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Eleições na Venezuela: os dilemas e o alinhamento dos países na América Latina


As eleições da Venezuela serão em 28 de julho, e o clima já esquentou entre a oposição e o atual governo de Nicolás Maduro. Ou melhor, ex-oposição, já que, de acordo com as autoridades venezuelanas, a candidata da oposição não pôde se registrar para concorrer, pois tinha cometido “ações desestabilizadoras”, segundo palavras do Ministério Público do país sul-americano. Vamos entender mais sobre esse assunto tão polêmico.



A ex-candidata às eleições da Venezuela, Maria Corina Machado, do partido Vente Venezuela, era a maior rival do atual presidente Nicolás Maduro nas eleições de 2024. Porém, nesse cenário, há um grande problema: Machado e outros possíveis candidatos foram, pouco a pouco, vetados nesse processo eleitoral.

Fonte: Carta Capital / ex-candidata Maria Corina Machado do partido Vente Venezuela, oposição de Maduro

De acordo com o sistema eleitoral, o Ministério Público e outras autoridades do país, Machado cometeu alguns atos, que até o momento não foram devidamente explicados ao eleitor venezuelano, e a sua possível substituta, Corina Yoris, da Plataforma Unitária Democrática (PUD), não conseguiu fazer a inscrição para as eleições, pois também foi vetada. Analisando o cenário eleitoral da Venezuela, percebe-se que Maduro está desesperado com o provável resultado dessas eleições, e de acordo com as pesquisas o atual governante tem entre 15% e 20% das intenções de voto. Ou seja, Maduro já sente que será derrotado.


Apoio Internacional


Perante aos atuais acontecimentos, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do Brasil, e Gustavo Petro, da Colômbia e até Emmanuel Macron, da França, apoiaram a oposição de Maduro, manifestações que foram agradecidas por Maria Corina Machado, que em seus últimos discursos disse que o apoio desses líderes mostra que seu partido está no caminho certo e justo. A ex-candidata ainda pediu aos líderes democráticos do mundo que apoiassem a plena implementação do Acordo de Barbados¹.


Fonte: Jornal O Globo / o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

O avanço eleitoral da oposição de Maduro


Após um grande pleito, com discussões e impedimentos, a PUD informou a aprovação por unanimidade da candidatura de Edmundo González Urrutia, a alternativa após a tentativa da candidata anterior (Yoris) de concorrer pelo partido. O secretário-executivo da PUD está otimista e diz que “será uma campanha vitoriosa”, e declarou que o candidato está devidamente inscrito no Conselho Nacional Eleitoral. Ou seja, finalmente a oposição conseguiu colocar um candidato para concorrer com Maduro.

Protestos Internacionais

Ante toda essa polêmica, muito países (além do Brasil, da Colômbia e da França) como Costa Rica, Argentina, Equador e outros, protestaram em relação a PUD não poder inscrever Corina Yoris no processo eleitoral e fizeram um grande protesto internacional, frisando que todo processo de eleição precisa ser democrático, manifestando um grande descontentamento e sérias preocupações com os obstáculos impostos por todo o sistema eleitoral da Venezuela.

Fonte: Human Rights Watch - Relatório Mundial 2024

A Venezuela sofreu um grande êxodo político e econômico, resultando na saída de mais de 7,5 milhões de pessoas do país, segundo os dados do Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), algo que chama muito a atenção da comunidade internacional; países como Brasil e Costa Rica recebem muitos desses imigrantes, que estão saindo de seus lares, em busca de uma vida melhor, pois se sentem econômica e politicamente ameaçados.


Agora, somente nos resta aguardar o resultado das eleições. Ou antes, nos resta ver os próximos capítulos dessa corrida contra o tempo, e contra o sistema venezuelano, na tentativa de melhorar a condição do povo através do voto.



Texto escrito por Caroline Prado

Professora de Cultura Brasileira e Português para Estrangeiros, internacionalista, estudante de Filologia e Línguas Latinas, Embaixadora do Projeto Libertas Brasil na Costa Rica, apaixonada por plantas, livros e fontes confiáveis.




Revisão por Eliane Gomes

Edição por Felipe Bonsanto


 

¹ Acordo de Barbados: O governo brasileiro congratula-se com o governo e a oposição da Venezuela pela assinatura dos Acordos para Promoção dos Direitos Políticos e Garantias Eleitorais e para Garantia dos Interesses Vitais da Nação, em 17 de outubro, em Barbados. Os Acordos, assinados no contexto de processo de mediação conduzido pela Noruega, são resultado dos esforços de diálogo promovidos por diversos países, inclusive o Brasil, junto aos atores políticos venezuelanos, com vistas à construção de consensos que permitam ao país realizar eleições presidenciais em 2024. Na esteira dos entendimentos consignados nos Acordos de Barbados, o governo brasileiro saúda o anúncio da libertação de oposicionistas presos, pela Venezuela, bem como o levantamento parcial, pelos Estados Unidos, de sanções impostas àquele país. Trata-se de passos relevantes, que comprovam que o diálogo constitui o melhor caminho para a solução dos desafios sociais e políticos enfrentados pela Venezuela.

No entendimento de que sanções unilaterais são contrárias ao direito internacional e prejudicam a população dos países afetados, o Brasil acredita que o levantamento total e permanente de sanções contribuirá para normalização da política venezuelana e estabilidade regional.

Texto adaptado do site www.gov.br

 

 

 

 

 

 

 

 

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