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- Há futuro nas democracias?
Charge: Miguel Paiva | Memorial da Democracia As democracias são frequentemente associadas a valores como liberdade, igualdade e participação pública, mas, na prática, enfrentam desafios diante da ascensão da extrema direita. Em diversas partes do mundo, suas estruturas têm sido testadas pelo processo de autocratização, pelo enfraquecimento das instituições democráticas, por políticas antipopulares, ataques à imprensa, pela crescente polarização política e pelo cerceamento de direitos civis , como observado nas recentes tentativas de reversão das leis que ampliaram os direitos de mulheres e pessoas LGBTQIAP+, tanto na Argentina quanto nos Estados Unidos . De acordo com o estudo de 2024 do Instituto Variedades da Democracia (V-Dem) , há um declínio global na qualidade democrática, especialmente em países onde governos de direita ascenderam com discursos autoritários. Ao limitar a oposição por meio de estratégias populistas e polarizadoras, que pintam a democracia como “ineficiente ou ameaçada” e se colocam como “salvadores da nação” , é uma tática amplamente ‘manjada’. América do Sul – Brasil O governo de Jair Bolsonaro (2018-2022) negligenciou a crise sanitária da Covid-19, disseminando informações falsas sobre vacinas e agravando a crise, o que resultou em milhares de mortes evitáveis. Sua gestão também foi marcada por declarações que fomentaram a intolerância, especialmente contra grupos minoritários. Historicamente, movimentos fascistas tendem a ressurgir em períodos de crise econômica e instabilidade política, quando narrativas excludentes são usadas para culpar minorias pelas dificuldades sociais. No Brasil, a relativização da ditadura, a disseminação de teorias conspiratórias, ataques às instituições democráticas e o enfraquecimento de políticas de direitos humanos, aliados ao uso de lemas historicamente associados ao integralismo, como "Deus, Pátria e Família" , têm sido usados para promover um discurso ultraconservador e nacionalista, criando um terreno fértil para esses grupos. Fonte: Metrópoles De acordo com as pesquisas da antropóloga Adriana Dias (1970-2023), células de grupos neonazistas cresceram 270,6% no Brasil entre janeiro de 2019 e maio de 2021 , se espalhando por todas as regiões. Pesquisadores do Observatório da Extrema Direita destacam que esse fenômeno não se limita ao Bolsonarismo , mas reflete uma radicalização impulsionada por discursos de ódio, conservadorismo, desinformação e o uso estratégico das redes sociais para recrutar e mobilizar seguidores. Durante o governo de Bolsonaro, uma série de protestos em massa surgiram em resposta às políticas impopulares e movimentos contra a Constituição, que afetaram diretamente a vida de milhões de brasileiros. Um dos principais protestos, além dos referentes a escassez de alimentos com a alta dos combustíveis e o desemprego, foi o corte no orçamento da educação, especialmente os cortes nas universidades e institutos federais , o que gerou uma mobilização significativa entre estudantes, professores e acadêmicos contra os esforços da direita para desmantelar o ensino público no Brasil. Crédito: Paulo Pinto/Fotos Publicas | Fonte: Contee Europa – Grécia Em 28 de fevereiro de 2023, um trágico acidente ferroviário ceifou a vida de 57 pessoas após um trem intermunicipal com passageiros a bordo colidir com uma locomotiva de carga no vale de Tempe, na região de Tessália . Em 2025, dois anos após o ocorrido, as manifestações na Grécia escancaram a indignação popular diante da negligência do governo em relação às condições de vida da população. O aumento do custo de vida e das condições de trabalho precárias , agravadas por políticas que favorecem interesses privados, gerou revolta e levou milhares de cidadãos às ruas, exigindo transparência e ações concretas para garantir a segurança pública. As manifestações de fevereiro resultaram em repressão policial, com o uso de gás lacrimogêneo e a detenção de cerca de 90 pessoas e dezenas de feridos. Em maio de 2023, o partido de direita Nova Democracia (ND), sob a liderança do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis, venceu as eleições, renovando o mandato por mais quatro anos. Durante sua campanha, Mitsotakis prometeu grandes reformas, incluindo aumentos salariais e enfrentamento das dificuldades econômicas, mas suas promessas continuam sem concretização, gerando crescentes insatisfações. O governo também foi marcado por acusações de desvirtuamento de investigações, como o escândalo de escutas telefônicas em Atenas. Na época do acidente, inclusive, poucos meses após assumir o cargo, Mitsotakis afirmou que o acidente foi “um trágico erro humano”, mas até agora, as investigações seguem sem conclusão ou condenação de suspeitos pelas mortes. Crédito: Angelos Tzortzinis/AFP | Fonte: Correio Braziliense Ásia – Coreia do Sul Em 3 de dezembro de 2024, o presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol, membro do partido conservador, anunciou a implementação de uma Lei Marcial em resposta a crescentes tensões sociais e manifestações contra o governo, incluindo conflitos trabalhistas e exigências por reformas. A medida restringe severamente as liberdades civis e políticas , permitindo aos militares o controle da movimentação das pessoas e a imposição de toques de recolher. A decisão, comunicada por um discurso sem aviso prévio e transmitida ao vivo no canal de notícias YTN. A última vez que a Lei Marcial foi aplicada na Coreia do Sul foi em 1980, durante a ditadura militar, quando o governo utilizou a força para reprimir protestos pró-democracia , resultando em centenas de mortes – como foi no levante de Gwangju , que se tornou um símbolo importante na luta pela democracia na Coreia do Sul e que é lembrado como um dos momentos mais trágicos da história do país. Já em 2024, a tentativa de golpe de Estado foi rapidamente rejeitada pelo Parlamento, que iniciou um processo de impeachment de Yoon Suk Yeol, formalizando sua destituição 11 dias após o ato antidemocrático. A mobilização da população também foi importante frente à Assembleia Nacional, na capital Seul, mesmo com as temperaturas próximas a zero graus. O destaque se deu a juventude fã de k-pop, que frequentemente combina elementos da cultura pop com ativismo político, usando músicas de k-pop e a figura dos lightsticks como forma de resistência política. Crédito: Jung Yeon-je/ AFP/ Getty Images | Fonte CNN Os jovens sul-coreanos, por meio de redes sociais como Twitter, Instagram e TikTok, convocavam outros fãs para protestar e fazer pressão sobre o governo. Enquanto “Whiplash”, música do grupo aespa , teve a letra alterada para dar voz às palavras de ordem “renuncie, renuncie, renuncie, Yoon Suk-yeol”, os lightsticks , bastões de luz tradicionalmente usados durante os shows de k-pop, eram balançados pelos manifestantes seguindo os gritos de ordem, iluminando as ruas e ganhando um novo simbolismo de resistência política. A resposta: Se olharmos para a história do mundo, a democracia já passou por crises profundas e tentou se reinventar de todas as formas , mas nunca sem o esforço coletivo. Todavia, o crescimento da extrema direita, principalmente com a alavanca da desinformação/fake news e uso de estratégias de disseminação por meio de redes sociais, provoca a capacidade dos regimes democráticos de se manterem estáveis e inclusivos. Lenin, em sua obra O Estado e a Revolução (1917) , argumenta que a democracia no capitalismo não é genuinamente democrática. Ela não é mais que uma forma política que, embora forneça certos direitos e liberdades, serve, na essência, aos interesses da classe dominante. “O Estado é o produto e a manifestação do caráter inconciliável das contradições de classe. O Estado surge precisamente onde, quando e na medida em que as contradições de classe objetivamente não podem ser conciliadas.” A pergunta para o futuro das democracias, portanto, se torna ainda mais relevante. Uma vez que o Estado não é um instrumento neutro, mas sim uma manifestação das contradições de classe, as democracias ao redor do mundo, imersas no auge do capitalismo tardio, perpetuam o mecanismo de manutenção do poder da burguesia para a dominação das massas populares. Seu modelo de sistema de governo não só aparenta está cada vez mais sucumbindo a reprodução de novos formatos de desigualdade escancarada a classe trabalhadora. As democracias liberais não são capazes de se aproximarem da ideia de igualdade, mas se tornaram campos de batalha onde somente as elites ganham. Isso significa que os interesses poderosos, as corporações e o mercado financeiro prevalecem sobre as necessidades reais do povo. E é somado as ações de governos de direita, sob o disfarce de "restaurar a ordem", crescem. À medida que a extrema direita ganha espaço, torna-se cada vez mais evidente que o modelo democrático atual está longe de ser ideal. É um ataque quase combinado: começa com a polarização, as fakes news e a criminalização de movimentos populares, até chegar ao convencimento de uma população marginalizada que a democracia existe para todos, quando na verdade serve apenas para consolidar o poder nas mãos de uma minoria. O futuro não só pode como deve ser diferente, pois vimos que a juventude desempenha um papel fundamental nesse processo de agitação política . Sendo o motor de uma revolução que visa romper com a passividade das massas e despertar nelas a necessidade de uma ação coletiva, ao se engajar desde cedo nas lutas sociais e políticas, estes podem mudar profundamente o que se espera para os próximos anos, alimentando um movimento que vai além da resistência, mas que busca a transformação radical das condições materiais de vida. Texto escrito por Jeane Queiroz É jornalista e pós-graduanda em Assessoria de Imprensa e Gestão da Comunicação. Orgulhosa "fã de carteirinha" de K-pop, fundou o coletivo Liga Comunarmy, que une fãs do grupo sul-coreano BTS focados em disseminar a perspectiva da luta de classes através do incentivo e análises das músicas da banda. Revisão por Eliane Gomes Edição por João Guilherme V.G. Fontes Livros: https://www.marxists.org/portugues/lenin/1917/08/estadoerevolucao/cap1.htm#s1 Links: https://revistakoreain.com.br/2024/12/lei-marcial-na-coreia-do-sul-entenda-o-que-ocorreu-no-pais-ate-a-suspensao-da-medida/?utm_source=chatgpt.com https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/coreia-do-sul-yoon-suk-yeol-comparece-ao-julgamento-de-impeachment/ https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/saiba-o-que-e-lei-marcial-medida-decretada-na-coreia-do-sul/ https://fastcompanybrasil.com/news/cultura-k-pop-inspira-manifestantes-pelo-impeachment-do-presidente-da-coreia/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Democracia#:~:text=Democracia%20 (do%20em%20grego%20cl%C3%A1ssico,em%20sua%20popula%C3%A7%C3%A3o%20em%20geral. https://www.v-dem.net/documents/48/v-dem_dr_2024_portuguese.pdf https://operamundi.uol.com.br/opiniao/48118/losurdo-revolucao-de-outubro-e-democracia-no-mundo https://www.brasildefato.com.br/2021/10/12/fascismo-esta-na-raiz-do-bolsonarismo-diz-coordenador-do-observatorio-da-extrema-direita/ https://www.brasildefato.com.br/2021/09/09/deus-patria-familia-bolsonaro-usa-lema-da-acao-integralista-brasileira-em-carta-a-nacao/ https://veja.abril.com.br/mundo/protestos-que-reunem-mais-de-300-mil-na-grecia-tem-pedradas-e-confrontos-com-policia https://www.correiobraziliense.com.br/mundo/2025/02/7072959-grecia-manifestantes-entram-em-confronto-com-a-policia.html https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2023/05/direita-no-poder-vence-eleicoes-na-grecia.ghtml https://www.politico.eu/article/greek-government-spying-regulators-wiretapping-predatorgate-scandal/ https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2023/06/26/mitsotakis-inicia-segundo-mandato-na-grecia-com-promessa-de-reformas.htm https://www.poder360.com.br/poder-internacional/protestos-na-grecia-relembram-desastre-ferroviario-de-2023/ https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/milhares-de-pessoas-protestam-na-grecia-por-acidente-ferroviario/ https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2024-04/conselho-leva-onu-alerta-sobre-avanco-do-neonazismo-no-brasil https://www.brasildefato.com.br/2022/04/09/cidades-registram-atos-contra-o-governo-bolsonaro-e-o-aumento-dos-precos-acompanhe/
- CELAC: Um sonho de integração ainda não realizado
“Sim, participarei da reunião da CELAC” Brasil retornou ao bloco em 2023 (Reprodução) Essa foi a resposta da presidente do México, Claudia Sheinbaum, a um jornalista no mês passado. Coincidentemente, na mesma semana, o Google Trends registrou um pico inédito nas buscas pela palavra, com os maiores interessados provenientes de países da América Central , como Honduras, Nicarágua e Cuba. A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) é um bloco intergovernamental composto por 33 países da América Latina e do Caribe. Criada em 2010 e oficializada em 2011, sua principal missão é promover a integração regional e fomentar o diálogo político, econômico e social entre seus países-membros. O Brasil desempenhou um papel fundamental como articulador na criação do bloco, reforçando sua importância na integração regional. No entanto, o país se afastou por quatro anos devido a uma decisão ideológica do ex-presidente Jair Bolsonaro , que optou pela retirada. Em 2023, o Brasil retomou sua participação, reafirmando seu compromisso com o bloco. Os desafios da integração do bloco A criação da CELAC destacou-se por sua ambiciosa proposta de unir 33 países com o objetivo de fomentar o diálogo político, a concertação e a cooperação regional. Sua agenda abrangente inclui temas cruciais, como segurança alimentar e energética, saúde, inclusão social, desenvolvimento sustentável, transformação digital e infraestrutura voltada para a integração regional. No entanto, as divergências entre os países latino-americanos e caribenhos, especialmente de natureza política, rapidamente se tornaram um desafio significativo para que o bloco atingisse seu propósito inicial. A reunião extraordinária mencionada no início deste artigo, havia sido convocada em resposta às deportações em massa pelo endurecimento da política migratória do presidente estadunidense Donald Trump . No entanto, foi cancelada um dia antes, evidenciando os obstáculos enfrentados pelo bloco em sua busca por unidade e cooperação. A presidente de Honduras, Xiomara Castro, que também é a atual presidente da CELAC , informou em nota que a reunião foi cancelada porque: "(Alguns países-membros) privilegiaram outros princípios e interesses diferentes aos de unidade da região latino-americana e caribenha". A presidente hondurenha, Xiomara Castro, é a atual presidente da CELAC (Reprodução) Os países-membros mencionados por Castro são a Argentina, liderada por Javier Milei, e El Salvador, governado por Nayib Bukele . Ambos os presidentes, conhecidos por sua aliança com Trump , atuaram nos bastidores para desmobilizar a reunião do bloco, que segue sem uma nova data definida para ocorrer. Política migratória do segundo mandato de Donald Trump foi o motivo principal da reunião extraordinária convocada pela CELAC (Reprodução) A CELAC continua sendo um sonho não concretizado para a integração da América Latina e do Caribe , uma promessa que, desde sua criação, parece destinada a não se cumprir. Apesar dos discursos que enfatizam a importância da integração regional, falta vontade política por parte dos países-membros. Essa ausência de compromisso reflete-se na atuação quase inexpressiva do bloco diante dos desafios regionais enfrentados. A integração regional, em um mundo global que enfrenta desafios econômicos e ambientais crescentes, é mais do que uma opção: é uma necessidade urgente. Cabe aos países-membros transformar palavras em ações concretas, para que a CELAC possa, finalmente, desempenhar o papel essencial para o qual foi criada: promover a integração da América Latina e do Caribe. Quem sabe um dia… Katiane Bispo , é feminista, formada em Relações Internacionais com especialização em Políticas Públicas e Projetos Sociais. Já atuou em inúmeros projetos de defesa aos Direitos Humanos, Gênero e Educação. Uma curiosa por essência e teimosa por sobrevivência. É podcaster no programa "O Historiante", colunista no Portal Águia. Instagram: @uma_internacionalista Revisão por Eliane Gomes Edição por João Guilherme V.G. Fontes http://portal.mec.gov.br/encceja-2/480-gabinete-do-ministro-1578890832/assessoria-internacional-1377578466/20742-comunidade-dos-estados-latino-americanos-e-caribenhos-celac https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/mundo/sheinbaum-confirma-presenca-em-reuniao-da-celac-e-ve-acordo-colombia-eua-como-positivo/ https://www.cnnbrasil.com.br/politica/celac-o-que-e-o-grupo-que-reune-paises-da-america-latina-e-caribe/ https://www.gov.br/mre/pt-br/canais_atendimento/imprensa/notas-a-imprensa/retorno-do-brasil-a-celac
- Trump e Zelensky: Conflito na Casa Branca ganha destaque na mídia mundial
Bate-boca entre Trump e Zelensky na Casa Branca coloca em xeque acordos que seriam assinados na tarde desta sexta-feira (28). Líderes europeus saem em defesa de Zelensky. Confira o vídeo de como a discussão começou. Assine nossa newsletter e fique por dentro de todos nossos artigos em primeira mão!
- A inclusão da cultura nas políticas do G20
O Brasil, através do Ministério da Cultura (MinC) , mostra que a cultura é economia e, mais do que isso, é a base para o diálogo e a cooperação entre as nações. Confira neste artigo como foi a inclusão da cultura e seus temas, que resultaram na “ Declaração de Salvador da Bahia dos Ministros da Cultura do G20 ”. Fonte: https://iree.org.br/g20-no-brasil-contexto-e-principais-debates/ O G20 foi criado em 1999 e é um fórum de cooperação econômica internacional que reúne as principais economias do mundo. O objetivo é fortalecer a economia internacional e debater temas importantes para o desenvolvimento socioeconômico global. Chefes de Estado e representantes de 18 países membros do grupo, além da União Africana e União Europeia, se reuniram nos dias 18 e 19 de novembro, no Rio de Janeiro, na Cúpula dos Líderes do G20, tendo o Brasil como presidente rotativo. Fonte: http://surl.li/jybkyi Fazem parte do G20: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, Turquia, União Africana e União Europeia. Na Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu artigo 27, a cultura é um direito como todos os outros: “Toda pessoa tem direito de participar livremente da vida cultural da comunidade.” Entretanto, a cultura não tinha o mesmo espaço na agenda do G20, o que começou a mudar nos últimos encontros. Na Assembleia Geral da ONU, de 19 de dezembro de 2019, foi promulgado a Resolução 74/230, que versa sobre cultura e desenvolvimento sustentável. Na mesma Assembleia, foi declarado o ano de 2021 como Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável. Desde 2020, os países integrantes do G20 passaram a dar mais atenção aos debates sobre a importância da cultura na construção das relações internacionais, a capacidade de promover mais respeito entre os povos, além de maior inclusão e desenvolvimento sustentável. Declaração de Roma Uma prova da importância da cultura no centro de poder global é a Declaração de Roma dos Ministros da Cultura do G20 (2021) , que integra a cultura nas perspectivas de trabalho do grupo, com uma visão multidisciplinar , o que coloca o tema de forma transversal nas discussões sobre economia, trabalho, meio ambiente, tecnologia e educação, etc. Na Declaração de Roma, foram estabelecidos alguns princípios norteadores , onde há entendimento dos setores culturais e criativos como impulsionadores da regeneração e do crescimento sustentável e equilibrado. É importante relembrar que estas decisões foram tomadas no período ainda agudo da COVID-19, sendo o setor cultural um dos mais afetados pelo colapso sanitário global. Fonte: http://surl.li/osmmay Se destacam também na Declaração, temas como a proteção do patrimônio cultural, a abordagem da cultura para lidar com as mudanças climáticas, capacitação por meio de treinamento e educação, e a transição digital e novas tecnologias para a cultura. Declaração de Nova Delhi Em 9 de setembro de 2023, o Grupo dos G20 aprovou a Declaração de Líderes com uma inserção mais forte da cultura nos compromissos de políticas dos países membros. No parágrafo denominado “ Cultura como Condutor de Transformação dos ODS ”, o Grupo de Trabalho de Cultura, que teve a UNESCO como Parceira de Conhecimento , conseguiu um reconhecimento dos países da importância do retorno de bens culturais aos países de origem, reforçando a Convenção da Unesco de 1970 . Na reunião dos Ministros da Cultura daquele ano, foi assinado um documento intitulado “ Kashi Culture Pathway ”, sendo um conjunto de compromissos dos países para possibilitar o retorno e a restituição dos bens culturais como um imperativo ético da justiça social, a valorização da contribuição das comunidades locais e dos patrimônios vivos para o desenvolvimento sustentável, o investimento em indústrias culturais e criativas, e a utilização da transformação digital para proteger e promover a cultura. O Manto Tupinambá é apenas um dos inúmeros exemplos dessa mudança de paradigma na cultura e nas relações internacionais. O artefato indígena é considerado sagrado e foi levado à Europa em 1644, permanecendo exposto no Museu da Dinamarca até julho de 2024, quando foi repatriado. Na cerimônia do retorno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a importância do fato: “O momento de hoje é sumamente extraordinário para que a gente reflita sobre o que acontece no nosso Brasil, desde a descoberta deste país, com os povos indígenas. O retorno do Manto para o Brasil representa a retomada de uma história que foi apagada, uma história que precisa ser contada e preservada, assim como esse manto que muitos indígenas só conhecem pela memória de seus ancestrais." A Declaração de Nova Delhi também reforça a economia criativa como um motor para o crescimento inclusivo, onde os países pediram que a cultura tenha um papel maior na agenda de desenvolvimento global pós-2030 . A cooperação multilateral e o papel da cultura para resolver problemas globais contemporâneos também foram destaque no texto final. Declaração de Salvador da Bahia dos Ministros da Cultura do G20 A 19ª reunião da cúpula do G20 finalizou com uma Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza , com propostas para erradicar a fome até 2030 , e também com a criação do G20 Social, que abriu espaço para a sociedade civil debater com os GTs. Mas não foi só isso. O GT de Cultura, formado pelos ministros da pasta do G20, criou um documento de referência para futuras negociações na área cultural e sua transversalidade na economia, educação e afins. O Grupo de Trabalho de Cultura do G20 se reuniu entre 4 e 8 de novembro, em Salvador, na Bahia. Estavam presentes mais de 120 autoridades , entre eles ministros, secretários e representantes de países-membros, como Alemanha, Índia, Japão e Arábia Saudita. O texto dos debates possui diretrizes para orientar políticas culturais e ambientais globais. Fonte: http://surl.li/mdqcqy A palavra-chave é integração. A Carta da Bahia é um esforço coletivo para fortalecer políticas culturais integradas ao meio ambiente, à inovação tecnológica (Inteligência Artificial e propriedade intelectual) e à preservação de patrimônios culturais nacionais. Margareth Menezes, Ministra da Cultura, afirmou na reunião: “Esse documento consagra valores, princípios e diretrizes construídos de forma colaborativa, reafirmando nosso compromisso com inclusão, participação social e acessibilidade para o pleno exercício dos direitos culturais.” Indicando que o compromisso com a Carta reflete o consenso de diversas nações sobre a importância da cultura na construção de uma sociedade global mais inclusiva. As negociações da Carta tiveram o esforço de muitas equipes negociadoras de todo o país, reforçando a importância da cultura na renovação do sistema multilateral, uma base para o diálogo e a cooperação entre os países. Isso fica notório na Declaração dos Líderes do G20 do Rio de Janeiro, em parágrafo específico: “ Nós reconhecemos o poder e o valor intrínseco da cultura no fomento à solidariedade, ao diálogo, à colaboração e à cooperação, promovendo um mundo mais sustentável, em todas as suas dimensões e de todas as perspectivas. Comprometemo-nos com os princípios de inclusão, participação social e acessibilidade, para o pleno exercício dos direitos culturais, enfrentando o racismo, a discriminação e o preconceito, e fazemos um apelo por um engajamento global fortalecido e eficaz no debate sobre direitos autorais e direitos conexos no ambiente digital e os impactos da inteligência artificial sobre os detentores de direitos autorais. Nós encorajamos os países a aprimorarem a cooperação, a colaboração e o intercâmbio internacionais para o desenvolvimento da economia criativa. Nós reafirmamos nosso compromisso com as convenções relevantes da UNESCO. Nós reafirmamos nosso compromisso de apoiar políticas que promovam a contribuição daqueles que trabalham nos setores de cultura, artes e patrimônio e fazemos um apelo aos países para fortalecerem a cooperação e o diálogo, abordando os direitos sociais e econômicos e a liberdade artística, tanto online quanto offline, em conformidade com os marcos de direitos de propriedade intelectual e as normas internacionais de trabalho, visando à melhoria do pagamento justo e a condições de trabalho dignas. Nós encorajamos o fortalecimento da proteção do patrimônio cultural, incluindo monumentos históricos e locais religiosos. Nós fazemos um apelo pelo apoio a um diálogo aberto e inclusivo sobre o retorno e a restituição de bens culturais, incluindo bens exportados ilegalmente, com base em uma ampla perspectiva histórica que renove as relações entre os países e permita mecanismos alternativos de resolução de disputas, quando apropriado. Nós reconhecemos a crescente apreciação do valor do retorno e da restituição de bens culturais para os países e comunidades de origem, com base no consentimento entre as partes relevantes.” (Declaração dos Líderes do G20, Rio de Janeiro, 2024) O grupo reconheceu o crescimento do peso econômico da Economia Criativa , com o incentivo de cooperação internacional que amplia os mercados culturais e fortalece a classe artística . Temas como a acessibilidade, combate ao racismo e trabalho digno foram reforçados nessa discussão. A transversalidade da cultura não ficou de fora de um tema delicado: o meio ambiente. No Seminário Internacional Cultura e Mudanças Climáticas, 11 painéis debateram temas como a criação de setores culturais ambientalmente responsáveis , que se preocupam com: emissões de carbono, justiça climática para artes e cultura e o poder das artes e da cultura para a mobilização social pró-clima. O Brasil copreside, ao lado dos Emirados Árabes Unidos, o Grupo de Amigos da Ação Climática Baseada na Cultura, e será sede da COP 30, em Belém (2025). O diálogo aberto sobre o retorno de bens culturais e o combate ao tráfico de bens culturais ganhou continuidade, com o reforço do direito à memória e a proteção do patrimônio cultural, material e imaterial. Jerônimo Rodrigues, governador da Bahia, citou o caso do manto sagrado dos Tupinambás, item ancestral devolvido ao Brasil recentemente (2024). A complexa relação entre tecnologia e os desafios contemporâneos foi tema das reuniões, com os impactos da inteligência artificial na diversidade cultural e nos direitos autorais. O tema precisou da persistência do Brasil nas negociações para que entrasse na agenda de forma definitiva. Mudança importante, com atraso Agora o Brasil passa a presidência do G20 para a África do Sul, com a inserção da cultura no topo da agenda , pela sua característica transversal e capacidade de aproximar os países. Os temas tratados pelo GT de Cultura são importantes e carecem de maior atenção pelas lideranças globais , pois a cultura é um tema fundamental na estratégia de uma solução sustentável e verdadeira. O resultado da Carta da Bahia e a Declaração dos líderes do G20 serão, sem dúvida, bases para o próximo Mondiacult, a Conferência Mundial da Unesco sobre Políticas Culturais e Desenvolvimento Sustentável , a ser realizada em 2025, em Barcelona (Espanha). Apesar da inserção da cultura na política do G20, é notório que o esforço por parte dos países do Sul global sofreu resistência, seja por parte dos países do Norte global, como por parte da própria opinião pública, que não reconhece ainda o Direito à Cultura como um direito universal. Fonte: CNN É necessário ampliar os debates sobre o papel da cultura no desenvolvimento sustentável, bem como na busca pela paz e justiça climática. Isso só se dará com políticas públicas efetivas e a intensa participação social, reforçando a transversalidade e a multidisciplinaridade, características que fazem da cultura uma importante área de potência e não de conflito. Por fim, o Brasil retorna aos palcos das negociações internacionais na área cultural , mostrando habilidade e pioneirismo em temas e abordagens mais criativas sobre os problemas globais. Resta saber os desdobramentos dessas discussões fora do território do Sul global. Texto escrito por Josué Kenji formado em Relações Internacionais, produtor cultural e pós-graduando em gestão Cultural, desenvolvimento e mercado. É co-organizador do "Festival da Criatividade Cria Bauru 2020" desde 2020, criador da "Comunidade Criativa Cria Bauru", articulador criativo da "Rede Bauru: Cidade Criativa Unesco", está membro do "Conselho de Ciência, Tecnologia e Inovação (2022-2024)" na cadeira de Sociedade Civil e atualmente é colunista do Portal Águia. Revisão: Eliane Gomes Edição: Felipe Bonsanto REFERÊNCIAS https://www.unesco.org/pt/articles/unesco-enaltece-o-compromisso-do-g20-em-priorizar-cultura-na-formulacao-de-politicas https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/noticias/um-g20-de-avancos-para-a-cultura https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/culturag20/cultura-no-g20 https://www.g20.org/pt-br/trilhas/trilha-de-sherpas/cultura https://www.g20.org/pt-br/documentos/declaracao-de-lideres-do-g20-brasil https://jornalgrandebahia.com.br/2024/11/g20-na-bahia-carta-de-salvador-define-diretrizes-para-politicas-culturais-e-sustentaveis-globais/ https://www.g20.org/pt-br/noticias/boletim-g20/boletim-g20-ed-199-economia-criativa-e-diversidade-cultural-guiam-discussoes-do-g20-no-rio https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-03/grupo-de-cultura-do-g20-vai-debater-diversidade-e-ambiente-digital https://jornal.unesp.br/2024/11/17/reuniao-do-g20-comeca-segunda-feira-no-rio-de-janeiro/ https://jornal.usp.br/radio-usp/cupula-do-g20-no-brasil-destaca-avancos-em-temas-economicos-e-climaticos/ https://www12.senado.leg.br/noticias/audios/2024/11/cupula-do-g20-termina-com-criacao-da-alianca-global-contra-a-fome-e-a-pobreza https://www.gov.br/secretariageral/pt-br/noticias/2024/novembro/cupula-do-g20-chega-ao-final-com-impressoes-digitais-da-sociedade-civil https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/g20-brasil-2024 https://www.itaucultural.org.br/secoes/observatorio-itau-cultural/declaracao-de-roma-propostas-dos-ministros-de-cultura-para-o-mundo https://www.unesco.org/pt/articles/ano-internacional-da-economia-criativa-para-o-desenvolvimento-sustentavel#:~:text=O%20ano%20de%202021%20foi,Assembleia%20Geral%20das%20Na%C3%A7%C3%B5es%20Unidas . https://portal-assets.icnetworks.org/uploads/attachment/file/100843/G20_declarac%CC%A7a%CC%83odeRoma.pdf https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2024/manto-tupinamba-governo-federal-celebra-retorno-do-artefato-sagrado-ao-brasil-e-reafirma-direitos-indigenas-como-uma-prioridade#:~:text=Nesta%20quinta%2Dfeira%20(12),de%20conquistas%20dos%20povos%20ind%C3%ADgenas . https://www.unesco.org/pt/articles/declaracao-de-nova-delhi-dos-lideres-do-g20-reafirma-cultura-como-uma-potencia-transformadora-para-o https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/noticias/declaracao-final-do-g20-destaca-cultura-como-uma-das-pautas-prioritarias https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/noticias/seminario-internacional-sobre-cultura-e-mudanca-do-clima-saiba-como-se-inscrever
- A Estratégia por trás de “Ainda Estou Aqui”
" Ainda Estou Aqui ", dirigido por Walter Salles, é um filme brasileiro que tem conquistado destaque no cenário cinematográfico internacional . Baseado no livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, a obra retrata a luta de Eunice Paiva , interpretada por Fernanda Torres , por respostas sobre o desaparecimento de seu marido (Rubens Paiva) durante a ditadura militar no Brasil. O filme não é apenas uma homenagem à memória de Eunice Paiva, mas também uma reflexão sobre a resistência e a busca por justiça. Estratégia de Lançamento Fonte: Aventuras na História A estratégia de lançamento de " Ainda Estou Aqui " foi meticulosamente planejada para maximizar o impacto do filme. A estreia mundial ocorreu no prestigiado Festival de Veneza em 1º de setembro de 2024 , o que ajudou a criar um grande buzz internacional. O lançamento no Brasil foi programado para 7 de novembro de 2024, permitindo que o filme fosse exibido em festivais e cinemas locais antes de sua distribuição internacional. A parceria com distribuidores internacionais, como a Sony Pictures Releasing, foi fundamental para garantir que o filme fosse lançado em diversos países, incluindo os Estados Unidos, França e Portugal. Essa estratégia permitiu que " Ainda Estou Aqui " alcançasse um público global e aumentasse suas chances de reconhecimento em premiações internacionais. Campanha Publicitária e Distribuição A campanha publicitária de " Ainda Estou Aqui " foi robusta e multifacetada , especialmente nos Estados Unidos. O marketing digital e o uso das redes sociais foram cruciais para aumentar a visibilidade do filme. Campanhas nas redes sociais, trailers impactantes e entrevistas com o elenco e a equipe ajudaram a criar um burburinho significativo ao redor do filme. Além disso, a Sony Pictures Releasing produziu uma campanha publicitária na TV aberta dos EUA, o que aumentou ainda mais a visibilidade do filme. O filme estreou em 17 salas em janeiro de 2025 e, após receber três indicações ao Oscar, saltou para 97 salas e, posteriormente, para 500 salas. Isso é inédito para uma produção brasileira e demonstra o sucesso da estratégia de distribuição e promoção. Uma campanha publicitária bem executada e uma distribuição estratégica podem ter um impacto profundo no sucesso de uma produção cinematográfica. No caso de " Ainda Estou Aqui ", a visibilidade aumentada e a exposição em mercados chave ajudaram a atrair uma audiência maior e a aumentar as chances de reconhecimento por críticos e jurados de premiações internacionais. Festivais de cinema e premiações, como o Oscar , muitas vezes consideram a presença e a recepção do filme em diferentes mercados e plataformas, tornando a campanha publicitária e a distribuição elementos cruciais para o reconhecimento e sucesso global do filme. Recepção do Público e Resultados As estratégias de lançamento e distribuição da obra se mostraram eficientes pelos números de exibição e bilheteria. Na 12ª semana de exibição do filme, mais de 4 milhões de pessoas já assistiram a produção, isso apenas no Brasil. Fonte: Imp Awards Nos Estados Unidos, o longa estreou em 17 de janeiro de 2025. Após as indicações ao Oscar de Melhor filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz no dia 23 de janeiro, o número de salas exibindo a obra saltou de 5 (semana de estreia) para 700 salas (dados de 10/02), batendo o recorde de Central do Brasil (144) e Cidade de Deus (108). Os números foram catapultados pelos mais de 30 prêmios conquistados (nacionais e internacionais) , incluindo o Globo de Ouro para Melhor Atriz em Filme Dramático (Fernanda Torres) e o Prêmio Goya de Melhor Filme Ibero-Americano e o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). A recepção do público vai além das altíssimas notas no site agregador de críticas de filmes Rotten Tomatoes (96% pela Crítica e 98% pelo público) e 8,8/10 no IMDb ( Internet Movie Database ). O impacto do filme extrapola as telas do cinema e se materializa em discussões sobre o período da ditadura militar , memórias e política atual. José Carlos Moreira da Silva Filho, da Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, citou a vitória de Fernanda pela atuação no filme que, segundo ele, “contribui para dimensionar o período da ditadura no Brasil". Essa potência da obra cinematográfica traz e fortalece a memória de Eunice Paiva , que batalhou em vida e morte pela vida e defesa dos povos indígenas , pela memória das vítimas da ditadura e pela lembrança do que ocorreu com Rubens Paiva , desaparecido durante o período de violência política que não se deve esquecer. Mas se engana quem acredita que o filme passaria ileso de polêmicas . Internautas resgataram uma esquete de comédia de 2008, em que Fernanda Torres fazia blackface (prática de pintar o rosto de preto ou marrom para representar pessoas negras de forma estereotipada). A artista veio a público se desculpar e dizer que a prática (blackface ) é inaceitável. Os internautas, porém, resgataram um outro caso parecido de Zoe Saldanha, atriz coadjuvante do filme “Emília Perez”, que, segundo os internautas, teria feito blackface em um filme de 2016. O embate escalou quando Karla Sofía Gascon (Emília Perez), insinuou que a equipe de Fernanda Torres teria “falado mal dela e de Emília Perez”, em entrevista à Folha de São Paulo: “Para ressaltar o trabalho de uma pessoa não é necessário afundar o trabalho dos demais. Em nenhum momento, [alguém] me verá falando mal de Fernanda Torres ou do filme. Mas, por outro lado, há pessoas que trabalham com Fernanda Torres que falam mal de mim e de Emilia Pérez. Isso fala mais deles e de seu filme [‘ Ainda Estou Aqui ’] do que do meu”, concluiu. No âmbito nacional, perfis mais identificados com a direita política alegaram que o filme teria recebido recursos da Lei Rouanet , o que foi desmentido em nota técnica pelo Ministério da Cultura : “A obra é uma produção brasileira, em regime de coprodução internacional com a França e financiada com recursos próprios”, explicou. Até mesmo por suas características como um longa-metragem, a produção inspirada no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva não poderia se aproveitar da lei de incentivos .” (MinC, 2025). Conclusão Em suma, "Ainda Estou Aqui" não é apenas um filme, mas um poderoso testemunho da luta por justiça e memória no Brasil. A obra de Walter Salles, com a brilhante atuação de Fernanda Torres, transcende as telas e provoca reflexões profundas sobre a ditadura militar e suas consequências. A estratégia de lançamento e a campanha publicitária meticulosamente planejadas garantiram que o filme alcançasse um público global, conquistando prêmios e reconhecimento internacional . No entanto, a produção também enfrentou polêmicas, mostrando que a arte, muitas vezes, reflete e desafia as complexidades da sociedade. "Ainda Estou Aqui" é, sem dúvida, um marco no cinema brasileiro , reafirmando a importância de lembrar e discutir nosso passado para construir um futuro mais justo e consciente. Texto escrito por Josué Kenji formado em Relações Internacionais, produtor cultural e pós-graduando em gestão Cultural, desenvolvimento e mercado. É co-organizador do "Festival da Criatividade Cria Bauru 2020" desde 2020, criador da "Comunidade Criativa Cria Bauru", articulador criativo da "Rede Bauru: Cidade Criativa Unesco", está membro do "Conselho de Ciência, Tecnologia e Inovação (2022-2024)" na cadeira de Sociedade Civil e atualmente é colunista do Portal Águia. Texto escrito por Gustavo Longo Atuante na área da tecnologia há vinte anos, conciliador, curioso, disposto e apaixonado em sempre ajudar as pessoas, além de crente no poder transformador da Educação. Nas horas vagas, busca aprender sobre mercado de ações e em descobrir curiosidades do mundo do cinema através do canal Youtube Faro Frame. Acaba de iniciar um projeto pessoal com sua esposa para viajar e "viver" como um cidadão local em cada capital brasileira por 30 dias nos próximos anos. Revisão: Eliane Gomes Edição: João Guilherme Referencias https://pt.wikipedia.org/wiki/Walter_Salles?form=MG0AV3 https://pt.wikipedia.org/wiki/Marcelo_Rubens_Paiva?form=MG0AV3 https://variety.com/t/venice-film-festival/?form=MG0AV3 https://www.sonypictures.com/?form=MG0AV3 https://revistaquem.globo.com/entretenimento/series-e-filmes/noticia/2025/02/ainda- estou-aqui-e-eleito-o-melhor-filme-em-lingua-nao-inglesa-do-ano-no-dorian-awards.ghtml?form=MG0AV3 https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2025/02/7060440-ainda-estou-aqui-ganha-mais-um-premio-internacional.html?form=MG0AV3 https://d24am.com/plus/ainda-estou-aqui-e-eleito-o-melhor-filme-em-lingua-nao-inglesa-do-ano/?form=MG0AV3 https://gshow.globo.com/globoplay/noticia/ainda-estou-aqui-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-o-filme-que-acaba-de-chegar-aos-cinemas.ghtml?form=MG0AV3 https://pt.wikipedia.org/wiki/Ainda_Estou_Aqui_%28filme_de_2024%29?form=MG0AV3 https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2025/01/31/ainda-estou-aqui-bate-4-milhoes-de-espectadores-no-brasil.ghtml https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/02/ainda-estou-aqui-e-exibido-em-700-salas-dos-eua-e-passa-dos-us-2-milhoes.shtml https://revistaquem.globo.com/entretenimento/series-e-filmes/noticia/2025/02/na-corrida-pelo-oscar-ainda-estou-aqui-ja-conquistou-mais-de-30-premios-veja-lista.ghtml https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/premio-apca-2024-divulga-vencedores-com-ainda-estou-aqui-e-mais-veja/ https://brasil.elpais.com/brasil/2019/09/19/internacional/1568918644_060063.html https://www.poder360.com.br/poder-midia/fernanda-torres-pede-desculpa-por-blackface-de-17-anos-atras/ https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/americanos-resgatam-blackface-de-fernanda-torres-e-brasileiros-mostram-zoe-saldana,779c87accc5ef184a930f6590bf1674ad7tmb5i4.html https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/karla-sofia-gascon-critica-equipe-de-fernanda-torres-falam-mal-de-mim/ https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/600405-ainda-estou-aqui-usou-recursos-da-lei-rouanet-entenda-falsa-polemica-sobre-o-filme.htm https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2025/01/ainda-estou-aqui-e-importante-para-dimensionar-a-ditadura-no-brasil-diz-vice-presidente-da-comissao-de-anistia-cm5lo5if300da0177oawrgx2r.html#:~:text=%22Ainda%20Estou%20Aqui%22%20%C3%A9%20importante,da%20Comiss%C3%A3o%20de%20Anistia%20%7C%20GZH https://www.jota.info/artigos/ainda-estou-aqui-indicacao-historica-ao-oscar-e-uma-vitoria-para-os-direitos-humanos
- Mudanças na política: Velhos políticos, novas estratégias
Na última semana assisti a uma entrevista em que a entrevistada respondeu a uma pergunta com: "Não se fazem mais políticos como antigamente!" De alguma forma, essa frase me atingiu e me fez refletir: Como seriam os políticos de antigamente com a política e a internet mudando todas regras do jogo político? Fonte: https://observatorio3setor.org.br/debate-politico-na-internet/ A cada período eleitoral, temos visto o crescimento de barbaridades sendo cometidas em campanhas políticas. Foram as fakes news lançadas na campanha de 2014, quando o então candidato à Presidência da República, Aécio Neves, questionou a veracidade das urnas eletrônicas. Em 2018 , fomos tomados por uma avalanche de mensagens no WhatsApp e demais mídias sociais, com mensagens sobre o perigo comunista (sic), o Brasil se tornar como a Venezuela (sic), entre diversas outras barbaridades, até chegarmos a socos e cadeiradas em 2024. E, em meio a esse tornado de situações, muitas vezes nos questionamos sobre onde vamos parar com isso tudo, então fica o questionamento: como chegamos até aqui? Para responder a essa pergunta, é importante entender como a internet se tornou crucial para as campanhas políticas . O ponto de partida Em 2009, foi autorizado o uso das mídias sociais para a campanha política no Brasil de 2010. Até então, era possível apenas o uso de sites e blogs que falassem do então candidato à eleição. E ssa autorização veio após a positiva campanha eleitoral no pleito americano de 2008 , quando Barack Obama se tornou presidente. O slogan utilizado nas mídias sociais naquela época ficou conhecido como " Obama everywhere " e foi extremamente importante para a eleição do democrata. Fonte: https://techcrunch.com/2015/02/05/obama-was-an-iphone-fanboy-before-everyone-else/ A intenção do uso das mídias sociais em campanhas políticas seria para a expansão do debate político e atingir jovens que, naquela época, eram os que mais utilizavam. Embora autorizado, o uso das mídias sociais na campanha eleitoral não foi eficaz na corrida presidencial de 2010, mas ela já se fez presente. O uso das mídias sociais na política no Brasil se tornou mais chamativo no movimento dos "0,20 centavos" em São Paulo em 2013 . Naquela época, as mídias sociais eram usadas para organizar protestos em diversos espaços em São Paulo. Esse movimento foi encabeçado pelo Movimento Passe Livre , que lutava pelo transporte livre para estudantes na cidade de São Paulo. Fonte: https://webjornalunesp.wordpress.com/2014/06/16/por-dentro-do-movimento-nao-vai-ter-copa/ O formato de organização desse movimento ajudou a desencadear diversos outros protestos, como o " Não vai ter copa ", que se estendeu por diversas cidades, como Rio de Janeiro e Salvador. A partir de então, o uso das mídias sociais foi se tornando cada vez mais importante em movimentos e campanhas políticas. O uso das mídias sociais foi se tornando cada vez mais acessível e cada vez mais inovador. Diversos exemplos e modelos começaram a surgir ao redor do mundo. Um desses exemplos foi o BREXIT, movimento responsável pela campanha da saída do Reino Unido da União Europeia, uma parceria que acontecia há mais de 40 anos e que foi em sua grande parte movimentada pelas mídias sociais, com divulgação de materiais, entre elas fake news. Já do outro lado do oceano Atlântico, o uso das mídias sociais disseminou em larga escala milhares de fake news , que contribuíram para a eleição de Donald Trump em 2016 . Ambos eventos, o BREXIT na Europa e a eleição do Republicano Donald Trump para a Casa Branca, foram orquestrados pelas mídias sociais e suas falcatruas ficaram expostas no escândalo Cambridge Analytics , divulgado em 2018. Naquele momento, ficou exposto e pode-se ter uma ligeira noção do poder das mídias sociais e, a partir de então, as corridas eleitorais já não eram mais as mesmas há algum tempo. Crescimento no Brasil Na década de 2010, o Brasil foi tomado por um movimento de popularização e melhoria na oferta de internet. Isso possibilitou o acesso e a democratização das mídias sociais , chegando agora a outras faixas etárias que até então pouco utilizavam. Essa possibilidade foi identificada por diversos movimentos políticos que, a exemplo do que foi visto fora, começaram a se organizar. Foi exatamente isso que aconteceu no surgimento do movimento bolsonarista por volta de 2018 . A divulgação de soluções simples para problemas complexos e as falas polêmicas, tornaram Jair Bolsonaro um nome a ser especulado para uma corrida presidencial. No começo de 2018 , já se afirmando como candidato, Jair Bolsonaro era considerado um candidato que jamais conseguiria alcançar um considerável número de eleitores e foi nesse momento que o formato de campanha política no Brasil mudou completamente. Fonte: https://www.conversaafiada.com.br/politica/para-criar-seu-novo-partido-bolsonaro-quer-coletar-assinaturas-no-whatsapp A campanha política, antes pautada por um discurso formatado e generalista, vinculado pela TV e rádio, perdeu a sua importância. As mídias sociais se tornaram então o principal palco político do Brasil. A nova política com velhos políticos Bolsonaro, que era considerado carta fora do baralho , com míseros 8 segundos de tempo de TV, igualmente a seu "rival", Cabo Daciolo . Porém, ele seguiu corretamente a cartilha de outros outsiders, como Donald Trump e Boris Johnson . Partiu para as mídias sociais, espalhando desinformação em larga escala e quebrando todos os protocolos legais. Além disso, utilizou muito bem as possibilidades de contato e segmentação de discursos para públicos específicos, alcançando um crescimento estratosférico, que antes estava segmentado em uma bolha, impressionando a todos analistas políticos da época. Foi inaugurada a era do palanque digital. De lá até os dias atuais, as mídias sociais se tornaram protagonistas na corrida eleitoral e a extrema direita é a principal utilizadora deste meio para crescer. A possibilidade de segmentação de discurso e a utilização do discurso fácil e direto tem ganhado a população, que tem apresentado cada vez mais decepção com a democracia, não enxergando o perigo iminente. Eleições 2024 É dessa forma que chegamos às eleições municipais de 2024. Definitivamente a internet e as mídias sociais se tornaram atores fundamentais no desenrolar político ao longo de toda a campanha. É através de brechas na lei que candidatos têm conseguido cada vez mais burlar e utilizar de maneira injusta as formas de impacto via mídias sociais. A utilização da TV para apresentação de propostas e debates, tem sido usada como precursor para criação de vídeos curtos para disparos em massa, muitas vezes em formas de pirâmides, monetizando o conteúdo e criando campanhas que não há possibilidade de serem rastreadas, o que é ilegal . Diferente de campanhas patrocinadas, onde há o pagamento e registro de valores, que devem ser prestado contas ao final da campanha. Fonte: https://www.tre-sc.jus.br/comunicacao/noticias/2024/Marco/propaganda-em-geral-veja-o-que-pode-e-o-que-nao-pode-ser-feito-durante-a-campanha-eleitoral Além disso, cortes de vídeos da TV e demais espaços, como palestras, comícios entre outros que surgem, têm sido utilizados e direcionados cada vez mais para bolhas específicas. Falas aparentemente grosseiras e inofensivas, se tornam chamariz para pequenos nichos. Outra forma de propagação e divulgação de candidatos, são os próprios escândalos, que são usados com discurso de ódio e ode ao " sistema ", onde há promessa de ser " antissistema ". O formato de se fazer política mudou. A ascensão da internet e a possibilidade de se falar diretamente para determinado público aumentaram o alcance de fala e de discursos. Porém, tenho que discordar da entrevistada do começo do texto, não acredito que os políticos mudaram, eles apenas conseguiram maiores holofotes e alcance com os seus reais ideais. Texto escrito por Felipe Bonsanto Formado em Administração de empresas, pós-graduação em marketing e apaixonado por Los Hermanos. É militante pelos direitos LGBTQIAP+, trabalha com educação há oito anos, atua como co-host no podcast O Historiante e é colunista do Zero Águia. Revisão: Eliane Gomes Edição: Felipe Bonsanto, Eliane Gomes e João Guilherme
- Desigualdade Social: Um problema atual e persistente
Como diria uma antiga canção... “(...) Analisando essa cadeia hereditária quero me livrar dessa situação precária. Onde o rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre. E o motivo todo mundo já conhece é que o de cima sobe e o de baixo desce (...) mas eu só quero educar meus filhos. Tornar um cidadão com muita dignidade, eu quero viver bem, quero me alimentar, com a grana que eu ganho, não dá nem pra melar (...)” Talvez você tenha lido este parágrafo anterior cantarolando, pois se trata da música “ Xibom Bombom ” do grupo musical “ As Meninas ” que fez muito sucesso pelos anos de 1.999. Apesar de vinte e cinco anos terem se passado, a música infelizmente se mantém atual correndo o risco de piorar. No dia de 15 de janeiro de 2024 saiu um relatório da OXFAM, “ organização da sociedade civil brasileira, sem fins lucrativos e independente ”, criada em 2014 com objetivo de colaborar para construir um Brasil com mais justiça e menos desigualdades sociais. De acordo com o relatório “ Nós e as Desigualdades ” da OXFAM Brasil de 2022, a maioria dos brasileiros acredita que a redução da desigualdade é fundamental para o progresso do país . Cerca de 87% dos entrevistados concordam que a diminuição da diferença entre ricos e pobres é uma obrigação dos governos, um aumento de 2% em relação à pesquisa de 2021. Para combater a desigualdade social, 96% dos [entrevistados] brasileiros defendem que os governos devem garantir recursos para programas de transferência de renda e assistência social, especialmente para aqueles que mais precisam. Além disso, 95% acreditam que o Auxílio Brasil deve atender a todas as pessoas em situação de pobreza. Contrariando a crença popular de que quem recebe benefícios não quer trabalhar , a pesquisa revela que 54% dos entrevistados consideram o emprego como uma das três principais prioridades para uma vida melhor. Além disso, 55% acreditam que o crescimento no trabalho também está entre as primeiras prioridades. Notavelmente, estar empregado foi indicado como a primeira prioridade para uma vida melhor por 19% das pessoas de 25 a 44 anos, 19% das pessoas com ensino superior, 21% das pessoas que ganham até um salário mínimo, 20% dos beneficiários do Auxílio Brasil, 22% dos beneficiários do Auxílio Gás, e 19% das pessoas que acreditam ter retrocedido de classe social nos últimos cinco anos. Imagem extraída da pesquisa "Nós e as Desigualdades 2022", realizada em parceria com o Instituto Datafolha de março de 2022 (https://www.oxfam.org.br/um-retrato-das-desigualdades-brasileiras/pesquisa-nos-e-as-desigualdades/pesquisa-nos-e-as-desigualdades-2022/) Quando questionados sobre medidas prioritárias para a redução da desigualdade, o aumento da oferta de empregos e o aumento do salário mínimo foram destacados , com médias de 9,6 e 9,5, respectivamente. Além disso, 85% dos entrevistados concordam com o aumento dos impostos para pessoas muito ricas a fim de financiar políticas sociais, um aumento de 1% em relação a 2021. Ainda, 94% concordam que o imposto pago deve beneficiar os mais pobres e 56% concordam com o aumento dos impostos em geral para financiar políticas sociais, mantendo o mesmo patamar da pesquisa de 2021. Imagem extraída da pesquisa "Nós e as Desigualdades 2022", realizada em parceria com o Instituto Datafolha de março de 2022 (https://www.oxfam.org.br/um-retrato-das-desigualdades-brasileiras/pesquisa-nos-e-as-desigualdades/pesquisa-nos-e-as-desigualdades-2022/) Thomas Piketty, docente e economista renomado, é um dos mais respeitados de sua época. Com sua obra “ O Capital no Século XXI ”, ele contribuiu para inserir as disparidades de renda e patrimônio no cerne do debate na Europa e nos Estados Unidos. Piketty observa que, mesmo que as disparidades tenham se ampliado desde os anos oitenta ou noventa, elas são inferiores às de um século atrás . Ele sustenta que o mundo do século XIX, com a propriedade concentrada em poucos indivíduos, não era apenas desigual, mas também gerava menos crescimento do que o século XX, que presenciou uma notável diminuição das desigualdades. Ele propõe um imposto de 90% sobre o patrimônio dos mais ricos, com o intuito de fazer circular a propriedade e permitir que todos tenham acesso a ela. Ele defende que tal imposto possibilitaria financiar uma herança de 120 mil euros para todos aos 25 anos, o que poderia auxiliar na redução da desigualdade. Contudo, se nada for feito para enfrentar o crescimento das disparidades, Piketty alerta que o risco seria uma ruptura da União Europeia, outros BREXIT, ou uma tomada de controle por movimentos xenófobos, ambos nada indicados por ele conforme descrito no site El País. Piketty enxerga a propriedade privada como uma transformação crucial com uma dimensão libertadora ligada à liberdade e, simultaneamente, uma dimensão de alienação e domínio. Ele critica a estagnação no meio do caminho: desenvolver a igualdade formal perante o direito de propriedade sem avançar em direção à igualdade real, à verdadeira disseminação da propriedade. Em suma, tanto Piketty quanto a OXFAM Brasil destacam a necessidade de políticas efetivas para combater a desigualdade e promover a justiça social. A busca por direitos deve ser equilibrada com o cumprimento dos deveres, para que a sociedade como um todo possa prosperar. Crescimento e Distribuição do PIB Brasileiro em 2022 O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2022 , conforme dados do IBGE, ultrapassou a marca de 10 trilhões de reais, representando um crescimento de 31% em relação a 2020. As regiões de maior destaque foram o Sudeste e o Sul, com São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais ocupando as três primeiras posições. A região Sul aparece a partir da quarta posição com o Rio Grande do Sul. A Bahia, no Nordeste, ocupa a sétima posição, seguida pelo Distrito Federal, no Centro-Oeste, na oitava posição. A região Norte aparece na décima posição com o estado do Pará. São Paulo tem uma representatividade de 30% na economia nacional, seguido pelo Rio de Janeiro com 10% e Minas Gerais com 9,52%. Os estados com o PIB mais críticos são Roraima (0,20%), Amapá (0,22%) e Acre (0,24%). Os dados do PIB de 2022 refletem a dinâmica econômica do Brasil, com as regiões Sudeste e Sul liderando o crescimento . No entanto, a disparidade econômica entre as regiões permanece um desafio, como evidenciado pelos baixos índices de PIB em estados como Roraima, Amapá e Acre. É crucial que políticas sejam implementadas para promover o desenvolvimento econômico equilibrado em todo o país. Programas sociais do governo brasileiro https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/32418-sintese-de-indicadores-sociais-em-2020-sem-programas-sociais-32-1-da-populacao-do-pais-estariam-em-situacao-de-pobreza No Brasil, para participar de programas sociais do governo federal é necessário se inscrever gratuitamente no Cadastro Único, para isso é preciso ir presencialmente a um posto de atendimento. Alguns dos programas sociais do governo federal que utiliza este cadastro para beneficiar as famílias com renda mensal de até meio salário-mínimo por pessoa são: Programa Bolsa Família; Programa Tarifa Social de Energia Elétrica; Isenção de Taxas em Concursos Públicos; ID Jovem; Carteira do Idoso; Programa Minha Casa Minha Vida. Este Cadastro Único também é utilizado para o governo ter ciência de quantas famílias de baixa renda existem no país. Entre 2019 e 2020, o Brasil viu uma diminuição na proporção da população em extrema pobreza e pobreza, graças à implementação de programas sociais. No entanto, sem esses programas, as taxas teriam aumentado significativamente. O rendimento médio domiciliar per capita também caiu em 2020, e essa queda teria sido ainda maior sem a presença de programas sociais. A pandemia de Covid-19 teve um impacto significativo no mercado de trabalho e na educação, resultando em uma diminuição no nível de ocupação e na taxa de informalidade, e deixando muitos estudantes sem aulas presenciais e sem atividades escolares. Além disso, a pandemia aumentou significativamente o número de óbitos no país, afetando desproporcionalmente os homens pretos ou pardos. Muitas pessoas vivem em domicílios alugados com contratos apenas verbais e em áreas sujeitas a inundações. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, muitos trabalhadores demoram mais de uma hora para chegar ao trabalho, destacando os desafios do transporte na área. Esses são apenas alguns dos muitos desafios enfrentados pela população brasileira. https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/32418-sintese-de-indicadores-sociais-em-2020-sem-programas-sociais-32-1-da-populacao-do-pais-estariam-em-situacao-de-pobreza Desigualdade social no mundo Ao olhar para o mundo, no relatório de Desenvolvimento Humano 2021/2022, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em maio de 2023, apresenta dados do Índice Gini. Este coeficiente, que varia de zero a cem, mede a concentração de renda - quanto maior o valor, maior a desigualdade social. O cálculo é realizado através de uma fórmula matemática que analisa a distribuição acumulada de renda em relação à população que recebe essa renda. Em 2020, o continente africano concentrava os países com maior desigualdade. Entre as quinze primeiras nações do ranking, dez estavam na África, com destaque para a África do Sul, que apresentava o maior índice de desigualdade social do mundo ( coeficiente Gini 63 ). Fora da África, o país com maior desigualdade social era a Colômbia, com Gini de 54,2 . O Brasil apareceu em décimo quarto lugar em 2020, com coeficiente Gini de 48,9, empatado com o Congo. Em 2022, o índice brasileiro aumentou para 52,9, elevando o país para a oitava posição. A África do Sul manteve-se em primeiro lugar. Já a Colômbia, que em 2020 era o sexto país mais desigual fora do continente africano, em relação a igualdade, superou o Brasil em 2022, ficando na nona posição. Já no índice de Gini 2022, no índice mais recente (2022), o Suriname aparece em terceiro lugar, com Gini de 57,9. É importante lembrar que em 2021 a COVID-19 ainda impactava o cenário global e em 2022 era a recuperação do cenário econômico. Os países com menores índices Gini foram Eslováquia (21,2), Eslovênia (23,1) e Islândia (23,2), respectivamente. Os Estados Unidos ocuparam a centésima décima terceira posição, com Gini de 39,8. A questão que se coloca é: até quando teremos pessoas extremamente pobres “mendigando por um pedaço de pão enquanto o cachorro da casa do patrão come pão com salmão”? Texto escrito por Fabiana Mercado Pós graduada em Comunicação e Marketing Digital, formada em Publicidade e Propaganda, acumula mais de 9 anos na área, colunista do Zero Águia, curiosa, preza o respeito a todas as pessoas independente de características. Nas horas vagas pratica corridas com o apoio da equipe Superatis. Adora conhecer novas pessoas e lugares, ama viajar e possui um projeto denominado Desbravando Capitais com o marido para morar e vivenciar durante um mês em todas as capitais brasileiras nos próximos anos. Revisão por Eliane Gomes Edição por Felipe Bonsanto Fontes: https://www.letras.mus.br/as-meninas/44262/ https://www.poder360.com.br/economia/mundo-pode-ter-1o-trilionario-em-10-anos-diz-oxfam/ https://www.oxfam.org.br/um-retrato-das-desigualdades-brasileiras/ https://www.estadao.com.br/internacional/brasil-paises-ranking-desigualdade-social-indice-gini-nprei/ https://pt.countryeconomy.com/demografia/indice-de-gini https://pt.countryeconomy.com/demografia/indice-de-gini/brasil https://www.oxfam.org.br/wp-content/uploads/dlm_uploads/2022/09/LO_relatorio_nos_e_as_desigualdade_datafolha_2022_vs02.pdf https://pt.countryeconomy.com/demografia https://www.gov.br/pt-br/servicos/inscrever-se-no-cadastro-unico-para-programas-sociais-do-governo-federal#:~:text=Para%20se%20inscrever%20no%20Cadastro,exemplo%2C%20sua%20carteira%20de%20identidade . https://www.gov.br/mds/pt-br/acoes-e-programas/cadastro-unico https://www.oxfam.org.br/um-retrato-das-desigualdades-brasileiras/pesquisa-nos-e-as-desigualdades/pesquisa-nos-e-as-desigualdades-2022/ https://brasilescola.uol.com.br/geografia/indice-gini.htm#:~:text=O%20Brasil%20apresenta%20um%20coeficiente,mundo%2C%20com%20%C3%ADndice%20de%200%2C533 . https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/32418-sintese-de-indicadores-sociais-em-2020-sem-programas-sociais-32-1-da-populacao-do-pais-estariam-em-situacao-de-pobreza https://www.ibge.gov.br/explica/pib.php#:~:text=No%20%C3%BAltimo%20trimestre%20divulgado%20(3%C2%BA,das%20Unidades%20da%20Federa%C3%A7%C3%A3o%20brasileiras . https://brasil.elpais.com/brasil/2019/11/22/economia/1574426613_189002.html
- Kamala vs Trump: uma eleição de incertezas
A disputa presidencial entre os dois principais candidatos estadunidenses se intensifica a cada dia, repleta de acusações e provocações. De um lado, a democrata Kamala Harris , que está concluindo seu mandato como vice-presidente; do outro, o republicano e ex-presidente Donald Trump , que não conseguiu se reeleger na última eleição, perdendo para Joe Biden , algo que só aconteceu com outros quatro presidentes estadunidenses no último século. (Fonte: Internet) Donald Trump e Kamala Harris Kamala enfrenta uma disputa acirrada com Trump, mas teve menos tempo que seu oponente para trabalhar sua imagem como presidenciável. Isso porque foi eleita como substituta de Biden, que desistiu de concorrer à reeleição após inúmeras críticas e dúvidas sobre sua capacidade de enfrentar mais um mandato . As indagações surgiram devido a incontáveis gafes que demonstraram sinais de senilidade por parte do atual presidente, que inicialmente negou e tentou reverter a situação para continuar na disputa. (Fonte: Internet) Em julho deste ano após o debate desconcertante de Biden x Trump, Reed Hastings, fundador da Netflix e um dos grandes doadores da campanha do Partido Democratas, chegou a pedir que Biden saísse da disputa para que outra pessoa fosse capaz de derrotar Donald Trump. O cenário mudou quando, em um debate com Trump, no mês de julho deste ano, Biden saiu perdedor e grandes doadores de sua campanha iniciaram um movimento pedindo a troca de candidato , o que levou o Partido Democrata a pressionar Biden dando assim a oportunidade para que Kamala fosse o nome democrata a concorrer à presidência. Donald Trump seguia na liderança das pesquisas até a saída de Biden da disputa, o que foi um grande revés para sua campanha, que havia sido desenhada para atacar Biden. O atentado que sofreu no estado da Pensilvânia enquanto participava de um comício fez a sua popularidade aumentar ainda mais , deixando um Biden mais enfraquecido e com sua imagem ainda mais abalada. O “teto de vidro” de Biden era fácil de ser atacado. Ele tem sido duramente criticado pela mídia norte-americana (e também internacional) pela participação nas guerras da Ucrânia e de Israel, no Oriente Médio, enquanto a dívida pública dos Estados Unidos chegou em US$ 34,62 trilhões , conforme mostram dados de abril deste ano. A desigualdade social e ausência de assistência do governo abriram espaço para que Trump conseguisse angariar votos que, desde os anos 90, eram em sua maioria dos Democratas: a população afro-americana . Em um levantamento feito pelo New York Times e Siena College , apenas 70% dos homens negros pretendem votar em Kamala nestas eleições, enquanto Trump conseguiu um aumento de seis pontos em comparação às últimas eleições. Esse dado não é isolado, a United States Census Bureau (DCEU), o Censo americano, mostrou que 36,8 milhões de pessoas estavam vivendo abaixo da linha da pobreza em 2023 . Além disso, as longas filas em busca de emprego atingem em sua maioria a população afro-americana, onde o índice de desemprego chegou a 9,3%, três vezes maior que o índice entre os brancos. Com a classe média estadunidense cada vez mais empobrecida, um número que triplica entre os afro-americanos, parte do país viu o desemprego cair pouco durante o mandato de Biden . Esse dado tem sido usado por Trump para reacender a ilusão do “sonho americano” e clamar por um nacionalismo tolo que costuma mexer com a vaidade dos ianques. De Swing States à política externa, o que pode atrapalhar as campanhas de Trump e Kamala A postura intervencionista de Biden nos conflitos recentes na Europa e no Oriente Médio tem desgastado a imagem de Kamala , que não consegue se desvincular do democrata em sua campanha. Com a popularidade em queda entre eleitores americanos de ascendência árabe e muçulmana , Kamala precisará mais do que promessas e bons discursos para reverter o cenário. No estado de Minnesota, no início deste ano, surgiu o movimento “Abandon Biden” (Abandone Biden), onde um grupo de ativistas se reuniu motivado pela recusa do presidente em pedir um cessar-fogo em Gaza. Os líderes do movimento prometeram retirar seu apoio e “fazer campanha contra qualquer um que continue a apoiar o genocídio de países árabes” . Isso também tem ocorrido na campanha de Kamala, onde muitos desses manifestantes agora empunham cartazes com os dizeres “Abandon Harris". Manifestantes protestam contra postura do governo Biden-Harris frente ao apoio incondicional aos ataques israelenses em Gaza. Foto: Jeff Kowalsky/AFP A rejeição de Harris por parte do eleitorado de Minnesota é apenas um dos desafios que ela precisará enfrentar. Os estados indecisos, ou swing states , são extremamente importantes nas campanhas eleitorais, pois têm o potencial de decidir o resultado da eleição. Alguns exemplos clássicos de swing states incluem Flórida, Pensilvânia, Ohio, Michigan, Nevada, Geórgia , entre outros. Projeção de estados-pêndulos nas eleições de 2024 - Fonte: CNN/ G1 Enquanto Trump promete aos americanos que seu mandato trará de volta a grandeza da América, líderes internacionais europeus observam com apreensão a possibilidade de sua vitória nas eleições Com Donald Trump eleito, o jogo de tabuleiro internacional pode mudar, sobretudo no conflito entre Rússia e Ucrânia , mas há poucas chances de que recue no apoio a Israel no Oriente Médio. Sem o apoio dos Estados Unidos ao conflito, os ucranianos se verão obrigados a negociar mais rapidamente. Além do “abandono ucraniano”, Trump não poupa críticas à Organização do Tratado do Atlântico Norte ( OTAN), afirmando que deseja sair da organização porque os países-membros se beneficiam do poderio militar americano sem arcar com os 2% do PIB, como estabelecem as regras da organização. Já chegou a partilhar sobre uma suposta conversa com líderes europeus: “Eu disse: 'Todo mundo vai pagar'. Eles disseram: 'Bem, se não pagarmos, vocês ainda vão nos proteger?' Eu disse, ‘absolutamente não.’ Eles não podiam acreditar na resposta.” Com a vitória de Kamala, a política externa norte-americana permaneceria relativamente estável, o que deve tranquilizar muitos líderes europeus, especialmente os da OTAN. É possível arriscar? Não seria exagero dizer que vencerá as eleições o candidato menos rejeitado. A analista Fernanda Magnotta destacou no CNN 360° que apenas cerca de 40% dos eleitores nos EUA votam, devido ao fato de o voto não ser obrigatório , como no Brasil, e às burocracias do processo eleitoral, que desencorajam parte dos eleitores. Esses fatores contribuem para a baixa participação. Caso essa parcela da população decida votar, não é fácil prever o que terá mais apelo: o discurso negacionista, xenofóbico e racista de Trump, prometendo tornar a “América grande de novo”, ou a esperança de que, no mandato de Kamala, as promessas não cumpridas do governo Biden-Harris sejam prioridades, em vez dos gastos bilionários em guerras, enquanto milhões de pessoas padecem sem emprego e na linha da pobreza. Meu palpite ousado é na vitória de Kamala, mas o pêndulo pode decidir para qualquer um dos lados. Basta esperar um pouco mais. E você, tem algum palpite? Texto escrito por Katiane Bispo Formada em Relações Internacionais, especialista em Políticas Públicas e Projetos Sociais. É podcaster no O Historiante, colunista no jornal Portal Águia e ativista em causas ligadas aos Direitos Humanos, Gênero e Raça. Instagram: @uma_internacionalista Revisão por Eliane Gomes Edição por Felipe Bonsanto e João Guilherme V.G. BIBLIOGRAFIA https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/eleicoes-nos-eua-2024/analise-comparecimento-e-historicamente-baixo-nas-eleicoes-dos-eua/ - acessado em 25.out https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2024/10/22/fim-do-sonho-americano-e-abalo-na-classe-media-alimentam-voto-em-trump.htm - acessado em 25.out https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/americanos-de-ascendencia-arabe-dizem-que-nao-votarao-em-biden-por-apoio-a-israel/ - acessado em 30.out https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/eleicoes-nos-eua-2024/o-que-sao-os-estados-pendulo-e-qual-a-importancia-nas-eleicoes-dos-eua/ - acessado em 30.out https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/trump-critica-paises-inadimplentes-da-otan-e-secretario-geral-responde/ - acessado em 30.out
- A cultura do estupro no Brasil: Reflexões a partir do livro "Abuso"
Sinopse Por que o estupro é um crime ainda tão comum no Brasil? Por que a vítima muitas vezes é tão – ou mais – julgada pela sociedade do que o próprio criminoso? Por que é tão difícil fazer uma denúncia? Após quatro anos de pesquisas, viagens pelo país e mais de 100 entrevistas com vítimas e familiares, criminosos, psiquiatras e diversos especialistas no assunto, a jornalista Ana Paula Araújo escreve Abuso - A cultura do estupro no Brasil com coragem e sem meias-verdades. A obra é uma reportagem que trata do medo e vergonha das vítimas , de como elas são julgadas e muitas vezes culpabilizadas pela sociedade e pelo poder público , das dificuldades para denunciar, dos caminhos para superar o trauma e seguir em frente e como atitudes tão entranhadas em nossa sociedade geraram uma verdadeira cultura do estupro em nosso país. Ela também auxilia as vítimas na utilização dos meios de denúncia disponíveis no país, como o Disque 100 , e esclarece sobre o direito ao aborto em casos de estupro, que é autorizado por lei sem a necessidade de queixa na polícia. Ana Paula analisa casos que chocaram os brasileiros e outros tantos que , apesar de bárbaros, ficaram perdidos em meio ao constrangimento das vítimas e a lentidão da lei , para mostrar como o estupro afeta toda a rede familiar e deixa marcas indestrutíveis na vida de quem o sofre . Ela acompanha todo o caminho das vítimas por justiça e mostra todas as facetas e implicações desse crime tão cruel e, infelizmente, tão corriqueiro no Brasil. Abuso é uma obra ousada, pesquisada com apuro e escrita com imensa sinceridade por uma das mais importantes jornalistas em atividade no país. Mais do que tudo isso, Abuso é um livro extremamente necessário, que precisa ser lido por todos. Reflexões a partir do Livro "Abuso" de Ana Paula Araújo Ana Paula Araújo, renomada jornalista brasileira e apresentadora, nos apresenta em seu livro Abuso: A Cultura do Estupro no Brasil um olhar profundo e perturbador sobre um dos temas mais delicados e urgentes da sociedade brasileira: o estupro. Ao longo das páginas, a autora revela a realidade nua e crua enfrentada por milhares de mulheres no país, destacando a impunidade, a cultura machista e as falhas no sistema de proteção às vítimas. O livro é resultado de uma extensa investigação jornalística. Ana Paula entrevistou quase cem pessoas, entre vítimas, abusadores, profissionais de saúde, juízes, policiais e pesquisadores . Essa diversidade de fontes confere ao livro uma amplitude que vai além da superfície, permitindo ao leitor compreender os diferentes aspectos que envolvem o crime de estupro no Brasil. Ao abordar a cultura do estupro , Ana Paula Araújo nos convida a refletir sobre como a sociedade naturaliza e até mesmo justifica a violência sexual contra as mulheres . A autora aponta que essa cultura está profundamente enraizada em comportamentos, discursos e até mesmo nas leis e decisões judiciais que muitas vezes culpabilizam a vítima e relativizam a gravidade do crime. Até quando a sociedade vai culpar a vítima por sofrer o estupro? A culpa é sempre do agressor, nunca da vítima. Precisamos lutar para que isso mude, e as vítimas possam denunciar esses crimes sem medo. O livro é marcado por relatos impactantes de vítimas , que compartilham suas experiências dolorosas e as consequências psicológicas e sociais do estupro, que me deixaram estarrecida e horrorizada diante disso tudo. Relatos de crianças que sofreram abusos por parte de quem deveria cuidar e zelar por elas. Ana Paula Araújo também faz críticas contundentes ao sistema de justiça brasileiro e à forma como a sociedade lida com o estupro. Ela destaca a revitimização das vítimas durante o processo legal, a falta de preparo dos profissionais para lidar com esses casos e a lentidão das investigações e julgamentos . Além disso, a autora denuncia a falta de políticas públicas efetivas para prevenir a violência sexual e apoiar as sobreviventes. Mais do que uma denúncia, "Abuso" é um chamado à ação. Ana Paula Araújo nos instiga a repensar nossas atitudes e a lutar por mudanças significativas na sociedade . Ela reforça a importância da educação e da conscientização para desconstruir a cultura do estupro a fim de que as mulheres possam viver mais seguras. "Abuso: A Cultura do Estupro no Brasil" é uma obra essencial para quem deseja entender as raízes da violência sexual no país e buscar soluções para esse grave problema. Difícil de ler por causa do tema, mas necessário para que haja uma transformação social para erradicar essa forma de violência. Texto escrito por Eliane Gomes Uma leitora voraz de livros policiais. Já foi programadora e atuou como professora, tanto no ensino infantil como de música. Além disso é mãe, casada e colunista e revisora no Portal Águia. Revisão: Eliézer Fernandes Edição: João Guilherme V.G.
- “A Substância”: o filme mais necessário de 2024
O longa “A Substância” (da diretora francesa Coralie Fargeat ), que estreou em setembro no Brasil, é o filme mais falado do ano de 2024 . Não é um filme de super-herói, não faz parte de nenhuma franquia famosa e muito menos é de um diretor renomado. Esse filme simplesmente atacou com muita força um “câncer” que está enraizado em nossa sociedade: o envelhecimento feminino e a aceitação da mulher nesse período da vida . Afinal, o que é “A Substância”? O filme fala sobre a atriz veterana Elizabeth (interpretada majestosamente por Demi Moore) que, aos 50 anos, apresenta um programa de ginástica na TV . Logo, ela recebe a notícia de que será substituída por uma atriz mais jovem , já que, de acordo com os produtores do programa, não faz sentido uma mulher de sua idade apresentar um programa como esse. A atriz tem um colapso e vai parar no hospital. Ao chegar lá, é atendida por um enfermeiro que diz que ela “é perfeita” para um determinado tratamento . Na hora, ela não entende muito bem o que o homem lhe disse, mas vai embora com essa informação na cabeça. Ao chegar em casa, se depara com um pendrive, que provavelmente o enfermeiro colocou no meio de suas coisas enquanto a atendia. Elizabeth conecta o dispositivo em sua televisão para ver o que ele contém. Assim que começa a assistir, ela entende que o pequeno aparelho tem informações sobre uma determinada “substância” que a deixará mais jovem. De acordo com as informações passadas no pendrive, com essa substância você pode tirar o melhor de si mesmo. A atriz, temerosa, mas ao mesmo tempo sedenta por uma juventude prometida , corre até o local indicado e pega uma caixa misteriosa. Assim que chega em casa, abre a caixa e segue todas as instruções. Com muita dor e sofrimento, ela passa pela dolorosa e terrivelmente terrorífica transformação no banheiro de sua casa. Então, Elizabeth torna-se uma linda jovem, enquanto seu corpo velho fica jogado no banheiro. A atriz, em sua versão jovem chamada Sue, vai até a emissora de TV em que trabalha para “roubar” o emprego de sua versão mais velha, ou seja, se manter no mesmo lugar. Quando o diretor do programa conhece Sue, ele fica encantado com a sua beleza e juventude. A menina tem um período para permanecer nessa versão, e, a cada tempo a velha versão volta à vida, para logo a nova ressurgir e ganhar todos os louros que a juventude lhe traz. Essa troca de vida continua durante muito tempo e, com um final surpreendente, horrível, de uma forma literal e incrível, o longa termina com uma mensagem profunda, tocante e muito chocante sobre o tema. O envelhecimento feminino Já é de conhecimento popular que o tema do envelhecimento feminino é algo sobre o qual muita gente quer opinar, dar dicas, mas quase nunca dar oportunidade. Mas “A Substância” mostra de uma forma bem crua como, muitas vezes, as mulheres cedem aos padrões e críticas impostas pela sociedade. Assim como Elizabeth, muitas mulheres se sentem frustradas por viverem em uma sociedade que as consideram descartáveis a partir dos seus 35, 40 anos , tanto em relação à aparência quanto em relação ao mercado de trabalho. Segunda uma projeção realizada com base em dados recentes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), espera-se que o país supere a marca de 2 milhões de procedimentos estéticos até o final de 2024 .O mesmo órgão também informa que o Brasil é o país que mais faz cirurgias plásticas no mundo, e está em segundo lugar em relação aos procedimentos estéticos, como o botox, apenas perdendo para os Estados Unidos. O envelhecimento feminino é um tema extremamente cruel, já que as mulheres são bastante julgadas. Mulheres que assumem seus cabelos brancos parecem “bruxas”; homens que assumem os mesmos cabelos são “charmosos". Então a mulher pinta seu cabelo e nem se dá a chance de ver como ficaria grisalha, com medo das opiniões, por exemplo. Se a mulher muda seu estilo de roupa, dizem que se veste como velha ; mas também, se mantém o mesmo estilo por muitos anos, significa que “não aceita a idade chegando”. Mas não somente a aparência é uma questão: conforme vão passando os anos, as atitudes e a forma como conduzem a vida também se tornam um assunto público, e não pessoal, como deveria ser. Tem filhos? Quem vai cuidar enquanto você trabalha? Não tem? Por quê? Vai passar da idade e vai se arrepender. É casada? Que bom, cuida da casa para o marido. Não é casada? Por quê? Vai ficar para titia. É preocupada com a carreira? É muito ambiciosa, não vai ter tempo para o casamento. Gosta de cuidar da casa? Só faz isso? Seu marido vai te trocar, não é interessante. São tantas questões que a sociedade se acha no direito de “meter a colher”, que poderíamos falar sobre isso por horas e horas. Opinião sobre o filme Quando eu assisti ao filme, fiquei completamente em choque e encantada. É barulhento, sangrento, exagerado… da melhor forma para prender a atenção do público , o melhor “body horror” ¹ que vi em muitos anos. A relação de Elizabeth com seu corpo, quando se olha no espelho ou quando se maqueia e não se acha bem o suficiente com os produtos, sempre tentando esconder “imperfeições” que nada mais são do que os sinais normais do tempo, é algo que acontece com muitas mulheres todos os dias, seja em casa ou no trabalho, tentando serem boas o bastante para superar a expectativa de um mundo que exige cada vez mais a mais a perfeição . De nós. Como mulheres, como mães, como trabalhadoras. Saí do cinema mais apaixonada por Demi Moore, por sua grandeza ao interpretar uma realidade tão doente, dramática e tão verdadeira . Aqui também, além da opinião, fica o meu agradecimento à atriz e à fabulosa diretora desse longa, por nos fazer pensar sobre um tema o qual todo mundo quer opinar, mas ninguém quer se aprofundar. Talvez por medo de encontrar seus próprios medos nele. ¹ Body horror ou biological horror é um subgênero do cinema de terror que apresenta intencionalmente violações gráficas ou psicologicamente perturbadoras do corpo humano. (Fonte: Wikipedia) Texto escrito por Caroline Prado Brasileira vivendo na Costa Rica, apaixonada por cachorros, plantas e fontes confiáveis. É internacionalista, tradutora e filóloga. Professora de Português como Língua Estrangeira (PLE) e História Contemporânea além de Filóloga especialista em Línguas Latinas . Revisão por Eliane Gomes Edição por João Guilherme V.G. Referências: https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2024/10/12/a-substancia-entenda-por-que-filme-com-demi-moore-e-um-dos-mais-comentados-de-2024.ghtml https://agenciauvabarra.com/2024/05/09/estetica-em-evolucao-as-cirurgias-plasticas-mais-populares-no-brasil-e-os-desafios-associados-a-elas/#:~:text=Segundo%20uma%20proje%C3%A7%C3%A3o%20realizada%20com,de%202%20milh%C3%B5es%20de%20procedimentos . https://www.ufpb.br/tvufpb/contents/noticias/programa-revela-que-brasil-e-pais-que-mais-realiza-cirurgias-plasticas#:~:text=O%20Caminhos%20da%20Reportagem%20que,botox%2C%20%C3%A9%20medalha%20de%20prata .
- Marechal Rondon: Conexões telegráficas e a luta pela proteção indígena
*As opiniões expressas neste artigo são da autora. Marechal Rondon, nascido em 1865 no Mato Grosso , era descendente dos índios Bororó e Terena. Em 1873, mudou-se para Cuiabá e, em 1881, ingressou na Escola Militar no Rio de Janeiro. Em 1889 , participou da comissão que estendeu as comunicações telegráficas entre o Rio de Janeiro e Cuiabá. Em 1899 , chefiou a instalação de linhas telegráficas de Cuiabá a Corumbá e até às fronteiras com a Bolívia e o Paraguai. Afonso Pena, que era o Presidente da República , tomou conhecimento da experiência de um oficial do Exército Brasileiro com competência e determinação para uma missão de grande importância para o Estado brasileiro. Marechal Rondon foi nomeado chefe da Comissão Rondon em 1907 , liderando a construção da linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antônio do Madeira , a primeira a alcançar a Região Amazônica. Este projeto, que se desenvolveu de 1907 a 1915, foi crucial para conectar o Mato Grosso ao Amazonas durante o primeiro ciclo da borracha e a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré . Durante esse período, a comissão implantou estações telegráficas que se tornaram embriões dos futuros municípios do Estado de Rondônia , sendo fundamental para a integração territorial e de comunicação do Brasil no início do século XX. A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré A estrada estava destinada a ser a mais importante ferrovia da América do Sul. O atual Estado do Acre era uma vasta região produtora de látex no fim do século XIX e início do século XX, porém pertencente à Bolívia. A invasão de brasileiros na região acabou ocasionando um conflito que ficou conhecido como a Questão do Acre . A recém-proclamada República do Brasil, em 15 de novembro de 1889, não queria perder o “ ouro branco ”, que somente não superava o café nas exportações durante a chamada República Velha (1889-1930). O Tratado de Petrópolis , firmado em 1 7 de novembro de 1903 , oficializou a incorporação do Acre ao território brasileiro. O governo do Brasil pagou à Bolívia a quantia de 2 milhões de libras Esterlinas, que em 2006 valeriam por volta de 230 milhões de dólares (NARLOCH, 2009, p.201). "Além disso, cedia algumas terras no Mato Grosso (próximas à foz do rio Abunã) e comprometia-se a construir a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré desde Santo Antônio, no rio Madeira, até Guajará-Mirim, no rio Mamoré, para escoar a produção boliviana pelo rio Amazonas, uma vez que a Bolívia havia perdido, após uma guerra contra o Chile, sua saída para o Oceano Pacífico.” Conforme descrito por Coimbra no trabalho de conclusão da UNINTER. A atuação de Rondon não se limitou à engenharia . Ele também foi um defensor fervoroso da causa indígena, povos com os quais conquistou um relacionamento pacífico. No início de sua carreira, ele defendia a ideia de integração desses povos à cultura ocidental, mas, segundo o jornalista Larry Rohter, passou a defender o direito dos indígenas de manterem-se isolados . Por isso, ele foi um dos grandes defensores da demarcação de terras indígenas. Seu lema era “ morrer se preciso for, matar nunca ”. Em 1910, passou a dirigir o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), que mais tarde se transformou na Funai. Entre 1913 e 1914, liderou uma comissão científica com Theodore Roosevelt, ex-presidente dos EUA, coletando mais de 23 mil espécies para o museu de história natural de Nova Iorque. Em 1919, Rondon foi nomeado diretor de engenharia do Exército Brasileiro. Rondon foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz pelo físico Albert Einstein em 1925. Em 1952, seu projeto para a criação do Parque Nacional do Xingu foi aprovado . Em 1955, alcançou a patente de Marechal. Em reconhecimento aos seus feitos, em 1956, o Território Federal do Guaporé foi renomeado para Território Federal de Rondônia . Aos 90 anos, Rondon foi promovido a Marechal pelo Exército. Em 1957, pelo Explorers Club de Nova Iorque, recebeu uma nova indicação ao Prêmio Nobel da Paz . Rondon faleceu em 1958, antes da criação do Parque do Xingu , que ocorreu em 1961. Seu legado como desbravador e defensor dos direitos indígenas continua a ser celebrado, sendo homenageado com o nome de várias cidades no Brasil, como Marechal Cândido Rondon (PR), Rondon (PR), Rondonópolis (MT) e Rondon do Pará (PA). Texto escrito por Fabiana Mercado Pós graduada em Comunicação e Marketing Digital, formada em Publicidade e Propaganda, acumula mais de 9 anos na área, colunista do Zero Águia, curiosa, preza o respeito a todas as pessoas independente de características. Nas horas vagas pratica corridas com o apoio da equipe Superatis. Adora conhecer novas pessoas e lugares, ama viajar e possui um projeto denominado Desbravando Capitais com o marido para morar e vivenciar durante um mês em todas as capitais brasileiras nos próximos anos. Revisão por Eliane Gomes Edição por Felipe Bonsanto REFERÊNCIAS https://repositorio.uninter.com/bitstream/handle/1/660/COIMBRA%2C%20Denilson%20Jos%C3%A9%20dos%20Santos.pdfequence=1&isAllowed=y#:~:text=A%20Estrada%20de%20Ferro%20Madeira,ao%20Estado%20do%20Mato%20Grosso . https://www.rondoniagora.com/artigos/marechal-rondon-a-comissao-das-linhas-telegraficas https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/rondonia.htm#:~:text=O%20territ%C3%B3rio%20de%20Rond%C3%B4nia%20pertenceu,regi%C3%A3o%2C%20o%20marechal%20C%C3%A2ndido%20Rondon . https://brasilescola.uol.com.br/historiab/marechal-rondon.htm https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/marechal-rondon.htm https://baadmcurado.eb.mil.br/index.php/ultimas-noticias/580-dia-da-arma-de-comunicacoes#:~:text=Pela%20causa%20ind%C3%ADgena%20e%20seu,1981)%20e%20ao%20ter%20seu https://brasilescola.uol.com.br/historiab/marechalrondon.htm#:~:text=Homenagens%20*%20Marechal%20C%C3%A2ndido%20Rondon%20(PR)%20*,Rondon%C3%B3polis%20(MT)%20*%20Rondon%20do%20Par%C3%A1%20(PA)
- Pequena Abelha, de Chris Cleave: Explorando as Profundezas da Alma Humana
Sinopse Essa é a história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fatídico . Então, uma delas precisa tomar uma decisão terrível, daquelas que, esperamos, você nunca tenha de enfrentar. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa… Resenha Pequena Abelha é uma história profundamente comovente e complexa . A trama se desenrola a partir de um encontro trágico em uma praia na Nigéria , onde Pequena Abelha e sua irmã mais velha encontram Sarah e seu marido Andrew, que estão de férias. Esse encontro resulta em eventos traumáticos que mudam para sempre a vida de todos os envolvidos. Pequena Abelha , após sobreviver a horrores indescritíveis em seu país natal, foge para a Inglaterra, onde passa dois anos em um centro de detenção de imigração . A narrativa alterna entre as perspectivas de Pequena Abelha e Sarah , revelando gradualmente os eventos que as conectam e as consequências dessas experiências em suas vidas. Sarah, uma jornalista britânica, enfrenta suas próprias lutas pessoais e profissionais , especialmente após a morte de seu marido Andrew. A chegada de Pequena Abelha em sua vida traz à tona questões de moralidade , responsabilidade e a complexidade das relações humanas em face da dor e da perda. O livro aborda temas como imigração, identidade, trauma e as desigualdades globais, oferecendo uma crítica poderosa às injustiças do mundo moderno. A escrita de Chris Cleave é emocionalmente carregada, permitindo ao leitor conectar-se profundamente com as personagens e suas histórias. Se você gosta de histórias que exploram as profundezas da alma humana e as complexidades do mundo contemporâneo, Pequena Abelha é uma leitura que certamente vai te impactar. Texto escrito por Eliane Gomes Uma leitora voraz de livros policiais. Já foi programadora e atuou como professora, tanto no ensino infantil como de música. Além disso é mãe, casada e colunista e revisora no Portal Águia. Revisão: Eliézer Fernandes Edição: Felipe Bonsanto















