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- Confronto entre os poderes
As disputas entre legislativo e executivo: Introdução sobre o processo legislativo Explicando quais os meios que cada casa pode ter em iniciativa de projetos e as medidas provisórias. Como ocorre o processo de veto ou sanção presidencial. A administração do Estado brasileiro e a divisão dos poderes foi abordada na série de artigos Dossiê: Funcionamento do Estado brasileiro , de Katiane Bispo . Essa relação entre os poderes nem sempre é fácil já que envolve muito prestígio e capital político e recursos financeiros. As Casas Legislativas podem ter a iniciativa de proposição de Leis e Projetos de Emendas à Constituição (PEC) enquanto o poder Executivo tem a sua disposição as Medidas Provisórias (MPs). Todos esses instrumentos necessitam, em certa medida, do apoio do outro poder para que entrem em vigência plena. Por exemplo, tanto os projetos de leis quanto as emendas precisam da sanção presidencial para serem incorporadas ao ordenamento jurídico brasileiro. Se existir discordância por parte do presidente, este pode vetar artigos inteiros ou a lei por completo , no veto considerado político. Quando ocorre a percepção de que a lei possui inconstitucionalidades , seja de forma ou de conteúdo, também é possível vetar . Entretanto não cabe ao presidente a palavra final, visto que o veto pode ser derrubado pelas casas legislativas caso ocorra a aprovação por maioria absoluta (257 deputados e 41 senadores). Essa dependência e harmonia entre a vontade dos poderes também deve ocorrer com as medidas provisórias. Embora o funcionamento seja diferente de leis ordinárias quanto à tramitação e a vigência, as MPs também precisam da aprovação do congresso dentro do prazo para que possam continuar vigendo. Ou seja, com frequência ocorre a negociação entre as partes para que seja atingida a maioria para a aprovação de projetos, antes ou depois do veto. Um congresso mais organizado e alinhado politicamente “pode cobrar” um preço maior pelo seu apoio aos projetos do executivo e isso ocorre com a indicação de cargos e repasse de verbas. Dessa forma o fisiologismo de alguns partidos, bastante aflorado nos últimos anos, trouxe mais capital político para os presidentes das casas legislativas. Estes passaram a ter acesso a fatias mais substanciais do orçamento ao utilizar as emendas parlamentares , atingindo aproximadamente 20% da verba orçamentária disponível com as emendas impositivas. Casos concretos: Essa disputa, nem sempre visando os interesses da população , tem sido demonstrada em importantes projetos e políticas públicas. Por exemplo, a tentativa de reonerar as folhas de pagamento tiveram iniciativa no executivo com a edição de uma MP . Buscava-se mais recursos para programas de governo e a diminuição do déficit fiscal. Entretanto, a forma utilizada não agradou parte do congresso já que uma Medida Provisória não precisa de um debate anterior a sua edição . Dessa forma, houve uma movimentação para que ela não fosse aprovada (tornada definitiva após o prazo de 60 dias, prorrogáveis por outros 60 dias), sem que houvesse uma discussão mais profunda para definir quais setores e a forma como seria feita a reoneração. Um exemplo que mostra a natureza tanto política quanto jurídica do veto foi a PEC do Marco Temporal . Uma matéria que havia sido anteriormente julgada inconstitucional em setembro de 2023 pelo STF foi revitalizada e aprovada pelo congresso no final do ano. O presidente em exercício vetou parcialmente a PEC mas o veto acabou sendo derrubado na sequência pelo Congresso Nacional. Ou seja, iniciativas que são contrárias aos planos do governo e que o presidente se manifesta contrariamente ainda assim podem ser implementadas se houver organização e votos por parte do congresso. Atrair ou desestimular esses votos tem custado cada vez mais caro para o governo. O mais recente caso, e que exemplifica a discordância entre um legislativo mais conservador do que o executivo, foi a aprovação por parte do Senado do fim das saídas temporárias em feriados e datas comemorativas de presos do regime semi-aberto . Ainda que o executivo eventualmente vete a proposta, o custo político e a indisposição entre os poderes deve ser levado em conta no cálculo político. Vetar uma iniciativa, sabendo que o veto será derrubado pode servir para marcar a oposição do governo ao projeto. Por isso é importante entender o funcionamento e as responsabilidades na execução das políticas públicas e nas iniciativas legislativas. Nem sempre o que o governo planejar será aprovado, ou ainda, nem tudo que o governo rejeitar poderá ser arquivado. Então é importante olhar para o papel de cada um dos que ocupam cargos políticos na aprovação e execução de políticas públicas. Existe muito espaço para retaliações e a disputa de poder tende a ficar ainda mais aquecida em ano de eleições locais. Texto escrito por João Guilherme Grecco Formado em Relações Internacionais e grande entusiasta da carreira diplomática. Estudou para o Concurso de Admissão a Carreira Diplomática (CACD) e atualmente é colunista do Jornal Portal Águia. Revisão: Eliane Gomes Edição: Felipe Bonsanto Fontes: https://www.congressonacional.leg.br/materias/vetos/entenda-a-tramitacao-do-veto
- Burkina Faso: a Terra dos Homens Íntegros
Burkina Faso é um país localizado na África Ocidental, também conhecida como região do Sahel, devido às suas características ecológicas e climáticas singulares. A capital é Uagadugu (em francês: Ouagadougou), e o país faz fronteira com seis nações: Mali (a oeste), Níger (a leste), Costa do Marfim (a sudoeste), Benim (a sudeste), Togo e Gana (ao sul). Situado entre áreas áridas ao norte e savanas ao sul, a maior parte dos quase 24 milhões de habitantes enfrenta vulnerabilidades endêmicas, ligadas à agricultura de subsistência e a variações climáticas extremas. Mapa de Burkina Faso Após a revolução que destituiu Jean-Baptiste Ouédraogo em 1983, Thomas Sankara assumiu a presidência e, em 1984, renomeou o país de “Alto Volta” para "Burkina Faso". O nome tem raízes em duas línguas nativas: "Burkina", da língua Mossi, que significa homens íntegros, enquanto “Faso", da língua Dioula, que significa país ou terra. Assim, “Burkina Faso” pode ser traduzido como “Terra dos Homens Íntegros”. O país conquistou a independência da França em 5 de agosto de 1960. Instabilidade política e sucessão de golpes Atualmente, Burkina Faso é liderado por Ibrahim Traoré, presidente de apenas 37 anos. Ele chegou ao poder após o golpe militar de 30 de setembro de 2022, que destituiu o então presidente Paul-Henri Sandaogo Damiba . Foto de Ibrahim Traoré, atual presidente de Burkina Faso. Capitão do Exército, Traoré passou a comandar o país, cuja população gira em torno de 24 milhões de habitantes. O golpe liderado por Ibrahim Traoré foi o nono bem-sucedido desde a independência em 1960 . Entre os principais episódios históricos do país estão os golpes de 1966, 1974, 1980, 1982, 1983, 1987, 2014 e 2015. Em seus 65 anos como Estado soberano, o país teve apenas um governo que completou um mandato de sete anos: o de Roch Kaboré, entre 2015 e 2022. Curiosamente, em 2022, Burkina Faso foi governado por três presidentes distintos: Roch Kaboré, Paul-Henri Damiba e Ibrahim Traoré. Nos meses seguintes à sua ascensão, Traoré rompeu os laços de segurança e defesa com a França , culminando na retirada das tropas francesas em fevereiro de 2023. Em uma mudança estratégica, fortaleceu os laços com a Rússia e estabeleceu a Aliança dos Estados do Sahel com Mali (Coronel Assimi Goïta) e Níger ( General Abdourahamane Tchiani) , visando combater o jihadismo na região. A visita de Estado de Ibrahim Traoré à Federação Russa, realizada entre os dias 8 e 11 de maio de 2025, foi marcada por rigorosas medidas de segurança. À época, circulavam informações sobre a possível atuação de grupos armados dentro do país e em nações vizinhas, como o Benim, que planejavam incursões militares com o objetivo de atingir populações civis e alvos estratégicos de defesa nacional. A presidência de Ibrahim Traoré tem sido caracterizada pela repressão de diversas tentativas de golpe. As mais notórias ocorreram em 27 de setembro de 2023, quando a junta militar anunciou ter frustrado uma conspiração por parte de membros insatisfeitos das Forças Armadas. Em janeiro de 2024, novas prisões foram realizadas, envolvendo indivíduos acusados de planejar ações contra o presidente. No dia 9 de dezembro de 2024, o então primeiro-ministro Apollinaire Joachim Kyélem de Tambèla foi acusado de conspirar contra o governo, sendo substituído por Rimtalba Jean Emmanuel Ouédraogo. Posteriormente, em 25 de maio de 2024, o regime militar anunciou a prorrogação do período de transição pré-eleitoral por cinco anos, com início em 2 de julho de 2024 e término previsto para 2029. Reformas Socioeconômicas e Políticas Segundo o relatório de abril de 2024 do Grupo Banco Mundial, a economia de Burkina Faso cresceu 3,2% em 2023 , mesmo diante da crise de segurança. A inflação caiu para 0,7%, com redução nos preços de produtos locais. Após um fraco desempenho em 2022 (1,8%), o PIB voltou a crescer, com avanço do PIB per capita em 0,6%. A crise de segurança, no entanto, continuou a impactar negativamente a economia. Graças a uma temporada agrícola bem-sucedida, a inflação se manteve em queda no primeiro semestre de 2023, tornando-se negativa de maio a outubro. Ainda assim, a instabilidade do país afetou setores estratégicos como a mineração de ouro, que representa 77% das exportações, 16% do PIB e 22% da arrecadação do governo . O número de mortes relacionadas à segurança dobrou, atingindo 8.494 em 2023. Foto de população buscando água. A pobreza, que havia aumentado 1,8 ponto percentual entre 2018/2019 e 2021/2022 (atingindo 43,2%) manteve-se estável desde então, mas a situação humanitária permanece crítica , com cerca de 2,3 milhões de deslocados internos e aproximadamente 2,3 milhões enfrentando grave insegurança alimentar em dezembro de 2023. Desafios regionais e ineficiência da assistência social A perspectiva econômica de Burkina Faso continua sujeita a múltiplas incertezas relacionadas à dinâmica regional e aos riscos negativos decorrentes da insegurança, instabilidade política, choques climáticos e variações de troca. No campo das reformas na assistência social, os gastos públicos representam cerca de 2,6% do PIB , um valor que, teoricamente, seria suficiente para reduzir pela metade a diferença de pobreza, estimada em cerca de 6% do PIB em 2021. Esses investimentos cresceram significativamente nos últimos 15 anos, passando de 0,3% do PIB em 2005, e estão acima da média registrada pelos países da África subsaariana. No entanto, o impacto positivo é comprometido pela baixa eficiência do sistema , marcada por uma estrutura fragmentada. Na prática, os programas de assistência social não têm beneficiado prioritariamente os grupos mais vulneráveis: mais da metade dos beneficiários das diversas intervenções não está entre os mais pobres. Políticas fiscais e reformas governamentais em prol do desenvolvimento Em 2023, o governo de Burkina Faso suspendeu gradualmente programas que incluíam transferências monetárias, ainda que esses fossem os mecanismos de assistência social mais progressistas disponíveis no país. O relatório do Grupo Banco Mundial recomenda a adoção de novas políticas para fortalecer a sustentabilidade macrofiscal e melhorar a assistência social. Entre as sugestões estão: Aumentar a eficiência da mobilização de receitas; Melhorar a eficácia da despesa pública; Mitigar os impactos econômicos decorrentes da saída da CEDEAO. Além dessas, duas opções complementares são destacadas: Aperfeiçoar a focalização das políticas voltadas à pobreza; Otimizar a eficiência dos gastos com assistência social. Nesse contexto, Ibrahim Traoré tem conduzido reformas profundas com foco na governança eficaz . Entre suas principais iniciativas estão: fortalecimento das Forças Armadas , promoção da estabilidade econômica , ampliação do apoio social às camadas mais vulneráveis da população , incentivo à educação e à saúde , com destaque para o ensino universitário e técnico gratuito aos melhores alunos , combate à pobreza e à corrupção, investimentos em agricultura, turismo, exploração mineral, e consolidação da segurança nacional e regional. Diversificação econômica e mudança geracional no poder africano No contexto do desenvolvimento socioeconômico, e diante da forte dependência da agricultura , Burkina Faso busca diversificar sua economia. Para isso, o país tem intensificado os investimentos no setor agrícola, com foco na segurança alimentar e na qualidade dos produtos , visando a exportação e a geração de empregos dignos e sustentáveis. Historicamente, a África tem sido marcada por lideranças de longa duração. Entre os presidentes mais longevos destacam-se: Paul Biya dos Camarões (92 anos); Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, da Guiné Equatorial (83 anos); Denis Sassou Nguesso (82 anos); Yoweri Museveni, do Uganda (81 anos); Isaias Afwerki, da Eritreia (79 anos). Contudo, observa-se uma mudança de paradigma. O continente vem sendo liderado, cada vez mais, por presidentes “jovens”, como: Ibrahim Traoré, do Burkina Faso (37 anos); Mahamat Déby, do Chade (41 anos); Assimi Goita, do Mali (43 anos); Mamady Doumbouya, da Guiné (45anos); Bassirou Diomaye Faye, do Senegal, (45 anos). Entre eles, Ibrahim Traoré se destaca como figura emblemática, dado os inúmeros desafios enfrentados durante o seu mandato: tentativas de golpe de Estado, dificuldades socioeconômicas, esforços de unificação nacional e articulação estratégica no plano regional. Seu compromisso com a governança, o fortalecimento institucional e o desenvolvimento de Burkina Faso tem lhe rendido reconhecimento de diversas figuras nacionais e internacionais. Com isso, o país vai, pouco a pouco, consolidando-se como uma verdadeira “Terra dos Homens Íntegros”. Isaac Jorge - É licenciado no Curso de Relações Internacionais pela Universidade Privada de Angola e trabalhou durante alguns anos na Missão Diplomática da República de Angola em Pretória - África do Sul. Além a experiência diplomática, nos últimos 18 anos tem estado ligado a atividade bancária, tendo assumido várias responsabilidades tais como Subdiretor na Direção de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, onde desenvolveu-se estudos para internacionalização do banco. Foi chefe de Departamento da banca de investimentos e Chefe de Departamento da Direção de Organização e Qualidade. Tem estado ligado a diferentes projetos de desenvolvimentos e de melhorias de produtos e serviços bancários e na formação de técnicos trabalhadores. É amante de esportes, principalmente o futebol. Revisão: Eliane Gomes Edição: João Guilherme Referências https://www.worldbank.org/en/country/burkinafaso/publication/burkina-faso-economic-update-2024-special-chapter-maintaining-reform-momentum-on-social-assistance Imagens: https://ichef.bbci.co.uk/ace/standard/976/cpsprodpb/D7B5/production/_128312255_bbcmp_burkinafaso.png https://imagens.ebc.com.br/aEavwsuAibMP3RKfOa82buQatEg=/1170x700/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2025/05/23/burkina_01jpeg.jpg?itok=zTy44ZCL https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcT3EXuIdjA0P4aV6NFjwaVeldiOAjuINqJI3Q&s
- Minorias em perigo
A menos de dois anos da publicação do artigo “Imigrantes LGBTQIAP+, uma dupla discriminação” , o assunto tornou-se pauta nos meios de comunicação tanto nos Estados Unidos quanto na Argentina, pois ambos os presidentes começaram a mudar suas atitudes em relação às minorias. Embora se saiba que os diversos instrumentos de direitos humanos aprovados pelos Estados não são suficientes para a população LGBTQIAP+ e que a mesma enfrenta uma grave discriminação aprofundada por variáveis associadas à questão migratória , somado a o rápido aumento da presença de imigrantes nos diferentes países, o interesse sobre o aspecto da heterogeneidade se incrementou (BRAVO, 2023). Esse incremento pode ser visto refletido nos assuntos de políticas tanto internas como externas. Fonte: Mídia Ninja No caso do presidente argentino, Javier Milei, que assumiu a presidência em 10 de dezembro de 2023, expressou o seguinte: “...uma polêmica comparação entre o Estado e um pedófilo: “Aqui a questão é a seguinte. Reconheça quem é nosso verdadeiro inimigo. Nosso verdadeiro inimigo é o Estado. O Estado é o pedófilo no jardim de infância, com as crianças acorrentadas e banhadas em vaselina.” (PERFIL, 2023). O que ele exteriorizou dois anos atrás não foi um ato isolado. Milei foi além no discurso que fez em janeiro , quando viajou para a cidade suíça de Davos para participar da reunião anual do Fórum Econômico Mundial. Em Davos, ele declarou o seguinte: “Há algumas semanas, o caso de dois americanos homossexuais ganhou as manchetes em todo o mundo que, levantando a bandeira da diversidade sexual, foram condenados a cem anos de prisão por abusarem e filmarem seus filhos adotivos há mais de dois anos. Quero deixar claro que, quando digo abuso, não é um eufemismo, porque nas suas versões mais extremas, a ideologia de gênero constitui simplesmente abuso infantil. Eles são pedófilos. Portanto, quero saber quem endossa esses comportamentos.” (MILEI, 2025) Fonte: Internet Essas palavras no discurso não passaram despercebidas; foram criticadas, e os Grupos LGBTQIAP+ e feministas conseguiram apoio de organizações sociais, políticas e sindicais para a realização da Marcha do Orgulho Antifascista e Antirracista , que reuniu milhares de pessoas contra Milei em diferentes cidades da Argentina e em outros lugares do mundo , como, por exemplo, em Berlim, Roma, Paris, Barcelona, Madrid, Londres, Lisboa e Amsterdã. Houve também concentrações em Santiago do Chile, Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Montevidéu, Nova York e Cidade do México. A esse respeito, é relevante mencionar que, já em fevereiro de 2024, foi solicitado o impeachment do presidente, argumentando “conduta repreensível e inaceitável exibida em plataformas digitais, com atos de discriminação e outros recursos questionáveis contra determinados grupos sociais” (RADIO UNR, 2024). Mesmo com o pedido e os movimentos contrários ao pensamento de Javier Milei, ele leva à ação o que afirmou em mais de uma oportunidade. Recentemente, ele manifestou que “este governo defende a igualdade perante a Lei consagrada na nossa Constituição Nacional. Nenhuma vida vale mais que outra” e que pretende reverter as leis que ampliaram os direitos das mulheres e das pessoas LGBTQIAP+ no país. Para isso, promoverá no Congresso uma reforma do Código Penal que elimine a figura do feminicídio, que agrava a pena no caso de homicídios de mulheres por razões de gênero. O anúncio surge após Milei ter definido o feminismo, a diversidade, o aborto e a ideologia de género, entre outros, como “cabeças de uma mesma criatura cujo propósito é justificar o avanço do Estado” sobre a liberdade dos indivíduos. As posições de Milei contra o que ele chama de “ideologia de gênero” ganharam força com a posse de Donald Trump nos Estados Unidos. Horas depois de tomar posse, Trump assinou uma ordem executiva que põe fim aos programas de diversidade, equidade e inclusão no governo federal. Trump restringiu os procedimentos de transição de gênero em menores e descreveu-os como mutilação, afirmando: “Esta tendência perigosa será uma mancha na história da nossa nação e deve acabar”. Em todo o país, os profissionais médicos mutilam e esterilizam um número crescente de crianças impressionáveis”, diz a ordem executiva. Como consequência de suas palavras, metade dos estados nos Estados Unidos proibiu o tratamento de menores que não se identificam com o seu gênero de nascimento. Fonte: AP Photo/Ben Curtis Em relação ao assunto, pessoas influentes como a cantora Madonna, se expressaram nas redes sociais : “É muito triste ver nosso novo governo desmantelando lentamente todas as liberdades pelas quais lutamos e conquistamos ao longo dos anos” ... “Não desista da luta!”. Cabe destacar que Madonna tem sido uma forte apoiadora da comunidade, especialmente desde os anos 90. Há algum tempo, em um show em Barcelona, ela se envolveu em uma bandeira da comunidade e cantou “Não chore por mim, Argentina”. As semelhanças nos pensamentos e ações de Trump e Milei chegam até a questão das fronteiras. Embora o muro fronteiriço entre os Estados Unidos e o México tenha começado a ser construído há mais de um quarto de século, foi na primeira presidência de Donald Trump (2017-2021) que ele ganhou maior impulso. Porém, não conseguiu construir um muro que percorresse toda a fronteira. As barreiras só foram levantadas nas zonas mais sensíveis. No que diz respeito à administração do governo argentino, foi confirmado que pretendem instalar uma cerca na passagem fronteiriça da cidade de Aguas Blancas, na província de Salta, no norte do país . A ministra da Segurança, Patricia Bullrich, afirmou que a área “estava completamente descontrolada”. A cerca tentará delimitar a distância entre a rodoviária local e o escritório de imigração do Porto de Chalanas, onde as pessoas circulam sem passar por controles, afirmam as autoridades. A cerca será de arame com cerca de 200 metros, tentando impedir a passagem ilegal de pessoas e, segundo as autoridades, o tráfico de drogas. Em relação às ações, o Governo da Bolívia expressou a sua preocupação com a medida e observou que “as questões fronteiriças devem ser abordadas através de mecanismos de diálogo bilateral”. Tanto o presidente dos Estados Unidos como o da Argentina, compartilham ideias e pensamentos em relação ao aborto, direitos LGBTQIAP+, ideologia de gênero, liberdade dos indivíduos, diversidade, equidade, inclusão, migrações, questão das fronteiras e assuntos de políticas internas e externas. Ambos expressam que é momento de “acordar” ( woke ) e de “considerar que as políticas implementadas representam não só uma ameaça aos valores familiares, mas até à própria democracia”. O termo “ woke ” ressurgiu na última década com o movimento “ Black Lives Matter ”, ou seja, contra a violência policial, “ Me Too ” contra o abuso sexual, e a favor dos direitos LGBTIQ+. O Dicionário Oxford, em 2017, acrescentou este novo significado de “ woke ”, definindo-o como: “Estar atento às questões sociais e políticas, especialmente ao racismo” . O conceito surgiu dentro da comunidade negra nos Estados Unidos e originalmente pretendia alertar para a injustiça racial. Mas o termo é muito mais complexo e pode refletir com quais posições políticas se está mais alinhado. Enquanto para alguns estar “ woke ” é ter consciência tanto social como racial e poder questionar os paradigmas e as normas opressivas, para outros descreve aqueles que se consideram moralmente superiores e querem impor suas ideias progressistas sobre o resto. Os críticos da cultura questionam os métodos coercivos utilizados por alguns contra aqueles que dizem coisas ou cometem atos que consideram misóginos, homofóbicos ou racistas. Seguindo as palavras de Milei em relação a “ woke ”: “A grande epidemia do nosso tempo que deve ser curada é o câncer que deve ser removido.” “Hoje venho dizer-lhes que a nossa batalha não está vencida, que, embora a esperança tenha renascido, é nosso dever moral e nossa responsabilidade histórica desmantelar o edifício ideológico do wokismo doentio”. E acrescentou: “O wokismo é o resultado da inversão dos valores ocidentais, cada um dos pilares da nossa civilização foi alterado por uma versão distorcida de si mesmo, através da introdução de vários mecanismos da sua versão cultural”. Também descreveu o wokismo como “um regime único de pensamento” e sustentou que “feminismo, diversidade, inclusão, equidade, imigração, aborto, ambientalismo, ideologia de género, entre outros, são cabeças da mesma criatura cujo propósito é justificar o progresso” (MILEI, 2025). O que começou como um choque cultural transformou-se num confronto em todos os aspectos, não só político. Mais uma vez, pode-se ver que estamos ante uma batalha, e o que foi dito há algum tempo, através da pergunta: “como podemos ajudar os migrantes LGBTQIAP+ a tornar visível sua existência, cooperar em sua integração na sociedade e garantir o acesso a direitos?” , cobra mais relevância que nunca. Neste contexto, podemos ajudar as minorias , aos migrantes LGBTQIAP+ a tornar visível sua existência por meio de um papel ativo na sociedade, cooperando para que sua integração permaneça nas melhores condições possíveis, além das medidas que o governo de turno queira implementar. Não é uma tarefa fácil quando existem presidentes que afirmam que “é hora de sair desse roteiro e de ser ousado, escrevendo seus próprios versos”, parecendo esquecer que essa “ousadia” atenta contra a vida de milhares de pessoas. Políticas como estas têm um efeito prejudicial, especialmente na saúde mental. O apoio à saúde e ao bem-estar transcende a política, e as autoridades eleitas e os meios de comunicação que compreenderem os perigos que as políticas e a retórica anti-LGBTQIAP+ e anti-imigrantes representam devem se posicionar e ser a voz daqueles que não podem se expressar livremente. Editorial do Portal Águia Revisão por Eliane Gomes Edição por João Guilherme REFERÊNCIAS https://cnnespanol.cnn.com/2025/01/22/eeuu/aconsejan-comunidad-lgbtq-precauciones-trump-traxhttps://elordenmundial.com/mapas-y-graficos/mapa-muro-mexico-estados-unidos/ https://www.pagina12.com.ar/800963-el-mundo-se-sumo-a-la-marcha-antifascista-y-antirracistahttps://www.bbc.com/mundo/noticias-63465024https://chequeado.com/el-explicador/el-discurso-de-javier-milei-en-davos-que-es-la-ideologia-woke/ https://radio.unr.edu.ar/2024/02/29/solicitan-juicio-politico-al-presidente-javier-milei/ https://legrandcontinent.eu/es/2025/01/25/milei-en-davos-el-discurso-completo-2/ https://www.perfil.com/noticias/politica/pedofilia-violaciones-holocausto-y-discapacidad-las-polemicas-comparaciones-que-usan-en-la-libertad-avanza.phtml https://www.telenoche.com.uy/mundo/donald-trump-restringe-los-procedimientos-transicion-genero-menores-lo-califico-mutilacion-n5379644 https://www.eldiarioar.com/espectaculos/madonna-critico-medidas-milei-trump-comunidad-lgbtq-triste_1_12003542.html https://www.vozdeamerica.com/a/milei-planea-eliminar-feminicidio-codigo-penal-argentino-se-alinea-trump-contra-diversidad-/7949778.html https://www.bbc.com/mundo/articles/c4g7745w9vgo https://www.portalaguia.com/post/imigrantes-lgbtqiap-uma-dupla-discrimina%C3%A7%C3%A3o
- O novo papa e o futuro da Igreja: O que esperar?
Robert Francis Prevost é o primeiro pontífice agostiniano e o segundo americano a ocupar o cargo, sendo originário de Chicago, Illinois. Mas o que significa “agostiniano”? A Ordem de Santo Agostinho (OSA) é uma comunidade religiosa de tradição mendicante, fundada oficialmente em 1244 e presente hoje em mais de 40 países, abrangendo todos os continentes. Papa Leão XIV acena aos fiéis em sua primeira aparição pública / Foto: REUTERS/Yara Nardi A eleição de Prevost rompe com um costume não escrito do Colégio Cardinalício, segundo o qual os candidatos ao papado costumavam surgir entre os clérigos seculares ou de outras ordens mais visíveis, como os jesuítas ou os franciscanos. Robert Francis Prevost , nascido em 14 de setembro de 1955, é filho de Louis Marius Prevost e Mildred Martínez, possuindo ascendência francesa, italiana e espanhola. Graduado em Matemática e Filosofia pela Villanova University, ingressou no noviciado da Ordem de Santo Agostinho (OSA) em 1977. Após concluir sua formação em Teologia e Direito Canônico, foi ordenado sacerdote em 1982. Robert Francis Prevost teve uma carreira significativa na missão agostiniana no Peru, atuando como diretor de formação, professor e vigário judicial. Entre 1999 e 2007, ocupou cargos importantes, incluindo o de prior geral da Ordem de Santo Agostinho . Em 2014, foi nomeado bispo titular de Sufar e administrador apostólico da diocese de Chiclayo , no Peru, cargo que ocupou até 2015, quando foi nomeado bispo de Chiclayo pelo Papa Francisco. Além de seu trabalho mencionado, Robert Francis Prevost foi eleito vice-presidente da Conferência Episcopal Peruana e integrou importantes congregações do Vaticano, incluindo a Congregação para o Clero e a Congregação para os Bispos . Em 2023, foi nomeado Prefeito do Dicastério para os Bispos e presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina , sendo promovido a arcebispo e criado cardeal no mesmo ano. Também participou de assembleias sinodais e foi membro de vários dicastérios vaticanos . Seu lema episcopal é “In Illo uno unum”, reflete a unidade em Cristo. Ele tem desempenhado um papel ativo em eventos importantes do papado de Francisco, incluindo orações e celebrações em momentos de crise, como durante a hospitalização do Papa Francisco. Sua trajetória é marcada por uma forte ligação com a missão agostiniana e uma liderança focada na sinodalidade — termo frequentemente utilizado pelo Papa Francisco, derivado do grego sínodo , que significa “caminhar juntos”—, além de um compromisso com educação e cultura . O caminho até o conclave Os 133 cardeais na Capela Sistina durante o conclave — Foto: Reprodução / Vaticano O termo conclave vem do latim cum clave , que significa "com chave", refletindo a tradição de manter os cardeais confinados durante o processo de escolha do novo Papa. Os líderes da Igreja Católica se reuniram no Vaticano para o conclave, um processo confidencial pelo qual será eleito o sucessor de Francisco, o primeiro Papa latino-americano, que faleceu no dia 21 de abril de 2025, aos 88 anos , na segunda-feira de Páscoa . Ao longo da história, os conclaves trouxeram mudanças significativas para a Igreja Católica, pois cada novo Papa deixa sua marca. Apenas os cardeais , dirigentes católicos com menos de 80 anos , podem votar. A escolha de um novo pontífice é considerada tanto um dever quanto uma responsabilidade espiritual. No passado, desacordos entre facções podiam prolongar os conclaves por meses. Desta vez, os cardeais se reuniram novamente na Cidade do Vaticano , um estado independente no coração de Roma, para eleger o 267º Papa. São Pedro, considerado o primeiro Papa pela tradição católica, foi escolhido por volta do ano de 30 d.C . Dados relevantes sobre o processo Início do conclave: 7 de maio de 2025. Duração do conclave: Segundo as normas vaticanas, o conclave deve começar entre 15 e 20 dias após a morte do papa, mas pode ser estendido até um máximo de 20 dias. Neste caso, decidiu-se iniciar o conclave em 7 de maio, após a morte de Francisco em 21 de abril. Término do conclave: A duração do conclave pode variar, mas, nos últimos tempos, o novo papa tem sido eleito em poucos dias. Nome e legado Encíclica Rerum Novarum sobre a condição dos operários foi escrita pelo Papa Leão XIII, em 15 de maio de 1891. Foto: Vatican News Embora não exista uma norma doutrinária que obrigue a troca de nome, a prática se tornou uma tradição há mais de um milênio. Praticamente todos os papas passaram a ser conhecidos por um nome diferente do seu de nascimento. Esse costume surgiu no início da Idade Média , sendo o primeiro a adotá-lo João II , que optou por abandonar seu nome de batismo, Mercúrio, por considerá-lo ligado à mitologia pagã. A partir de então, a prática se consolidou e ganhou especial importância quando com a eleição de pontífices não italianos: adotar um nome em latim ajudava a “disfarçar” suas origens estrangeiras e contribuía para que fossem melhor aceitos. Em relação ao nome escolhido e sua história, Leão XIII (1878–1903) foi o último papa com esse nome até a eleição do atual e um dos mais influentes do século XIX. Autor da encíclica Rerum Novarum ("Sobre as coisas novas"), é considerado o pai da chamada “ doutrina social da Igreja ”. Ele buscou reconciliar a Igreja com o mundo moderno, abordando questões trabalhistas, defendendo os direitos dos trabalhadores e propondo um novo papel para a Igreja na era contemporânea. Seu nome é amplamente valorizado por setores reformistas e sociais do catolicismo. Os analistas especializados no Vaticano opinam que o mais provável é que o o novo Papa tenha se inspirado em Leão XIII , uma figura profundamente associada à justiça social , mas também à modernização prudente da Igreja. Sua escolha transmite uma mensagem de equilíbrio entre a postura reformista de Francisco e um perfil mais diplomático e conciliador. A visão do novo papa Papa Leão XIV falando aos cardeais no Vaticano. — Foto: Vatican Media/Handout via REUTERS O Papa Leão XIV , apresenta uma abordagem que combina continuidade e mudança em relação ao legado de seu antecessor, Francisco . Embora mantenha o compromisso com questões sociais como migração e meio ambiente , adota posturas mais conservadoras em temas como diversidade sexual e o papel das mulheres na Igreja . COMUNIDADE LGBTQ+ O Papa Leão XIV alinha-se à doutrina tradicional da Igreja, considerando a homossexualidade um pecado. Em um discurso proferido em 2012 , dirigido a bispos, Robert Francis Prevost mencionou a “simpatia por crenças e práticas que estão em desacordo com o evangelho” como uma ameaça à vida cristã. Entre essas práticas, incluiu explicitamente “o estilo de vida homossexual” e a existência de “famílias alternativas formadas por casais do mesmo sexo e seus filhos adotivos”, segundo reportou a revista Newsweek . Sua oposição ao ensino sobre diversidade de gênero também foi explícita durante sua atuação episcopal no Peru . De acordo com o The New York Times , Prevost rejeitou propostas educacionais do governo que promoviam a inclusão de conteúdos sobre identidade de gênero nas escolas. Ele as classificou como “confusas”, argumentando que “criam gêneros que não existem”. Esse tipo de declaração tem sido utilizado por setores conservadores como defesa da doutrina tradicional , mas tem gerado preocupação entre defensores dos direitos humanos e grupos LGBTQ+. Em 2024 , reconheceu os desafios culturais enfrentados por bispos africanos na aplicação de políticas sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, destacando que a realidade cultural em algumas regiões torna inviável a implementação dessas políticas. MIGRAÇÃO O Papa Leão XIV tem uma postura de apoio aos migrantes , enfatizando a dignidade humana e a necessidade de acolhimento. Durante seu episcopado no Peru , demonstrou solidariedade com os mais de 1,5 milhão de venezuelanos que chegaram ao país, afirmando que "a migração é parte da missão de Cristo". MULHERES NA IGREJA Reconhece a contribuição significativa das mulheres na Igreja, mas mantém a posição tradicional de não ordenar mulheres ao sacerdócio . Em 2023 , afirmou que "clericalizar as mulheres geraria novos desafios" . MEIO AMBIENTE Demonstra continuidade com o legado ecológico de Francisco . Em 2024 , durante um seminário, classificou o dano ambiental como um "pecado estrutural" e destacou que a crise não é apenas ambiental, mas também social , afetando principalmente os países do sul global. ABORTO E EUTANÁSIA O Papa Leão XIV mantém a posição tradicional da Igreja Católica, opondo-se firmemente tanto ao aborto quanto à eutanásia . Em 2021 , apoiou uma carta dos bispos peruanos que criticava a decisão judicial que permitiu a eutanásia para Ana Estrada Ugarte , enfatizando que “a eutanásia sempre será o caminho errado, pois atenta contra o direito inalienável à vida". Conclusão O pontificado de Leão XIV sinaliza uma Igreja que busca uma postura conciliadora , combinando tradição e pragmatismo , equilibrando compromissos sociais com posturas conservadoras em questões doutrinárias. Pode-se dizer que ele é considerado um progressista moderado , pois mantém sua fidelidade à doutrina tradiciona l da Igreja, ao mesmo tempo em que demonstra um forte compromisso social. Sua trajetória foi, sem dúvida, influenciada por sua experiência missionária no Peru. Editorial Portal Águia Revisão por Eliane Gomes Edição por Eliézer Fernandes Referências https://www.vaticannews.va/es/papa/news/2025-05/robert-francis-prevost-la-biografia-del-nuevo-papa.html https://www.bbc.com/mundo/resources/idt-904185ba-2600-4d37-9419-9204b4da5167#:~:text=Los%20l%C3%ADderes%20de%20la%20Iglesia%20Cat%C3%B3lica%20se,el%20cual%20se%20elegir%C3%A1%20un%20nuevo%20Papa.&text=Cada%20cardenal%20emite%20su%20voto%20en%20una,y%20a%C3%B1ade%20el%20nombre%20del%20candidato%20elegido . https://elpais.com/internacional/2025-05-12/el-nuevo-papa-un-autentico-golpe-de-efecto.html https://www.infobae.com/america/mundo/2025/05/08/comunidad-lgbtq-mujeres-migrantes-y-cambio-climatico-la-posicion-del-papa-leon-xiv-sobre-temas-clave/ https://elpais.com/internacional/2025-05-09/las-claves-del-pensamiento-de-leon-xiv-eutanasia-ordenacion-de-mujeres-doctrina-de-la-iglesia-y-cambio-climatico.html https://www.infobae.com/peru/2025/05/19/los-7-mensajes-de-esperanza-unidad-y-humildad-del-papa-leon-xiv-en-su-homilia-inaugural-de-su-papado-en-el-vaticano/ https://www.infobae.com/america/mundo/2025/05/08/quienes-son-los-agustinos-la-orden-del-nuevo-papa-una-comunidad-mendicante-con-800-anos-de-historia-y-vocacion-misionera/ https://www.bbc.com/mundo/articles/clw0gypj7v2o https://historia.nationalgeographic.com.es/a/por-que-leon-xiv-que-nombre-nuevo-papa-dice_23660
- Raul Seixas, 80 anos: a semente da Sociedade Alternativa ainda germina
Raul Seixas e cinegrafista. Foto: Claudinê Petrolli/Estadão Em maio de 1973, durante o Phono 73 — festival de música promovido pela Phonogram, atual Universal Music, no Centro de Convenções do Anhembi —, Raul Seixas protagonizou uma de suas apresentações mais antológicas. Ele entoou em alto e bom som: "É necessário gritar, gritar... pera aí!" Soltou o microfone no chão, pegou um batom e desenhou em seu tórax o símbolo da Sociedade Alternativa. Em seguida, agachou-se, recuperou o microfone e continuou: "Está lançada aqui a semente, a semente de uma nova idade, da qual vocês todos são testemunhas..." Anos depois, ao assistir essa apresentação pela primeira vez, perguntei-me qual era o verdadeiro significado daquela fala. Já conhecia algumas músicas do Raul e, como muita gente, estava habituado à eterna exclamação: "Toca Raul!" — mas nunca havia refletido sobre o que ele realmente queria comunicar com aquela performance carregada de símbolos. Com o tempo, investigando mais sobre sua vida e obra, compreendi que aquela “nova idade” não se referia a uma data no calendário, mas sim a uma ideia — um despertar das consciências , uma ruptura com as normas impostas e uma busca radical por liberdade. Esse conceito estava profundamente ligado à Sociedade Alternativa, movimento filosófico e cultural criado por Raul Seixas e o escritor Paulo Coelho , inspirado nos escritos do ocultista britânico Aleister Crowley . Mais do que um grupo, era uma proposta de vida: viver sem amarras, criar suas próprias leis, reinventar a própria existência. A máxima “Faz o que tu queres, há de ser tudo da Lei” resumia esse pensamento provocador, que desafiava as convenções religiosas, políticas e morais da época. Naquele gesto performático, naquele grito aparentemente caótico, havia algo profundamente calculado e simbólico. Raul não queria apenas cantar. Ele queria provocar, instigar, plantar dúvidas. Abrir brechas nas certezas prontas, nos dogmas engessados, nas rotinas impostas. Ele sabia que a verdadeira revolução não começava nas ruas — mas dentro de cada indivíduo. A Sociedade Alternativa propunha justamente isso: escapar das estruturas tradicionais de poder, fosse o Estado, a Igreja, a escola ou a família. Foi uma manifestação corajosa em pleno auge da ditadura militar. Não era apenas arte — era resistência. Em um país onde a censura proibia canções, prendia artistas e torturava corpos, Raul expôs o próprio corpo como manifesto. O símbolo desenhado com batom no peito não era enfeite: era grito silencioso. E quem quisesse entender, entenderia. A Sociedade Alternativa, tornava-se, nesse contexto, uma utopia possível. Não por transformar o mundo de fora para dentro, mas por reconhecer que a mudança verdadeira começa de dentro para fora. Essa pergunta ressoa ainda mais forte agora, em 2025 — ano em que, em 28 de junho, Raul Seixas teria completado 80 anos. Oito décadas desde o nascimento do homem que transformou contradição em poesia e rebeldia em filosofia cotidiana. Ainda assim, parece que ele nunca esteve tão presente. O legado de Raul não está apenas nos discos, nas capas psicodélicas ou nas letras cheias de enigmas. Está, sobretudo, no pensamento que ajudou a semear — uma visão de mundo que ainda inspira os que não se conformam com respostas prontas. Raul plantou a Sociedade Alternativa não como um movimento a ser seguido, mas como um chamado a ser vivido. Em um mundo sufocado por algoritmos, pressões sociais, conservadorismos renovados e crises de identidade, sua mensagem de autolibertação soa quase profética. Viver segundo a própria lei — no sentido de reconhecer e honrar aquilo que realmente importa para si — talvez seja hoje uma das maiores ousadias possíveis. Celebrar os 80 anos de Raul Seixas, portanto, não é apenas relembrar um artista genial que rompeu padrões da música brasileira. É revisitar um pensamento libertário que ainda desafia, provoca e transforma. É perceber que a semente lançada em 1973 não apenas germinou — mas continua brotando em corações inquietos, mentes abertas, almas que ainda ousam sonhar com outro mundo possível. Raul vive em cada pessoa que se recusa a dobrar-se ao cinismo. Em cada artista que não aceita ser domesticado. Em cada jovem que, mesmo sem saber de onde vem aquela ideia, sente que pode — e deve — criar seu próprio caminho. A Sociedade Alternativa continua viva, mesmo que invisível. Porque, como ele mesmo dizia, “sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade”. Que seus 80 anos sejam menos uma comemoração nostálgica e mais uma convocação. Raul Seixas não é passado. Ele é presente. E, talvez mais importante, possibilidade de futuro. texto escrito por Filipi Costa Filipi Costa é jornalista formado pela Universidade Paulista e atua na área da comunicação há cinco anos. Possui formação técnica em Processos Fotográficos e é pós-graduado em Roteiro Audiovisual pelo Senac. Pesquisa temas sociais, culturais e ambientais por meio do jornalismo e da documentação audiovisual. Revisão por Eliane Gomes Edição por João Guilherme Referências Apresentação do Raul no Phono 73: https://www.youtube.com/watch?v=mfWDYaW_W-Q Sobre o Festival Phono 73: https://www.noize.com.br/phono-73-o-festival-que-marcou-para-sempre-a-musica-brasileira Sobre o legado de Raul Seixas: https://www.youtube.com/watch?v=ptCOztTnjSc Sobre a Sociedade Alternativa: https://www.letras.mus.br/blog/o-que-e-sociedade-alternativa/ Fonte da imagem: https://www.estadao.com.br/fotos/acervo/fotos-ineditas-do-phono-73-o-festival-com-as-maiores-estrelas-da-mpb-em-1973/?srsltid=AfmBOopaVAB4TC6kstl0kpj4ohSQgrTD3gn_7k8L0cJ8KuzRPjDQG7nE&token=%7B%22current%22%3A21%7D
- FOMO: Por que temos tanto medo de ficar sem saber?
Nos últimos meses, você provavelmente se deparou com a palavra FOMO em algum meme ou tuíte nas redes sociais. Mas, afinal, o que significa esse termo que se tornou tão recorrente na web? Foto: Mídia do Wix. FOMO é uma sigla que vem da expressão em inglês Fear of missing out , uma condição caracterizada pelo medo de ficar de fora de algum assunto, e também a ansiedade de estar perdendo algo. Trata-se de uma discussão pertinente quando se fala no uso excessivo de redes sociais, principalmente em um momento no qual a cultura digital se infiltra nas relações sociais. A origem do FOMO Ao contrário do que muitos pensam, o fenômeno do FOMO não é tão recente. O termo foi criado no início dos anos 2000, mas se popularizou apenas a partir de 2010, quando as redes sociais passaram a ter uma relevância maior no dia a dia das pessoas. Dessa forma, passou-se a notar uma mudança generalizada de comportamento com o avanço das plataformas digitais. Conhecidos como os usuários que mais engajam nas redes, os brasileiros se destacam por sua presença marcante no meio digital. Segundo dados do relatório Digital 2024: 5 Billion Social Media Users , o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking dos países que mais passam tempo online, com uma média de 9h13min por dia. Ademais, é necessário considerar os efeitos do fenômeno da midiatização , uma teoria do campo da comunicação que aborda o impacto da mídia na cultura e na sociedade, cada vez mais dependente dos meios de comunicação. A mídia deixa de ser apenas um canal de transmissão de informações, passando a moldar a forma como as pessoas se relacionam e se organizam em sociedade. Foto: IA Assim, a midiatização acaba por promover um ambiente no qual as regras de visibilidade e conexão, características centrais do FOMO , tornam-se experiências comuns da vida digital contemporânea. As consequências Ansiedade, insatisfação e comparação constante: esses são sintomas característicos de quem sofre com o FOMO , além da dificuldade de foco e estresse social. A dependência digital resulta de um excesso de estímulos ocasionados pela dopamina, neurotransmissor responsável por transmitir sensação de prazer. Quando estamos conectados, a dopamina liberada em nosso cérebro pode causar alívio e conforto; mas, a longo prazo, pode afetar nosso comportamento e provocar impulsividade. Essa cultura se infiltra nas relações sociais e pode causar prejuízos. Por isso, é fundamental estar atento a padrões de comportamento que apontam para a dependência digital. Como “fugir” do FOMO? Fugir do FOMO não significa se isolar ou se desligar do mundo. Pode ser, na verdade, uma oportunidade de escapar das pressões das redes sociais, ou até mesmo um momento de reconexão consigo mesmo. Por isso, estabelecer limites e valorizar experiências fora das telas pode ser muito enriquecedor. Aqui vão algumas dicas para escapar das armadilhas do mundo digital: Reduzir o tempo de tela Evite passar tanto tempo no celular e, se necessário, use ferramentas que controlam o tempo de uso dos aplicativos. É uma dica simples, mas com efeitos siginificativos a longo prazo. Rever o conteúdo que consome Selecione conteúdos que realmente te representem. Lembre-se: o que é mostrado na internet não reflete 100% a realidade. Muitas pessoas exibem uma vida perfeita que, na verdade, não existe. Evitar esse tipo de conteúdo ajuda a manter a saúde mental em dia. Viva o momento Curta uma festa, aprenda um hobby novo ou faça um passeio diferente. Faça tudo isso não para postar nas redes ou mostrar para os outros, mas por você. No fim das contas, estar vivo é se permitir experimentar os momentos que te aguardam. Texto escrito por Alice Trindade É graduada em Comunicação Social - Jornalismo, gosta de bons livros, cafés da tarde e sempre está em busca de novos hobbies. Atualmente, integra a equipe de colunistas do Portal Águia. Revisão: Eliane Gomes Edição: Eliézer Fernandes Referências https://zenklub.com.br/blog/para-voce/sindrome-de-fomo-o-que-e-fear-of-missing-out https://g1.globo.com/saude/noticia/2023/02/13/fomo-saiba-mais-sobre-a-sindrome-do-medo-de-ficar-de-fora-principalmente-do-mundo-digital.ghtml https://revistas.usp.br/matrizes/article/view/82929/85963
- “Minta, minta, minta, algo permanecerá”
A frase que intitula o artigo é de Joseph Goebbels que foi Ministro do Esclarecimento Público e Propaganda durante o Terceiro Reich, Joseph afirmava que: Joseph Goebbels “Antes, quando algo cair, quanto maior a mentira, mais as pessoas acreditarão”. O tempo passou mas a sentença continua vigente e particularmente em relação ao Presidente da Argentina, Javier Milei que tanto nos debates presidenciais como nos anúncios feitos por seus ministros, fez o que disse que não ia fazer, ou seja, mentiu. No debate presidencial, Milei incorporou plenamente a visão da vice-presidente, Victoria Villarruel expressando que os crimes contra a humanidade eram “excessos” , tendo o mesmo argumento do genocida Jorge Rafael Videla. Expressar uma opinião sobre o pior sucesso na História Argentina não é brincadeira e tem que ser levada a sério. Além disso, quando se pesquisa sobre as ideias do presidente argentino fica evidente que ele não tem um pensamento crítico; cada uma das ideias dele foram ideais ou opiniões de outras pessoas e coincidir -ou não- com outras está bem, o errado é falar como se as ideias, argumentos ou planos sejam exclusivos dele. Ele não dá o crédito ao outro, como se evidenciou nos plágios que ele fez relacionados ao Fundo Monetário Internacional (FMI) mas o plágio não se limitou a colunas de opinião ou livros, está presente até em sua autobiografia *. A questão das mentiras foi mais além da esfera doméstica e durante a Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial em Davos de 2024, e elas podem ser vistas nas expressões de Mieli. A seguir destaco algumas frases na mesma ordem do discurso: “Estamos aqui para dizer-lhes que as experiências coletivistas nunca são a solução para os problemas que afligem os cidadãos do mundo, mas, pelo contrário, são a sua causa. Acredite em mim, ninguém melhor do que nós argentinos para dar testemunhos destas duas questões." Permitam-me discordar do presidente argentino e concordar com o argumento de Paulo Freire que expressou que “Ninguém se salva sozinho, ninguém salva ninguém, todos nós salvamos em comunidade”. Pensamento que anda de mãos dadas com o Papa Francisco que durante a pandemia disse que “Ninguém se salva sozinho”, refletindo que nenhuma solução próspera pode ocorrer a partir do individualismo. Continuando, Milei afirmou que: “Quando adotamos o modelo da liberdade, no ano de 1860, em 35 anos nos tornamos a primeira potência mundial.” Porém, esqueceu de falar quais eram as condições da população nesse tempo. Os pontos mais importantes foram que a Argentina estava se organizando no nível estatal e o motor do seu crescimento econômico foram as exportações de produtos primários porém as receitas do Estado nunca conseguiram cobrir as suas despesas, pelo que o déficit fiscal era comum. A emissão de dívida pública para cobrir a crescente despesa pública levou a um aumento da taxa de juros do sistema e a uma eventual queda da taxa de investimento do setor privado. Este efeito tornou-se mais pronunciado em tempos difíceis, quando os investidores preferiram a segurança dos títulos do Estado à rentabilidade na esfera privada. ( ROCCHI, 200) Em relação à seguinte frase: “Agora, não só que o capitalismo gerou uma explosão de riqueza desde o momento em que foi adotado como sistema econômico, mas, se você analisar os dados, o que se observa é que o crescimento vem acelerando ao longo de todo o período.” Seria bom para ele ler Noam Chomsky para compreender que o capitalismo produziu “uma escalada aparentemente interminável de guerras, catástrofes ambientais, níveis sem precedentes de desigualdade tanto na riqueza como nos rendimentos globais. E regimes autoritários cada vez mais repressivos." (CHOMSKY & WATERSTONE, 2021) Com respeito ao Produto Interno Bruto (PIB), expressou que: “Agora, quando se estuda o PIB per capita, desde o ano 1800 até hoje, o que se observa é que, após a Revolução Industrial, o PIB per capita mundial se multiplicou por mais de 15 vezes, gerando uma explosão de riqueza que tirou da pobreza 90 por cento da população mundial.” Exatamente como ele fala, “agora, quando se estuda o PIB…” não se considera seus números como indicadores vitais para analisar o crescimento econômico de um país porque não leva em conta o que exatamente está sendo produzido ou qual é a qualidade do que é produzido; fazendo difícil comparar a produção entre diferentes períodos. Por último, segundo Milei diz: “A conclusão é óbvia: longe de ser a causa dos nossos problemas, o capitalismo de livre empresa, como sistema econômico, é a única ferramenta que temos para acabar com a fome, a pobreza e a indigência em todo o planeta. A evidência empírica é inquestionável … Por isso, como não há dúvida de que o capitalismo de livre mercado é superior em termos produtivos… Graças ao capitalismo de livre empresa, hoje, o mundo está no seu melhor. Nunca houve, em toda a história da humanidade, um momento de maior prosperidade do que o que vivemos hoje. O mundo de hoje é mais livre, mais rico, mais pacífico e mais próspero do que qualquer outro momento da nossa história. Isso é verdade para todos, mas em particular para aqueles países que são livres, onde respeitam a liberdade econômica e os direitos de propriedade dos indivíduos”. Pensando em suas palavras, uma forma de respeitar a liberdade e direitos dos indivíduos é vedar o congresso nacional, pressionar os governadores – anunciando cortes pela Nação – a votarem leis que nada tem a ver com necessidades e emergências, e reprimir cidadãos que manifestam o seu desacordo com os planos econômicos do presidente eleito? Para finalizar, vou lembrar uma frase de Myriam Bregman que foi dita no debate presidencial, ela enfatizou os laços empresariais do economista ultraliberal expressando que: “ Ele não é um leão, é um gatinho fofinho do poder econômico ” (El País, 2023). O que será que Bregman quis dizer? Disso vamos falar no próximo artigo , onde vamos também vamos repensar os conceitos tão falados por Milei: liberdade, poder econômico e direitos. * Se você quiser saber mais sobre plágio, acesse: https://interferencia.cl/articulos/los-multiples-plagios-de-javier-milei-en-sus-libros-y-columnas-que-sergio-massa-refloto-en Texto escrito pela equipe Zero Águia , portal de notícias e análises sobre Política e Relações Internacionais. Revisão por Eliane Gomes Edição por Felipe Bonsanto Bibliografía: Chomsky, N., & Waterstone, M. (2021). Las consecuencias del capitalismo. La fábrica de descontento y resistencia. “Davos 2024: Discurso especial de Javier Milei, presidente de Argentina”, World Economic Forum, 19 de enero de 2023. https://es.weforum.org/agenda/2024/01/davos-2024-discurso-especial-de-javier-milei-presidente-de-argentina/ "Javier Milei sale con vida del primer debate de candidatos presidenciales de Argentina", Diario El País, 2 de octubre de 2023. https://elpais.com/argentina/2023-10-02/javier-milei-sale-con-vida-del-primer-debate-de-candidatos-presidenciales-de-argentina.html “ Los múltiples plagios de Javier Milei en sus libros y columnas que Sergio Massa reflotó en el debate”, Interferencia, 14 de noviembre de 2023. https://interferencia.cl/articulos/los-multiples-plagios-de-javier-milei-en-sus-libros-y-columnas-que-sergio-massa-refloto-en Rocchi, F. (2000). El péndulo de la riqueza: la economía argentina en el período 1880-1916. Nueva historia argentina , 5 , 15-69.
- De Mujica a Orsi: Continuidade e desafios na política uruguaia
No domingo 24 de novembro aconteceram as eleições presidenciais no país vizinho, Uruguai. Os principais institutos de pesquisa do país emitiram as suas projeções de contagem de votos às 20:30 da noite com base nos primeiros votos obtidos nos circuitos que foram escolhidos para suas amostras. A fórmula formada por Yamandú Orsi e Carolina Cosse, da Frente Amplo, foi a vencedora após o segundo turno das eleições nacionais, instância conhecida como segundo turno. Fonte: BBC News Orsi, conseguiu vencer o Partido Nacional, formado por Álvaro Delgado e Valéria Ripoll. Durante a campanha, Yamandú prometeu uma política de “ esquerda moderna ” e garantiu que não está planejando uma mudança repentina de política , já que o país tem a característica de ser tradicionalmente moderado. O novo presidente vem de uma das duas grandes coalizões que dominam a política uruguaia, a Frente Amplo. A Frente é integrada há mais de 50 anos por partidos de esquerda e hoje tem o ex-presidente José Pepe Mujica como referente político. Em seu discurso, Orsi afirmou que: “Vai ser o presidente que apela continuamente ao diálogo nacional para encontrar as melhores soluções. Claro, com as nossas ideias, mas também ouvindo bem o que os outros nos dizem”. Ele busca “construir uma sociedade mais integrada…” (...) “ninguém poderá ficar para trás do ponto de vista econômico, social e político”. Fonte: UOL Notícias Suas palavras descrevem perfeitamente o cenário político do país. O cenário político uruguaio, ao contrário de outros países da América Latina, como Brasil ou Argentina, não é marcado por uma notória divisão entre direita e esquerda, ou seja, a polarização que pode-se encontrar nos países mencionados não existe no “paisito” como falam no Uruguai. De forma simples, o ambiente que se respira no Uruguai é caracterizado por uma prevalência de relativa calma e ausência de tensão política e social . Mas essa calma e ausência de tensão não se percebe na economia doméstica, ou seja, nos gastos que cada cidadão tem no dia a dia. No entanto, o que o Uruguai compartilha com outras nações da região é a preocupação com o elevado custo de vida, a desigualdade e a criminalidade , embora a inflação tenha diminuído recentemente. Essa preocupação pode ser vista na forma como o país é chamado, com muitos referindo-se ao Uruguai como a Suécia da América Latina . Mas por que é tão caro viver nesse país? Para responder a essa pergunta, é preciso considerar vários pontos. Fonte: Viagens e caminhos Por um lado, de acordo com dados recolhidos pelo Banco Mundial , os preços de cerca de 600 produtos no Uruguai, em comparação com outros 43 países, eram em média 27% mais caros no país sul-americano . Incrivelmente, países europeus desenvolvidos como França, Alemanha e Reino Unido apresentaram preços inferiores aos pagos em Montevidéu. Comparando exclusivamente com a região latino-americana , os produtos no Uruguai custam mais que o dobro dos da Bolívia, 80% mais que no México e 20% mais que no Brasil e Argentina. O custo elevado tem uma razão clara: o Uruguai padece a falta de concorrência e os setores regulados pelo Estado têm alguns problemas. O efeito país, ou seja, as condições que fazem que o país seja mais caro, é porque praticamente não há produção nacional e os produtos devem ser importados . Além disso, o mercado em geral é pequeno e fica concentrado em poucas empresas. É importante lembrar que no país vivem 3,5 milhões de pessoas e, devido à falta de uma concorrência maior, o lucro que as empresas colocam nos produtos é bem maior, representando até dez vezes o valor inicial. Por outro lado, ao falar do aspecto econômico não podemos deixar de considerar o sistema tributário e os altos custos da energia . O sistema tributário é baseado em impostos diretos sobre o consumo e não tanto em impostos sobre as pessoas. Um exemplo disso é o combustível . O Uruguai tem o litro de gasolina mais caro da América Latina e quase metade do preço são impostos. Em relação ao diesel, ele também é caro, porque um percentual do preço do litro é destinado ao subsídio ao transporte público, que depois é transferido para os custos de transporte e distribuição de qualquer produto. E não é só isso, acontece também com a eletricidade. As taxas estão entre as mais altas do mundo, devido aos investimentos feitos nos últimos anos para aumentar a produção de energia a partir de fontes renováveis. Fonte: Quero viajar Por último, em relação ao aspecto político e sua estabilidade , o Uruguai foi capaz de manter políticas de longo prazo e certa estabilidade econômica. Mas não podemos deixar de mencionar alguns dados pontuais. A pobreza está acima dos 8,8% do período anterior à pandemia e a sociedade também é mais desigual do que há cinco anos, segundo o índice de Gini, que cresceu de 0,383 em 2019 para 0,394 em 2023. É importante que a manifestação de vontade política de uma mudança , feita pelas pessoas no último domingo do mês de novembro, seja acompanhada por políticas que permitam reconstruir aspectos vitais de uma sociedade , especialmente nos valores gerais de cada produto que integram a economia de cada lar e na desigualdade social que se evidenciou de forma clara. A ausência de tensão no nível político e falta de polarização na área têm que ir junto com a estabilidade econômica no nível doméstico, ou seja, com preços coerentes com os salários e o nível de vida e qualidade de vida que o Uruguai transmite ao mundo. Editorial Portal Águia Revisão por Eliane Gomes Edição por Felipe Bonsanto Fontes: https://elpais.com/america/2024-11-23/uruguay-la-democracia-tranquila.html https://www.france24.com/es/am%C3%A9rica-latina/20241125-la-izquierda-regresa-al-poder-en-uruguay-qu%C3%A9-se-espera-con-yamand%C3%BA-orsi https://elpais.com/america/2024-11-25/la-izquierda-de-jose-mujica-vuelve-al-poder-en-uruguay-segun-los-primeros-sondeos-a-pie-de-urna.html https://www.bbc.com/mundo/articles/c722g284d8do https://www.univision.com/noticias/america-latina/resultados-elecciones-uruguay-balotaje-entre-yamandu-orsi-y-alvaro-delgado https://www.latimes.com/espanol/internacional/articulo/2024-11-25/lideres-de-america-latina-reaccionan-al-triunfo-de-orsi-y-el-regreso-de-la-izquierda-en-uruguayhttps://cnnespanol.cnn.com/2024/11/25/analisis-elecciones-uruguay-orix
- Quem (ainda) ocupa os espaços de poder?
A ascensão da população negra brasileira pareceu, durante muitas décadas, um sonho utópico. A chamada abolição da escravidão no Brasil foi mais uma lei “para inglês ver” do que um verdadeiro ato reparatório . Naquela época, já não era possível conter as rebeliões dos movimentos pró-abolição, além da crescente pressão internacional pelo fim da escravidão. O abolicionista negro André Rebouças. — Reprodução Diferente do que se esperaria de um país cuja economia foi construída sobre a escravidão, a dor, o sofrimento e a morte de pessoas escravizadas, o processo de libertação não veio acompanhado de reparação , justiça, divisão de terras ou garantia de direitos. Em vez disso, gerou desigualdade e miséria. Sem ter para onde ir e sem políticas reparatórias, os ex-escravizados ocuparam morros e periferias, perpetuando desigualdades que persistem até os dias atuais. Como herança da pós-abolição, o Brasil se tornou um dos países mais desiguais do mundo, especialmente no que diz respeito à desigualdade racial e social. Políticas de reparação Ao longo dos anos, o povo negro lutou e continua lutando por políticas públicas de reparação, buscando reduzir as desigualdades raciais e promover uma disputa mais equitativa. Infelizmente, na corrida da vida, a população negra parte em desvantagem , enfrentando barreiras como o racismo estrutural, a ausência de políticas públicas eficazes, a desestruturação familiar e a violência. O movimento negro travou batalhas significativas para que o Estado brasileiro criasse políticas públicas voltadas à equidade racial. Felizmente, houve avanços: políticas afirmativas começaram a ser implementadas, como as cotas raciais para o ingresso no ensino superior - uma forma de reequilibrar oportunidades - e as cotas em concursos públicos . Além disso, a criação de ministérios e órgãos dedicados à formulação de políticas para a população negra representou um passo importante. Fundação do Movimento Negro Unificado, 1978. Foto: Jesus Carlos / Divulgação: Folha de São Paulo No entanto, é fundamental destacar que essas iniciativas ainda não são suficientes para eliminar as desigualdades raciais. Apesar disso, elas têm desempenhado um papel significativo na redução dessas disparidades, contribuindo para mudanças estruturais e promovendo um cenário mais justo para as próximas gerações. Negras e negros em espaços de poder Essa é a parte em que eu gostaria de escrever sobre uma ascensão massiva da população negra, mas, infelizmente, as desigualdades ainda são extremamente acentuadas, fruto de uma sociedade profundamente racista e discriminatória. É inaceitável que a população negra, que representa 56,1% da população brasileira ( segundo dados do IBGE), ocupe apenas 24% das 513 cadeiras no Congresso Nacional e que menos de 3% dos homens e mulheres negras alcancem cargos de gerência e diretoria no mundo corporativo . Essa discrepância evidencia uma desigualdade estrutural que precisa ser enfrentada. Como homem negro, faço questão de ressaltar que ainda há um longo caminho a percorrer para alcançar a justiça racial. Para mim, isso significa ver 56,1% de pessoas negras em cargos de liderança, nos serviços públicos e no legislativo. Olhando para trás, reconheço os avanços que conquistamos: em diversas áreas, há pessoas negras como referência - seja nas artes, na educação, na literatura, na ciência, na medicina, no direito ou no mundo corporativo . Houve um tempo em que ver negros nessas posições era algo imaginável apenas para nós, e felizmente, por meio de politicas reparadoras, ações afirmativas e muita luta, conseguimos imprimir mudanças significativas. Hoje, negros na classe média e nas classes mais altas já são uma realidad e, mas ainda vivemos em um mundo onde desigualdades persistem. O ideal seria que essas disparidades não existissem, mas, como elas continuam a marcar nossa sociedade, cabe a nós lutarmos para reduzi-las, garantindo que mais pessoas negras ocupem espaços de poder e tomada de decisão. Texto escrito por Ivo Mendes É ativista e militante há mais de 14 anos em pautas antirracistas e no combate às desigualdades sociais no Brasil. Retirou o medo do seu vocabulário, por isso é um sonhador por essência e entusiasta por sobrevivência. Formado em Gestão da Tecnologia da Informação, passou pela vida política da Baixada Santista e integra a equipe de colunistas do Portal Águia. Revisão por: Eliane Gomes Edição por: João Guilherme Veiga Grecco Referências https://offlattes.com/archives/13844 https://www.bbc.com/portuguese/geral-53520782 https://www.ibge.gov.br/
- Entre Mundos: as dores e delícias de ser imigrante
Imagem: Mulher no aeroporto - Diário do Nordeste Muitas vezes, quando falamos sobre imigrantes, vemos situações extremas: tragédias como deportações nos Estados Unidos , filhos sendo separados dos pais, pessoas que construíram uma vida em determinado lugar sendo obrigadas a deixar tudo para trás. Por outro lado, também vemos histórias de sucesso: pessoas se dando bem, trabalhando, estudando, seguindo a vida que escolheram. Mas há um ponto pouco discutido dentro desse tema: a divisão entre mundos e as consequências emocionais - tanto positivas quanto negativas - de ser um “ser imigrante”. Nesse artigo, vamos refletir sobre as dores e as maravilhas dessa jornada emocional que é imigrar. A decisão de sair de seu ninho Quando uma pessoa decide sair do seu país, seja pelo motivo que for, é preciso muita coragem . Lidar com outro idioma, outros costumes, outras burocracias, outras pessoas… com outro “tudo”. Por isso, essa decisão não deve ser tomada por raiva, após uma briga ou no impulso do famoso “não aguento mais esse lugar” - esses não são os motivos certos. No país de destino, certamente haverá problemas iguais ou até maiores para enfrentar. Além disso, é fundamental se preparar para partir. Informar-se sobre a documentação necessária, a validade do visto ao chegar, as possibilidades de emprego (se é permitido trabalhar ou não), estudar, e se o país é receptivo com estrangeiros, entre outros aspectos importantes. A preparação financeira também é indispensável. Sim, sabemos o quanto é desafiador no cenário atual, mas sair do país exige planejamento econômico sólido. E claro, há a preparação psicológica. Ficar um tempo indeterminado longe da família e dos amigos nunca é fácil. Rumo ao desconhecido Imagem: Mulher estrangeira na rua - fonte: sonhos.com Temos que ter em mente que, ao sairmos do nosso país, por mais que pesquisemos e nos sintamos preparados para enfrentar a nova realidade, inevitavelmente vamos nos deparar com o desconhecido. Há aprendizados que só vêm com a prática do dia a dia: o preço do café, determinadas palavras no mercado, gírias e maneirismos - tudo é muito novo. É essencial estarmos de coração aberto para acolher essa nova cultura. Quando saí do Brasil, recebi um conselho valioso de um colega de trabalho: respeite a cultura e os modos locais, evite comparações com o seu país e mantenha o peito aberto ao novo. Foi algo muito importante de ouvir - e levo isso para a vida, aconselhando outras pessoas que estão se tornando imigrantes. Saudade - uma palavra brasileira que conecta A palavra saudade é amplamente conhecida por não ter uma tradução exata. Na verdade, o único idioma que conheço que possui algo semelhante é o alemão, com a palavra Sehnsucht . Ainda assim, nenhuma expressão consegue traduzir por completo esse sentimento que acompanha o imigrante todos os dias. Mesmo quando a escolha de imigrar é voluntária e consciente, ela carrega consigo um lado mais sensível. Situações simples - como estar em um lugar que nos lembra alguém querido, provar uma comida que remete a um momento especial, ou ouvir uma música que desperta lembranças - fazem o coração apertar. E muitas vezes, não conseguimos ligar para a pessoa naquele momento: seja por causa do fuso horário, da rotina atribulada dela, ou de outros impedimentos. Com o tempo, o imigrante aprende a fazer da saudade uma companheira. Aprende a vê-la não como algo que machuca, mas como um sentimento belo, carregado de memórias afetivas. Hoje em dia, a tecnologia é um grande alívio para quem está longe. Graças a chamadas de vídeo e mensagens instantâneas, conseguimos amenizar a distância. Sinceramente, não consigo imaginar como foi para gerações anteriores imigrar sem esses recursos. Sem dúvida, era muito mais difícil. Ir ou ficar? Imagem: Mulher pensando olhando para o horizonte. - Pixabay Nenhuma escolha é fácil. A própria palavra já diz: ao escolher, algo que gostaríamos de manter fica para trás. Escolher ir é difícil - e, muitas vezes, escolher ficar também. Se vamos, pensamos no que teria acontecido se tivéssemos ficado; se ficamos, imaginamos como seria se tivéssemos ido. Ou seja, as escolhas não são fáceis, mas precisam ser feitas. A vida de estrangeiro não é simples. Claro, aproveitamos onde estamos, vivemos, postamos fotos dos lugares que visitamos e buscamos ser felizes onde quer que estejamos. Mas, ao mesmo tempo, enfrentamos batalhas diárias: a saudade, a burocracia, os desafios da adaptação. Tudo isso é parte do pacote invisível que carregamos no dia a dia. Por isso, nunca pense que o seu país é horrível e que viver fora é uma solução mágica. Nenhum lugar é perfeito - todos têm seus defeitos e qualidades. Precisamos ter consciência disso para fazer escolhas mais justas com a realidade e com nós mesmos. Eu mesma já ouvi algumas vezes que fui muito corajosa por ter saído do meu país. E sinceramente? Também acho. Mas sei que essa coragem me permite hoje fazer mais por quem ficou - e isso é um grande acalento para o coração. Para quem ficou e tem vontade de partir: reflita com profundidade , se organize com carinho, tenha foco e planeje bem cada passo. Para finalizar Deixo aqui um poema profundo de Flavia Regina de Jesus , imigrante brasileira marcada pela saudade. Suas palavras capturam com leveza e dor os sentimentos do “ser imigrante”: "Solidão estrangeira" Afundo como pedra em um mar de domingos Rasgando minha solidão sob a chuva Como uma imensa folha de papel de seda. O que resta desse caldo É uma misteriosa paz respingada de tristeza Que eu aceito vencida e resignada. Sentada no alto do muro dos quarenta Sem satélites nem estrelas Chupando livros e as folhas do jardim Sustento a realidade da minha vida de estrangeira. Ninguém chegará sem um convite O telefone não tocará Não haverá grandes festas familiares Nem amigos familiares Nem casamentos, nem batizados. Tuas primas não vão passar para te pegar Tuas poucas amigas estarão com as primas delas fazendo coisas de primas. Sais do teu país e logo te enterram com um lençol transparente Ficas dormindo no pensamento de teus irmãos. Aparece tua sombra nas conversas das tuas tias Vives nos olhos da tua mãe, que ora por ti. Teus velhos amigos te esquecem porque já não te veem Às vezes, algum sente saudade do teu riso e te escreve uma mensagem Nesse, ficou o abraço da tua juventude. No Natal, tua família te ressuscita com chamadas Teus seres queridos reaparecem mais velhos em telas Por umas horas já não estás abismada de solidão Deslizas entre as lembranças da tua cidade iluminada. Imagem: Mulher olhando para o horizonte - freepik Texto escrito por Caroline Prado Brasileira vivendo na Costa Rica, apaixonada por cachorros, plantas e fontes confiáveis. É internacionalista, tradutora e filóloga. Professora de Português como Língua Estrangeira (PLE) e História Contemporânea além de Filóloga especialista em Línguas Latinas. Revisão por Eliane Gomes Edição por João Guilherme
- Forrest Gump: uma história de muitas interpretações
O personagem Forrest Gump, interpretado por Tom Hanks , é frequentemente visto como um exemplo de pessoa com deficiência (PCD) que supera suas limitações . Desde a infância, Forrest enfrenta desafios físicos e cognitivos, mas sua resiliência e bondade o levam a conquistas extraordinárias . Ele se destaca em várias áreas, como esportes, negócios e até mesmo na guerra, demonstrando que suas limitações não definem seu potencial. Essa representação positiva de uma pessoa PCD é um dos aspectos mais celebrados do filme. Cartaz do filme Forrest Gump - Fonte: https://www.folhape.com.br/cultura/forrest-gump-globo-mostra-filme-comovente-com-tom-hanks-que-passeia/326377/ Alguns críticos interpretam “Forrest Gump” como uma celebração do americanismo, patriotismo e conformismo. Nessa visão, Forrest é retratado como um herói ingênuo que se adapta às circunstâncias sem questionar ou se rebelar contra as injustiças e os conflitos ao seu redor. Sua trajetória é vista como um reflexo do sonho americano, onde qualquer um pode alcançar o sucesso através de trabalho duro e determinação, independentemente de suas limitações. Por outro lado, há quem defenda que o filme é uma crítica sutil e irônica aos valores e acontecimentos históricos dos Estados Unidos. Forrest, com sua simplicidade e humor, é o único personagem que mantém sua integridade em meio a um ambiente de guerra e maldade. Nesse contexto, sua ingenuidade é vista como um ato de rebeldia e resistência , uma forma de criticar a complexidade e a corrupção do mundo ao seu redor. Cena do filme Forrest Gump - fonte: https://cinemacao.com/2020/05/01/dica-de-filme-forrest-gump-o-contador-de-historias-1994/ Outra interpretação sugere que “Forrest Gump” celebra a diversidade e a inclusão. Forrest supera suas limitações e se torna um sucesso em tudo que faz, encarando a vida de maneira simples e sem julgamentos. Sua história é um exemplo de resiliência e bondade, mostrando que as pessoas com deficiência podem alcançar grandes feitos e viver vidas plenas e significativas. Essa visão destaca a importância de aceitar e valorizar as diferenças individuais. Independentemente da interpretação, “Forrest Gump” continua a ser um filme que provoca reflexão e debate. A jornada de Forrest como uma pessoa PCD que supera obstáculos e encontra sucesso ressoa com muitos espectadores, inspirando discussões sobre inclusão, resiliência e os valores da sociedade. A complexidade do personagem e as múltiplas camadas de significado do filme garantem que ele permaneça relevante e impactante. FICHA TÉCNICA Filme: Forrest Gump: O Contador de Histórias (Forrest Gump) Elenco: Tom Hanks (Forrest Gump), Robin Wright (Jenny Curran), Gary Sinise (Tenente Dan Taylor), Mykelti Williamson (Benjamin Buford "Bubba" Blue) Direção: Robert Zemeckis TRAILER: Texto escrito por Gustavo Longo Atuante na área da tecnologia há vinte anos, conciliador, curioso, disposto e apaixonado em sempre ajudar as pessoas, além de crente no poder transformador da Educação. Nas horas vagas, busca aprender sobre mercado de ações e em descobrir curiosidades do mundo do cinema através do canal Youtube Faro Frame. Acaba de iniciar um projeto pessoal com sua esposa para viajar e "viver" como um cidadão local em cada capital brasileira por 30 dias nos próximos anos. Revisão: Eliane Gomes Edição: Felipe Bonsanto REFERÊNCIAS: https://pt.wikipedia.org/wiki/Forrest_Gump https://en.wikipedia.org/wiki/Forrest_Gump https://www.imdb.com/title/tt0109830/ ref_=nv_sr_srsg_1_tt_7_nm_1_q_forest%2520gump https://www.culturagenial.com/forrest-gump/
- De bebês reborn a jogos de aposta: como as bolhas virtuais moldam a sociedade
Este artigo integra o Dossiê: Redes Sociais e a Dinâmica das Tendências (Parte I) Hoje em dia, praticamente todo mundo acompanha algum influencer, youtuber ou celebridade nas redes sociais. Normalmente, são pessoas conhecidas por algum motivo: pode ser uma chef de cozinha, um pedreiro que também é artista, um streamer de jogos ou um personal trainer. Em certos casos, o destaque vem do fato de a pessoa ser um político ou um médico. Bolhas das redes sociais, imagem gerada por IA. De qualquer forma, essas pessoas e marcas exercem uma forte influência sobre um público, muitas vezes numeroso. Fãs-clubes surgem, tendências se espalham, e o que esses “ influencers ” publicam, falam e escrevem passa a ser levado a sério. Tudo o que um famoso diz parece ter algum fundamento. É bonito, é cool , soa inteligente. E assim se formam as bolhas. Com o auxílio dos algoritmos das redes sociais, esses públicos começam a descobrir mais influencers semelhantes aos que já seguem. Ao invés de somente acompanhar um nutricionista focado em alimentação saudável, uma mulher de meia-idade que está redescobrindo os exercícios na academia passa a consumir conteúdos de bodybuilders e atletas do fisiculturismo. As dietas tornam-se cada vez mais restritivas, os treinos mais intensos e prolongados. O mundo fitness é exigente. Do outro lado, um jovem de 18 anos acompanha apenas gamers e streamers que passam horas diante do computador ou videogame, sempre buscando formas inusitadas de se destacar no jogo. Inspirado por seu ídolo, ele começa a se vestir, falar e se comportar da mesma maneira, até decidir fazer suas próprias transmissões ao vivo, almejando alcançar a mesma fama. Essas bolhas coexistem dentro das mesmas redes sociais, muitas vezes sem interagir. Completamente paralelas, seus públicos seguem fielmente seus ídolos e frequentemente ignoram conteúdos externos. Neste texto, explorarei algumas dessas bolhas, seus protagonistas e suas crenças. O delirante mundo dos bebês reborn Bebê Reborn (Foto: Reprodução/Amazon) Em um cenário onde as redes sociais conectam as pessoas e constroem bolhas tão peculiares quanto inesperadas, surge o universo dos bebês reborn – bonecas hiper-realistas que se transformam em réplicas perfeitas de recém-nascidos. Assim como os influencers que conquistam legiões de fãs, os bebês reborn cativam uma comunidade apaixonada que os vê não apenas como uma representação da infância, mas também como a personificação do cuidado e da delicadeza em sua forma mais palpável. Vídeos publicados no TikTok e no Instagram mostram adultos tratando essas bonecas como crianças de verdade: agendando consultas médicas, oferecendo mamadeira, trocando roupas, levando para passear e até tentando utilizar assentos e filas preferenciais. Dentro dessa bolha, o fascínio ultrapassa a estética. Esse tipo de boneca pode custar entre R$ 750 e R$ 9,5 mil, dependendo do material e da complexidade da produção. As mais caras são feitas de silicone sólido, um material que se assemelha à textura da pele de um recém-nascido. O surgimento dessa tendência, especialmente entre adultos, é, no mínimo, preocupante. Pode revelar uma dificuldade em lidar com o real e com as relações humanas, levando alguns a se voltarem para o lúdico, para a boneca, para o brinquedo. Por mais realistas que sejam, os bebês reborn continuam sendo apenas representações feitas de material sintético, sem vida. Esse fascínio, porém, pode ser, para muitos, uma forma de suavizar as frustrações e angústias de um mundo cada vez mais complexo e desafiador. Legendários, o movimento cristão voltado para homens Eliezer, Thiago Nigro e Neymar pai já participaram do 'Legendários' — Foto: Reprodução/Instagram Dentro das bolhas, onde cada grupo se envolve em narrativas próprias que parecem verdades universais, surge o movimento Legendários — uma proposta que afirma “transformar a masculinidade do homem moderno”. Fundado com raízes cristãs, o Legendários desafia seus participantes a enfrentarem provas extremas, como a subida de montanhas, em eventos que podem ultrapassar o custo de R$ 81 mil. Nesse contexto, a bolha que congrega os participantes se fortalece por meio de uma crença compartilhada: as vivências intensas não apenas prometem renovar a masculinidade, mas também aprimorar a convivência familiar e fortalecer os laços matrimoniais. Assim como os influencers de outras bolhas, cujos discursos geram ecos de admiração entre seus seguidores sem que o público externo perceba—ou sequer se importe—os Legendários constroem sua própria realidade interna. Lá, o ato de subir uma montanha deixa de ser apenas um teste físico; torna-se um símbolo de superação pessoal e um momento de forte impacto emocional para as famílias. A imersão nessa experiência, promovida de maneira quase ritualística por meio de pregações e desafios intensos, reforça a sensação de pertencimento àquela bolha exclusiva, onde cada obstáculo vencido é celebrado como um passo para a descoberta do potencial interior. Essa dinâmica evidencia o poder dos algoritmos das redes sociais, pois, dentro da bolha dos Legendários, as mensagens e os valores promovidos se consolidam como verdades inquestionáveis para um público que, muitas vezes, ignora alternativas como psicoterapia ou outros tipos de tratamento. Em vez disso, os participantes investem grandes quantias em uma promessa de “jornada do autoconhecimento”, que pode também representar uma fuga da realidade. Virginia e a CPI das Bets No dia 13 de maio, a influencer Virginia Fonseca prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, no Senado. A comissão investiga se influencers que divulgaram casas de apostas cometeram atos ilegais. Virginia, como é conhecida nas redes sociais, tem cerca de 52 milhões de seguidores no Instagram. Empresária, é dona de uma marca de cosméticos, uma agência de influencers e uma grife de produtos infantis. Ganhou notoriedade após namorar o youtuber gamer famoso Rezende e consolidou sua fama com danças em redes sociais, campanhas publicitárias de grandes marcas e, posteriormente, seu relacionamento com Zé Felipe, filho do cantor sertanejo Leonardo. Porém, mesmo com 52 milhões de seguidores, Virginia ainda era desconhecida por muitas pessoas fora de sua bolha. Ao aparecer na CPI das Bets, muitos se perguntaram: Quem é essa mulher? Por que tanto alvoroço em torno dela? Por que havia senadores querendo tirar fotos com ela, como se fosse uma atriz famosa? Esse é o poder das bolhas. Elas alienam e fazem com que os seguidores de um determinado influencer acreditem que todo o mundo conhece seu ídolo. Mas o mundo é vasto, e o tempo passa. Em uma era tão fluida, nomes de influencers se misturam na mídia, e novos surgem constantemente. E a mídia, sem saber exatamente como lidar com esse fenômeno tão moderno e intrínseco a um mundo globalizado e informatizado, transforma tudo em notícia. Muitas vezes, sequer se preocupa em esclarecer quem é quem ou de onde veio. Assume que, por ser famoso dentro de uma bolha, fulano é automaticamente conhecido por todos. Mas não se engane: além de Jesus Cristo e o Diabo, poucos nomes são realmente universais. Texto escrito por Eliézer Fernandes Fundador e Editor-chefe do Portal Águia, curioso e questionador por natureza. Fascinado por História e Tecnologia, passa seu tempo livre aprendendo sobre outras culturas, jogando vídeo-game e assistindo episódios perdidos de Star Wars e The Wire. Revisão por Eliane Gomes Referências: https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/05/13/entenda-em-5-pontos-por-que-Virginia-foi-a-cpi-das-bets-e-o-que-ela-disse.ghtml https://www.infomoney.com.br/brasil/o-que-e-um-bebe-reborn-entenda-polemica-que-tem-crescido-nas-redes-sociais/ https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2025/04/08/legendarios-por-que-homens-pagam-ate-r-81-mil-para-subir-montanha-e-melhorar-casamento.ghtml












