top of page

Misoginia política e o silenciamento de Marina Silva

Atualizado: 3 de set. de 2025

Foto da ministra Marina Silva falando ao microfone durante sessão em comissão no congresso.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Em maio de 2025, uma das vozes mais respeitadas do país foi silenciada diante das câmeras. Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, foi alvo de um ataque misógino e racista durante audiência pública na Câmara dos Deputados. O episódio escancarou o que muitas mulheres negras já sabem: ocupar espaços de poder no Brasil é, ainda, um ato de resistência.


Marina foi interrompida de forma agressiva, desrespeitosa e com conotação sexual, por um parlamentar que, em vez de debater ideias, optou por atacar a sua dignidade. O gesto ultrapassa a esfera do desacordo político. Trata-se de um padrão que tenta, sistematicamente, minar a presença de mulheres em espaços públicos e políticos.


Esse tipo de violência é um mecanismo de controle. O silenciamento de mulheres, especialmente negras, é uma estratégia histórica do patriarcado para deslegitimar suas vozes, reduzir sua autoridade e desencorajá-las a permanecer. No caso de Marina, o ataque também carrega um componente simbólico: atinge não só a mulher, mas a ministra que representa pautas de preservação ambiental, justiça climática e direitos dos povos originários.


A reação da sociedade civil e de movimentos sociais não tardou. Mulheres de diferentes espectros políticos se manifestaram em solidariedade à ministra. Ainda assim, o episódio evidencia o quanto precisamos avançar na responsabilização institucional. Não basta a indignação coletiva — é preciso ação efetiva.


É urgente entender que o que está em jogo não é apenas o respeito a uma autoridade pública, mas a sobrevivência da democracia. Quando uma mulher como Marina é interrompida e desrespeitada, todas nós somos afetadas. A mensagem enviada é clara: ainda há quem acredite que determinados corpos não devem ocupar determinados espaços.


A misoginia política não é um problema isolado. Ela está enraizada na cultura parlamentar brasileira, que naturaliza a hostilidade contra mulheres que ousam contrariar estruturas de poder consolidadas. Em um país onde a representatividade feminina na política é ainda tão baixa, cada ataque como esse tem efeito multiplicador — inibe candidaturas, esvazia o debate e afasta novas lideranças.


Portanto, é preciso nomear o que aconteceu: misoginia, racismo, silenciamento. Só assim poderemos criar mecanismos de prevenção, proteção e reparação para que casos como esse não se repitam.


Nomear é o primeiro passo para transformar.



Texto escrito por Christiane Figueiredo



Revisão por Eliane Gomes

Edição por João Guilherme V.G

Comentários


bottom of page