Por que a Geração Z rejeita o modelo tradicional de trabalho
- Alice Trindade

- há 4 dias
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Esse grupo já ocupa espaço nas corporações, mas ainda enfrenta resistência e choques culturais em ambientes mais conservadores.

A Geração Z, formada por pessoas nascidas entre meados da década de 1990 e 2010, é conhecida como “nativa digital”. O termo descreve aqueles que cresceram em meio às inovações tecnológicas como internet, computadores e smartphones, e que, por isso, desenvolveram uma relação natural com o ambiente digital.
Esse grupo traz consigo características marcantes, como a capacidade de realizar múltiplas tarefas, pensamento ágil e criatividade, atributos que se revelam promissores no campo profissional.
Ano após ano, cresce o número de indivíduos da Geração Z que ingressam no mercado de trabalho, um movimento natural, já que boa parte dos “zoomers” atingiram a maioridade. De acordo com relatório da consultoria McKinsey, em 2025 esse grupo representou um quarto da força de trabalho global. A projeção indica que, em aproximadamente cinco anos, essa participação poderá chegar a 30%.
Com base nesse cenário, é possível afirmar que a crescente participação da Geração Z tende a redefinir padrões de produtividade, comunicação e relacionamento dentro das organizações. No entanto, os zoomers ainda enfrentam obstáculos para se adaptar a ambientes tradicionais e lidar com expectativas profissionais que, muitas vezes, não dialogam com sua visão de mundo.
Uma geração criada em meio à recessão
Se os Millennials já haviam rompido barreiras, abrindo espaço para novas formas de trabalho e enfraquecendo estruturas rígidas, a Geração Z aprofunda ainda mais essa transformação. Diferentemente de seus antecessores, os zoomers não apenas desejam flexibilidade e propósito: eles consideram esses elementos indispensáveis para permanecer em uma empresa.
Esse pensamento exerce pressão sobre organizações que ainda operam em modelos hierárquicos tradicionais, exigindo transformações culturais que vão além da adoção de tecnologias. Trata-se de uma revisão profunda de valores, práticas de gestão e dinâmicas de convivência no cotidiano corporativo.

Além disso, boa parte da Geração Z cresceu em meio a períodos de recessão econômica, o que faz com que o trabalho seja percebido mais como uma necessidade do que projeto de vida ou realização pessoal. Assim, quando as condições oferecidas não correspondem às expectativas de estabilidade, reconhecimento e bem-estar, o ambiente profissional tende a se tornar fonte de frustração.
Ademais, os jovens da Geração Z enfrentam, atualmente, desafios ligados à valorização da carreira por meio dos estudos, já que o diploma deixou de oferecer as garantias de outrora. Com o avanço acelerado da tecnologia e a crescente competitividade, faltam alternativas de emprego para profissionais qualificados, sobretudo vagas que reconheçam e valorizem sua formação acadêmica.
Comportamentos na esfera profissional
A Geração Z se apresenta como um grupo que se relaciona com o trabalho de uma forma bastante distinta, sem apego ou fidelidade a um único emprego e com uma necessidade constante de mudança. Esse comportamento está diretamente ligado à socialização desses jovens em um mundo acelerado, digital e altamente competitivo, no qual novas oportunidades surgem a todo instante. Por isso, eles tendem a priorizar experiências que promovam aprimoramento profissional, bem-estar e alinhamento com seus valores pessoais.

Nesse cenário, as práticas tradicionais das corporações mostram-se insuficientes, exigindo das empresas estratégias mais flexíveis, transparentes e centradas no indivíduo. A Geração Z valoriza empregadores que escutam seus colaboradores, cultivam ambientes leves, oferecem flexibilidade de horários e estimulam a criatividade.
O que esperar do futuro
Atualmente, muitas empresas vêm se adaptando para acompanhar as novas demandas do mercado. Observa-se uma abertura crescente para inovações tecnológicas, maior incentivo ao diálogo interno e flexibilização de horários, incluindo a adoção de modelos híbridos e do trabalho remoto.
Ao mesmo tempo, os zoomers têm se mobilizado de forma mais ativa em defesa de melhores condições de trabalho. Um exemplo é a campanha pelo fim da escala 6x1, que busca reduzir jornadas exaustivas e promover uma valorização mais justa da força de trabalho.
Paralelamente, o avanço acelerado das ferramentas de Inteligência Artificial tende a remodelar diversas funções, exigindo da geração Z um aprimoramento contínuo de competências. Das empresas, por sua vez, será necessária uma postura mais atenta às capacitações e ao equilíbrio entre tecnologia e humanidade.
No futuro, cresce também a necessidade de redefinir o próprio sentido do trabalho. Para a Geração Z, equilíbrio emocional, saúde mental e propósito ocupam posição central, fatores que devem levar as corporações a repensar suas práticas internas e a valorizar de forma mais consistente a contribuição desse grupo.
Texto escrito por Alice Trindade
É graduada em Comunicação Social - Jornalismo, gosta de bons livros, cafés da tarde e sempre está em busca de novos hobbies. Atualmente, integra a equipe de colunistas do Portal Águia.







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