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  • Policial saca arma para jovem em metrô: a outra face do armamento no Brasil

    Na sexta-feira, dia 11 de fevereiro, um vídeo viralizou nas redes sociais: um homem ameaçando outro com uma arma de fogo na estação Engenheiro Goulart, que atende as linhas 12-Safira e 13-Jade da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). O vídeo mostrando a cena viralizou nas redes sociais: um homem ameaçando outro com uma arma de fogo na estação Engenheiro Goulart, que atende as linhas 12-Safira e 13-Jade da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Tratava-se de um policial, que sacou uma arma dentro do vagão do metrô pois, de acordo com passageiros, após empurrões e uma discussão os ânimos se exaltaram e, quando o homem (que está agachado na foto) foi abrir a mochila, o policial pensou que o mesmo tiraria uma arma da bolsa e foi pra cima se defender, conforme palavras dele. Pessoas gritavam e corriam, causando desespero e medo em quem passava por ali. Essa foto e o vídeo que circula na internet mostram, além da instabilidade mental de alguns membros da polícia paulista, a outra face do armamento no Brasil. Somente no ano de 2021 a PF (Polícia Federal) registrou 188.505 novas armas de fogo entre os meses de janeiro e novembro, representando uma alta de 6,2% em relação a 2020. Essa alta confirma a tendência do governo atual, o qual facilita a posse de armas aos cidadãos brasileiros. No final de 2021, o presidente Jair Bolsonaro fez uma menção a esses números, comemorando e relacionando erroneamente a redução na criminalidade no início da pandemia. “Desde quando assumimos, todos os índices de homicídios, estupros, latrocínios, roubo de veículos e cargas, invasão de fazendas, entre outros, caíram”. Isso não é verdade. De 2019 para 2020, a criminalidade aumentou em 4%. A grande problemática nesse assunto é que o ser humano não tem estabilidade emocional e psicológica para ter uma arma. Sabe-se que, para ter o porte de arma, a pessoa precisa pagar altas taxas, além do valor exorbitante de uma arma, e faz exames psicológicos e avaliações para adquiri-la. Mas a arma, a partir do momento em que é liberada para um cidadão comum, pode ter outros fins. Já vimos casos de pessoas em posse de armas causarem mortes no trânsito, pais que têm armas em casa e os próprios filhos causam acidentes fatais, seja em brincadeira com amigos ou até brigas no lar. É inconsequente e incoerente essa liberação desenfreada de armas porque, ademais das tragédias cotidianas que elas causam, estudos apontam que armas compradas legalmente muitas vezes vão parar nas mãos de criminosos. O Instituto Sou da Paz mostra que entre os anos de 2011 e 2020, analisando quase 24 mil ocorrências policiais, foi descoberta uma relação surpreendente entre os modelos mais roubados, furtados e extraviados e os tipos de armas encontrados com os criminosos. A flexibilização na compra de armas e na compra de munição aumentou o desvio de armas, com a venda ilegal de armas legais, já que podem ser forjados documentos ou cidadãos podem comprar o objeto simplesmente para revender. A frouxidão na lei para aquisição de armamento de fogo, a falta de preparo dos profissionais que vendem as armas na verificação de documentos e licenças, e a barbárie defendida pelo governo, incentiva os cidadãos a resolver tudo na base da violência, em uma sociedade onde a arma é mais valorizada que a vida e o pensamento crítico. Fontes: https://noticiando.net/policial-militar-saca-arma-para-outro-passageiro-em-estacao-da-cptm/ https://veja.abril.com.br/brasil/brasil-triplica-registro-de-armas-novas-durante-o-governo-bolsonaro/ https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/02/13/exclusivo-armas-compradas-legalmente-vao-parar-nas-maos-de-criminosos-aponta-levantamento.ghtml

  • Histórias de Refúgio: Nicarágua

    Hoje iremos contar a história de uma nicaraguense, que chamaremos de Nadia Jorge (nome fictício para preservar sua identidade). Nadia tem 30 anos, e viveu horrores pouco conhecidos no Brasil: fugir de seu próprio país por ameaças de violação de direitos e, do dia para a noite, tornou-se uma refugiada na Costa Rica. “Infelizmente a ignorância e a falta de estudos de um povo pode fazer com que tome decisões errôneas referentes a escolher presidentes ou líderes que governam um país ou uma cidade”, assim começa Nadia em sua fala dolorida, relembrando a fuga de seu país. O depoimento da mulher nascida na Nicarágua fala sobre o governo do presidente Daniel Ortega, que está há mais de 11 anos no poder devido a, segundo ela, subterfúgios para a sua manutenção na presidência do país. De acordo com Nadia, nunca houve eleições transparentes na Nicarágua, já que Ortega sempre manipulou resultados com ajuda de mais de metade das empresas que estão na Nicarágua, que são apoiadoras da família Ortega Murillo. O começo: Terra dos Campesinos No ano de 2018, Nadia e seu esposo Elton estavam trabalhando quando seus colegas os aconselharam a voltar para casa com muito cuidado naquela noite, pois haviam muitos protestos nas ruas. As notícias sobre um possível levante da população começaram a se espalhar. Dias antes, o presidente Ortega havia ordenado o desmatamento da parte sul da reserva biológica Índio Maiz e simulado um incêndio, a fim de tirar todas as árvores do local sem levantar suspeitas. Ao saber dessa manipulação, os ambientalistas protestaram contra esse ato, sendo totalmente ignorados pelo governo. Além desse desmatamento, Daniel Ortega estava mobilizando forças para tirar os campesinos, como são chamadas as pessoas que vivem na zona rural nos países da América Central, de suas terras. Ortega fez um acordo com a China para construir nessa área uma grande ponte que ligasse a Nicarágua ao Panamá e a outra parte do Caribe - projeto esse que não foi concluído. O governo na época se propôs a pagar um valor que era muito inferior ao que valiam as terras dos moradores daquela região, algo que prejudicaria muito a população local. O início de uma luta Sendo assim, os campesinos e os idosos se juntaram pois, além da retirada de suas terras, o governo ia aumentar os impostos, incluindo para pessoas idosas, sendo essa uma boa parte da população campesina. Esse protesto começou em Ciudad León, e a polícia se mostrou extremamente violenta com a população. Quando os estudantes souberam de tamanha repreensão contra os idosos, se uniram à essa luta e foram às ruas tomando as universidades. Esse levante incomodou de tal forma o presidente que o mesmo mobilizou todas as forças do Estado contra a população. “O presidente manda em todas as forças do Estado. Tiraram os estudantes das universidades, os mataram dentro do local. No dia 18 de abril, um menino de 15 anos foi assassinado pela polícia, com um tiro na jugular. Ele tinha em sua mochila umas bolsinhas de água, a polícia pensou que era algum tipo de arma e disparou para matar. Depois disso, toda a população saiu às ruas porque o presidente estava matando estudantes, violando direitos e aumentando os impostos do povo”, declara Nadia. Por todos os acontecimentos, Nadia e Elton não voltaram para casa pelas ruas principais, mas sim por pontos cegos, por dentro da cidade, de moto. Quando estavam quase chegando em casa, passaram por um beco onde havia acontecido um confronto entre a polícia e estudantes, os militares se defendiam com rifles, bombas de gás lacrimogêneo e os estudantes se defendiam com armas não letais, conforme as palavras da nicaraguense. Assim que o casal entrou nesse beco, havia um policial pronto para disparar contra eles, mas “por um milagre, apareceu outro policial e fez o colega abaixar a arma e nos deixar sair dali”, conta Nadia emocionada. “Parecia uma zona de guerra”. Juntando-se aos protestos Depois de todos esses acontecimentos, Nadia e Elton decidiram marchar junto à população, com os estudantes, pois sentiram que seus direitos também foram violados, junto àqueles que estavam lutando e morrendo naquela noite. Nos dias seguintes, em seu trabalho, Nadia começou a recolher doações de água, comida e remédios, para levar escondido aos estudantes que estavam ainda nas universidades. Ela e seu marido usavam pontos cegos para entregar as doações coletadas, já que tinham que burlar o sistema policial montado para acabar com os protestos estudantis. Em um certo ponto, já não podiam mais chegar ao trabalho, já que a polícia fiscalizava todos os ônibus a caminho do trabalho. A empresa em que o casal trabalhava disse que enviaria um grupo de pessoas para a Costa Rica, por causa da situação atual, assim poderiam se manter seguros e trabalhando, garantindo sua própria renda e produção. O casal não hesitou e se candidatou para essa oportunidade. Primeiro, enviaram a Nadia, mas não seu esposo. A empresa disse que dentro de um mês levariam todos que estavam na Costa Rica de volta à Nicarágua e, conforme uma conversa de Nadia com seu esposo, que ainda estava em seu país de origem, o casal resolveu que a moça não deveria voltar para a Nicarágua. Ela então pediu demissão da empresa e arranjou para que seu esposo chegasse são e salvo na Costa Rica. “A empresa se assustou com meu pedido de demissão, pois se perguntaram como eu iria me manter no país. Eu pedi ajuda na Casa Sor Maria Romero (instituição dedicada a obras sociais no centro da capital da Costa Rica, em San José), logo depois veio meu esposo; ficamos lá por 4 meses. Nessa casa, conhecemos uma pessoa que nos ajudou com a permissão de trabalho, algo bem burocrático no país. Pela empresa, vim com uma maleta de roupa para ficar por 7 dias aqui, mas em 15 de junho de 2022 vai fazer 4 anos que estamos na Costa Rica”, diz Nadia, hoje muito orgulhosa de sua decisão e com sua família aqui. O casal passou por várias dificuldades, já que ficaram durante muito tempo aguardando os vistos de refugiados. Ao solicitar esse tipo de visto, a pessoa não pode sair do país de destino, e esse processo pode demorar até 5 anos. Nadia enfrentou uma grande perda nesse período em que esperava pelo visto. Sua irmã, que ainda vivia na Nicarágua, sofreu um acidente fatal de carro, no qual somente o esposo e a filha, ainda bebê, sobreviveram. Nadia foi ao enterro evitando as autoridades, já que era proibida legalmente de sair do país. Mesmo assim se arriscou para ter uma última despedida de sua irmã. Felizmente Nadia e seu esposo têm agora o visto de residente na Costa Rica, já que tiveram sua filha no país, hoje com 1 ano de idade. Quem é considerado refugiado? Segundo a ACNUR, a Agência da ONU para refugiados, são pessoas que estão fora de seu país de origem devido a fundados temores de perseguição relacionados a questões de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a um determinado grupo social ou opinião política, como também devido à grave e generalizada violação de direitos humanos e conflitos armados. Estima-se que existam mais de 25 milhões de pessoas nesta situação hoje em todo o mundo. É necessário entender que a vida de um refugiado não é fácil, afinal, ninguém pede refúgio em outro país porque quer, simplesmente pelo fato de sair. Abandonar a sua pátria desse jeito dói, têm consequências, mas na maioria das vezes, é a única maneira que uma pessoa tem de sobreviver e proteger sua família. Fontes: Artigo sobre Ortega e Murillo: https://elpais.com/internacional/2021-10-29/rosario-murillo-copresidenta-ortega-consolida-el-poder-familiar-en-nicaragua.html Reportagem com denúncias de corrupção na Nicarágua: https://www.ciperchile.cl/2022/02/22/la-red-de-negocios-privados-de-la-familia-de-daniel-ortega-y-rosario-murillo-22-empresas-a-costa-del-estado/ ACNUR: Refugiados – UNHCR ACNUR Brasil

  • Histórias de Refúgio: El Salvador

    Em mais um episódio da série Histórias de Refúgio, iremos hoje apresentar o relato de um cidadão salvadorenho que fugiu de seu país após ter o irmão assassinado e correr risco de vida, ameaçado por facções criminosas. “Meu irmão foi assassinado em 24 de dezembro de 2014 . Ele não tinha relação com ninguém da pandilla, era estudante de medicina e judoca. Viajava sempre para Guatemala e Honduras para representar nosso país lutando, e também tocava em uma banda de rock.” Assim Jonas (nome fictício) inicia o relato, falando sobre seu irmão assassinado por integrantes dos 18, a pandilla (nome em espanhol para gangues, como são conhecidas as facções criminosas de El Salvador) predominante no bairro onde ele e sua família viviam. As pandillas de El Salvador As pandillas MS-13 (Mara Salvatrucha 13) e Barrio 18 são as gangues mais perigosas do mundo, que nasceram através de refugiados de El Salvador em Los Angeles, Estados Unidos, com homens que eram dissidentes da guerra civil que acontecia no país. Essas gangues são como uma religião para os seus integrantes, que juram lealdade eterna e fazer tatuagens com seus símbolos em seu corpo, inclusive no rosto. Essas pandillas recrutam homens e mulheres, normalmente menores de idade, em cuja casa não existe uma família protetora: são crianças e adolescentes que os pais usam drogas, são relapsos, violentos, ou já fazem parte da gangue. “É incrível, mas as mulheres lá se atraem por pandilleros (membros das gangues)", diz Jonas impressionado, pois sempre viu as mulheres de seu país muitas vezes se relacionarem com os membros por vontade própria. Outras eram obrigadas. As mulheres têm um papel importante nessas gangues: são elas que muitas vezes atraem novos membros para o bando ou atraem também as vítimas para as ciladas armadas. A MS-13 e os 18 são pandillas rivais, então sempre que há confronto entre eles, há morte. Muitas vezes há morte de civis, que não tinham nada a ver com os membros da gangue ou pessoas que foram obrigadas a fazer algo por eles, pois não tinham escolha. “Pandilla e mara significam basicamente a mesma coisa, mas os 18 não gostam de ser chamados de mara ou mesmo de falar essa palavra, devido ao nome da gangue de seus rivais. Eles substituem a palavra mara por “mierda”, assim por exemplo, não falam “maravilha” e sim “mierdavilla” - mistura da palavra mierda (merda em espanhol) com maravilla (maravilha em espanhol).”, diz Jonas sobre tamanha rivalidade. El Salvador é um país com uma população de menos de 7 milhões de pessoas e um território de 21.000km², o que facilitou ser controlado por gangues. Praticamente todos os dias acontecem conflitos de facções por território. A história de Jonas Jonas nasceu e foi criado em El Salvador, na América Central. Ele vivia na maior área urbana do país, a qual ficará em sigilo por sua segurança e de sua família que ainda está lá. Nessa região, predomina a pandilla Los 18, na qual geralmente menores de idade sentem-se atraídos para entrar. Jonas diz que os jovens veem vantagem de participar de uma gangue pois são muito negligenciados pela família, e veem na gangue uma proteção, abrigo, afeto e outras coisas que lhes faltam; a pandilla assume o papel que seria da família. “Não entendo (a vontade de entrar na gangue) porque na maioria dos casos essa vida leva os jovens ao hospital ou ao cemitério.” diz Jonas, incrédulo. Mas iremos voltar para dezembro de 2014, quando houve assassinato do irmão de Jonas. O rapaz saiu da casa de sua mãe depois da meia noite, para cumprimentar uns amigos, já que era Natal, e em El Salvador há o costume de, depois da meia noite, ir até amigos e outras pessoas no bairro para desejar boas festas. Poucos momentos que saiu da casa, o irmão de Jonas foi assassinado a tiros, a uns 200 metros do local onde estava. O salvadorenho diz que muitas mortes acontecem em dias festivos, já que os fogos de artifício disfarçam o barulho dos tiros. Jonas encontrou seu irmão estirado no chão com 9 tiros. Ele e sua esposa estavam passando pelo local de moto quando encontraram o corpo, tinham saído da casa da mãe e estavam voltando para casa, quando Nila (nome fictício) avistou um homem dormindo no chão. Quando chegaram mais perto para ver se estava tudo bem, se depararam com o jovem. Num momento de desespero, os dois deram meia-volta e foram avisar a mãe que ela tinha perdido seu filho. Jonas acha que esse evento tem algo a ver com um pedido de um pandillero, há anos atrás. “Um membro da pandilla pediu a meu irmão que passasse uma televisão, que estava na casa de um outro pandillero, para a rua. A casa de meu irmão era entre essa casa e a rua. Acredito que esse ato terminou nessa desgraça, mas o que ele poderia fazer? Não se nega um pedido a um pandillero.” Nem a polícia nem ninguém da gangue entrou em contato com eles após a morte de seu irmão. Normalmente a polícia não se mete quando o assunto é morte por gangue, então a população fica à mercê da sorte. No ano de 2017 a família teve outra desagradável surpresa. Jonas vivia com a esposa Nila, seu cunhado e a esposa. Sua sogra, que vive nos Estados Unidos, sempre os ajudava mandando remessas (como eles falam os envios de dinheiro e objetos importantes como roupas, sapatos, etc que chegam do país), então eles estavam bem, apesar da situação de seu país. Um dia, um menino menor de idade chegou em sua casa com um telefone na mão e, como ele não estava, quem o atendeu foi sua esposa. O pandillero, do outro lado da linha, disse que sabia tudo sobre a família, onde viviam, trabalhavam e que, para manter todos vivos, pediu uma determinada quantia em dólares, assim respeitaria a vida daquela família. “Esse dinheiro pode ser pedido uma vez ou quando a pandilla necessitar, nunca sabemos.”, diz o homem lembrando do fatídico dia. Os salvadorenhos já sabem que, quando chega um adolescente com um telefone na mão, é algum pedido das gangues. No dia seguinte a essa ligação, Jonas renunciou ao seu trabalho, buscou passagens de avião e viu que a Costa Rica era um lugar mais seguro para viver. O casal então decidiu fugir, pegaram o que podiam (inclusive o cachorrinho da família) e saíram do país. Hoje, a casa que viviam está abandonada, ninguém mais vive lá, seu cunhado e a esposa foram para outra parte, para a própria segurança. Quando chegaram na Costa Rica, tiveram a ajuda de um casal salvadorenho que tinha passado pela mesma coisa que eles em seu país de origem, e assim buscaram a Hias Costa Rica, uma organização sem fins lucrativos que atua junto a ACNUR (Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los Refugiados); é a organização mais antiga do mundo para a proteção e reassentamento de pessoas refugiadas. Jonas e Nila buscaram amparo judicial na Hias Costa Rica, entraram em contato com a Migração do país e solicitaram refúgio. A Hias dá apoio legal mas não dá apoio econômico, então a primeira coisa que fizeram foi buscar trabalho, já que seu visto de refugiado dura somente 3 meses. A amiga do casal trabalhava como doméstica em um casa de pessoas que trabalhavam em call center, então recomendou ao patrão o seu amigo Jonas, que então teve a sorte de conseguir um emprego mesmo sem seu visto de trabalho. “É um círculo, já que para trabalhar preciso do visto de trabalho, mas para solicitar o visto de trabalho, preciso de uma empresa interessada no meu trabalho e assim solicitar o visto junto à Migração, ou seja, é algo difícil.”, alega o refugiado. “Foi um choque cultural quando subi no ônibus e vi as pessoas usando o celular normalmente. Lá no meu país as pessoas não usam o telefone assim no ônibus pois podem ser roubadas.” Jonas e sua esposa ainda tem problemas em relação ao refúgio, já que tentaram por duas vezes entrar com recursos para obter o visto. A Costa Rica alega que dá refúgio às pessoas que têm problemas em relação à religião, sexo, política, mas que problemas com gangues é algo interno e o país não pode ajudar. O casal está com seu visto negado mas, devido a pandemia, o processo tornou-se mais moroso e aparentemente esquecido, ao menos pela empresa na qual trabalha. “Todos os anos o departamento de Recursos Humanos da empresa me contatava para verificar o status do meu visto, e parece que esqueceram. Esperamos que continue assim porque não queremos voltar para El Salvador.” Eu lhe pergunto o que acontece em caso de sua empresa contatá-lo para verificar esse status, ele responde que não quer voltar, não tem saudades, e que tentaria seu visto de refúgio no Panamá. A situação atual de El Salvador O atual presidente, Nayib Bukele, tem travado uma luta contra as gangues, inclusive prendendo ex-membros das gangues, pessoas que têm tatuagens que remetem ao crime, entre outros. “Ninguém antes tinha feito isso, ele desenvolveu uma lei que já prendeu mais de 11 mil membros e ex-membros das gangues.” Também há pessoas que se libertam do mundo das gangues através da igreja, já que esse é o único meio seguro para sair das gangues. Mas mesmo assim, de acordo com Jonas, quem sai da gangue por causa da igreja, corre o risco de ser convocado, em caso da pandilla precisar de seus ex-membros. As gangues sempre dominaram El Salvador pois antigamente tinham apoio dos governantes. Muitos deputados falavam com os líderes das pandillas e, se eles conseguissem votos em suas comunidades, os políticos davam festas luxuosas aos homens, com prostitutas e videogames, independente dos pandilleros estarem na cadeia ou fora dela. “As pandillas tomaram conta do país por causa do seu vínculo com a política,”, diz Jonas. NOTA: O jornalista Christian Poveda, que fez o documentário La Vida Loca (o qual me auxiliou na materialização desse artigo) sobre as pandillas de El Salvador, foi assassinado em setembro de 2009. Acredita-se que ele viu e documentou coisas demais sobre os 18. Texto por Caroline Prado Formada em Relações Internacionais, estudante de Filologia Românica e Línguas Latinas. Vive na Costa Rica e tem um projeto social onde ajuda pessoas em comunidades em situação de risco. Fontes: https://www.youtube.com/watch?v=Q9dCWCvH1Zw https://www.youtube.com/watch?v=ccR7nBO-7w0 https://www.youtube.com/watch?v=nniRPDLfaJ0 https://www.bbc.com/mundo/noticias-america-latina-61145448 https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/31/internacional/1548900486_977213.html https://www.bbc.com/portuguese/internacional-39636727 https://www.bbc.com/portuguese/geral-42336906 https://consejoderedaccion.org/noticias/maras-un-ejercito-juvenil- armado#:~:text=La%20investigaci%C3%B3n%20relata%20el%20origen,la%20violencia%20y%20las%20amenazas https://es.statista.com/estadisticas/1299340/el-salvador-asesinatos-por-dia-de-los-grupos-barrio-18-y-ms-13/ https://countrymeters.info/pt/El_Salvador https://help.unhcr.org/costarica/donde-encontrar-ayuda-en-costa-rica/asistencia-legal https://criptotendencia.com/2022/02/24/el-presidente-nayib-bukele-propuso-52-reformas-al-congreso-para-facilitar-el-desenvolvimiento-de-las-inversiones-en-criptomonedas-2/ https://elpais.com/internacional/2009/09/10/actualidad/1252533616_850215.html

  • Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - Erradicação da Pobreza

    O que significa erradicação da pobreza? Não é somente garantir a segurança alimentar de uma pessoa, mesmo este sendo o primeiro passo para desenvolver um indivíduo saudável. Quando falamos de erradicar a pobreza, também falamos de garantir serviços básicos, tais como educação, saneamento, locomoção, habitação, segurança, acesso à cultura e muito mais. Quando um indivíduo começa a ter acesso a esses bens a sociedade se torna cada vez mais próspera. Em pleno 2022 voltamos ao patamar do que era o Brasil há 30 anos atrás. Em vez de evoluirmos como sociedade, com políticas progressistas, fechamos os olhos para os problemas que já haviam sido resolvidos no passado e fingimos que a inflação e a volta da miséria em nosso país é só mais um filme da sessão da tarde. O pior disso tudo é assistirmos a esse filme novamente com projetos esdrúxulos que já comprovaram sua ineficiência, em vez de olharmos para projetos como o Bolsa Família, originado no governo FHC e atualizado de forma promissora no governo Lula. Esse programa poderia ser remodelado e atualizado com os dados que já temos e que demonstram os efeitos no público-alvo e, a partir deste ponto, começar a agregar outros projetos. Outro exemplo de projeto que poderia ser adicionado nas políticas públicas são os do MSTS, que tem como objetivo utilizar prédios públicos alienados ou abandonados para servir como moradias populares nos grandes centros, revitalizando lugares hoje marginalizados e trazendo qualidade de vida para essa população que já carece de tantos direitos sociais primários. Esse tipo de projeto proporciona melhorias nas cidades, na economia e no bem social. Estas iniciativas podem ainda ser idealizadas em um sistema de parceria entre setor público e privado. Essas parcerias devem ouvir os movimentos sociais e políticos experientes, como Eduardo Suplicy e seu projeto da Renda Básica de cidadania, já bastante estruturado e com dados promissores a respeito da melhoria na sociedade. Se investirmos nesses projetos em conjunto teremos mais chances de transformar o mundo em um lugar mais justo e decente para que todos possam viver. Com esse acesso a direitos básicos, a economia será fortificada com o ingresso e a qualificação de mão de obra. A violência, fruto da desigualdade social e falta de oportunidades será menor. Essas condições básicas são condição indispensável para ao menos discutir a questão da meritocracia. Programas sociais não devem ser vistos como gastos, mas, sim, como investimento de longo prazo na sociedade. Programas sociais e políticas públicas não são exclusividade de países em desenvolvimento, como o Brasil, também existem em outros países mais desenvolvidos. E que não estão livres de críticas. Por vezes os investimentos básicos como educação, saúde, saneamento básico e moradia são direcionados para áreas habitadas por pessoas que poderiam pagar por esses serviços, enquanto outros bairros mais necessitados não são atendidos. Então essa meta da ODS serve como um lembrete que os recursos e esforços devem ser mais bem alocados, principalmente em ambientes já carentes desses serviços. Texto escrito por Camila Bellato ​Formada em Relações Internacionais com Pós Graduação em Gestão Econômica. Especialista em Direitos Humanos e grande entusiasta das politicas públicas baseadas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ONU).

  • Black Mirror: Reflexos e Reflexões

    Você já pensou em como serão as democracias no futuro? Como será o ciberterrorismo? Se viveremos em contato com a natureza ou colados às telas? Como será nosso cotidiano, como serão as prisões, o jornalismo, as novas profissões? Todas essas questões são abordadas na série de TV Black Mirror, um sucesso de crítica que tem despertado muitas reflexões nos últimos anos. Por onde posso começar? Já sei. Como meu irmão me dizia: “Cara você gosta de coisas esquisitas”. Agora que já falei isto, vou tratar de explicar como que cheguei a conhecer o seriado que considero um dos melhores que já produzidos. Eu sou um fã muito apaixonado do grupo de rap antissistema chamado “Los chikos del maíz”. Mesmo anunciando que vão se separar em um futuro próximo, gravaram um último disco chamado “trap mirror” onde há uma introdução criticando a sociedade atual. "É assim que nos falamos e nos expressamos: comprando merda. Nosso maior sonho é comprar um belo boné para nosso amado avatar. Um boné que não existe, nem existe, a gente compra uma merda que não existe. Mostre-nos algo que é real e livre, você não poderia, poderia? Isso nos mataria, estamos letárgicos. Nossa mente se afogaria." Depois de escutar esse disco como pela quarta vez, pesquisei na internet informação sobre ele. E foi assim que descobri que havia uma relação entre a letra e o seriado britânico chamado The Black Mirror. Ainda que hoje o seriado seja propriedade da Netflix, ele começou como um projeto britânico, lembro que assisti a primeira temporada há muitos anos atrás, bem antes da Netflix comprar os direitos de exibição. De acordo com o criador Charlie Brooker, na série "cada episódio tem um tom diferente, um cenário diferente, até uma realidade diferente, mas mostrando a maneira como vivemos agora - e a maneira como poderíamos estar vivendo em 10 minutos, caso sejamos desatentos com a tecnologia". Como qualquer série, alguns episódios você adivinha para onde vai o enredo final antes de terminar, ou em outros, a reviravolta que ocorre é simplesmente ótima. O interessante é a forma como a série te mantém alerta, em cada um dos seus episódios. É excelente. O que significa Black Mirror? Nas palavras de Brooker: "Se a tecnologia é uma droga – e parece uma droga – então quais são, precisamente, os efeitos colaterais? Essa área – entre prazer e desconforto – é onde Black Mirror, minha nova série dramática, se passa. O "espelho preto" do título é aquele que você encontrará em cada parede, em cada mesa, na palma de cada mão: a tela fria e brilhante de uma TV, um monitor, um smartphone." Para refletir um pouco sobre isso, pensemos no terror, na angústia, no sentimento de solidão, no impacto da realidade fora do mundo conectado que ocorre quando uma tela está “desligada”, ou seja, sem emitir nenhuma luz. É então, naquele momento, que nós ficamos diante daquele espelho preto. O mesmo espelho preto que nos faz ver o que resta de homo sapiens que está colado na tela do aparelho que você está usando naquele momento. Reflexo que muitas vezes nos faz sentir mal. No final, acontece com todos nós. Você já sentiu desespero quando seu telefone foi desligado em uma conversa "importante" com aquela pessoa que você estima muito? Você já sentiu o desespero para conseguir um carregador, continuando com o que quer que esteja fazendo? Já viu aquela frustração que vem do que parece ser suas entranhas refletida naquele espelho preto cruel. No meio de uma importante maratona de séries, acabou a energia da sua casa e a única coisa projetada na tela da TV é a imagem de um humano, deitado, sozinho. Você já sentiu arrepios ao ver uma mensagem de texto? Você já agiu como desinteressado ao ler uma? Você já passou segundos, até minutos, olhando para aquele espelho preto na palma da sua mão? - O que eu faço? O que eu respondo? Mas nós não vamos responder. Vamos bloquear. Vamos bloquear aquela pessoa, aquele grupo de Whatsapp. Vamos sair da realidade. A série nos introduz o conceito de realidade virtual, aquilo que eu não quero que "exista" na minha realidade tangível. Aqui a filosofia existencialista relaciona-se com a existência cibernética de um outro eu, separado do eu físico. Milhares de casos vêm à mente. Talvez o leitor já esteja dimensionando os casos em que isso lhe acontece. Minha família, meus entes queridos. Meus colegas de trabalho, meus amigos da faculdade. Meus mais de 1000 "amigos" das redes sociais estão a uma tela de distância, a um clique de distância. Eles estão próximos o suficiente para procurar seu número de telefone (procurar, porque não os conhecemos mais de cor) ou uma mensagem por meio de outra rede social. Uma distância que diminui quando a tela está ligada, e que aumenta no tempo e no espaço, quando a porra do "Black Mirror" está na minha frente. A distância se torna eterna, e a solidão bate forte e sólida. Ou talvez, pelo contrário, traz paz. A paz que resta depois de gastar neurônios na frente de telas o dia todo. A paz de estar offline. Porque estar ciente das notificações que esperamos chegar é cansativo. Cansado desses impulsos de pensar em esperar, mesmo que eles cheguem. Maldito espelho preto. Maldito espelho da sociedade atual. São 3 da manhã, possivelmente agora quando eu desligar o laptop, eu vou olhar para minhas olheiras na frente do espelho, que reflete meu rosto naquele momento. Pensarei na contradição de escrever este artigo, criticando a sociedade tecnológica moderna que de alguma forma ajudo a construir com minha profissão de desenvolvedor de software. Contradição com a qual terei que conviver. Vou virar meu celular de cabeça para baixo para não me distrair, vendo assim outro espelho preto. Vou ligar a tela. Vou verificar com alguma esperança que hajam mensagens do Whatsapp para "poder responder" uma a uma, ansiosamente, retirando-as da minha bandeja de notificações. Vou desligar o telefone. Vou ver a tela preta novamente. Depois, vou ligar a TV para encontrar algo chato para me colocar para dormir, quem sabe para acabar essa maldita insônia. Provavelmente não encontrarei nada. Vou desligar a tela da TV. Será a terceira vez que a tela preta passa pelos meus olhos em menos de meia hora. Vou pensar novamente nas contradições. Vou pensar sobre o que fazer depois que eu me levantar para mudar isso. Embora eu saiba, no fundo, a primeira coisa que vou fazer ao acordar é ver a tela preta do meu celular. Texto escrito por Johao Larios Fidalgo Desenvolvedor de software que gosta de pesquisar sobre o impacto da informática no mundo real, escrevendo diretamente de San José, Costa Rica. Fontes: http://www.mondosonoro.com/entrevistas/chikos-del-maiz-trap-mirrror-entrevista/ http://www.publico.es/culturas/chikos-del-maiz-trap-mirror.html https://www.theguardian.com/technology/2011/dec/01/charlie-brooker-dark-side-gadget-addiction-black-mirror

  • Futebol e o seu alcance além das quatro linhas

    Quem disse que política e futebol não se misturam? Em anos de Copa do Mundo, como 2022, quem nunca cantarolou a canção? "Noventa milhões em ação Pra frente Brasil, no meu coração Todos juntos, vamos pra frente Brasil Salve a seleção!!!" Escrita em 1970, por Miguel Gustavo, a canção se tornou o hino que embalou todo o país naquele ano, que ficou marcado pela conquista do tricampeonato mundial da seleção Brasileira e é relembrando a cada Mundial. Até então, sem problema algum, mas enquanto a seleção brasileira conquistava o campeonato no México, o país estava tomado pela Ditadura Militar, passando por um dos períodos mais tenebrosos da sua história. A forte ligação entre o governo Militar e os torneios de futebol pode ser comprovada quando o então general e presidente, Emílio Médici, segura a taça Jules Rimet, onde a conquista do campeonato foi usada como propaganda política a favor da ditadura militar, em busca de fortalecimento do governo em busca de popularidade. É a partir do sucesso da campanha de 70 que surge no ano seguinte o que seria o embrião do Campeonato Brasileiro que conhecemos hoje. O então torneio nacional Roberto Gomes Pedrosa foi gerenciado por João Havelange, então presidente da Confederação nacional, junto às organizações estaduais, presididas por militares. Foi também nesse período que foram construídos estádios, que são verdadeiros elefantes brancos, no interior e em algumas capitais do país. Todo esse chamado ao patriotismo através do esporte e a invocação à "paixão nacional" pelo futebol, não era nada mais nada menos a releitura da política implementada pelos Romanos do pão e circo. Enquanto a maioria da população era entretida e se divertia com espetáculo do futebol, a sociedade era assolada com corrupção, censura, perseguição e mortes, durante a execução do Ato Institucional número 5, um dos mais perversos decretos já aplicados em território brasileiro. Não foi só na ditatura militar brasileira que o futebol foi usado como meio de manobra para entreter a população, enquanto os governantes destruíam o país. Muito se especula sobre a copa de 78, onde Argentina conquistou o seu primeiro campeonato, após uma polêmica semifinal com a seleção do Peru, que foi goleada e é motivo de especulações por supostamente ter recebido propina para perder o jogo para a seleção anfitriã. Assim como no Brasil, a campanha de 78 foi usada na busca de popularidade e apoio da sociedade argentina ao governo ditatorial que assolava o país. São inúmeros os escândalos e polêmicas em que o esporte mais democrático e praticado em todo o mundo é envolvido. É possível fazer uma linha do tempo e enumerar diversas situações que aconteceram ao longo do tempo, sendo uma das mais recentes a escolha do país-sede para o Mundial deste ano, onde a maior instituição do futebol e organizadora do evento, a FIFA, é acusada de receber suborno para escolher o Catar, país que vive uma monarquia absolutista e possui um futebol irrelevante. Porém, não se pode fechar os olhos para a importância nas lutas políticas que o esporte tem. O futebol a favor da democracia e contra-ataques a minorias Foi dentro das quatro linhas, com o movimento "Democracia Corinthiana", que o jogador Sócrates e seus parceiros, durante a ditadura Militar, adentraram o campo para uma partida com uma faixa com os dizeres "ganhar ou perder, mas com democracia", convidando seus torcedores a lutarem fora dos estádios pelo retorno à democracia. Afirmando que a luta pela democracia está no seu DNA e confirmando que a influência do futebol vai além das quatro linhas do estádio, as torcidas organizadas do Corinthians se juntaram às torcidas do Palmeiras e do São Paulo em protestos na avenida Paulista em 2020, contra o avanço da pandemia de COVID - 19 e contra os ataques as instituições democráticas feitos pelo presidente Jair Bolsonaro. Também dentro das quatro linhas, aconteceram protestos contra crimes políticos, como no caso da vereadora carioca Marielle Franco e seu motorista, Anderson, brutalmente assassinados no dia 14 de março de 2018. Em um clássico carioca entre Flamengo e Fluminense, o rubro-negro, time da vereadora, entrou com uma faixa preta na camisa em forma de luto. Já as torcidas de ambos os times se juntaram, demonstrando que a rivalidade acaba quando a luta é contra a violência e içaram juntas bandeiras nas arquibancadas e em corredores do estádio em homenagem à vereadora e em protesto contra a violência com dizeres de "Marielle vive" e "Marielle presente". Futebol como meio de ascensão social Como diria a canção da banda mineira Skank, "Quem nunca sonhou em ser um jogador de futebol?". No país do futebol, as crianças improvisam campos de futebol na rua e várzeas para se divertirem e em muitas das vezes é a partir dali que descobrem o talento com a bola e vão em busca de uma vida melhor através do futebol. Grandes clubes como o Flamengo, São Paulo e Cruzeiro, possuem projetos sociais de escolinhas de futebol, onde crianças podem desenvolver seu talento com muito treino e dedicação. Tendo como critérios para permanência no programa a continuidade dos estudos e o afastamento do mundo das drogas. Muitas das vezes essas crianças são originárias de famílias pobres e da periferia e veem no esporte a possibilidade de conquista dos seus sonhos, buscando uma vida melhor. Nomes importantes do futebol nacional são oriundos de projetos nesses moldes, como Pelé, Neymar, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldinho fenômeno, que se tornou não só um jogador que marcou a história do futebol como também empresário do ramo, comprando um dos mais importantes clubes brasileiros, o Cruzeiro. Futebol S/A Seguindo formatos utilizados na Europa e nos EUA, foi autorizado pelo governo federal em 2021, que os times brasileiros deixem de ser associados para se tornarem SAF (Sociedade Anônima do Futebol), o que permite que pessoas ou empresas compre o clube. Antes mantidos por associações que, em muitas das vezes, buscavam influências políticas e benefícios escusos, esse formato permite agora trazer mais transparência, desenvolvendo planejamento estratégico e governança para o clube, proporcionando crescimento sustentável da marca. A medida busca ajudar grandes clubes endividados, podendo assim ser vendidos para sanar suas dívidas e, a partir daí, voltam a crescer. O Cruzeiro foi o primeiro clube a utilizar o novo modelo, sendo vendido para o ex-jogador Ronaldo. Porém, outros clubes como o Vasco, comprado pelo 777 Partners e outros clubes como o Botafogo, vêem na sua venda a possibilidade de sobrevivência e quitação das dívidas milionárias acumuladas. Futebol é coisa de macho(?) A venda de clubes de futebol, a busca por patrocinadores que descarregam milhões de Reais em investimento e em jogadores, geralmente, estão direcionadas a homens. O esporte da paixão nacional foi e, de certa forma, ainda tem sido um esporte que reflete dentro das suas quatro linhas a sociedade machista na qual vivemos. Nas arquibancadas dos estádios, pouco se vê diversidade de gênero devido ao risco de assédio e agressão a mulheres, gays e pessoas transexuais. Dentro das quatro linhas do campo, a situação não é muito diferente. Enquanto clubes e jogadores de futebol arrecadam milhões em patrocínios, jogadoras de futebol encontram barreiras, desde o futebol de base, até a liga profissional, que possuí pouca visibilidade. Exemplo e referência do futebol feminino, Marta, jogadora da seleção brasileira de futebol é modelo de luta contra o machismo dentro e fora do campo. A maior artilheira das copas protesta contra a diferença de investimentos e patrocínios no futebol feminino, o que escancara o machismo dentro do futebol. Desde 2018 a jogadora se recusa a usar chuteiras de patrocinadores e sempre entra em campo com a campanha "Go equal", que remete a luta por igualdade salarial na categoria. A jogadora escondeu o logo de um patrocinador da seleção feminina ao ser fotografada para uma campanha, sinalizando a desigualdade de valores repassados em comparação ao futebol masculino. Marta foi criticada por jogadores masculinos, como o ex-jogador Vampeta, mais uma vez reforçando a estrutura machista dentro e fora dos campos de futebol. Além do machismo, a homofobia ainda não recebeu cartão vermelho nos estádios. No Brasil não há registros de jogadores homens na ativa que se declaram abertamente gays ou bissexuais. Ao invés de analisar e criticar a forma de trabalho, os torcedores e o meio simplesmente jogam para debaixo do tapete o assunto. O ex-jogador da seleção brasileira Richarlyson, durante anos teve como a maior especulação sobre si sua sexualidade. O ex-jogador se assumiu bissexual em uma recente entrevista, sinalizando a homofobia direta e indireta que recebia dos colegas de clubes e das torcidas. Além de Richarlyson, o jogador australiano assumidamente gay, Joshua Cavallo, que está na ativa, em entrevistas alega ter medo de ir ao mundial do Catar em novembro deste ano, devido as leis nacionais que podem levar a prisão e condenação à morte de pessoas que se assumem LGBTQIAP+ naquele país. Viver é um ato político e o esporte reflete a nossa vivência e nossas escolhas, podendo ser elas inclusivas ou exclusivas, dizem que política e futebol não se discutem, mas elas estão misturadas muito mais do que se possa imaginar! Texto escrito por Felipe Bonsanto Formado em Administração de empresas, pós-graduação em marketing e apaixonado por Los Hermanos. É militante pelos direitos LGBTQIAP+, trabalha com educação há oito anos, atua como co-host no podcast O Historiante e é colunista do Zero Águia. Fontes: https://revistaesquinas.casperlibero.edu.br/esportes/futebol-e-politica-uma-relacao-historica/#:~:text=Um%20dos%20principais%20exemplos%20de,no%20Brasil%20nos%20anos%2080. https://www.cafehistoria.com.br/futebol-e-politica-na-historia/ https://ludopedio.org.br/arquibancada/futebol-e-politica-no-brasil/ https://brasil.elpais.com/esportes/2020-06-01/futebol-e-politica-uma-mistura-tao-obvia-quanto-a-alienacao-de-quem-a-despreza.html https://medium.com/@dozefutebol/leda-costa-doze-convida-o-futebol-precisa-deixar-de-ser-um-espa%C3%A7o-opressor-68fe49ff5c3f https://gamarevista.uol.com.br/podcast/podcast-da-semana/milly-lacombe-fala-sobre-o-lugar-da-mulher-em-um-esporte-machista-como-o-futebol/ https://medium.com/@dozefutebol/luiz-antonio-simas-doze-convida-o-futebol-%C3%A9-a-met%C3%A1fora-da-vida-e97872390c12

  • Curitiba e a Sustentabilidade

    É fato que Curitiba é reconhecida pelo verde espalhado pela cidade, que tem muitos parques que colaboram para evitar enchentes e minimizar danos causados pelas chuvas. Também é sabido que a capital paranaense possui mais área verde por habitante do que a OMS recomenda, o que gerou o título de “cidade verde”, se tornando referência para estudos de sustentabilidade. Mas será que fica por isso mesmo ou tem mais? Resultado de quatro décadas de legislação e aplicação de políticas públicas municipais preocupadas com a sustentabilidade e preservação de áreas verdes no presente e futuro, os parques foram a solução para evitar alagamentos, pois eles atuam como reservatórios de água e contribuem na minimização de danos, além de assoreamento, poluição dos rios e impedem a ocupação irregular em suas margens além de servirem ao bem estar da população. Curitiba possui aproximadamente setenta metros quadrados de área verde por pessoa, muito acima dos doze metros quadrados ideais previstos pela OMS (Organização Mundial da Saúde), resultando em mais de 13 milhões e 899 mil m2 de áreas verdes. Esta quantidade estrondosa da cidade verde é a soma das mais de mil unidades de Conservação da Prefeitura, distribuídas entre parques, bosques Nativos e Relevantes, Bosques em propriedades particulares, bosques de Conservação da Biodiversidade Urbana, Jardim Botânico, Zoológico, centenas de árvores de rua e de praças, largos, pequenos jardins, jardins ambientais, eixos de animação (locais que podem ser cuidados por pessoas físicas ou jurídicas), Áreas de Proteção Ambiental e Estações Ecológicas, Reservas Particulares do Patrimônio Natural Municipal (RPPNMs) e o Museu de História Natural Capão da Imbuia. Todo este ativo ambiental colabora com o desenvolvimento e preservação da fauna local, estima-se que abrigam mais de 350 espécies de animais silvestres. Há indícios que o português Raphael Pires Pardinho, que é homenageado em uma das praças da cidade, foi a primeira autoridade a se preocupar com o meio ambiente e sustentabilidade de Curitiba, determinando aos habitantes alguns cuidados com a natureza, como ter a obrigação de limpar o Ribeiro (atual Rio Belém), evitando a concentração de água em frente à igreja matriz, também decretou que as casas deveriam ser cobertas por telhas e não poderiam ser construídas sem autorização da Câmara, as ruas que já tinham sido iniciadas deveriam ser continuadas e aos poucos as pessoas se tornaram mais conscientes sobre cortes de árvores, assim como Raphael Pires visionava o crescimento da região com sustentabilidade econômica. A sustentabilidade da cidade foi desenvolvida durante anos com as ações conjuntas de peças fundamentais para o resultado: todos habitantes, órgãos públicos e privados. A fama da cidade sustentável se espalhou nacionalmente e internacionalmente e, conforme consta no site Estúdio Folha da Uol (EFU), Curitiba possui destaque nos rankings das cidades mais inteligentes do Brasil, da América Latina e mundial. Recentemente foi apontada como a cidade mais sustentável da América Latina e a 14º do mundo pelo ranking de Cidades Sustentáveis desenvolvido pela Corporate Knights que analisou 50 cidades do mundo, o resultado foi publicado na revista canadense Corporate Knights. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável Ao observar o IDSC-BR (Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades) pela ferramenta lançada no início de julho de 2022, Curitiba recebeu a pontuação de 60.12, ficando em 104ª posição comparando com todas as cidades do país, 3ª ao observar apenas as capitais dos estados e 3ª do estado do Paraná. Este resultado foi influenciado por quesitos que requerem grandes desafios para a cidade sendo eles: “Erradicar a fome”, “Saúde de qualidade”, “Educação de Qualidade”, “Igualdade de Gênero”, “Reduzir as desigualdades”, “Cidades e Comunidades Sustentáveis” (indicador baseado em moradia e transporte de pessoas de baixa renda, mais detalhes(1)), “Paz, justiça e Instituições eficazes”; e alguns desafios para “Erradicar a pobreza”, “Água potável e saneamento”, “Energias Renováveis e Acessíveis”, “ Trabalho digno e crescimento econômico”, “Produção e consumo sustentáveis” (coleta e recuperação de resíduos, mais detalhes(2)), “Proteger a vida terrestre” (áreas florestadas naturais, conservação de proteção integral e uso sustentável, mais detalhes(3)), “Parcerias para a implementação dos objetivos”. E ainda observando o IDSC-BR, a capital paranaense tem grande destaque positivo com os ODS’s (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) comprometidos com a ONU (Organização das Nações Unidas) com “Indústria, Inovação e Infraestruturas”, “Ação Climática” e “Proteger a vida marinha” que já estão cumpridos (é necessário que permaneça assim para a “conclusão” da meta). Curitiba, segundo EFU, se tornou referência para estudos sobre sustentabilidade e responsabilidade social corporativa servindo de modelo para outras cidades sustentáveis e está ampliando o incentivo de desenvolvimento urbano, sustentabilidade, tecnológico e ao empreendedorismo com diversas iniciativas que colocam Curitiba como referência em Cidades Inteligentes já preocupada com as áreas que apresentaram maiores desafios do IDSC-BR realizando as ações: Novo Inter 2: frota de ônibus elétricos e pontos de ônibus autossustentáveis com wi-fi gratuito e energia solar. Projeto caminhar melhor: melhoria da acessibilidade e promoção da mobilidade ativa. Bairro novo do Caximba: primeiro bairro inteligente do Brasil com boas práticas ambientais e moradias para mais de mil famílias contando com estímulo à economia circular com capacitação dos moradores. Energia renovável: até 2023, 60% da energia consumida pelos equipamentos municipais serão renováveis e geradas pelo município. Tecnoparque: ao pensar na sustentabilidade empresarial, realizou o primeiro parque de software do Brasil reunindo mais de 110 empresas, no qual elas recebem o incentivo de redução de 2% a 5% de Imposto Sobre Serviços (ISS). Redesim: tem a finalidade de facilitar a abertura de um negócio, reunindo diferentes órgãos de uma empresa (secretarias municipais, Junta Comercial e Receita Federal). Muralha digital, policiamento aliado a tecnologia da informação: a Central de Controle Operacional é conectada a cerca de 1.400 câmeras instaladas em locais estratégicos em viaturas e nos uniformes da Guarda Municipal. Fala Curitiba: programa onde o cidadão colabora na decisão de quais áreas receberão investimentos de recursos públicos, conforme a ODS nº11 que é “tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.” Curitiba app: que reúne mais de 600 serviços municipais. Programa de agricultura urbana: inaugurada em 2020, a Fazenda Urbana ocupa área de mais de 4 mil m2 com plantios de alimentos sem agrotóxico e serve de cenário para cursos gratuitos de cultivo de hortaliças. O programa também inclui 115 hortas urbanas e o projeto Jardins de Mel que possui diversas colmeias em várias regiões da cidade, enfatizando a importância das abelhas para o equilíbrio da biodiversidade do planeta. Desta forma, Curitiba tem o propósito de firmar os cinco grandes pilares de inovação: Reurbanização e sustentabilidade Educação empreendedora e digital Tecnologia Integração e articulação do próprio ecossistema de inovação Governança, legislação e incentivos fiscais Essas iniciativas do Vale do Pinhão - que já atendem os requisitos ODS’s – visa melhorar a qualidade de vida dos moradores e empreendedores de Curitiba. “Curitiba vem ganhando destaque como um lugar voltado para o futuro, de forma inteligente, sustentável e humanizada.” Segundo Cris Alessi, presidente da Agência de Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, para EFU. Além disso, a prefeitura de Curitiba incentiva moradores terem árvores plantadas e a preservarem dentro dos limites do lote com redução no IPTU, são necessários o cadastramento e a aprovação. O que você achou sobre a sustentabilidade de Curitiba? Você acha que todos os prefeitos deveriam incentivar os moradores a terem e preservarem árvores em seus lotes? Conte-nos já a sua opinião nos comentários. Notas 1) Quesito da IDSC considera “Cidades e comunidades sustentáveis” sendo: Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Através de: Percentual da população de baixa renda com tempo de deslocamento ao trabalho superior a uma hora; Mortes no trânsito; População residente em aglomerados subnormais; Domicílios em favelas; Equipamentos esportivos; Percentual da população negra em assentamentos subnormais. 2) Quesito da IDSC considera “Consumo e produção responsáveis” sendo: Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis. Neste, apesar de ter 3 indicadores, apenas um foi reprovado: Recuperação de resíduos sólidos urbanos coletados seletivamente. Os indicadores aprovados deste quesito são: Resíduos domiciliares per capita; População atendida com coleta seletiva. 3) Quesito da IDSC considera “Proteger a vida terrestre” sendo: Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis. Com os indicadores: Taxa de áreas florestadas naturais; Unidades de conservação de proteção integral e uso sustentável; sendo este atendido parcialmente. Grau de maturidade dos instrumentos de financiamento da proteção ambiental; sendo este atendido Texto escrito por Fabiana Mercado Pós graduada em Comunicação e Marketing Digital, formada em Publicidade e Propaganda, acumula mais de 9 anos na área, colunista do Zero Águia, curiosa, preza o respeito a todas as pessoas independente de características. Nas horas vagas pratica corridas com o apoio da equipe Superatis. Adora conhecer novas pessoas e lugares, ama viajar e possui um projeto denominado Desbravando Capitais com o marido para morar e vivenciar durante um mês em todas as capitais brasileiras nos próximos anos. Fontes: https://educacao.curitiba.pr.gov.br/noticias/curitiba-origem-guarani-kur-yt-yba/4605 https://www.instagram.com/desbravando_capitais/ https://www.catedralcuritiba.com/ https://www.gazetadopovo.com.br/curitiba/estatua-do-cacique-tindiquera-vai-voltar-ao-bairro-alto-mas-outra-sera-colocada-na-praca-tiradentes-f1912qb61zbw5059br8at95kj/ https://www.fotografandocuritiba.com.br/2016/09/a-escultura-fundacao-de-curitiba-de.html https://www.curitiba.pr.gov.br/conteudo/historia-fundacao-e-nome-da-cidade/207 https://curitibaspace.com.br/praca-ouvidor-pardinho/ https://idsc.cidadessustentaveis.org.br/rankings https://www.cidadessustentaveis.org.br/noticia/indice-de-desenvolvimento-sustentavel-das-cidades-permite-ver-onde-estao-os-maiores-problemas-urbanos https://estudio.folha.uol.com.br/prefeitura-de-curitiba/2022/06/pronta-para-os-desafios-do-futuro.shtml?utm_source=rotate&utm_medium=pronta-para-os-desafios&utm_campaign=Curitiba https://www.curitiba.pr.gov.br/servicos/iptu-reducao-por-area-verde/478 https://www.curitiba.pr.gov.br/conteudo/os-numeros-da-curitiba-verde/3319#:~:text=O%20ativo%20ambiental%20de%20Curitiba,%2C%20largos%2C%20eixos%20de%20anima%C3%A7%C3%A3o%2C https://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/meio-ambiente-trabalha-com-educacao-e-projetos-para-evitar-alagamentos/39000 https://www.corporateknights.com/sustainable-cities-report/ https://www.corporateknights.com/wp-content/uploads/2022/06/2022-Sustainable-Cities-Report.pdf

  • Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - Fome Zero e Agricultura Sustentável

    Com o surgimento dos ODM no começo do século XXI, o Brasil começou vários projetos sociais para conseguir erradicar a Fome e começamos a ter êxito nesse processo, com projetos sociais como o Fome Zero e o Bolsa Família que conseguiram tirar milhares de famílias da situação na qual viviam, abaixo da linha da miséria. Duas décadas após esses projetos se tornarem exemplos a serem seguidos por muitos países e serem reconhecidos pela ONU por serem bem-sucedidos, o Brasil infelizmente voltou ao patamar da fome com mais de 30 milhões de pessoas nesta situação. Mas erradicar a insegurança alimentar de uma população não implica somente dar uma cesta básica, e sim, desenvolver toda uma econômica circular e sustentável. Uma das frentes que podemos observar que vem trabalhando de forma comunitária é o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais e Sem Terras), que além das lutas para garantir uma reforma agraria no país, vem demostrando com a sua administração em modelo cooperativista, formas de realizar uma agricultura familiar, ecológica e principalmente produção de alimentos de qualidades e orgânicos. O movimento é reconhecido por levar alimento de forma acessível a muitos desertos alimentares (mesmo havendo recursos o indivíduo não tem acesso a alimentos saudáveis e por falta de opções acaba consumindo alimentos ultra processados). E quando pensamos como os alimentos chegam a nossa mesa sempre temos a impressão de que estes vem dos grandes produtores do agronegócio, mas na realidade 70% dos alimentos que consumimos vem da agricultura familiar. E quando pensamos no queridinho da vez, os alimentos orgânicos, o líder no país dessa produção é o MST com 160 cooperativas, 120 agroindústrias, 1900 associados e 400 mil famílias assentadas. Esses resultados são o reflexo das mudanças de estratégia que o MST vem adotando há 10 anos em sua produção. Além disso durante a pandemia o MST foi responsável pela doação de mais de 6 mil toneladas de alimentos e 1,15MM de marmitas para famílias em insegurança alimentar. Objetivo 2 das ODS Objetivo 2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável 2.1 Até 2030, acabar com a fome e garantir o acesso de todas as pessoas, em particular os pobres e pessoas em situações vulneráveis, incluindo crianças, a alimentos seguros, nutritivos e suficientes durante todo o ano. 2.2 Até 2030, acabar com todas as formas de desnutrição, incluindo atingir, até 2025, as metas acordadas internacionalmente sobre nanismo e caquexia em crianças menores de cinco anos de idade, e atender às necessidades nutricionais dos adolescentes, mulheres grávidas e lactantes e pessoas idosas. 2.3 Até 2030, dobrar a produtividade agrícola e a renda dos pequenos produtores de alimentos, particularmente das mulheres, povos indígenas, agricultores familiares, pastores e pescadores, inclusive por meio de acesso seguro e igual à terra, outros recursos produtivos e insumos, conhecimento, serviços financeiros, mercados e oportunidades de agregação de valor e de emprego não agrícola. 2.4 Até 2030, garantir sistemas sustentáveis de produção de alimentos e implementar práticas agrícolas resilientes, que aumentem a produtividade e a produção, que ajudem a manter os ecossistemas, que fortaleçam a capacidade de adaptação às mudanças climáticas, às condições meteorológicas extremas, secas, inundações e outros desastres, e que melhorem progressivamente a qualidade da terra e do solo. 2.5 Até 2020, manter a diversidade genética de sementes, plantas cultivadas, animais de criação e domesticados e suas respectivas espécies selvagens, inclusive por meio de bancos de sementes e plantas diversificados e bem geridos em nível nacional, regional e internacional, e garantir o acesso e a repartição justa e equitativa dos benefícios decorrentes da utilização dos recursos genéticos e conhecimentos tradicionais associados, como acordado internacionalmente. 2.a Aumentar o investimento, inclusive via o reforço da cooperação internacional, em infraestrutura rural, pesquisa e extensão de serviços agrícolas, desenvolvimento de tecnologia, e os bancos de genes de plantas e animais, para aumentar a capacidade de produção agrícola nos países em desenvolvimento, em particular nos países menos desenvolvidos. 2.b Corrigir e prevenir as restrições ao comércio e distorções nos mercados agrícolas mundiais, incluindo a eliminação paralela de todas as formas de subsídios à exportação e todas as medidas de exportação com efeito equivalente, de acordo com o mandato da Rodada de Desenvolvimento de Doha. 2.c Adotar medidas para garantir o funcionamento adequado dos mercados de commodities de alimentos e seus derivados, e facilitar o acesso oportuno à informação de mercado, inclusive sobre as reservas de alimentos, a fim de ajudar a limitar a volatilidade extrema dos preços dos alimentos. Texto escrito por Camila Bellato ​Formada em Relações Internacionais com Pós Graduação em Gestão Econômica. Especialista em Direitos Humanos e grande entusiasta das politicas públicas baseadas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ONU). Fontes: ONU: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/2 MST: https://mst.org.br/ Greg news MST: https://www.youtube.com/watch?v=kSyOcbMAzko

  • Hercílio Luz, a ponte governada

    Treze minutos e quarenta e três segundos com ritmo de sete minutos e vinte e oito segundos por quilômetro para realizar a ida e volta. Foi o que a Fabiana do Desbravando Capitais levou para realizar o seu treino de corrida no cartão postal de Florianópolis: a ponte Hercílio Luz. Ponte essa que liga as duas partes de Florianópolis (continente e ilha) e é o famoso símbolo da capital e do estado catarinense, cujo nome homenageia um dos mais importantes governadores do Estado de Santa Catarina: Hercílio Luz. A ponte Hercílio Luz é uma das maiores pontes pênseis do mundo, com comprimento um pouco maior que oitocentos e dezenove metros e pesa, aproximadamente, cinco mil toneladas. Na sua construção foram utilizados um pouco mais de quatorze mil e duzentos e cinquenta metros quadrados de concreto, suportados por alicerces e pilares. Suas duas torres medem setenta e cinco metros, em relação ao nível do nível do mar, com um vão de mais de quarenta metros de altura. A ponte é um projeto dos engenheiros norte-americanos Robinson e Steinmann que utilizaram a mão de obra de operários catarinenses com dezenove técnicos norte-americanos e todo material da ponte importado dos Estados Unidos. O Estado de Santa Catarina recebeu empréstimo de um banco norte-americano para ter recursos para a construção da ponte. Essa dívida seria paga apenas cinquenta anos depois - em 1978, mas durante a construção houve muitos desafios, dentre eles: o primeiro banco norte-americano que emprestou vinte mil contos de réis faliu e, além de atrasar as obras, o Estado de Santa Catarina ficou responsável pelas dívidas do banco falido. Para dar continuidade à obra, um novo empréstimo foi necessário e no final a ponte ficou praticamente o dobro do orçamento do Estado na Época. Hercílio Luz tinha o propósito de tornar Florianópolis a capital de Santa Catarina, mas havia um movimento, com o mesmo propósito, para a cidade de Lages. Florianópolis tinha algumas desvantagens: a distância com o estado e ser de difícil acesso. O percurso entre o continente e ilha (e vice-versa) era percorrido através de balsas que não ofereciam proteção a seus passageiros contra o clima e a travessia, que era impraticável em dias de mar agitado e muito vento. Estes motivos jogavam contra tornar Florianópolis a capital administrativa e política do estado. Já pensando na solução, a ponte teria o nome de “Ponte da Independência”, já que facilitaria o acesso da ilha à parte continental, anteriormente denominada Distrito de João Pessoa [F1] (região metropolitana de Florianópolis). A construção da ponte, iniciada em 1922, no mandato do governador Hercílio Luz e inaugurada em 1926, concretizou Florianópolis como a capital do Estado de Santa Catarina. Hercílio Luz, homenageado batizando a ponte com seu nome, morreu doze dias após inaugurar uma ponte pênsil de madeira, apenas para um ato simbólico. A cidade de São José, na década de 1930, que tinha forte relevância para os frequentadores da região, devido ao porto de Floripa - como Florianópolis é carinhosamente chamada, se viu em decadência por diversos fatores, incluindo a facilidade de acesso que a ponte proporcionou. Em 1982 a ponte Hercílio Luz foi interditada por medida de segurança (perigo de desabamento) e, por muito tempo, permaneceu sendo o cartão postal da cidade, porém sempre necessitando de inúmeras reformas. A ponte, que atualmente viabiliza o trânsito de veículos e pedestres, suportava a passagem apenas de pedestres, bicicletas, motocicletas e veículos de tração animal, entre 1988 e 1991. Após uma reforma, que durou aproximadamente duas décadas, recebendo uma ênfase a partir do ano de 2010, e resistindo a diversos governos, retornou às atividades no mandato do governador Carlos Moisés em 2019. A ponte foi tombada como patrimônio histórico, artístico e arquitetônico do município em 04/08/1992; ação realizada pelo governo estadual em 13/05/1997 e, na instância federal, em 05/08/1998. Estes tombamentos preservam a ponte das ideias de demolição. Todavia, em momentos de reforma, pode tornar o processo mais burocrático e gerar diversas polêmicas sobre tempo e efetividade das obras. Atualmente, Florianópolis tem três pontes disponíveis para a travessia do continente para a ilha, mas a ponte Hercílio Luz permanece a mais antiga, tradicional e símbolo da cidade. Além da ponte, Hercílio Luz recebeu diversas homenagens, dando nome ao Aeroporto Internacional de Florianópolis, Estádio localizado em Itajaí/SC, clube profissional de futebol de Tubarão/SC, livro de Evaldo Pauli, Memorial dentro do Museu Casa de Campo de Hercílio Luz, em Rancho Queimado/SC. Além de diversos logradouros e praças que receberam seu nome, em diferentes cidades de Santa Catarina. Hercílio Luz, Político Com a renúncia do Marechal Deodoro da Fonseca e Lauro Müller em 1891 (presidente do Brasil e presidente de Santa Catarina - atual cargo de governador), Floriano Peixoto, sendo o vice-presidente, tornou-se presidente e a Junta Governativa Catarinense - formada por Arthur Deocleciano de Oliveira, Cristóvão Nunes Pires e Luís dos Reis Falcão - tomou posse em caráter provisório para governar o estado de Santa Catarina. Hercílio Luz, após participar com uma tropa de 50 homens da “Revolução Republicana de Tijucas” em julho de 1893 foi proclamado, em Blumenau, governador provisório do Estado de Santa Catarina. A marcha saiu de Blumenau e seguiu rumo à Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis), local que teve um confronto armado na frente do Palácio do Governo e resultou em mortes. Hercílio, mesmo sem o reconhecimento do presidente Floriano Peixoto, ocupou o prédio. Floriano Peixoto, descontente, desligou Hercílio Luz do cargo na Comissão de Terras de Blumenau, mas foi nomeado, posteriormente, a Chefe do Distrito Telegráfico de Morretes/PR a Torres/RS. “Hercílio Luz foi o primeiro governador republicano eleito por voto direto pelo Partido Republicano Catarinense (PRC)”, conforme descrito no site memória política de Santa Catarina. Em 28 de setembro, Hercílio Luz tomou posse do mandato e já nos primeiros dias, o governador sancionou a mudança do município de Nossa Senhora do Destêrro para Florianópolis (Lei Estadual n.º 111, de 01-10-1894) em homenagem a Floriano Peixoto. Anualmente, de 1898 a 1902, Hercílio Luz atuou no Conselho Municipal de Florianópolis (atual Câmara de Vereadores). Em 1899 foi eleito Deputado Federal por Santa Catarina, mas não permaneceu por muito tempo no cargo, pois assumiu como Senador, de 1900 a 1920. Nos primeiros anos como Senador, exerceu o posto de 3º Secretário da Mesa Diretora e integrou as Comissões de Saúde Pública; Estatística e Colonização; Obras Públicas e Empresas Privilegiadas. Devido a novas mudanças dentro da política, em setembro de 1918 assumiu novamente o governo do Estado de Santa Catarina, permanecendo até setembro de 1922. Após este período, se elegeu governador do Estado e ficou no mandato de setembro de 1922 a maio de 1924, momento que precisou se afastar. Hercílio Luz faleceu em outubro de 1924. Se você pudesse trocar o nome de uma cidade, qual cidade você trocaria e qual nome colocaria? Deixe já sua resposta nos comentários. Notas [F1] Em 1943, o Distrito de João Pessoa foi distinto e o território passou a ser parte do município de Florianópolis (Decreto-lei Estadual n.º 941, de 31-12-1943), o que é atualmente conhecida como parte continental de Florianópolis Texto escrito por Fabiana Mercado Pós graduada em Comunicação e Marketing Digital, formada em Publicidade e Propaganda, acumula mais de 9 anos na área, colunista do Zero Águia, curiosa, preza o respeito a todas as pessoas independente de características. Nas horas vagas pratica corridas com o apoio da equipe Superatis. Adora conhecer novas pessoas e lugares, ama viajar e possui um projeto denominado Desbravando Capitais com o marido para morar e vivenciar durante um mês em todas as capitais brasileiras nos próximos anos. Referências: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sc/florianopolis/historico https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sc/sao-jose/historico https://portogente.com.br/artigos/24067-porto-de-florianopolis https://ndmais.com.br/noticias/memoria-de-florianopolis-vestigios-da-cidade-portuaria/ https://guiafloripa.com.br/turismo/patrimonios-historicos/ponte-hercilio-luz https://www.floripaimob.com.br/post/pontehercilioluz http://www.hoepckeimoveis.com.br/vida-urbana/a-historia-por-tras-da-ponte/ https://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/1225-Luis_dos_Reis_Falcao https://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/1283-Arthur_Deocleciano_de_Oliveira https://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/233-Eliseu_Guilherme_da_Silva https://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/1357-Manoel_Joaquim_Machado https://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/1194-Hercilio_Luz https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Jos%C3%A9_(Santa_Catarina) https://pt.wikipedia.org/wiki/Junta_governativa_catarinense_de_1891 https://pt.wikipedia.org/wiki/Herc%C3%ADlio_Luz https://www.preparaenem.com/historia-do-brasil/revolta-armada-forca-floriano.htm#:~:text=Os%20oficiais%20revoltosos%20da%20marinha,apoiava%20a%20Revolta%20da%20Armada

  • O maior desafio da educação brasileira é Educar

    É direito de todo brasileiro o acesso a educação. É lei, está na constituição de 1988. Porém, a educação, no cerne do seu significado, de formar cidadãos independentes, pensantes e críticos, tem sido um dos maiores desafios da sociedade brasileira. Após governos progressistas, onde a educação brasileira foi referência mundial por possuir programas de acesso de minorias e trocas acadêmicas como o "Ciência sem fronteiras", acesso à universidade através de cotas e a obrigatoriedade da educação básica para crianças entre 4 e 17 anos (2009), a partir do golpe de 2016, o país voltou a viver sob o obscurantismo decorrente do conservadorismo. É visível aos olhos de todos o desmonte da educação pública e a elitização do ensino através dos cortes financeiros. Mas o projeto vai além, o ódio ao acesso à educação e ao conhecimento ficam cada vez mais claros com o discurso feito pelo atual governo fascista e seus apoiadores. O sociólogo e professor universitário, Jessé de Souza, em seu livro Como o racismo criou o Brasil (2021), exemplifica a sociedade em uma corrida de obstáculos, onde os mais abastados começam a vida a frente, devido a seus privilégios vindos de berço, e os desafortunados começam muito atrás, sem recursos e, muitas das vezes com acesso restrito a serviços básicos, entre eles a educação. A educação básica e o lobo em pele cordeiro na proteção da inocência Usando a metáfora do autor para essa área, o diferenciamento social no início da jornada formativa nunca foi tão escancarado como durante a pandemia de COVID-19, onde crianças das classes mais altas tinham aulas e acompanhamento remoto. Já as crianças pobres, em sua maioria, não tinham acesso a um aparelho eletrônico ou a um simples celular e, quando tinham, muitas das vezes, dependiam de pacotes de dados de operadoras que pouco sustentavam o acesso à internet. Vale relembrar que, embora a educação básica tenha como responsáveis os estados e municípios, nada foi feito pelo Governo Federal a fim de auxiliar essas gestões no desafio de manter as crianças mais pobres com acesso à educação. O resultado disso é claro ao evidenciar que entre as classes mais baixas estão os maiores índices de atraso no desenvolvimento de crianças e os altos números de evasão escolar, o que culminou em uma quantidade inferior de estudantes no retorno às salas de aula. Muitas dessas crianças e jovens evadidos se viram na obrigação de adentrar ao mercado de trabalho, boa parte o mercado informal, a fim de auxiliar suas famílias financeiramente. De acordo com levantamento realizado pela organização Todos pela educação, em dezembro de 2021 haviam 244 mil crianças fora da escola, enquanto em 2019 o número era de 90 mil. O atual Governo, desde então, nada fez para trazer essas crianças de volta para as salas de aula. Ainda durante a pandemia de COVID - 19, alguns pais apoiadores do governo atual, de extrema direita, tiveram a oportunidade de ter um leve vislumbre do que poderia ser uma das maiores promessas de governo, o Homeschooling. Essa promessa de campanha de Bolsonaro tinha como proposta dar liberdade aos pais em optar por educar seus filhos em casas. A proposta desse projeto vai totalmente contra a Emenda Constitucional Nº 59, de 2009, já mencionada neste artigo, onde há a obrigatoriedade da criança entre 4 a 17 anos estar na escola. Além de ser um meio impulsionador para o aumento de desigualdade social, o projeto falsamente sinaliza atender as regras da BNCC, ausenta a criança do necessário acompanhamento metodológico e pedagógico, onde profissionais gabaritados possam promover o desenvolvimento sustentável da criança, dando aos pais, o total domínio e liberdade sobre a formação da criança, abrindo portas para problemas como revisionismo histórico, e diminuindo a socialização da criança, algo fundamental nesta fase, além de ampliar a chance de violência doméstica e abusos sexuais. O revisionismo histórico, muitas das vezes utilizado em discursos pela extrema direita e por adoradores do obscurantismo, tem como foco principal desmoralizar o método do estudo e análise histórica, feita por profissionais gabaritados. Esses estudos são trazidos para a sala de aula a fim de serem entendidos de maneira laica e comprovada, provocando o raciocínio e desenvolvimento do senso crítico da criança e adolescente, algo abominado por Governos conservadores. Quando há socialização e o convívio com diferentes formas de pensar que é criado o ambiente saudável da diversidade, do diálogo e do debate. É a partir daí que o diferente é humanizado e não há melhor lugar para isso do que na escola. É ali que serão criados os primeiros laços fora do núcleo familiar e que a criança irá romper algumas barreiras para o seu desenvolvimento. O convívio e a descoberta do diferente rompe preconceitos e apresenta a pluralidade desde os primeiros anos de vida. Projetos defendidos pelo Governo, como o homeschooling e as escolas cívicas, colocam em risco a socialização e o contato com a diversidade, trazendo prejuízo e ameaça para as gerações em formação. Além da ameaça à diversidade no pensar e existir, esses projetos ameaçam também outras áreas do desenvolvimento social da criança e adolescente. É através do devido acompanhamento pedagógico e a criação de laços entre aluno e profissionais da educação, que crianças e adolescentes tomam conhecimento e identificam o abuso físico, emocional e também sexual que eles e outros familiares sofrem. É através do devido acompanhamento de profissionais da educação que é criado um ambiente seguro, para que haja denúncia e investigação dos abusadores. O Ensino Médio - Pensar menos, trabalhar mais Foi no Governo golpista de Michel Temer, em 2017, que foi aprovada a reforma do Ensino Médio, alterando a LDB (Lei de Diretrizes e Bases). Porém a mesma tem sido implementada no Governo de Jair Bolsonaro. O que deveriam ser anos de preparo para que cada vez mais jovens saísse dessa etapa e fossem para os bancos universitários, tem se tornado anos de preparo para produzir mão de obra barata e não pensante. Antes da alteração da LDB, o estudante do Ensino Médio teria em seu currículo escolar disciplinas obrigatórias voltadas para a sua formação pensante cursando, mesmo em carga horária mínima, disciplinas de História, Geografia, Filosofia e Sociologia, provocando ao mínimo o pensamento sobre a sociedade. Já no novo formato, a obrigatoriedade curricular fica apenas para disciplinas de português e matemática, tornando flexíveis e optativas as demais disciplinas. O discurso do Governo apela para que a formação curricular fique a critério do aluno e da família, que, em muitos dos casos, não possuí instrução para orientação. Além disso, a publicidade empregada pelo governo imputa ao estudante a ideia de que agora ele pode sair desta etapa capacitado e apto para o mercado de trabalho e não para a cadeira acadêmica. Embora ainda não seja possível mensurar o estrago feito pelo Novo Ensino Médio, já são visíveis alguns sinais do estrago feito pelo Governo Bolsonaro à educação do Ensino Médio. O ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio, é um dos principais meios de acesso utilizado por egressos do Ensino Médio e candidatos à uma vaga no Ensino superior. A prova tem por características avaliar o senso crítico e o conhecimento social do avaliado, critérios não aprovados pelo Presidente. Segundo Bolsonaro, a prova induz o candidato a pensamentos ideológicos. Por isso, Bolsonaro utilizou discursos como o de ter acesso à avaliação antes da aplicação, a fim de aprovar ou não o conteúdo preparado por especialistas e profissionais do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas), colocando em cheque a competência do órgão e seus profissionais de cadeira. A pressão e desconfiança imposta pelo Governo causou, em 2021, o pedido de demissão de mais de 30 servidores do Instituto a dias da realização do Exame. Além das pressões institucionais, o pouco investimento durante a pandemia, os escândalos causados pelos Ministros da Educação e retirada da isenção da inscrição do Exame para os mais pobres refletiram em 2021, em um ENEM mais branco, com menor número de pobres e com menos inscritos nos últimos dez anos. Ódio aos professores e o Ensino superior contra a parede Há uma máxima que diz que todo filme de catástrofe natural tem como início cientistas sendo ignorados por governantes ao anunciar a possibilidade do apocalipse. Isso pôde ser assistido ao vivo e a cores durante toda a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro, quando o mesmo insiste em desmentir estudos nacionais e internacionais sobre o desmatamento na Amazônia, as queimas no cerrado e continua a desacreditar a crise climática. Porém o descrédito à ciência provocado pelo Presidente foi sentido e vivido durante a pandemia de COVID 19, que até agora ceifou mais de 650 mil vidas. Além disso, o incentivo ao uso de medicamentes comprovadamente ineficazes para o tratamento e o descaso com as medidas de prevenção indicadas por cientistas. Em seguida, com o desenvolvimento das primeiras vacinas, Bolsonaro desacreditou as mesmas, todas com eficácia cientificamente comprovadas. Resultado disso, os celeiros eleitorais bolsonaristas foram os que menos se vacinaram e que tiveram o maior número de mortes. Além disso, os discursos do Ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre não haver recursos em caixa para manutenção de auxílios emergenciais, viu na já curta verba da educação um caminho para isso, fazendo vistas grossas a outros possíveis meios para o auxílio. O Governo que prega ter feito as escolhas dos seus Ministros por critérios técnicos, aparentemente tem tido dificuldade nas escolhas técnicas para a área da educação. Em quatro anos de Governo, cinco nomes ocuparam a pasta e nenhum deles contribuiu positivamente com um dos principais ministérios do país. Desde referências nazistas a privilégios religiosos, todos os nomes pregaram ódio à Educação e aos professores. Discursos falsos, tais como o de que aconteciam orgias nos corredores das universidades públicas e que havia uma pregação feita por docentes ao tal "marxismo cultural" serviram para produzir uma cortina de fumaça para incentivo e fortalecimento da educação privada enlatada, dominada por grandes conglomerados, que busca a formação técnica para o mercado de trabalho e não na formação de novos pensadores, pesquisadores e cientistas. Porém, foi graças a pesquisadores, cientistas, à universidade pública e institutos públicos de pesquisa como a FIOCRUZ e o Instituto Butantã, que foram desenvolvidas as primeiras vacinas contra a COVID-19 no país, mesmo com o Governo Federal criando barreiras para isso. São inúmeros os golpes ao Ensino Superior, como os cortes de verbas cada vez maiores, impedindo pesquisas e estudos que são extremamente importantes para a sociedade brasileira. Além das tentativas e ameaças da privatização do Ensino Superior público, o que causaria ainda mais dificuldade de acesso de pessoas de baixa renda à educação superior. Educação como resistência A educação foi, é e sempre será a forma de resistência e força motora do progressismo e é por isso que ela é tão atacada por governos fascistas, como o atual. Logo é claro e evidente que o problema na educação não é apenas financeiro. É algo planejado. Os ataques, discursos de ódio e o descaso com a educação escancaram o desejo de desmonte, a fim de reduzir cada vez mais o número de pessoas conscientes, politizadas e críticas, lançando mão do direito de ser Educada, com E maiúsculo, como consta na Constituição de 1988. O plano é criar cada vez mais mão de obra operária e acrítica, para execução de projetos fascistas e elitistas. Porém a Educação resiste, assim como resistiu em outros períodos de obscurantismo e sempre será o farol norteador em busca do progresso e conhecimento. Texto escrito por Felipe Bonsanto Formado em Administração de empresas, pós-graduação em marketing e apaixonado por Los Hermanos. É militante pelos direitos LGBTQIAP+, trabalha com educação há oito anos, atua como co-host no podcast O Historiante e é colunista do Zero Águia. Fontes: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc90.htm https://construirresistencia.com.br/o-desmonte-da-educacao-brasileira/ https://esquerdaonline.com.br/2021/04/10/a-tragedia-da-educacao-basica-brasileira-no-contexto-de-desmonte-bncc-pnld-e-reforma-do-ensino-medio/ https://www.cartacapital.com.br/educacao/callegari-o-projeto-e-o-desmonte-da-educacao-publica/ https://br.noticias.yahoo.com/brancos-ricos-e-bolsonaristas-sao-os-que-menos-se-vacinaram-contra-covid-181032141.html https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2021/09/enem-2021-e-o-mais-branco-e-elitista-da-decada.shtml https://g1.globo.com/educacao/noticia/2021/11/08/enem-2021-coordenadores-do-inep-pedem-demissao-a-poucos-dias-da-prova.ghtml https://g1.globo.com/educacao/noticia/2021/12/02/evasao-escolar-de-criancas-e-adolescente-aumenta-171percent-na-pandemia-diz-estudo.ghtml https://www.cpt.com.br/ldb/lei-de-diretrizes-e-bases-da-educacao-completa-interativa-e-atualizada

  • Ações da Petrobrás despencam após troca de líder da estatal

    A Ibovespa fechou em queda hoje após o presidente Jair Bolsonaro ter anunciado na noite de sexta-feira (19) a troca do presidente-executivo da Petrobrás. O mercado financeiro reagiu fortemente à decisão de Bolsonaro, com aumento do dólar, negociado a R$ 5,51. As ações da Petrobrás caíram 16%, devido aos temores dos acionistas em relação à uma possível intervenção do governo no preço dos combustíveis. Segundo levantamento da Economatica, com o tombo nas cotações, a Petrobras perdeu em poucas horas nesta segunda-feira quase R$ 75 bilhões em valor de mercado. Foi a segunda maior queda diária em valor da mercado da Petrobras desde o início do plano Real. Na sexta-feira, a petroleira já tinha encolhido R$ 28 bilhões. O presidente Jair Bolsonaro criticou fortemente a gestão atual da estatal, liderada por Roberto Castello Branco. O mandato do atual presidente-executivo será até dia 20 de Março, e haverá uma votação do conselho da Petrobrás para decidir se será aprovada a mudança da gestão, que será encabeçada pelo general da reserva Joaquim Silva e Luna, atual diretor da Itaipu Binacional. Ao negar mais uma vez a tentativa de interferência na política de preços da Petrobrás, Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (22), em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, que exige apenas "transparência e previsibilidade" da companhia. Bolsonaro destacou o prazo do contrato com Roberto Castello Branco à frente da Petrobras e questionou o salário do mandatário para "trabalhar de forma remota". O chefe do executivo federal ressaltou que o contrato de Castello Branco como presidente da estatal acaba no dia 20 de março e avisou: "É direito meu reconduzi-lo ou não. Ele não será reconduzido, qual o problema?" "O chefe tem que estar na frente, bem como os seus diretores. Então, isso para mim é inadmissível. Descobri isso há poucas semanas. Imagine eu, presidente, no meio da covid-19, ficando em casa. Não justifica isso aí", pregou, ao reafirmar que ninguém vai interferir na política de preços da Petrobras. A decisão de de trocar o comando da Petrobras repercutiu negativamente entre investidores, com vários analistas cortando a recomendação dos papéis, bem como reduzindo preços-alvo. A XP Investimentos, por exemplo, cortou a recomendação para os papéis da Petrobras de "neutro" para "venda" no domingo, em relatório sob o título "Não há mais como defender".

  • Primeira semana sem novos casos de COVID-19 na China

    A China não relatou nenhum novo caso de Covid-19 transmitido localmente , pela primeira vez desde julho, de acordo com sua Comissão Nacional de Saúde (NHC), enquanto as autoridades reforçam a abordagem zero-Covid do país. A China luta contra a disseminação da variante Delta, altamente contagiosa, desde 20 de julho, quando um grupo de pessoas infectadas por Covid-19 foi detectado entre a equipe de limpeza do aeroporto na cidade de Nanjing. Desde então, se transformou no pior surto que a China já viu desde 2020, se espalhando para mais da metade das 31 províncias do país e infectando mais de 1.200 pessoas. Os casos crescentes impulsionados pela variante foram vistos como o maior desafio para a política inflexível de tolerância zero contra o vírus na China. As autoridades locais responderam colocando dezenas de milhões de residentes sob estrito lockdown, realizando testes massivos e campanhas de rastreamento e restringindo viagens domésticas. As medidas rígidas parecem ter surtido efeito. As infecções diárias caíram constantemente ao longo da semana passada para um dígito, abaixo de mais de 100 desde o pico de duas semanas atrás e na segunda-feira (23), o país notificou 21 casos importados e zero infecções sintomáticas transmitidas localmente - a primeira vez que nenhum caso local foi registrado desde 16 de julho. Também foram notificados 16 casos assintomáticos, todos importados também, de acordo com o NHC. A China mantém uma contagem separada de casos sintomáticos e assintomáticos e não inclui portadores assintomáticos do vírus na contagem oficial de casos confirmados. Se a tendência continuar, a China pode se tornar o primeiro país do mundo a controlar um grande surto do Delta.

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