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Violência contra mulher: Qual o papel do homem nessa luta?

Diariamente acompanhamos notícias tristes e revoltantes através dos meios de comunicação sobre a violência contra a Mulher, principalmente casos de feminicídio.


Nos últimos dias o debate sobre a violência contra a Mulher veio à tona novamente, após os ex-jogadores de futebol Daniel Alves condenado por estuprar uma jovem na Espanha, e Robinho que foi condenado por estupro coletivo, após estuprar junto de amigos uma jovem albanesa na Itália e após decisão da justiça brasileira, começou o cumprimento de sua pena no Brasil.


Muito se debateu sobre esse tema nas redes, nas rodas de conversas, e dentre esses debates o que chamou mais a atenção foi o silêncio dos homens, e a tentativa de muitos de minimizar um ato tão cruel quanto o estupro.


Nem mesmo a CBF, da qual se esperava um posicionamento,  tomou qualquer atitude, somente após pressão de uma parte da sociedade, o presidente fez uma fala branda sobre o caso, isso demonstra que o pacto do patriarcado segue vivo como nunca.


Um exemplo claro foi a fala do treinador de futebol Dorival Junior que pareceu mais se solidarizar com o Robinho condenado por estupro, do que com a vítima.



Diante de tudo isso, cabe a nós repensar qual é o papel do homem no combate á violência contra a mulher, diante de toda violência vista , ocasionada pelo machismo, pela misoginia, o que os homens têm feito e o que vão fazer daqui pra frente para combater este crime tão covarde que é o trato das mulheres como coisas descartáveis e manipuláveis.


Números da violência


No ano passado a cada 24 horas pelo menos 8 mulheres foram vítimas de violência doméstica, segundo dados do observatório nacional de segurança, isso apenas em 8 estados dos 9 monitorados, os dados demonstram que há uma enorme subnotificação de casos de violência, onde boa parte dos casos são praticados por pessoas próximas, principalmente companheiros. Os números são extremamente alarmantes, há uma percepção de que a violência contra as mulheres aumentou e precisa ser combatida.



Papel do homem


Os homens devem ter um papel fundamental no combate a violência contra a mulher.


Exemplos claros de se posicionar, é o caso do motoboy de São Paulo que aguardava para fazer uma entrega quando avistou uma mulher sendo agredida por um homem, no intuito de defender a mulher, atravessou a rua de maneira tranquila e passou um rodo (rasteira) no agressor que não revidou, as pessoas que estavam a volta e até então não fizeram nada, aplaudiram a atitude do entregador, mas isso nos faz refletir, que haviam diversos homens e nenhum defendeu aquela mulher.


Há um longo caminho a  percorrer, mas primeiro deve-se romper com a cultura da violência e com o sistema patriarcal machista. O domínio dos homens sobre as mulheres é algo que não deve existir, e se posicionar quando há casos de violência contra a mulher é fundamental, apoiar a vítima e condenar o agressor faz parte desse processo, não se pode passar a mão na cabeça de criminosos, mesmo que sejam de suas relações de amizade, e entender que as mulheres dispõem dos mesmos direitos que os nossos também é crucial, a sociedade não pode mais ser cúmplice da violência contra a Mulher.


As leis precisam ser mais severas e claras, sem margem para interpretações que beneficiem os agressores, servidores públicos devem ser capacitados e o tema combate a violência, ao machismo deve ser colocado nas escolas desde o início, para formarmos homens com mentalidades diferentes e conscientes de que a violência contra a mulher não deve existir.


Evoluímos enquanto sociedade, já que este debate nem ao menos era feito, mas lamentavelmente há muito o que evoluir, deveríamos estar muito à frente neste debate, acredite se quiser, ainda nos tempos atuais era utilizado como excludente de ilicitude o argumento de que o crime de feminicídio havia sido cometido pela legítima defesa da honra do assassino, felizmente uma decisão liminar do STF, não permite mais que esse argumento seja utilizado em nenhuma fase do processo;


Esperamos que seja definitivamente banido, mas já é um grande avanço não permitir que um assassino reconhecido use essa justificativa  que nunca deveria ter existido  para justificar um crime tão bárbaro quanto o feminicídio.


No congresso deve ter mais mulheres que lutem pelos direitos das mulheres e homens que se somem nessa luta, felizmente aos poucos este caminho está sendo conquistado, com muita luta, mas já há avanços, e tais avanços só foram conquistados graças as Mulheres feministas que nunca deixaram de lutar e denunciar, e seguem lutando contra o machismo e todas as formas de violência contra a Mulher, que toda sociedade se torne feminista.


Texto escrito por Ivo Mendes

É ativista e militante há mais de 12 anos em pautas antirracistas e no combate às desigualdades sociais no Brasil. Retirou o medo do seu vocabulário, por isso é um sonhador por essência e entusiasta por sobrevivência. Formado em Gestão da Tecnologia da Informação, passou pela vida política da Baixada Santista e atualmente trabalha na área administrativa e integra a equipe de colunistas do Portal Águia.




Revisão por Eliane Gomes

Edição por Felipe Bonsanto

 

REFERÊNCIAS







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