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The Big Five: Os cinco grandes traços que descrevem você

Qual a sua casa no Harry Potter? Qual personagem de Friends você seria? Qual elemento você iria dobrar se fizesse parte do Avatar? Qual a sua sigla do teste de 16 personalidades? Qual princesa da Disney você seria?


Todas essas perguntas demonstram como nós, seres humanos, adoramos nos classificar e classificar os outros, tanto para nossa satisfação pessoal quanto para facilitar nosso convívio em sociedade.

Testes de personalidade

Toda semana um teste novo de personalidade sai no buzz feed e um número enorme de pessoas rotineiramente checam o próprio horóscopo e mapa astral para tentar se entender melhor e tomar decisões mais sábias ou simplesmente para se diverti. A pergunta que fica é: esses testes realmente funcionam?




Como saber se um teste de personalidade funciona?


Testes de personalidade devem em geral apresentar dois critérios:


1. Confiabilidade: basicamente a consistência do resultado ao longo de indivíduos e ao longo do tempo;

2. Validade: a comprovação de que o teste mede o que diz medir, de forma que possamos usar o resultado para prever comportamentos e reações emocionais na vida real;


Com isso em mente, você, caro leitor, já deve entender o porquê da maioria dos testes não funcionarem, de modo que apresentam resultados inconsistentes ou inúteis no geral. Nesse sentido, existe agora algum teste que atende esses critérios de forma acurada e segura?


Qual a sua personalidade?

The Big Five


O teste que melhor respeita tais critérios é conhecido como The Big Five (Os cinco grandes, em tradução livre). Esse teste analisa cinco traços presentes em todos os humanos em maior ou menor grau, nos dando um resultado que não só podemos confiar, mas também validar.


Os cinco traços são:

1. Extroversão: como o nome diz, ele mede o quão extrovertido ou confortável você se sente em interações sociais;

2. Neuroticismo: mede o quão estável emocionalmente você é ou o quanto você consegue lidar com situações estressantes e emocionalmente carregadas sem apresentar emoções negativas;

3. Afabilidade/Agradabilidade: mede sua aversão à conflitos ou o quanto você se importa em agradar e cooperar com as pessoas;

4. Conscienciosidade: mede a autodisciplina e organização;

5. Abertura para novas experiências: mede curiosidade e interesse em novas experiências em geral.


Baseando-se nesses cinco traços muitos já devem ter se identificado com algum deles mais do que outros, o que é de se esperar. Os testes que se baseiam nos cinco traços com comprovação e fundamentação científica utilizam um modelo cujo o indivíduo testado irá selecionar frases e adjetivos que ele se identifica mais ou menos (por exemplo, me vejo como alguém sociável e extrovertido) e uma escala do quanto a pessoa concorda ou discorda dessa afirmação.


Após a coleta das respostas, uma pontuação é dada em cada traço, o que lhe revela quais são os mais extremos, tanto para alto quanto baixo, criando, assim, uma descrição bem detalhada da personalidade humana.


Como esse teste foca mais em como você se enxerga, obviamente, vieses podem ser incorporados aos resultados e existe a possibilidade deles serem falsos. No entanto, se comparado com os outros testes, ainda ele é muito positivo.


O que o The Big Five consegue prever?


Bom desempenho no trabalho, prazer e satisfação com os estudos, capacidade de executar tarefas, capacidade de criar um ambiente agradável e colaborativo no trabalho, alinhamento político e até mesmo a compatibilidade entre pessoas que pode e foi prevista utilizando esses traços.


Como e onde eu faço este teste?


Se o leitor busca apenas se conhecer melhor e entender suas tendências comportamentais, um teste traduzido e anexado ao final deste artigo será disponibilizado.


Ele possui 44 perguntas e instruções de como respondê-las, calcular e interpretar seus resultados. Esse teste infelizmente não possui qualidade suficiente para ser utilizado como instrumento psicológico.


Caso o leitor esteja buscando algo mais acurado, é preciso testes pagos que podem ser achados na internet, porém apenas em língua inglesa.


Se eu não gostar dos meus resultados, o que eu faço?

É possível que o leitor fique insatisfeito com algum de seus resultados, por isso é importante ressaltar que é possível modificar a própria personalidade, apesar de não ser algo fácil.


Treinamentos de assertividade foram utilizados para tornar pessoas menos afáveis (diminuir o grau de agradabilidade) e drogas psicodélicas como Psilocibina apresentaram evidências que após o uso do grau de abertura para experiência aumenta grandes eventos pessoais como casamentos, filhos e até traumas podem mudar os traços de personalidade de forma permanente.


Caso o leitor queira se tornar mais assertivos, extrovertido ou curioso, a simples prática de tais padrões comportamentais a longo prazo podem ser efetivos, porém a “configuração” dos traços iniciais sempre terá um maior viés, já que apresenta raízes genéticas.



Quem é você?


Como utilizar meus resultados para melhorar o meu desempenho e a minha qualidade de vida?


A resposta é até que intuitiva. Um meio é olhar seus traços como seu nicho social, da mesma forma que animais e seres vivos possuem nichos ambientais, alimentares e geográficos, nossa personalidade pode ser lida como nosso nicho social.


Pessoas extrovertidas se dão bem em interações sociais, portanto, encontrar ambientes nos quais as demandas sociais são feitas em excesso pode ser benéfico. Pessoas altamente afáveis adoram ajudar pessoas, então trabalhos voluntários ou carreiras que envolvem no cuidado de outros humanos são escolhas lógicas.


De forma resumida, você pode interpretar seus traços como atributos e montar uma estratégia para maximizar aqueles, em que você é forte e nulificar aqueles que você é fraco.


Para realizar o teste The big five, use o link a seguir:




Texto escrito por Heictor Bellato

Graduando em Zootecnia, apaixonado por Ciência e Filosofia. Também acredita que são as pessoas que podem trazer as soluções para os problemas do mundo.


 

Fontes



Sackett, P. R., & Walmsley, P. T. (2014). Which personality attributes are most important in the workplace?. Perspectives on Psychological Science, 9(5), 538-551.


oto, C. J. (2015). Is happiness good for your personality? Concurrent and prospective relations of the big five with subjective well‐being. Journal of personality, 83(1), 45-55.


Jacques-Hamilton, R., Sun, J., & Smillie, L. D. (2019). Costs and benefits of acting extraverted: A randomized controlled trial. Journal of Experimental Psychology: General, 148(9), 1538.


Trapmann, S., Hell, B., Hirn, J. O. W., & Schuler, H. (2007). Meta-analysis of the relationship between the Big Five and academic success at university. Zeitschrift für Psychologie/Journal of Psychology, 215(2), 132-151.


Specht, J., Egloff, B., & Schmukle, S. C. (2011). Stability and change of personality across the life course: the impact of age and major life events on mean-level and rank-order stability of the Big Five. Journal of personality and social psychology, 101(4), 862.


Hudson, N. W., & Fraley, R. C. (2015). Volitional personality trait change: Can people choose to change their personality traits?. Journal of personality and social psychology, 109(3), 490.


Hudson, N. W., Briley, D. A., Chopik, W. J., & Derringer, J. (2019). You have to follow through: Attaining behavioral change goals predicts volitional personality change. Journal of personality and social psychology, 117(4), 83



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