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A Colonização Sionista e a Resistência Palestina

Desde o ataque realizado pelo Hamas em 7 de Outubro deste ano, a atenção internacional tem se voltado novamente para o conflito palestino-israelense. A região e a guerra que se seguiu tem sido tema de notícias e análises em diversos jornais, com professores e pesquisadores tentando explicar as origens do conflito e como essa situação tem escalado para se tornar o que é atualmente um genocídio em execução, com a invasão de Gaza por parte do exército israelense.



Porém neste artigo, irei abordar as origens do conflito de uma forma diferente. Irei explicar como o movimento sionista tem um teor colonialista e desde a criação do estado de Israel, tem se esforçado de forma ativa e coordenada em realizar uma limpeza étnica na região, expulsando o povo árabe para criar assentamentos, da mesma forma que os europeus fizeram na América Latina, África, Ásia e Oceania, o que tem gerado revolta e indignação no povo palestino, que teve seu território tomado à força pelo estado israelense.


Inclusive, esse processo continua em andamento, com a invasão de Gaza, porém irei me aprofundar nessa parte depois.


O Movimento Sionista e Eretz Israel


O sionismo é um movimento político que defende o direito à autodeterminação do povo judeu e à existência de um Estado nacional judaico independente e soberano no território onde historicamente existiu o antigo Reino de Israel (Eretz Israel).

Esse movimento surgiu no fim do século XIX na Europa, entre judeus que viviam sob a pressão das perseguições e massacres provocados pelo antissemitismo. Um de seus principais fundadores é Theodor Herzl, um jornalista judeu austro-húngaro que viveu em Paris na época do famoso caso Dreyfus, um claro episódio de antissemitismo em que um oficial judeu do exército francês foi acusado injustamente de espionar em favor dos alemães.


Ao testemunhar a série de fraudes engendradas por elementos da oficialidade francesa para culpar Dreyfus com alegações antissemitas, Theodor Herzl começou a imaginar um estado judeu, onde o povo judeu não sofreria esse tipo de preconceito. Herlz inclusive escreve um um livro - Der Judenstaat – Versuch Einer Modernen Lösung der Judenfrage - O Estado Judeu - Uma Solução Moderna para a Questão Judaica, onde descreve suas visões de como tornar possível a construção de uma futura nação judaica. É importante observar que Herzl é considerado um herói para o atual estado de Israel, e muitas de suas ideias serviram de inspiração para os primeiros legisladores do dito estado.




Porém, Herzl tinha uma visão bem específica de como a criação desse estado seria realizada. Ele propôs a colonização de um território, seguindo o modelo europeu, onde o povo que vivia naquele local seria deslocado e os judeus iriam criar assentamentos.


Durante o primeiro congresso sionista, reunião presidida por Herzl, discutiu-se onde deveria ser instalado o Estado Judeu, dividindo-se os congressistas entre a Palestina otomana ou algum território teoricamente desabitado, como a ilha de Chipre, a Patagônia e até em alguma das colônias europeias na África, como o Congo ou Uganda. Venceram os partidários da Palestina, com o argumento de que aquela era a região de origem de toda identidade judaica na Antiguidade.


"Os grandes políticos do vosso país foram os primeiros a reconhecer a necessidade da expansão colonial. Por isso tremula em todos os mares a bandeira de uma Grã-Bretanha ainda maior. (...) Em benefício da Europa, edificaremos lá uma trincheira contra a Ásia, representaremos o posto avançado da civilização contra a barbárie."

T. Herzl, em carta endereçada ao governo britânico.


O sionismo como colonialismo é o paradigma que vê o sionismo e o conflito israelense-palestiniano como uma forma de colonização, sendo a sua expressão máxima a construção massiva de colonatos. Em contraste com o colonialismo clássico, no caso sionista, o foco está na eliminação, em vez de exploração, dos habitantes originais de um território, ou seja, dos palestinos.


Nakba e a Resistência Palestina


Em 1947, a Assembleia Geral das Nações Unidas propôs a partição do Mandato Britânico da Palestina em dois estados - um judeu e outro árabe.



A comunidade judaica aceitou o Plano de Partição da Palestina, enquanto a comunidade árabe palestina, apoiada pela Liga Árabe, rejeitou o plano, declarando que oporia resistência armada à sua implementação.




Nakba é uma palavra árabe (النكبة) que significa "catástrofe" ou "desastre" e designa o êxodo palestino de 1948 quando pelo menos 711.000 árabes palestinos, segundo dados da Organização das Nações Unidas, fugiram ou foram expulsos de seus lares, em razão da Guerra Civil de 1947-1948 e da Guerra Árabe-Israelense de 1948. O êxodo palestino marca o início do problema dos refugiados palestinos, um dos principais elementos do conflito árabe-israelense.


Esse é o primeiro passo no projeto de colonização israelense, que visava povoar inteiramente o que era o território palestino com judeus, forçando assim a criação de uma identidade nacional. Segundo o acadêmico palestino Nur-eldeen Masalha mais de 80% dos habitantes árabes da região que viria a ser o Estado de Israel abandonaram suas cidades e aldeias.



O avanço dos judeus, como o ocorrido em Haifa, somado ao medo de um massacre, após o ocorrido em Deir Yaassin, e o colapso da liderança palestina fizeram com que muitos dos habitantes árabes fugissem devido ao pânico. Uma série de leis israelenses sobre a propriedade da terra, aprovadas pelo primeiro governo israelense, impediu que os árabes palestinos retornassem posteriormente aos seus lares ou fizessem valer seus direitos de propriedade. Essas pessoas e muitos dos seus descendentes continuam a ser considerados refugiados.


Esse movimento de colonização gerou muita indignação e revolta nos palestinos, culminando na criação de movimentos populares para libertação do povo palestino, tal como a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), o Fatah, o Hamas e a Frente Popular para a Libertação da Palestina.


Todos esses movimentos tem como objetivo a libertação do povo palestino através da luta armada, e há muito utilizam de técnicas de guerrilha e combate urbano para lutar contra o estado israelense.


Conclusão


Tendo em vista o projeto de colonização sionista, que tem como objetivo a assimilação total do território que era o antigo reino de Israel, eliminando de forma sistemática qualquer outra população que se encontre na região, podemos dizer que a invasão que ocorre hoje em 2023 na faixa de Gaza é nada menos que a continuação desse projeto.


O ataque realizado pelo Hamas foi violentíssimo e sim, provocou o estado de Israel, porém é resultado de mais de 75 anos de opressão perpetrados por um estado colonialista e racista, que vê os povos árabes como inferiores e indignos.


Liberdade ao Povo Palestino!


Texto escrito por Eliézer Fernandes

Fundador e editor-chefe do Portal Águia, é desenvolvedor de software, formado em Segurança da Informação pela FATEC e fascinado por história e relações internacionais.



Revisão por Eliane Gomes

Edição por Felipe Bonsanto


 

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