdallah Hamdok está entre os que foram detidos e colocados em prisão domiciliar, junto com membros de seu gabinete e outros líderes civis. Um comunicado do ministério da informação no Facebook disse que os presos estavam sendo mantidos em "um local não identificado". Também disse que Hamdok estava sendo pressionado a apoiar um golpe, mas se recusava a fazê-lo e, em vez disso, pediu às pessoas que continuassem com protestos pacíficos para "defender a revolução". __________________________________________________________________________________ Créditos às reportagens da BBC, France24, Al Jazeera e Reuters que serviram como base para esta matéria: https://www.bbc.com/news/world-africa-59033142 https://www.france24.com/en/africa/20211025-live-sudan-s-armed-forces-detain-pm-hamdok-for-refusing-to-join-coup https://www.aljazeera.com/news/2021/10/25/world-leaders-react-to-sudan-arrests https://www.reuters.com/world/africa/military-forces-arrest-senior-civilian-figures-sudan-al-hadath-tv-2021-10-25/

  • As promessas não cumpridas de lidar com o aquecimento global

    Quase 200 países se comprometeram a reduzir as emissões dos gases de efeito estufa para evitar as piores conseqüências da crise climática, mas ainda há uma enorme lacuna entre o que foi prometido e o que os cientistas dizem ser necessário. Com apenas cinco dias para o encontro dos líderes nas negociações climáticas da COP26 em Glasgow, Escócia, dezenas de países ainda não cumpriram com suas promessas de reduzir as emissões, como deveriam fazer de acordo com as regras do Acordo de Paris de 2015. Dos países do G20, que respondem por 80% das emissões mundiais, apenas seis nações aumentaram formalmente suas metas. O relatório também descobriu que seis nações do G20, incluindo os Estados Unidos, nunca alcançaram suas metas anteriores. Os demais foram Canadá, Austrália, Brasil, Coréia do Sul e México. O planeta já aqueceu 1,2 graus, dizem os cientistas. O mais recente conjunto de promessas climáticas globais, de acordo com o relatório divulgado na terça-feira, está muito aquém do que é necessário para limitar o aquecimento a 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais - um limiar crítico que os cientistas dizem que o mundo deveria permanecer abaixo. O relatório constatou que as novas promessas de emissões reduzirão apenas 7,5% a mais até 2030, mas um corte de 55% é necessário para cumprir a meta de conter o aquecimento de 1,5 graus. Seguindo as metas atuais dos países, o mundo continuará a aquecer até 2,7 graus, de acordo com o UNEP (UN Environment Programme). "Os países aumentaram as metas, mas não o suficiente", disse Inger Andersen, diretor executivo do UNEP, à CNN. "Muitos deles meio que empurram o problema com a barriga. Não precisamos mais ver promessas, precisamos ver a ação real." O relatório anual "lacuna de emissões" descreve a diferença entre o que os países se comprometeram e o que precisa ser feito. Para limitar o aquecimento a 1,5 grau, o UNEP relata que o mundo precisa reduzir as emissões atuais pela metade nos próximos oito anos. "Não estamos nem perto de onde deveríamos estar", disse Andersen. "Queremos ser otimistas e dizer que a janela ainda está aberta, ainda podemos fazer isso - mas está fechando muito rápido. A realidade é que devemos fazer isso acontecer nesta década." __________________________________________________________________________________ Créditos à reportagem original da CNN, que serviu como base para esta matéria: https://edition.cnn.com/2021/10/26/world/un-greenhouse-gas-emissions-gap-report-climate/index.html

  • Barack Obama faz discurso na COP26

    Ex-presidente americano pediu aos jovens que "continuem ferozes" na luta contra a mudança climática ao discursar na cúpula da COP26. Obama foi à conferência internacional do clima em Glasgow nesta segunda-feira (08), pois de acordo com John Kerry (enviado do clima americano), o governo sabia que Biden precisava de ajuda para convencer o mundo que os EUA realmente estão levando a sério o combate à mudança climática. O ex-presidente dos EUA fez um discurso instigando os jovens a exercerem pressão política para fazer uma mudança, mas avisou que eles teriam que aceitar a realidade ao longo do caminho. Obama disse que o mundo "não está nem perto de onde precisamos estar" para evitar uma catástrofe climática futura. Também criticou a "hostilidade ativa de Donald Trump em relação à ciência do clima", mas disse que os EUA estão prontos para liderar novamente. Obama também repreendeu os líderes da China e da Rússia por não comparecerem fisicamente à cúpula da COP26. Falando em Glasgow, Obama recebeu aplausos entusiasmados quando subiu ao palco e uma ovação de pé no final de seu discurso - mas houve resistência dos ativistas. Ele chamou a atenção das nações por não cumprirem as promessas feitas no Acordo de Paris de 2015, quando ele estava na Casa Branca. No entanto, os ativistas foram rápidos em apontar aqueles que foram decepcionados por seu próprio governo, incluindo o fracasso de uma promessa importante dos países desenvolvidos de entregar US$ 100 bilhões (£ 73 bilhões) por ano em financiamento climático para as nações mais pobres. Ele admitiu que ainda há muito trabalho árduo a fazer para reduzir os efeitos da mudança climática, mas disse que alguns avanços promissores foram feitos nos seis anos desde a assinatura do Acordo de Paris, que ele ajudou a liderar. Não há como ignorar a política Obama dedicou grande parte de seu discurso a jovens ativistas, que ele disse estarem "certos em se sentirem frustrados". Dirigindo-se diretamente aos jovens, ele disse que eles "não podem ignorar a política" e que, embora os protestos e as hashtags aumentem a conscientização, eles deveriam se envolver na política em algum nível. "Você não precisa ficar feliz com isso, mas não pode ignorar. Não há como ser puro demais [para a política]." Fazendo referência aos hábitos de compra das próprias filhas, ele também convocou os jovens a apoiarem negócios que estivessem comprometidos com a sustentabilidade e boicotassem os que não estivessem, por exemplo empresas sem nenhum tipo de compromisso com o meio-ambiente. O bordão da noite de Obama foi dizer aos jovens ativistas para "ficarem zangados". "Para todos os jovens lá fora - quero que continuem com raiva. Quero que continuem frustrados", disse ele. "Mas canalize essa raiva. Aproveite essa frustração. Continue se esforçando cada vez mais por mais e mais. Porque é isso que é necessário para enfrentar esse desafio. Prepare-se para uma maratona, não para uma corrida." __________________________________________________________________________________ Créditos à reportagem original da BBC, que serviu como base para esta matéria: https://www.bbc.com/news/science-environment-59210395

  • Europa é o novo epicentro da pandemia de Covid-19

    A onda atual da Europa não resultou em uma taxa de mortalidade tão alta quanto o pico de verão nos Estados Unidos. Mas serve como um lembrete da natureza cíclica da pandemia, dizem os especialistas. A Europa é agora o epicentro da pandemia Covid-19 mais uma vez, ultrapassando a contagem de casos dos EUA no final de outubro e agora caminha para um inverno difícil. As infecções estão aumentando na maioria dos países que compõem o espaço Schengen, o bloco de 26 países onde as regras de entrada para os Estados Unidos foram relaxadas. "Estamos em outro ponto crítico de ressurgimento da pandemia", disse o diretor regional da OMS, Hans Kluge, na semana passada, alertando que o ritmo de transmissão em toda a região era de "grande preocupação". "De acordo com uma projeção confiável, se mantivermos essa trajetória, poderemos ver mais meio milhão de mortes de COVID-19 na Europa e na Ásia Central até primeiro de fevereiro do próximo ano", advertiu Kluge, acrescentando que 43 dos 53 países dentro deste escopo também poderiam ter um grande aumento de ocupação dos leitos hospitalares. "A situação em toda a Europa era esperada em alguns aspectos. Prevíamos que haveria um aumento de casos nesta época do ano", disse Paul Wilmes, professor do Centro de Biomedicina de Sistemas de Luxemburgo. E outros observam que o sucesso relativo de algumas nações altamente vacinadas, como Espanha e Portugal - onde os casos permaneceram em níveis administráveis, apesar das tendências gerais de aumento em todo o continente - pode servir de exemplo para governos na Europa e em outros lugares. "Isso está acontecendo em muitos países, mas não é inevitável", disse Martin McKee, professor de saúde pública europeia na Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres. "Precisamos ver o que está acontecendo e quais políticas estão causando isso ... há coisas que podem ser feitas." O ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn, disse neste mês que o país está enfrentando uma pandemia "massiva" de pessoas não vacinadas. "A verdade é que haveria muito menos pacientes com Covid-19 na [terapia intensiva] se todos que pudessem receber a vacina, se vacinassem", disse ele. “Há um reconhecimento cada vez maior de que as pessoas que não desejam contribuir para resolver os desafios da pandemia estão colocando outras pessoas em risco”, disse McKee. "Eles estão afetando a recuperação de outras pessoas e há uma impaciência crescente" em relação a eles por parte dos políticos e do público, acrescentou. __________________________________________________________________________________ Créditos: https://edition.cnn.com/2021/11/10/europe/us-europe-covid-winter-comparisons-intl-cmd/index.html

  • Presidente Biden aprova declaração de desastre para Kentucky após tornados

    O presidente Joe Biden aprovou o pedido do governador Andy Beshear solicitando uma declaração de desastre para Kentucky neste sábado. Biden ordenou uma assistência federal para complementar os esforços das resposta estaduais e locais para responder às fortes tempestades, ventos, inundações e tornados que começaram na noite de sexta-feira e continuaram até a manhã seguinte. Beshear solicitou uma declaração de emergência federal imediata da Casa Branca, ao mesmo tempo em que declarou estado de emergência após os tornados na noite de sexta-feira. O governador ativou a Guarda Nacional e destacou 181 guardas nas primeiras horas da manhã - incluindo pessoal de busca e extração e limpeza de entulhos - que chegaram mais tarde naquela manhã. A aprovação de Biden ao declarar emergência autoriza o Departamento de Segurança Interna e a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências a coordenar todos os esforços de socorro em desastres e fornecer assistência para salvar vidas e proteger propriedades, saúde pública e segurança nos seguintes condados: Breckenridge, Bullitt, Caldwell, Fulton, Graves, Grayson, Hickman, Hopkins, Lyon, Meade, Muhlenberg, Ohio, Shelby, Spencer e Warren. A FEMA está autorizada a identificar, mobilizar e fornecer equipamentos e recursos necessários para enfrentar a emergência, com financiamento federal de 75%. Beshear estimou o número de mortos em mais de 70 e talvez chegue a 100 ou mais. O tornado mais mortal da história do Kentucky foi em 1890, quando 76 pessoas morreram no condado de Jefferson. Em 1974, um super surto de tornados matou mais de 70 em Kentucky ao longo de 24 horas.

  • Influenza e Ômicron: a nova fase da pandemia

    Entramos em 2022 com um novo desafio pela frente, o surgimento de uma variante extremamente infecciosa do Corona Vírus, a Ômicron e o aparecimento de uma variante do tipo A da gripe Influenza, a H3N2. O que esperar das próximas semanas? A variante ômicron está se espalhando rapidamente pelo mundo, no entanto, diferente de outras variantes que atingiram a população quando as taxas de vacinação eram menores, agora o índice de hospitalizações e de óbitos tem se mostrado menor —e, em alguns casos, sintomas mais leves têm se mostrado semelhantes a resfriado ou gripe. Mas por que sintomas mais leves? E por que o contágio é mais rápido? O que torna esta variante tão diferente das anteriores? De acordo com o pesquisador Carl Zimmer, que escreve para o New York Times, a variante Ômicron funciona de uma maneira fundamentalmente diferente de outras variantes. Por exemplo, digamos que você seja infectado pela variante Delta, ela irá entrar primeiro pelo nariz, se estabelece lá, e então começa a se multiplicar e se espalhar pelas vias aéreas. Caso o vírus entre em seus pulmões, poderá causar cicatrizes e dificuldade para respirar. Ele pode vazar dos pulmões para outro lugar, causar outras doenças realmente graves e, potencialmente, a morte. No entanto a Ômicron faz um péssimo trabalho de se multiplicar nos pulmões. Desta foma, quando os cientistas analisam os animais testados positivamente para Covid-19, o vírus não está nos pulmões. Os pulmões geralmente não estão danificados e, portanto, é uma diferença realmente impressionante em relação às outras variantes. Por outro lado, se você observar as células retiradas do revestimento das narinas, descobrirá que a variante Ômicron é realmente eficiente em infectá-las. Então, o que podemos estar observando é um vírus que está se especializando mais nas vias aéreas superiores, onde geralmente se manifestam doenças mais leves. Também está em um bom lugar para se espalhar para a próxima pessoa, porque está bem ali no nariz e pronto para se multiplicar. Influenza Tipo A, Variante H3N2 Por outro lado, o aumento de casos de infecções pelo vírus influenza no último trimestre deste ano tem atraído atenção para uma velha conhecida da humanidade. A gripe, como é chamada popularmente, tem gerado surtos regionais pelo país impulsionada pela introdução de uma nova cepa do subtipo A (H3N2), batizada de Darwin. Atualmente, são conhecidos três tipos de vírus influenza: A, B e C. Os dois primeiros são mais propícios a provocar epidemias sazonais em diversas localidades do mundo, enquanto o último costuma provocar alguns casos mais leves. O tipo A da influenza é classificado em subtipos, como o A (H1N1) e o A (H3N2). Já o tipo B é dividido em duas linhagens: Victoria e Yamagata. Embora possuam diferenças genéticas, todos os tipos podem provocar sintomas parecidos, como febre alta, tosse, garganta inflamada, dores de cabeça, no corpo e nas articulações, calafrios e fadiga. O vírus H3N2 é uma variante do vírus Influenza A, que é um dos principais responsáveis pela gripe comum e pelos resfriados, sendo facilmente transmitido entre pessoas por meio de gotículas liberadas no ar quando a pessoa gripada tosse ou espirra. Os sintomas são febre alta no início do contágio, inflamação na garganta, calafrios, perda de apetite, irritação nos olhos, vômito, dores articulares, tosse, mal-estar e diarreia, principalmente em crianças. Pelo fato de o influenza ser um vírus respiratório, assim como o que causa a Covid-19, a prevenção contra ele ocorre da mesma forma, ou seja, com distanciamento físico entre as pessoas, uso de máscara e higiene das mãos. O período de incubação do vírus H3N2 é de três a cinco dias, quando começa a manifestação dos sintomas. Porém, também é possível que uma pessoa tenha a doença de uma forma assintomática, sem apresentar nenhuma reação. Durante o período de incubação ou em casos de infecções assintomáticas, o paciente também pode transmitir a doença. O período de transmissão do vírus em crianças é de até 14 dias, enquanto nos adultos é de até sete dias. A doença pode começar a ser transmitida até um dia antes do início do surgimento dos sintomas. O período de maior risco de contágio é quando há sintomas, sobretudo febre. Fontes: Podcast The Daily do New York Times: https://www.nytimes.com/2022/01/03/podcasts/the-daily/omicron-variant-hospitalizations-cdc-isolation.html Gráficos do Our World Data: https://ourworldindata.org/grapher/covid-cases-omicron?country=GBR~FRA~BEL~DEU~ITA~ESP~USA~ZAF~BWA~AUS Imagem do Jornal Extra: https://extra.globo.com/noticias/rio/epidemia-de-influenza-vacinacao-no-rio-sera-retomada-amanha-25311796.html Dados sobre o Influenza Tipo A: https://bvsms.saude.gov.br/h3n2-novo-virus-influenza-em-circulacao-no-pais/

  • Metaverso e o futuro da comunicação

    O que é o Metaverso? Porque tantas pessoas estão falando sobre isso hoje em dia? Qual será o impacto do metaverso no cotidiano das pessoas em um futuro próximo? Vamos tentar responder à estas questões neste artigo. O termo metaverso foi cunhado no romance de ficção científica Snow Crash, de Neal Stephenson, escrito em 1992, onde os humanos, retratados como avatares programáveis, interagem uns com os outros em um espaço virtual tridimensional que é uma metáfora do mundo real. Stephenson usou o termo para descrever um sucessor da internet baseado em realidade virtual. Os usuários do metaverso o acessavam por meio de terminais pessoais que projetavam uma tela de realidade virtual de alta qualidade em óculos usados ​​pelo usuário, ou em terminais públicos. Stephenson descreve uma subcultura de pessoas que optam por permanecer continuamente conectadas ao metaverso, recebendo o apelido de "gárgulas" devido à sua aparência grotesca. Dentro do metaverso, os usuários individuais apareciam como avatares com diversas aparências, com a única restrição de altura, para evitar que as pessoas criassem gigantes. Definições No futurismo e na ficção científica, o termo é freqüentemente descrito como uma iteração hipotética da Internet, um mundo virtual único e universal que é facilitado pelo uso de fones de ouvido e óculos de realidade virtual aumentada. Vários metaversos foram desenvolvidos para uso popular, como plataformas de mundo virtual, um exemplo sendo o ambiente simulado chamado Second Life. Algumas iterações do metaverso envolvem a integração entre espaços virtuais e físicos e economias virtuais, muitas vezes incluindo um interesse significativo no avanço da tecnologia de realidade virtual. O termo tem visto uso considerável como uma palavra da moda com fins de relações públicas, exagerando o progresso de várias tecnologias e projetos relacionados. A privacidade da informação e a possibilidade de viciar os usuários são preocupações dentro dos metaversos, desafios já enfrentados pelas indústrias de mídia social e videogame como um todo. Realidade Virtual Em 2019, a empresa de rede social Facebook lançou um mundo de realidade virtual chamado Facebook Horizon. Em 2021, o Facebook foi renomeado para "Meta Platforms" e seu presidente Mark Zuckerberg declarou o compromisso da empresa em desenvolver um metaverso. A Microsoft adquiriu a empresa de VR AltspaceVR em 2017, e desde então implementou recursos do metaverso, como avatares virtuais e reuniões realizadas em realidade virtual no Microsoft Teams. Em 18 de Janeiro deste ano, a Microsoft também adquiriu a gigante dos games Activision Blizzard, criadora de sucessos como World of Warcraft, Overwatch, Diablo, Call of Duty e Candy Crush. Esta compra foi avaliada em 84 bilhões de dólares, sendo a transação mais valiosa de todos os tempos no mundo dos games e tem como objetivo facilitar a aproximação da Microsoft com o metaverso, devido à grande experiência da Blizzard em plataformas de interação social no mundo virtual. O que esperar? Existe uma grande possibilidade do Metaverso se tornar uma realidade nos próximos anos, com uma utilização em massa pela sociedade, inclusive muitos especialistas classificam o metaverso como o "futuro da internet", porém a vinda de uma plataforma social pouco regularizada, com grande liberdade individual pode desencadear problemas tais como a adicção, o crescimento da cultura do ódio e preconceito e a proliferação de golpes financeiros. Não que só hajam consequencias negativas em relação ao metaverso, porque ele apresenta uma grande oportunidade de conexão entre pessoas que mesmo a internet não providencia hoje. Talvez o futuro seja um resultado equilibrado dos prós e contras, como a maioria das inovações tecnológicas se mostrou, nada é garantido quando se trata de uma mudança tão grande na sociedade como esta. Fontes: Artigo em inglês sobre o Metaverso na wikipédia: https://en.wikipedia.org/wiki/Metaverse Vídeo da Jovem Pan News sobre o Metaverso: https://www.youtube.com/watch?v=1nfy3avo9Ag Artigo sobre o Metaverso e a Web 3: https://www.coindesk.com/layer2/2021/12/21/web-3-and-the-metaverse-are-not-the-same/ Podcast do The Daily sobre o metaverso: https://www.nytimes.com/2022/01/20/podcasts/the-daily/metaverse-microsoft-activision-blizzard.html?showTranscript=1

  • Birds Aren't Real: Desinformação contra desinformação

    Birds Aren't Real é uma teoria da conspiração em forma de sátira a qual afirma que os pássaros são na verdade drones operados pelo governo dos Estados Unidos para espionar cidadãos americanos. Em 2018, a jornalista Rachel Roberts descreveu Birds Aren't Real como "uma piada que milhares de pessoas contam ao mesmo tempo". O movimento de conspiração fake é apoiado principalmente por jovens que alegam que os pássaros não são reais, mas na verdade foram substituídos por drones do governo na década de 1970. Na tradição da conspiração, cada pássaro é na verdade uma ferramenta de vigilância do estado. É uma paródia de conspiração. Um movimento social satirizado. As pessoas sabem que isso não é real. Em um mundo dominado por teorias da conspiração online, os jovens se uniram em torno do esforço de lutar contra a desinformação. É a tentativa da Geração Z de derrubar a ignorância usando o bizarro. "É uma maneira de combater problemas no mundo que você realmente não tem outras maneiras de combater", diz Claire Chronis, 22, organizadora do Birds Aren't Real em Pittsburgh. “Minha maneira favorita de descrever a organização é lutar contra a loucura usando a loucura.” Como surgiu? No centro do movimento está Peter McIndoe, 23, um estudante de Memphis que criou Birds Aren't Real por puro tédio em 2017. Por anos, ele permaneceu no personagem como o principal crente da teoria da conspiração. Mas agora McIndoe diz que está pronto para revelar a paródia para que as pessoas não pensem que os pássaros são realmente drones. Durante sua infância e adolescência, Peter cresceu cercado de teorias da conspiração, em uma comunidade profundamente conservadora e religiosa na zona rural do Arkansas. Ele foi educado em casa, ensinado que “a evolução foi um plano maciço de lavagem cerebral dos democratas e Obama era o Anticristo”, disse ele. No ensino médio, as mídias sociais lhe ofereceram uma porta de entrada para a cultura moderna. McIndoe começou a assistir Philip DeFranco e outros YouTubers populares que falavam sobre eventos atuais e cultura pop, e foi ao Reddit para encontrar novos pontos de vista. “Fui criado pela internet, porque foi lá que acabei encontrando muito da minha educação do mundo real, por meio de documentários e YouTube”, disse McIndoe. “Toda a minha compreensão do mundo foi formada pela internet.” Quando McIndoe saiu de casa para a Universidade do Arkansas em 2016, disse ele, percebeu que não era o único jovem forçado a enfrentar várias realidades. Então, em janeiro de 2017, McIndoe viajou para Memphis para visitar amigos. Donald Trump tinha acabado de tomar posse como presidente, e houve uma marcha das mulheres no centro da cidade. Os contramanifestantes pró-Trump também estavam lá. Quando McIndoe os viu, disse ele, arrancou um pôster da parede, virou-o e escreveu três palavras aleatórias: “Pássaros não são reais”. “Foi uma piada espontânea, mas foi um reflexo do absurdo que todos estavam sentindo”, disse ele. McIndoe então improvisou o folclore da conspiração Birds Are Not Real. Ele disse que fazia parte de um movimento maior que acreditava que os pássaros foram substituídos por drones de vigilância e que o acobertamento começou na década de 1970. Sem que ele soubesse, ele foi filmado e o vídeo postado no Facebook. Tornou-se viral, especialmente entre os adolescentes do Sul. Tão bizarro que confunde os conspiracionistas A maioria dos membros do Birds Aren't Real cresceu em um mundo invadido por desinformação. Alguns têm parentes que foram vítimas de teorias da conspiração. Então, para os membros da Geração Z, o movimento se tornou uma maneira de lidar coletivamente com essas experiências. Ao fazer cosplay de teóricos da conspiração, eles encontraram comunidade e acolhimento, disse McIndoe. Cameron Kasky, 21, ativista de Parkland, Flórida, que ajudou a organizar o protesto estudantil March for Our Lives contra a violência armada em 2018 e está envolvida em Birds Aren't Real, disse que a paródia "faz você parar por um segundo e rir . Em um momento excepcionalmente sombrio para a humanidade, não faz mal ter algo para rir juntos.” Os membros do Birds Are Not Real também se tornaram uma força política. Muitos vezes se juntam a contramanifestantes e teóricos da conspiração reais para diminuir as tensões e deslegitimar as pessoas que estão marchando ao lado com gritos de protesto irreverentes. Em setembro, logo após a entrada em vigor de uma nova lei de aborto restritiva no Texas, membros do Birds Aren't Real apareceram em um protesto realizado por ativistas antiaborto na Universidade de Cincinnati. Os defensores da nova lei “tinham cartazes com imagens muito gráficas e eram muito agressivos ao condenar as pessoas”, disse McIndoe. “Isso levou a discussões.” Mas a Brigada dos Pássaros começou a cantar: “Pássaros não são reais”. Seus gritos ensurdecedores logo ultrapassaram os gritos dos ativistas anti-aborto, que foram embora. McIndoe agora tem grandes planos para 2022. Quebrar o personagem é necessário para ajudar Birds Aren't Real a saltar para o próximo nível e renunciar a teóricos da conspiração reais, disse ele. Ele acrescentou que espera colaborar com grandes criadores de conteúdo e mídia independente como o Channel 5 News, que visa ajudar as pessoas a entender o estado atual da América e da Internet. “Estou muito entusiasmado com o que o futuro disso pode ser como uma força real para o bem”, disse ele. “Sim, temos espalhado desinformação intencionalmente nos últimos quatro anos, mas é com um propósito. Trata-se de segurar um espelho para os Estados Unidos na era da internet.” Fontes: Reportagem e podcast do New York Times sobre o movimento: https://www.nytimes.com/2021/12/09/technology/birds-arent-real-gen-z-misinformation.html https://www.nytimes.com/2022/02/09/podcasts/the-daily/why-would-anybody-claim-that-birds-arent-real.html

  • Conflito na Ucrânia: forças russas invadem após declaração de Putin na TV

    Forças russas lançaram um ataque militar à vizinha Ucrânia, cruzando suas fronteiras e bombardeando alvos militares perto de grandes cidades. Em um comunicado feito pela TV antes do amanhecer, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que a Rússia não planeja ocupar a Ucrânia e exigiu que seus militares deponham as armas. Momentos depois, foram relatados ataques a alvos militares ucranianos. A Ucrânia disse que "Putin lançou uma invasão em grande escala no país". Os militares da Rússia romperam a fronteira em vários lugares, no norte, sul e leste, inclusive vindos da Bielorrússia, um aliado russo de longa data. Pelo menos sete pessoas foram mortas, incluindo civis, porém um assessor presidencial ucraniano disse que mais de 40 soldados morreram e dezenas ficaram feridos. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou que a lei marcial estava sendo imposta em toda a Ucrânia e, em seguida, cortou todas as relações diplomáticas com a Rússia. "Sem pânico. Somos fortes. Estamos prontos para qualquer coisa. Vamos derrotar todos, porque somos a Ucrânia", disse ele em um comunicado em vídeo. Antes do ataque da Rússia, ele fez uma última tentativa de evitar um conflito, alertando que a Rússia poderia iniciar "uma grande guerra na Europa" e instando os cidadãos russos a se oporem a ela. Sirenes de alerta soaram em toda a capital, que tem uma população de quase três milhões. O trânsito fez fila para a cidade durante a noite e deixou o metrô buscaram o abrigo nas estações de Kiev. Vários países vizinhos iniciaram os preparativos para acolher um grande número de refugiados. "Não entendemos o que devemos fazer agora", disse uma mulher chamada Svetlana à BBC. "Agora estamos indo para um lugar onde podemos estar seguros e podemos sair em segurança. Temos familiares em Mariupol e agora eles estão muito nervosos." Um homem foi morto quando as cidades russas bombardearam a Chuhuiv, nos arredores da grande cidade de Kharkiv. Alvos das forças militares russas A Rússia lançou ataques à infra-estrutura militar e às unidades de guarda de fronteira da Ucrânia, de acordo com Zelensky. Em seguida, as forças ucranianas disseram que veículos militares russos cruzaram a fronteira perto de Kharkiv no norte, Luhansk no leste, Criméia anexada à Rússia no sul e também vindos da Bielorrússia. O líder autoritário da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, disse que os militares de seu país não estão envolvidos, mas podem estar, se necessário. Tanques russos foram vistos mais tarde nos arredores de Kharkiv, uma cidade de 1,4 milhão de pessoas. As forças russas também teriam desembarcado por mar nas principais cidades portuárias da Ucrânia, Odessa, no Mar Negro, e Mariupol, no Mar interno de Azov. O Exército ucraniano disse que o aeroporto internacional Boryspil, em Kiev, está entre vários aeródromos que foram bombardeados, juntamente com quartéis-generais e armazéns militares nas cidades de Kiev, Dnipro, Kharkiv e Mariupol. Zelensky disse que a Rússia posicionou quase 200 mil soldados e milhares de veículos de combate nas fronteiras da Ucrânia. O líder russo lançou uma "operação militar especial" repetindo uma série de alegações infundadas que fez esta semana, incluindo alegar que o governo democraticamente eleito da Ucrânia foi responsável por oito anos de genocídio. Ele disse que o objetivo era a desmilitarização e a "desnazificação" da Ucrânia. Horas antes, o presidente da Ucrânia havia perguntado como um povo que perdeu oito milhões de cidadãos lutando contra os nazistas apoia o nazismo. "Como eu poderia ser um nazista?" disse Zelensky, que também é judeu. Houve uma resposta imediata à invasão dos países vizinhos. Na república báltica da Estônia, que faz fronteira com a Rússia, a primeira-ministro Kaja Kallas disse que vários aliados da Otan que compartilhavam fronteiras com a Rússia concordaram em iniciar consultas sob o Artigo 4 da Otan alegando que seu território está sob ameaça. "A agressão generalizada da Rússia é uma ameaça para o mundo inteiro e para todos os países da Otan", disse ela. Enquanto os carros faziam fila na fronteira da Ucrânia com a Moldávia, a presidente pró-UE do país, Maia Sandu, disse que estava declarando estado de emergência e estava preparada para ajudar dezenas de milhares de ucranianos. O presidente lituano Gitanas Nauseda também disse que estava assinando um estado de emergência a ser aprovado pelo parlamento. "Presidente Putin, em nome da humanidade, traga suas tropas de volta à Rússia", disse o secretário-geral da ONU, António Guterres. Os aliados ocidentais da Ucrânia alertaram repetidamente que a Rússia estava prestes a invadir, apesar das repetidas negações de Moscou. Os EUA, a UE, o Reino Unido e o Japão impuseram sanções contra líderes russos, bancos e deputados que apoiaram a medida. O presidente dos EUA, Joe Biden, disse que Washington e seus aliados responderão à invasão de forma unida e decisiva a "um ataque não provocado e injustificado das forças militares russas" à Ucrânia. "O mundo responsabilizará a Rússia", acrescentou. A chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a UE está ao lado da Ucrânia, enquanto o chefe de política externa, Josep Borrell, disse que "estes estão entre os momentos mais sombrios para a Europa desde a Segunda Guerra Mundial". Os 27 líderes da UE devem realizar uma reunião de cúpula de emergência ainda nesta quinta-feira. Fontes: Reportagem da BBC: https://www.bbc.com/news/world-europe-60503037 Reportagem da CNN: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/russia-ataca-a-ucrania-explosoes-sao-ouvidas-em-varias-cidades/

  • A Turquia e o autoritarismo de Erdogan

    Como que um dos poucos países de tradição islâmica que não é considerado um estado religioso é hoje governado de forma autoritária? Em 2014, se inicia o governo de Recep Tayyip Erdogan, o atual presidente, que controla com mão de ferro a Turquia, prendendo não só opositores como praticamente qualquer pessoa que discorde de seu governo. Nesta segunda (25), um tribunal turco condenou o ativista e filantropo Osman Kavala à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional por acusações altamente controversas de tentar derrubar o governo. Os veredictos decorrem de alegações de que Kavala financiou uma onda de protestos contra o governo no parque de Gezi em 2013 e desempenhou um papel na tentativa de golpe militar de 2016 no país. “Estas são teorias da conspiração elaboradas por motivos políticos e ideológicos”, disse Kavala ao tribunal momentos antes da sentença. O caso agora vai para o tribunal de apelações e pode seguir para o Supremo Tribunal Federal. O "golpe de estado" de 2016 O chamado "golpe de 2016" ocorreu na Turquia contra instituições estatais, incluindo o governo do presidente Erdogan. A tentativa foi realizada por uma facção dentro das Forças Armadas turcas que se denominavam como o Conselho de Paz em Casa. Eles tentaram tomar o controle de vários lugares em Ancara, Istambul, Marmaris e em outras regiões, como a entrada asiática da Ponte do Bósforo, mas não conseguiram fazê-lo depois que as forças leais ao estado os derrotaram. O Conselho citou como motivos a erosão do secularismo, a eliminação do regime democrático, o desrespeito pelos direitos humanos e a perda de credibilidade da Turquia na arena internacional como razões para o golpe. O governo disse que os líderes do golpe estavam ligados ao movimento Gülen, que é designado como uma organização terrorista pela República da Turquia e é liderado por Fethullah Gülen , um Empresário turco e estudioso que mora na Pensilvânia (EUA). O governo turco alegou que Gülen estava por trás do golpe (o que Gülen negou) e que os Estados Unidos o estavam abrigando. Os eventos que cercam a tentativa de golpe e os expurgos que se seguiram refletem uma complexa luta pelo poder entre as elites na Turquia. ”Evidentemente, houve uma tentativa de golpe”, analisa o coordenador do NEOM (Núcleo de Estudos do Oriente Médio) da UFF (Universidade Federal Fluminense), Paulo Hilu. No entanto, segundo o especialista, não é possível afirmar categoricamente se o levante foi forjado ou não. — É uma troca de acusações. O Erdogan desde o início acusou o Gülen. A questão é que, obviamente, o fracasso do golpe beneficia o Erdogan, porque dá a oportunidade para ele se livrar de focos de descontentamento com seu governo, tanto dentro do exército quanto do judiciário. Durante a tentativa de golpe, mais de 300 pessoas foram mortas e mais de duas mil ficaram feridas. Muitos edifícios governamentais, incluindo o Parlamento turco e o Palácio Presidencial , foram bombardeados do ar. Seguiram-se prisões em massa , com pelo menos 40.000 detidos, incluindo pelo menos 10.000 soldados e, por razões que permanecem obscuras, 2.745 juízes. 15.000 funcionários da educação também foram suspensos e as licenças de 21.000 professores que trabalhavam em instituições privadas foram revogadas depois que o governo declarou que eles era leais a Gülen. Mais de 77.000 pessoas foram presas e mais de 160.000 demitidas de seus empregos, em relatos de conexões com Gülen. Os números de prisões e a atitude do governo de Erdogan durante essa época e até hoje corroboram a visão de que hoje o governo turco é autoritário, reprimindo qualquer voz que pareça destoante do que as autoridades falam sobre conduzir o país. O governo presidencial centralizado da Turquia recuou décadas em seu histórico de direitos humanos, disse a Human Rights Watch (HRW) em sua revisão anual dos direitos humanos, informou o Stockholm Center for Freedom. De acordo com o relatório o governo de Erdogan continuou a visar os críticos e opositores políticos do governo, minando profundamente a independência do poder judiciário e esvaziando as instituições democráticas. O relatório da HRW criticou a prisão contínua do filantropo e empresário Osman Kavala, apontando que sua detenção por supostamente dirigir e financiar os protestos do Parque Gezi de 2013 e por suposto envolvimento no golpe fracassado em julho de 2016 é na verdade uma justificativa em busca de um “motivo oculto”, o de silenciá-lo como defensor dos direitos humanos. Quem é Osman Kavala? Nascido em 1957 na cidade de Paris, Kavala estudou Economia na Universidade de Manchester, no Reino Unido, antes de tomar as rédeas dos negócios da família na Turquia quando o pai faleceu, em 1982. Célebre por apoiar projetos culturais relacionados aos direitos de minorias, como a questão curda e a reconciliação armeno-turca, ele se dedicou progressivamente à publicação de livros, à arte e à cultura. Em 18 de outubro de 2017, Osman Kavala foi detido no Aeroporto Atatürk de Istambul após sua visita a Gaziantep para um projeto conjunto com o Instituto Goethe. Em 25 de outubro de 2017, o jornal Daily Sabah, próximo ao governo Erdoğan, acusou-o de ser um "magnata dos negócios com antecedentes obscuros" e ter contatos com o "Grupo Terrorista de Gülen". Esta foi a primeira vez que Kavala foi detido pelo governo turco, mas não a última. O empresário foi preso pelo menos 4 vezes nos últimos anos, até sua condenação nesta semana, que foi recebida pela mídia internacional como um ataque aos direitos humanos na Turquia e uma ação autoritária do presidente Erdogan. Os Estados Unidos disseram estar “profundamente preocupados e desapontados” com a condenação e sentença de Kavala e pediram sua libertação. “O povo da Turquia merece exercer seus direitos humanos e liberdades fundamentais sem medo de represálias”, disse Ned Price, porta-voz do Departamento de Estado, em comunicado. “O direito de exercer a liberdade de expressão, reunião pacífica e associação está consagrado na constituição da Turquia e suas obrigações de direito internacional e compromissos da OSCE (Organização para Segurança e Cooperação na Europa). Instamos o governo a cessar os processos por motivos políticos e a respeitar os direitos e liberdades de todos os cidadãos turcos”. O Tribunal Europeu de Direitos Humanos havia ordenado sua libertação imediata em um veredicto emitido ainda em dezembro de 2019, determinando que seus direitos foram violados pelo Estado turco. Kavala disse que os comícios contra o governo, amplamente chamados de protestos de Gezi, foram protegidos pela liberdade de expressão. Os protestos começaram em 2013 como uma pequena manifestação contra a demolição de um parque de Istambul e se transformaram em distúrbios antigovernamentais em todo o país, nos quais oito manifestantes e dois policiais foram mortos. O tribunal europeu também disse que os promotores não têm provas de que Kavala tenha desempenhado um papel na tentativa de golpe de 2016, que foi realizada por uma facção das forças armadas turcas e levou à morte de 241 pessoas. O órgão de fiscalização dos direitos humanos do Conselho da Europa, o Comitê de Ministros, disse em fevereiro que o caso será remetido ao mais alto tribunal europeu. Tanto o Tribunal Europeu de Direitos Humanos quanto o comitê funcionam sob o Conselho da Europa, uma organização internacional focada em direitos da qual a Turquia é membro fundador. Erdogan diz que Kavala é um agente do esquerdista do bilionário e filantropo americano nascido na Hungria George Soros, que investiu bilhões de seu próprio dinheiro para bancar projetos de defesa dos direitos humanos e iniciativas de promoção de valores democráticos liberais ao redor do mundo. Conclui-se que Erdogan hoje não se importa mais com a forma como o regime é visto pelo resto do mundo, deixando cada vez mais claro que a Turquia se encaminha para virar uma ditadura, no modelo da Rússia e outras nações com governos autoritários, no que talvez seja seja lembrado no futuro como uma das épocas sombrias do país que liga a Europa ao Oriente Médio. Fontes: Matéria da Al-Jazeera sobre a prisão de Osman Kavala: https://www.aljazeera.com/news/2022/4/25/turkish-court-sentences-activist-osman-kavala-to-life-in-prison Artigo sobre Osman Kavala: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2022/04/25/quem-e-osman-kavala-bilionario-turco-e-inimigo-de-erdogan-condenado-a-prisao-perpetua.htm Artigo da Wikipédia sobre o golpe de 2016: https://en.wikipedia.org/wiki/2016_Turkish_coup_d%27%C3%A9tat_attempt Reportagem sobre o golpe de 2016: https://noticias.r7.com/internacional/presidente-da-turquia-pode-ter-forjado-golpe-militar-afirmam-especialistas-19072016 Artigo sobre direitos humanos na Turquia: http://vozdaturquia.com/politica/2022/01/14/governo-de-erdogan-e-retrocesso-de-decadas-para-os-direitos-humanos-na-turquia/

  • Sindicalização das Big Techs: Insatisfação e desejo de mudança

    A indústria em geral sempre foi hostil à sindicalização, beneficiando muitas vezes o patrão e não o funcionário. Um novo grupo de líderes mais jovens está tentando mudar isso. No início de 2021, alguns funcionários do Google disseram que estavam formando um sindicato. Muitas pessoas ficaram intrigadas com a notícia, por que os trabalhadores de uma empresa conhecida por altos salários e almoços grátis deveriam se sindicalizar? Mas a medida é apenas a mais recente de uma batalha crescente por justiça, ética e direitos trabalhistas em grandes empresas de tecnologia que vão muito além de salários e benefícios. Google, Amazon, Apple e Facebook estão entre as maiores e mais poderosas empresas da história, com centenas de milhares de funcionários, muitos terceirizados. Porém um dos problemas nesse modelo de trabalho é a falta de direitos trabalhistas. Os faxineiros que fazem a limpeza dos escritórios usados pelos funcionários do Google não recebem os mesmos benefícios e proteções que o restante dos colaboradores. Muitos trabalhos de colarinho branco, como escrever código, vender software e revisar conteúdo, também são feitos por terceiros. A luta sindical nos armazéns da Amazon no início deste ano se tornou uma das lutas trabalhistas de maior destaque nos últimos anos. A necessidade de políticas mais fortes contra o assédio sexual e mais apoio a mulheres e outras minorias levou a mudanças nas gigantes da tecnologia. A decisão do Google em dezembro de demitir sua pesquisadora-chefe de inteligência artificial – uma das mulheres negras mais proeminentes no campo – provocou protestos generalizados contra a censura de pesquisas críticas ao Google, exigindo uma investigação sobre demissões de funcionários que não tem medo de falar sobre seus empregadores. Há outro elemento-chave em jogo, no entanto. Alguns trabalhadores não gostam do papel que suas empresas têm na sociedade e funcionários do Twitter, Facebook e YouTube do Google tem tentado pressionar seus chefes para reprimir conteúdo abusivo, racista e sexista em suas plataformas. Um bom exemplo aconteceu em janeiro do ano passado, quando o Twitter baniu o presidente Donald Trump de seu site depois que 350 funcionários escreveram uma carta exigindo uma investigação sobre as decisões da empresa de manter Trump em sua plataforma. No final das contas, a crescente tensão entre trabalhadores e gerentes representa uma luta pelo poder à medida que gigantes da tecnologia, alguns dos quais começaram com visões idealistas, emergiram como gigantes corporativos que pouco assumem suas responsabilidades com os funcionários e com a sociedade. O Caso Amazon Em abril deste ano uma equipe de trabalhadores da Amazon forçou a gigante da tecnologia a reconhecer um sindicato pela primeira vez na história. Os trabalhadores de um armazém de Nova York votaram 55% a favor de ingressar no Sindicato dos Trabalhadores da Amazon. O grupo é liderado pelo ex-funcionário da Amazon Chris Smalls, que fez seu nome protestando contra as condições de segurança da gigante do varejo durante a pandemia. A vitória de Smalls marca uma grande derrota para a Amazon, que lutou ferozmente contra a sindicalização. No entanto, no Alabama, onde a Amazon enfrentava uma campanha sindical separada, a empresa parecia ter repelido ativistas em uma disputa acirrada na qual as cédulas contestadas ainda poderiam anular esse resultado. Juntas, as duas eleições marcam um marco para os ativistas, que há muito criticam as práticas trabalhistas na Amazon, a segunda maior empregadora do país. Smalls emergiu da contagem de votos parecendo cansado, mas exultante, e abriu uma garrafa de champanhe que foi entregue por apoiadores. "Fizemos o que foi preciso para nos conectar com esses trabalhadores", disse ele à multidão, relatando uma campanha contra as probabilidades que começou com "duas mesas, duas cadeiras e uma barraca" e contou com uma campanha de arrecadação de fundos online. "Espero que todos estejam prestando atenção agora, porque muitas pessoas duvidaram de nós." Em comunicado, a Amazon disse estar decepcionada com a perda em Nova York e que está avaliando como proceder. Também acusou os organizadores de influenciar indevidamente a votação. "Acreditamos que ter um relacionamento direto com a empresa é o melhor para nossos funcionários", disse a empresa. Por que as Big Techs temem a sindicalização? Nos últimos 40 anos, à medida que o número de trabalhadores sindicalizados vem caindo, o Vale do Silício há muito retrata os sindicatos como uma ameaça à sua reputação de inovação e flexibilidade. "As empresas de tecnologia recrutaram pessoas prometendo-lhes que trabalhariam em um tipo diferente de empresa – uma que seja, acima de tudo, transparente e com a missão de tornar o mundo um lugar melhor”, explica Margaret O'Mara , professora de história da Universidade de Washington. "Esses funcionários estão agora exigindo que seus empregadores cumpram as promessas que fizeram”, diz O'Mara. Quando essas demandas por padrões mais altos não foram atendidas, os trabalhadores de tecnologia começaram a se reunir como um coletivo para se manifestar contra práticas antiéticas ou imorais e responsabilizar as empresas por suas ações Sempre vendendo seus ambientes de trabalho como "legais e descolados", as grandes empresas de tecnologia há muito abusam de jornadas de trabalho extenuantes, numa cultura que normaliza sugar o máximo que podem dos funcionários com uma remuneração muitas vezes inadequada. Somando-se à isso, as crescentes denúncias de assédio moral e outros problemas como a falta de benefícios para terceiros tem feito as gigantes da tecnologia temerem a criação de sindicatos, que trariam uma nova força para dentro de seu meio, capaz de investigar e efetivamente trazer para a grande mídia a desigualdade e as injustiças praticadas num ambiente de trabalho cada vez mais tóxico e estressante. Texto escrito por Eliézer Fernandes Fundador do Zero Águia, é desenvolvedor de software, formado em Segurança da Informação pela FATEC e fascinado por história e relações internacionais. Fontes: Matéria sobre a sindicalização das big techs do Washington Post: https://www.washingtonpost.com/technology/2021/01/26/tech-unions-explainer/ Reportagem da BBC sobre o primeiro sindicato norte-americano da Amazon: https://www.bbc.com/news/business-60944677 Artigo da Union Track sobre sindicatos e a indústria de tecnologia: https://uniontrack.com/blog/big-tech-unions

  • Austrália: Nem todos são bem-vindos

    Milhares de refugiados buscaram asilo na Austrália na última década, sendo as principais forças motrizes por trás dessa movimentação a guerra, fome e a perseguição. Porém a política de vistos do atual governo é deter as pessoas que entram ou estão na Austrália sem um visto válido até que possam ser devolvidas ao seu país de origem. A geografia da Austrália a torna um destino ideal para os refugiados chegarem de barco do sul da Ásia, Indonésia e Pacífico e até de lugares mais distantes devastados por conflitos. De fato, um bom número dos um milhão de refugiados que deixaram a Síria buscaram segurança no país hostil que é a Austrália. Infelizmente, para esses requerentes a asilo, há um consenso político na Austrália a favor de um abandono dos deveres éticos como nação. Os temores de que a população seja inchada por milhões das pessoas mais desesperadas do mundo provocaram medidas draconianas por parte das autoridades australianas, algumas das quais ultrapassam os limites da legalidade. Muitos observadores suspeitam que isso esteja relacionado a uma cultura nas autoridades de fronteira australianas, na qual eles são instruídos a rebocar barcos cheios de refugiados de volta ao seu país de partida sem sequer avaliar os pedidos de asilo. Uma atmosfera na qual quaisquer refugiados “aceitos” são enviados para “centros de processamento” offshore, onde seus direitos são tão limitados que eles só podem fazer um telefonema de um minuto por semana. Não há nada na atitude da Austrália em relação aos requerentes a asilo que trate os imigrantes, de alguma forma, como seres humanos com direito a pelo menos um vestígio de respeito. Mesmo com o argumento de que: a Austrália simplesmente não pode acomodar o grande número de refugiados que viajam ao país se 'abrandassem' as políticas de imigração, não há justificativa para rebocar mulheres e crianças de volta para regiões onde estariam sob ameaça, ou ignorar um pedido de socorro de um barco cheio de pessoas se afogando. Leis que regem o Asilo na Austrália Historicamente, a Austrália já foi vista como líder mundial no reassentamento de refugiados, com mais de 870 mil refugiados reassentados no país desde a Segunda Guerra Mundial. Entretanto, o processamento de pessoas em busca de asilo, que chegam à Austrália com intuito de se realocarem, sofreu mudanças significativas na última década. Embora a Lei de Migração de 1958 tenha sido elaborada anteriormente para dar efeito às obrigações da Austrália sob o direito internacional, as recentes emendas legislativas por sucessivos governos desacoplaram a Lei de dar efeito à Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados. Isso resultou em um abrandamento do impacto da Convenção na interpretação da Lei, levando o governo a desistir do protocolo estabelecido no acordo internacional. O programa humanitário da Austrália é complexo, mas a estrutura básica é uma bifurcação entre o processamento onshore e offshore de pedidos de asilo. Embora o programa humanitário onshore seja comum na maioria dos signatários da Convenção de Refugiados de 1951, é a política de detenção offshore da Austrália que é a mais controversa e amplamente criticada pelos membros da sociedade civil. Imigrantes brasileiros O Zero Águia teve a oportunidade de conversar com um imigrante brasileiro que morou na Austrália de 2013 a 2020. Rafael foi para Brisbane com visto de estudante. Lá ele trabalhou como lavador de pratos e posteriormente conseguiu um trabalho como motorista de caminhão. No relato de Rafael, ele deixa bem claro que a Austrália recebe muitos imigrantes, de diversos lugares do mundo. Em sua estadia no país, ele dividiu quarto com asiáticos, europeus e latino-americanos, entre outros. Em diversos pontos durante a conversa, Rafael mencionou que os brasileiros são bem vistos pelos australianos, pelo fato de se integrarem à cultura, e deixarem os australianos participarem dos eventos da comunidade brasileira. Isso tem tornado o povo australiano mais receptivo aos brasileiros. Todavia, mesmo assim, Rafael relata que já ouviu a famosa frase: "O que você veio fazer no meu país?", mostrando que mesmo os imigrantes legais trabalhando, ainda assim, sofrem preconceito e xenofobia. Eleições de 2022 e a possibilidade de mudança O líder da oposição trabalhista australiana, Anthony Albanese, reivindicou sua vitória nas eleições, realizadas no dia 21 de Maio, pondo fim a nove anos de governos conservadores. Além de problemas relacionados ao clima, esta eleição se concentrou no caráter dos líderes. O ex-primeiro-ministro, Scott Morrison, era profundamente impopular entre os eleitores e parecia reconhecer isso quando admitiu durante a última semana da campanha que tinha sido "um pouco de trator" em seu governo, refletindo afirmações sobre seu estilo de liderança como mais autoritário do que colaborativo. Com a mudança de poderes na Austrália, abre-se uma oportunidade para que o país reveja suas políticas e leis em relação à imigrantes e refugiados, corrigindo décadas de maus-tratos a refugiados e infrações de direitos humanos, que são pouco reportados na mídia internacional. Texto escrito por Eliézer Fernandes Fundador do Zero Águia, é desenvolvedor de software, formado em Segurança da Informação pela FATEC e fascinado por história e relações internacionais. Fontes: Artigo do Shout Out UK sobre o tratamento de refugiados na Austrália: Australia Gets Cruel On Refugees - Shout Out UK Definições sobre o asilo na Austrália, Wikipédia: Asylum in Australia - Wikipedia Conversa on-line via Whatsapp com imigrante brasileiro na Austrália, Rafael. Reportagem sobre o resultado das eleições australianas: Australia election results: Labor leader Anthony Albanese will be the country's next Prime Minister - CNN

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