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Burnout: Os sinais pedem atenção (e mudanças)

Atualizado: 12 de set. de 2025

Homem com as mãos cobrindo o rosto, cercado por outras mão com folhas, telefone celular, caneta como se estivessem pedindo para ele fazer algo.

No começo, era aquele cansaço que o fim de semana não conseguia aliviar. Depois, a cabeça simplesmente não desligava mais. O café já não ajudava, e as coisas que antes traziam alegria começaram a perder o encanto. Isso, na verdade, pode ter outro nome: síndrome de burnout.


Nos últimos anos, a palavra deixou de ser apenas um termo técnico e virou assunto comum no dia a dia, até mesmo virar meme na internet. E não é à toa: de acordo com a Associação Nacional de Medicina do Trabalho, cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros convivem com essa síndrome. Esse índice coloca o Brasil entre os países com maior prevalência do problema no mundo.


Mas o que é o burnout?


Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico, resultante de situações de trabalho desgastantes que exigem alta competitividade ou responsabilidade.  A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho. Esta síndrome é comum em profissionais que atuam sob pressão constante, como médicos, enfermeiros, professores, policiais, jornalistas, entre outros. Fonte: Ministério da Saúde 


Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, a síndrome se manifesta por três sinais principais:

  • Exaustão emocional

  • Distanciamento mental ou cinismo em relação às atividades

  • Redução da eficácia profissional


Na prática, os sintomas vão além: cansaço físico constante, insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração, desmotivação e até isolamento social. O agravante é que, muitas vezes, quem está em burnout nem percebe — ou prefere não admitir, por medo de julgamento ou represálias no trabalho.


Entre os sinais mais comuns, destacam-se:

  • Agressividade

  • Isolamento

  • Mudanças bruscas de humor

  • Irritabilidade

  • Dificuldade de concentração

  • Lapsos de memória

  • Ansiedade

  • Depressão

  • Pessimismo

  • Baixa autoestima

  • Ausências no trabalho



O outro lado da moeda: o mundo do trabalho hoje


A força de trabalho no Brasil vive um processo acelerado de precarização. A promessa de estabilidade e direitos – conquistada com décadas de luta – vem sendo substituída por contratos frágeis, vínculos temporários e avanço da informalidade.


Essa precarização não é um fenômeno isolado, mas parte de uma engrenagem econômica que transforma o trabalhador em recurso descartável, sempre substituível e constantemente pressionado a produzir mais com menos.


Assim o trabalhador, sem perceber, assume jornadas extensas, muitas vezes sem regulamentação ou descanso garantido, correndo atrás de metas invisíveis e números que mal existem na vida real. É uma lógica de drenagem de energia, tempo e saúde — exatamente onde o burnout encontra terreno fértil para crescer.


Cuide-se… o quanto antes!


O combate ao burnout não pode ser de responsabilidade exclusiva do trabalhador. É preciso um esforço coletivo para minimizar o adoecimento:


  • Reconheça os sinais cedo: fadiga, dificuldade de concentração, distanciamento emocional e irritabilidade são alertas.

  • Estabeleça limites claros: defina horários de trabalho, crie pausas e respeite o descanso.

  • Reduza o tempo de tela fora do expediente, especialmente no celular e e-mails.

  • Cuide do corpo e da mente: sono regular, alimentação equilibrada, atividade física e práticas de relaxamento (meditação, respiração, hobbies).

  • Busque apoio profissional: psicoterapia, grupos de apoio e acompanhamento médico ajudam a evitar consequências mais graves, como depressão e ansiedade crônica.


Burnout não é “frescura”, muito menos sinal de fraqueza. É um alerta de que algo está errado no ritmo e nas condições de trabalho  e a culpa não é do indivíduo. Reconhecer, compreender e enfrentar os sinais (e o sistema que adoece) é preservar a qualidade de vida e o bem-estar.


Texto escrito por Jeane Queiroz

É jornalista e pós-graduanda em Assessoria de Imprensa e Gestão da Comunicação. Orgulhosa "fã de carteirinha" de K-pop, fundou o coletivo Liga Comunarmy, que une fãs do grupo sul-coreano BTS focados em disseminar a perspectiva da luta de classes através do incentivo e análises das músicas da banda.



Revisão por Eliane Gomes

Edição por João Guilherme V.G.


Referências:











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